quinta-feira, 21 de março de 2019

Quando Te Conheci



Longe de querer mais do que me dás.
Conheci-te tão rápido, que passei a desconhecer-me!
Mas no momento certo lá sabia qual era o meu lugar!

Não quero mais do que me dás.
Mas eu sou uma bagagem, um passado.
Com ele caminho para todo lado,
A qualquer momento sinto o seu peso.

Parece que foste apenas mais alguém que sentiu esse peso.
Porém simplesmente conseguiste torná-lo mais leve.

É essa leveza que gosto mais em ti.
Porque é quando me sinto melhor.
Nem que fosse só o som das tuas palavras.

Tudo tem que ter um principio e um fim.
É a máxima da vida e o que nos rege.

Sendo este fim em si mesmo.
A experiência fica e transforma.
Tu não desapareces
Apenas adormeces e continuas na tua.

Eu na minha, relembro.
Memórias breves, que sei, se vão dissipar.
Mas melhor ainda são as ideias que vieram para ficar.

sábado, 2 de março de 2019

Òscars 2018

De facto os Òscars perderam para mim o valor que tiveram desde sempre até há alguns anos atrás. Fui percebendo que cada vez mais eu não ligava aos nomeados, nem estava para perder uma noite a visionar a cerimónia.

Em 2011 escrevi, e foi neste ano que tudo mudou:

E assim já passou a octogésima terceira edição dos Óscars desde a sua primeira edição a 16 de Maio de 1929 no Hotel Roosevelt. De uma forma muito sucinta o que tenho a relatar da cerimónia deste ano é o glamour que sempre invade esta festa de cinema e na forma como milhões de milhões de pessoas esperam para saber os vencedores das diferentes categorias.
Mas como referi logo no início pensei nos Óscars deste ano de uma forma diferente. Em primeiro lugar a clareza que agora se sabe os vencedores, não sendo mais porque nos últimos anos a comunicação social dá mais destaque a outros prémios e festivais (Cannes, Sundance, ...) e com isso normalizou a escolha dos opinion makers e consequentemente da opinião pública. No ponto de vista dos media, são eles na verdade que criam os vencedores. Em segundo lugar, é complicado concordar com a decisão da Academy Of Motion Picture Arts & Sciences quando para nós houve filmes esquecidos e outros que mereciam o Óscar de determinada categoria.

Comecei a observar em mim, depois de escrever aquelas linhas um desinteresse para tudo aquilo que os Òscars sempre representaram. No fundo, os prémios passaram a ser uma escolha popular e de bilheteira e não propriamente da linguagem cinematográfica.

Frame do Filme Roma
Em 2012 alguma esperança renasceu e sobre os prémios da Academia de Hollywood desse ano escrevi:

Podemos também entrar mais profundamente nas diferenças entres os dois filmes. Algo que foi muito bem explicado por Adam Cook num artigo para o notebook do MUBI. Diz ele o seguinte. "Hugo is a 3D/color/American “blockbuster” shot in Paris and London and The Artist is a 2D/black and white/French “festival” film shot in Hollywood." E continua dizendo que eles têm alguns aspetos em comum como: o franco conhecimento de cinema dos dois realizadores; que os dois filmes apresentam-se como uma resiliente (elástico) força e implícitos argumentos que o cinema como tecnologia altera a forma de fabricar a arte e, assim, o cinema consegue evoluir e sobreviver e depois aponta mais analiticamente características (as que estão escritas na citação acima); técnicas que diferenciam os dois.
Quanto a mim, e de forma a finalizar o post, apenas estou contente por a cerimónia dos Óscars deste ano e todas as pessoas responsáveis tenham sido capazes de homenagear o cinema tal como ele é, ou seja, uma forma de arte. E que Michel Hazanavicius e Martin Scorcese tenham ganho os prémios e com isso o mérito reconhecido.
Passaram alguns anos e a decadência do cinema e a sua glorificação maior sofreu um detrimento, que passa pela monopolização da Marvel, sequelas e prequelas e uma falta de originalidade que simplesmente afastou os espectadores e fez o cinema ter perdas irreparáveis.

Por esta e outras razões as plataformas de streaming ganharam o que o cinema perdeu e tornou-se na forma moderna de consumir produtos audiovisuais. E percebemos em 2018 que os estúdios cada vez gastam mais e os prémios cada vez têm menos valor.


Frame do Filme Roma

Concluindo, escrever sobre a glorificação maior do cinema norte americano e mundial, para mim perdeu todo o encanto. Porém este ano os acontecimentos levaram-me a analisar em maior profundidade.

Nomeadamente a forma como as plataformas de streaming se aliaram para renovar estratégias, mais concretamente com o lançamento do filme Bird Box (2018) que teve primeiro a sua estreia em cinema e só depois nas plataformas.  Algo que se provou um sucesso, pois o filme tornou-se um hit viral conquistando milhões de espectadores em todo mundo.

Por outro lado temos também o filme Roma (2018) que é um hino à forma como se pode escrever cinema e usar toda a sua linguagem para criar um objeto capaz de cativar do princípio ao fim do filme. E que também foi nomeado para os Òscars na categoria de melhor filme estrangeiro.

Um filme a preto e branco de Alfonso Cuarón, é um relato auto biográfico do México de hoje. Patente na história de uma empregada doméstica, que espelha todos os mexicanos e que hoje parecem ser perseguidos pela política norte-americana especialmente por Donald Trump e o muro que pretende construir.

Nos Òscars deste ano, vimos mais uma vez que bilheteira é que escolhe os vencedores e a qualidade cinematográfica é circunscrita para um plano de resilientes que ainda respiram cinema.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Boneca Russa

Dei por mim a pensar que mudei bastante nos últimos anos no que toca ao gosto audiovisual. Porque há uma década atrás passava a maior parte do meu tempo a ver filmes. As séries, por aquele facto, estavam reduzidas a pouco mais de uma mão.

Nos dias hoje acontece completamente o inverso. E dou por mim a escrever mais sobre séries aqui no blog do que filmes. Um dos factos que me leva a pensar que mudei...

Acredito que isto também se deva há invasão do streaming global e a forma banal como podemos consumir conteúdo audiovisual nos dias de hoje.




A Netflix assume-se no momento como a principal fornecedora deste tipo de serviço, pelo menos no que toca a número de utilizadores. Mas existem outras...  Nos últimos tempos, a Netflix sofreu uma alteração nos seus planos de pagamento, o que fez com que os subscritores reclamassem e o recurso à pirataria aumentasse.

Porém a empresa é líder no mercado e por isso muitas são as séries que têm dado buzz aos apreciadores e críticos do meio.

Uma dessas séries é a recente Russian Doll.  Uma série diferente, assente numa forma pouco convencional de storytelling e um magnetismo patente na personagem principal.

Natasha Lyonne, com uma interpretação que merecia um óscar, leva-nos a questionar a vida, a morte, o tempo e o que fazer com ele.
A narrativa baseia-se num Loop que começa com a atriz na casa de banho da casa de uma amiga, enquanto festejavam o seu aniversário, até ao momento que morre. Recomeçando na mesma casa de banho onde tudo começou.

A série está recheada de detalhes que fazem toda a diferença e que por si só cativam o espetador mais exigente. É um género audiovisual fora do comum e que cativa desde a introdução, passando pelo desenvolvimento até ao climax.







domingo, 10 de fevereiro de 2019

Bandersnatch

A antologia Black Mirror é uma série que merece todo o respeito. O seu fascínio é mesmo como a partir de um conceito se pode formar diversas realidades. Criar  mundos distópicos que nos fazem interrogar se realmente eu tenho o controlo ou se não o tenho.

Com aquela premissa a série depressa tornou-se base de culto. Como todas as séries inovadoras, diferentes, hits momentâneos que viram clássicos imediatamente. Contudo, eu não sou a pessoa que conseguiu ver todos os episódios da série. E o mesmo aconteceu agora com Bandersnatch (2018)



Com produção Netflix e realizado pelo criador da série, o filme apresentasse como saído dos mundos de Black Mirror. Porém este filme específico é diferente, porque é interativo.
Ou seja, o espetador interage com a narrativa e as nossas decisões influenciam o desenrolar dos acontecimentos e nós acabamos por influenciar as decisões dos atores e o final de algumas sequências.

Ao longo do tempo em que vamos visionando o filme é nos dado a escolher determinadas acções, respostas, atitudes, decisões que escolhidas por nós, influencia para que a narrativa possa ter múltiplas linhas temporais e por isso várias conclusões para certas decisões que foram tomadas, ou nós levarmos o personagem a tomar!

A imersão é tanta que o próprio ator principal leva-nos a interrogar se realmente não estamos dentro daquela história. Isto acontece precisamente no momento quando o ator duvida da decisão tomada. Quase como se a pôr em questão se a opção que escolhemos foi a melhor.

Mas se por um lado a interatividade até seja interessante. A nossa interação pode não ser considerada da mesma forma, como foi o meu caso. Porque como aquando do visionamento da série Black Mirror, não consegui passar do terceiro episódio porque simplesmente achei que se estava a repetir. No filme aconteceu o mesmo.

Principalmente quando as minhas decisões no filme me levaram para lugares que não faziam sentido. Simplesmente a nossa decisão era para um rewind do filme para o ponto que nos é dado a escolher e a seguir se desenvolvesse pela opção que não escolhemos.

Isto acontece algumas vezes durante o filme. E depois considero que a interatividade não está bem conseguida, fazendo o filme parco e repetitivo.




domingo, 3 de fevereiro de 2019

A IA resumida a um Livro.

No livro Inteligência Artificial, um livro escrito por Arlindo Oliveira (2019), encontramos um breve resumo do que é a IA sobre o ponto de vista de um dos principais investigadores nacionais na área. Servirá no mínimo para esclarecer os mais curiosos sobre todas as questões que AI possam se lhe apresentar.  Por outro lado, oferece uma boa retrospectiva sobre o desenvolvimento histórico da computação nas sociedades humanas.




De leitura fluída, encontramos no seu conteúdo uma breve introdução a AI, bem como ideias embreonárias da tecnologia até às principais mudanças que vai proporcionar. 

Tentando contextualizar, começa por falar das origens da vida humana, até ao ponto em que aquela foi capaz de criar sistemas culturais que lhe permitiu alcançar o estilo de vida que hoje tem. Mas principalmente realça como estes sistemas permitiram a criação da linguagem e logo a invenção da escrita para que o homo sapiens avançasse no seu desenvolvimento cognitivo.

A escrita como tecnologia inventada por cérebros já bem desenvolvidos, surgiu provavelmente como consequência da necessidade de manter registos sobre a produção agrícola e sobre os rebanhos. Referindo-se concretamente à primeira revolução da humanidade, a agrícola, como um factores primordiais para a invenção da escrita. Porque antes da escrita a comunicação era feita de forma oral.
A escrita tornou-se precisa quando as sociedades mais sofisticadas apareceram, o que tornou essencial registar as quantidades de cereal que casa membro da comunidade produziu ou os animais que tinha. 

O autor afirma que todas as tecnologias desenvolvidas até ao final do século XX estão relacionadas com a manipulação de materiais, produtos e alimentos.  As únicas excepções são a linguagem escrita e a matemática.  Realçando que a evolução foi tanta que nos dias de hoje possuímos nos nossos bolsos uma máquina com mais capacidade de processamento do que a capacidade de todos os computadores existentes na segunda metade do século já referido.

É por este ponto que a leitura do livro se torna mais interessante e vai ao encontro do que já escrevi aqui no blog sobre o tema. Isto é, quais são as verdadeiras implicações da IA, mesmo no ponto filosófico, nas sociedades. E será possível um dia uma máquina comportar-se de forma inteligente? Ou seja, será um dia a obra igual ao seu criador, neste caso o ser humano.


Ada Lovelace


Nesse sentido, o livro leva-nos até Ada Lovelace a matemática e escritora inglesa que escreveu o primeiro algoritmo que foi processado na máquina analítica de Charles Babbage.

Mas mais importante fala-nos de Alan Turing que demonstrou em 1936 num estudo que qualquer computador com uma memória suficientemente grande, que manipule símbolos e que satisfaça algumas condições simples, consegue fazer os mesmos cálculos e obter os mesmos resultados como qualquer computador. 

Turing estabeleceu algumas objeções há ideia de que um dia os computadores serão capazes de pensar.  A mais importante para o cientista é aquela que é baseada na suposição da existência de percepção extra-sensorial e poderes telepáticos algo considerado pelos académicos na década de 50, altura em que o estudo foi publicado. 

Chegámos, então à conclusão que a resposta à pergunta anteriormente feita reside na consciência ou, por outras palavras, na capacidade de as máquinas serem capazes de ter consciência.  Uma relação que continua nos dias de hoje a ser tão misteriosa como nos anos 50.  O que Turing também nos oferece nesse mesmo estudo é uma proposição para em vez de tentarmos escrever um programa que permitisse à máquina passar no jogo da imitação, se escrevesse um programa em que a máquina era capaz de aprender com a experiência.


Alan Turing
Por causa de tudo que foi dito acima é essencial compreender a ideia de símbolo, que nos leva ao paradoxo de Moravec que nos diz que é mais fácil  reproduzir comportamentos em computador que exigem racicínios matemáticos complexos do que reconhecer uma face ou perceber linguagem falada (...).

O que autor nos fala concretamente é da aprendizagem automática, ou a capacidade de a máquina ser capaz de aprender com a introdução de símbolos e assim tornar-se inteligente.

O conceito-chave da aprendizagem automática é que é possível a um sistema, quando correctamente configurado, adaptar o seu comportamento por forma a gerar os resultados pretendidos para um dado conjunto de entradas. Na sua essência, o conceito é fácil de explicar. Suponhamos um sistema muito simples que recebe como entrada um único número e gera na sua saída um único número, que depende do primeiro. Se, a este sistema, forem mostrados diversos exemplos da correspondência pretendida entre o número na entrada e o número na saída, o sistema poderá aprender, de forma aproximada, esta correspondência. Suponhamos que o número na entrada é a altura de uma pessoa e o número na saída é o seu peso. Se forem dados diversos exemplos ao sistema, de pares altura/peso, o sistema poderá aprender uma correspondência, aproximada, que dê como resultado o peso como função da altura. 

O que este tipo de aprendizagem nos leva a acreditar, sendo que é factual que as máquinas já fazem este reconhecimento, nomeadamente através de imagens e audio.

Existe uma expetativa real de que, pela combinação de módulos diferentes, cada um deles muito específico, é possível obter comportamentos inteligentes e complexos, com diferentes níveis de abstração e escalas temporais, em muitos aspetos semelhante ao comportamento de uma criança.

O cientista chama aquele processo Emulação, isto é, a simulação do funcionamento de um cérebro completo está completamente fora do alcance da tecnologia que possuímos hoje e há até quem acredite que isso nunca vai ser possível.  Diz Arlindo Oliveira:
Em segundo lugar, mesmo que estivesse disponível um modelo eléctrico de um cérebro humano completo, não existem ainda computadores suficientemente poderosos para o simular de uma forma eficiente
O cérebro, emulado no computador, reagiria a estas sensações da mesma forma que o cérebro real, o que significa que teria sensações e emoções tão reais e intensas como as do ser humano que serviu de modelo. A emulação, executada num computador, deve ser vista como outra versão do ser humano que serviu de modelo à emulação, e tratada de uma forma compatível. Embora seja «apenas» um programa de computador, o sistema sentiria e sofreria da mesma forma que um ser humano e seria, de facto, uma pessoa virtual que apenas existiria dentro do mundo simulado onde a emulação é executada. A tal processo, chama-se «emulação total do cérebro», e corresponde a uma situação onde um programa tem um comportamento indistinguível do comportamento do cérebro (e do ser humano) simulado. 
(...) 
Um sistema que não seja consciente falhará neste teste de Turing generalizado. Admitir o contrário seria aceitar a possibilidade da existência dos já referidos zombies, seres que, não sendo conscientes, se comportam exactamente como pessoas conscientes. A consciência, exibida por seres humanos e, presumivelmente, por outros animais superiores, apareceu no processo evolutivo provavelmente porque tem um valor adaptativo, tornando os seres conscientes mais competitivos e mais bem-sucedidos. Mas uma característica só pode ter valor adaptativo se afectar, directa ou indirectamente, comportamentos observáveis exteriormente. Um teste de Turing generalizado permitirá, mais tarde ou mais cedo, distinguir comportamento verdadeiramente consciente de comportamento inteligente, mas não consciente, porque a consciência irá, mais tarde ou mais cedo, influenciar o comportamento visto do exterior.



Concretamente o que encontrei no livro foi apenas mais do que já escrevi aqui no blog quando falei na Inteligência Artificial e a sua ligação com os dados, afirmando que não sei se essa relação é evolução ou manipulação? Ou, como também escrevi o impacto que a tecnologia está a ter na sociedade. Ou até quando mencionei mesmo se é capaz de produzir arte.  Em suma o que o livro nos oferece é uma breve introdução ao estudo da ciência que está por detrás da IA e serve perfeitamente como ponto de partida.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Blame, o Filme.

Blame (2017) é um filme anime de Hiroyuki Seshita. Depois de ter tido uma série manga, a Netflix produziu o filme animado e através da sua plataforma estreou-o.

O realizador em causa é responsável por outros filmes do género, que podem ser encontrados na plataforma de streaming.

A anime ganha especial destaque pelo ambiente apocalíptico que nos é mostrado e a falta de luz, realçada com cenários embutidos em tons frios e negros.

Eu não tive a oportunidade de ver a série manga. Porém, parece-me que este anime é suficiente para cativar possíveis fãs, tal como me aconteceu a mim.

O enredo leva-nos, uma vez mais, para um mundo futuro, onde as máquinas já quase conseguiram dizimar a humanidade. Contudo, neste anime em especial as máquinas não se revoltaram contra a humanidade como se esta fosse um parasita.

Pelo contrário, as máquinas foram afetadas por uma infecção que as levou a considerar a humanidade como uma presa que tinha que ser extinta. As máquinas, fruto de um sistema neuronal quântico apenas continuaram a fazer aquilo para que foram concebidas. Isto é, a expandir as estruturas de uma cidade, tornando-a assim numa super mega estrutura de tamanho titânica.

Sendo que não encontro as palavras certas para revisar o filme, decidi apenas deixar uns frames da anime de forma a salientar a sua excepcional qualidade.









quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A Inteligência Artificial e os Dados. Evolução ou Manipulação?

O assunto não é de todo um daqueles que consiga a atenção das massas. Pois está a entrar no nosso quotidiano ainda de forma subliminar. Porém, para mim tem sido razão de reflexão nestes últimos dias. Acerca dele já escrevi bastante aqui no blog.

Porém, como sempre, não despolpou qualquer interesse nas pessoas que possam, supostamente, ler este blog. Mas também isso não interessa para nada.

Mesmo assim, sinto uma necessidade inata de analisar os meus pensamentos sobre este assunto e o que tem vindo ao meu conhecimento sobre o mesmo.

Concretamente estou a falar da Inteligência artificial (AI) e como esta tecnologia está a ter impacto nas sociedades do todo mundo, com ênfase na arte. Porém este post vai distanciar-se um pouco desse assunto e vai alinhar-se numa perspectiva mais geral.





Ontem houveram alguns artigos de jornais de referência mundial.  Publicaram notícias sobre o assunto em questão. O The Guardian num artigo menciona que em Junho do ano passado cinco pesquisadores da unidade de Inteligência Artificial do Facebook publicaram um artigo demonstrando como os bots podem simular conversas semelhantes a negociações.

Passado um mês após essa pesquisa a Fast Company publicou um artigo intitulado AI Is Inventing Language Humans Can’t Understand. Should We Stop It?.  O artigo tornou-se viral e o mesmo insinuava que as máquinas estavam a criar uma nova linguagem entre si. A proporção de tal suposição levou mesmo os investigadores a desligarem as máquinas, dando a impressão que elas estavam fora de controlo. Porém, a decisão foi tardia e o artigo tornou-se viral e outros meios famintos por noticias promoveram ainda mais essa narrativa.

Zachary Lipton, professor assistente do departamento de aprendizagem de AI da Carnegie Mellon University, assistiu com frustração à história transformar-se de “pesquisa interessante” em “porcaria sensacionalista”.

O que esta história em concreto nos prova é que deve haver um distanciamento bem alargado sobre o que realmente interessa e o depósito que não tem interesse nenhum no estudo científico da IA. Porque se os media começam a noticiar estas novas descobertas como um qualquer monstro Frankstein o problema das Fake News pode tomar proporções apocalípticas.


Por isso mesmo tem que haver um bom entendimento entre o que é IA e o que é o Deep Learning. Podemos assumir a aprendizagem aprofundada como um sub sector da IA. Que basicamente consiste em que as máquinas sejam capazes de aprender sozinhas. 

Contudo, atualmente isso só é possível porque existe a inserção de dados (milhões de terabytes) que permitem à máquina, depois de muitas tentativas falhadas, chegar a uma conclusão concreta e que corresponda há realidade. 

Pode ser um assunto complicado para não-especialistas, e as pessoas muitas vezes confundem erroneamente a inteligência artificial contemporânea com a versão com a qual estão mais familiarizados: uma visão científica de um computador consciente, muitas vezes mais inteligente que um humano. 

Os especialistas referem-se a essa instância específica da inteligência artificial como inteligência geral artificial e, se criarmos algo assim, provavelmente será um longo caminho no futuro. Até então, ninguém é ajudado por exagerar a inteligência ou as capacidades dos sistemas de inteligência artificial.




O entusiasmo sobre a IA é exagerado neste momento. E muito longe está o tempo em que esta tecnologia seja capaz de gerir a nossa vida. Os principais avanços podem demonstrar que a inteligência desta ferramenta esteja ao nível da inteligência humana. Os principais avanços têm a capacidade de deslumbrar o público, mas um novo relatório atesta que isso ainda está longe de ser verdade. 

Os estudos na área apontam que a IA nos próximos anos vai modificar muito as economias mundiais, mas o que realmente foi alcançado a nível de evolução está restringido há classificação de imagens e reconhecimento de voz. Porém, não podem adaptar-se muito se a natureza dos dados mudar ou se analisarem algo completamente desconhecido.

Através de entrevistas com os principais especialistas em IA, o relatório também tenta identificar áreas-chave onde o progresso ainda é necessário. Vários apontam para a necessidade de enormes quantidades de dados para treinar sistemas atuais de IA, e para a sua incapacidade de generalizar sobre a solução de uma variedade de problemas. E aqui reside a questão chave sobre todo o uso que a IA pode ter na forma como existimos. A inserção de dados e a forma como eles são utilizados já é de forma flagrante um problema que as grandes corporações de tecnologia, como a Google ou Facebook se têm debatido nos últimos tempos.

O escândalo da Cambridge Analytica também ilustra onde o teórico utilitarista teria se oposto às práticas do Facebook. Ser descuidado com a maneira como os dados dos utilizadores são compartilhados com terceiros é uma coisa. Mas a tentativa de traçar psicologicamente os usuários do Facebook para apresentar cada um deles com o conteúdo mais provável de influenciar a votação vai além de apenas melhorar a publicidade, para uma forma de manipulação que ameaça o que o liberalismo mais se preocupa: a liberdade do indivíduo.

Alguns escritores de tecnologia, como o historiador israelense Yuval Noah Harari, chegaram a ver o poder do Facebook capaz de manipular o  nosso comportamento como uma confirmação de que o livre-arbítrio é uma ilusão. Essa é uma conclusão extrema a ser tirada do escândalo da Cambridge Analytica, mas devemos ter uma profunda preocupação com as possíveis maneiras pelas quais o Facebook pode estar a minar a nossa autonomia. 

Nesse sentido, se a IA ainda carece da inserção de dados para poder ser denominada de inteligente! Onde é que entra a capacidade de empresas como a Google ou Facebook, que têm uma infinita base de dados, manipular a IA com esses mesmos dados e daí serem capazes de manipular o livre arbítrio de cada indivíduo? Mais, onde pode chegar o poder destas empresas com ajuda do deep learning? 

São perguntas que cada um de nós devia fazer de forma introspectiva. Porque se longe está o tempo em que uma máquina vai ter capacidade de decidir por si mesma. Vivemos o tempo em que os dados e quem mais tem acesso a eles tem o poder absoluto. 


sábado, 26 de janeiro de 2019

O Impacto da AI na Sociedade.

Tenho lido bastante sobre este assunto e a verdade é que foram tantas as fontes que li, que considero que já é em exagero o que sei sobre o assunto. Sendo, que aquele facto me fez distanciar um bocado da escrita e da análise sobre o assunto. Os meus dois últimos artigos em que toquei no assunto focaram-se na forma como uma série pode ser premonição de um futuro que parece ser uma uma visão distótipa que todos ignoram. Dessa forma concluí a minha análise sobre West World da seguinte forma:
Em conclusão, o fim da segunda temporada de West World ainda levantou mais perguntas que respostas. Para o fãs da série, como eu esse acontecimento é uma coisa boa - deixa-nos desejosos por mais-. A série destaca-se das outras do mesmo género porque aposta numa perspectiva sobre a máquina e como esta consegue sucumbir os seus criadores. Todo esse mundo criado e aparentemente distópico faz-me olhar para o mundo que vivemos hoje e pensar que a IA está cada vez mais desenvolvida. E a criação de máquinas com consciência é inevitável porque o ser humano procura cada vez mais o seu conforto. E com isso um mundo mais automatizado e capaz de limitações. Mas existe a possibilidade de que se esse cenário acontecer um dia os hosts se virem contra ele. Num mundo assim, West World acabaria por ser o melhor exemplo actual.
Também analisei se de alguma forma podemos considerar a arte criada pela AI, como arte. Na verdade este talvez seja o assunto mais complicado de explorar, porque a sua análise é complicada e demasiado ambígua. De qualquer das formas tentei explicar que:

Pegar nesta ideia e passar para a arte criada pela IA é a resposta há pergunta feita anteriormente. Não é o facto de ser arte feita por máquinas. Que não tem qualquer esforço pelo ser humano, mas não deixa de ser uma experiência estética. Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita. Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte.

A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência. Assim, talvez a resposta sobre se a arte criada pela IA é realmente arte esteja na evolução da biologia para potencializar a sobrevivência.

Tolstoy no seu livro toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita e pela sua obra. Enquanto nas sociedade das épocas de correntes artísticas era típico haver artistas que recebiam. A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível]. A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - porque parece que é possível ensinar a arte a uma máquina.




Desta forma assumo que é possível que a AI seja capaz de aprender com o tempo. Talvez a sua evolução lhe permita até aprender sozinha. O que já aconteceu! Na forma como nós podemos passar a amar os robots e a forma como eles facilitam a nossa vida. Como demonstra este artigo da New Yorker. 

Pausando um bocado e se pensarmos bem como a AI está infiltrada na nossa vida.  A verdade é que ela está em todo lado e dentro de pouco tempo passará a fazer parte da realidade como mais uma ferramenta de uso na busca infinita do ser humano obter conforto.
Nestes mundos imortalizados pela literatura e pelo cinema como dimensões impossíveis de existir, está bem presente e não podemos fugir dela. Para os mais leigos a aceitação será, como sempre, adaptação e não pensar nas consequências mas sim nas soluções. Mas aqui parece que as consequências podem ser mais perigosas. Pelo menos se nada for feito.


O gráfico acima foi conseguido através de um estudo que afirma que os homens, os mais jovens e as minorias serão os mais afetados pela automação de sistemas de trabalho repetitivo. Os números são altos e reflete bem as diferentes sociedades existentes no mundo.

E é toda esta questão que me aquenta a reflexão. Porque por um lado, parece que ainda não existe uma preocupação imediata sobre o assunto. Uma intervenção ao nível das forças do poder, como políticos ou Governos ou até um bilionário. Que ninguém tome as rédeas sobre esta quarta revolução.  
Por outro, mais assustado fico, quando leio que que há quem já tenha percebido as implicações da AI na sociedade e tenham tido a ideia do Rendimento Mínimo Incondicional, que este tenha sido testado e não tenha funcionado. 
O RMI, no fundo, é uma mesada pelo simples facto de estarmos vivos. Mas na verdade é dar mais liberdade ao livre arbítrio de cada um. Pois num mundo em que as as tarefas rotineiras são feitas por máquinas, as pessoas têm mais tempo para viver a vida que querem. Então esta ideia foi implementada e daí saiu um outro estudo intitulado From Idea To Experiment que decorreu na Finlândia há uns anos atrás e que consistia em testar o RMI junto da população Finlandesa. As conclusões desses estudo podem ser lidas aqui



Por outras palavras, a inteligência artificial como tecnologia está no perfeito auge. Permitiu novas formas de comunicar, novas formas de criar arte, novas formas cinematográficas de podermos imaginar o mundo daqui a umas décadas. Reinventou o trabalho e criou novos desafios à existência humana. 

É este último ponto que me chama mais a atenção, Porque há medida que as coisas vão mudando, as verdadeiras implicações do uso da AI ainda não chegaram a um ponto que sintamos que realmente reinventou algo. Um sentimento parecido aquando o Telemóvel se tornou acessível a todos. Mas agora temos homepods com nomes próprios que respondem às nossas perguntas. Carros que se conduzem sozinhos. Drones que entregam as nossas encomendas em casa. Para não falar nas mais diversas utilidades que a AI tem hoje nos diferentes objetos que utilizamos no trabalho, em casa, no ginásio, no hospital, em tudo.

Se por um lado a AI pode ser reflexo de uma evolução da inteligência humana, por exemplo na construção de artefactos artísticos. Por outro essa mesma arte pode mostrar  para  que mundo nós caminhamos, quando automatizamos séculos de trabalho, fruto de uso do árduo esforço físico e mental do ser humano.

Quando Te Conheci

Longe de querer mais do que me dás. Conheci-te tão rápido, que passei a desconhecer-me! Mas no momento certo lá sabia qual era o me...