terça-feira, 29 de março de 2016

O Rei de Copas, Incompreendido no Mínimo

Vou ter que ser sincero naquilo que vou escrever. Tenho que tentar que a imparcialidade faça parte da minha opinião. E não poderei olhar à admiração que tenho por Terrence Malick. Neste post tenho que ter o papel de opinion maker. 
Num outro post neste blog sobre este realizador escrevi:
Parece haver algo de este sentimento no trabalho de Malick, mas ele recusa-se a explicar-se como realizador.
O mistério nos seus filmes nunca é resolvido, e isso não é importante. Os seus filmes são um tipo de cinema mudo, embora seja um silêncio, de reverência à natureza e à tragédia das preocupações humanas que cegam os seus personagens para a imanência que os rodeia, e só está à espera de alguém para olhar.
E olhar este ensaio de Rachel Glassman é ver as marcas do realizador filósofo que procura no cinema mostrar ao espetador, de forma visual, aquilo que muitas vezes é ignorado.
Os filmes de Malick não são para ser entendidos, são sim artefactos audiovisuais que querem que pensemos que não somos o centro do universo. Pelo contrário, somos apenas um grão na sua vasta amplitude.

Ora, posso dizer isso deste último filme que realizou e que procura mais uma vez abordar todos os temas que mencionei acima. Mas que começa, infelizmente, a ser rotineiro... Outras criticas abordaram o mesmo tema!
Depois de um período longo de paragem na realização, Malick parece estar mais produtivo e nos últimos anos tem aparecido com mais produção, isto é, mais filmes realizados.
O último por sinal foi o que ví.
The Knight Of Cups é o seu último filme, mas de longe é o filme que mais me agradou.





Demasiado noir no sentimento criado. E para quem já conhece um pouco da obra dele, nota demasiadas semelhanças com outros filmes.
Mas isso não é o problema!
Este está numa incapacidade de a linguagem cinematográfica ser capaz de expor o sentido que Malick tem sobre a arte e o entendimento sobre o mundo.
Talvez o meio seja incapacitante, redundante e, pior para o realizador, limitador da sua visão sobre o mundo ou a realidade.
Eu disse talvez, mas a verdade é que neste filme foi o que mais senti (pelo menos até onde vi, e foi mais de metade do filme).
Mais uma vez temos voz off  que comanda a narrativa.
Onde o movimento parece não se diluir pelo que está a ser dito por essas vozes e por isso é confuso! Onde imagens rápidas, sem sentido, são mostradas para ter sentido, mas apenas para os mais eruditos compreenderem ou até mesmo para ninguém a não ser o seu criador.
Onde a decadência é a superatividade da vida e se vivermos desta forma, não temos que ter tabus.
O incompreendido nunca vai ser compreendido. Porque temos que viver de acordo com o compreendido e estabelecido!
A vida é uma estrada e nela vamos percorrendo até encontrar obstáculos.
A forma como os ultrapassámos cabe a cada um, mas Malick quer criar de forma onírica a regra de como viver: a decadência com razão baseada na moral da Razão.



Depois de várias tentativas (pelas que contei foram pelo menos 4) não consegui ver o filme até ao fim.
E cheguei a um ponto em que essa decisão se tornou permanente.
A questão não passa pela qualidade do filme, a interpretação de Christopher Nolan. Ou até a fotografia!
É sim uma saturação...
Malick é um génio, isso eu não ponho em questão. Ele tenta mostrar o mundo aos incompreendidos que pensam que são entendidos...
Mas a forma como ele faz isso é limitadora na linguagem cinematográfica.
Porque as imagens que representam tal sentimento acabam por ser as mesmas. Repetitivas!
A definição do belo tem um limite, que são as suas causas naturais da Natureza.
E é essa que Malick, que tirou a o curso de Filosofia, mais admira, juntamente com o conceito de humanidade, quer num posto bipolar, ter que viver com os seus tormentos, mas ao mesmo tempo com aquilo que não tem controle e não compreende: a realidade.
Num ponto em que as massas é que definem as regras. Se a arte fosse hermeneuticamente compreendida na sociedade, talvez as suas palavras fossem outras e melhor compreendidas?
Malick quer entender, à sua maneira isso, mas chegou a um ponto em que a ferramenta (a cinematografia); que usa precisa de uma metamorfose. Uma modulação na sua escrita e uma procura de outros materiais que sejam mais inteligíveis.
Caso contrário, Malick corre o risco de se tornar um realizador de culto, mas sem audiência...
Em conclusão tem que deixar a criatividade brotar dele novamente, nem que para isso seja necessário uma longa paragem.
Como fez no passado e apenas foi capaz de criar nele uma sensação de criação que ultrapassa o entendimento humano.



Os génios são incompreendidos.  E Malick é um deles.
E a história tem mostrado que todos os génios sofrem momentos de falta de inspiração.
Em que o mesmo (as suas visões, os seus entendimentos sobre a realidade) são repetidos até à exaustão.
Talvez Malick esteja numa dessas fases?
Mas como disse acima tenho que ser imparcial.
E mesmo admirando Malick como admiro, tenho que deixar a razão falar e o conhecimento também.
Este não é o melhor filme de Malick.
A sua criatividade de realizar neste momento está limitada.
Ou ele entra por outra arte para demonstrar o que pensa sobre a realidade (porque a filosofia vai sempre persegui-lo); - a literatura não é má ideia -  ou corre o risco de subir umas escadas muito longas e com algumas quedas pelo meio.
No entanto, recomendo a tentativa de visionar o filme.
Não é tempo perdido. No mínimo temos um filme incompreendido.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um Sapo, Um Coelho e um Guarda Chuva.

Hayao Miyazaki, criou em 1985 o estúdio Ghibli, onde criou as obras primas que encantaram o mundo. As suas animações são reconhecidas a nível mundial e muitos são os filmes sonantes que ele realizou.Por essa razão achei interessante encontrar este vídeo de animação criado pelo estúdio de Hayao Miyazaki.
 Mais interessante se torna por saber que este  "emaki" é uma leitura história ilustrada na horizontal, que vem de Choju - Giga, um livro em quatro volumes , com desenhos datando dos séculos XII e XIII .
Os fundadores do estúdio estão muito ligados a perpetuar as tradições da cultura japonesa, e esta bela história de um sapo que compartilha o seu guarda-chuva com um coelho é a prova: extratos do Tesouro Nacional são definidos em torno dos museus japoneses.



Num ponto considero interessante toda a estatura que a obra de Miyazaki conseguiu embelezar todos os espetadores. Por outro a atitude nobre do estúdio em pegar no antigo e renovar num manga artístico. A verdade é que a curta é encantadora pela cor e a música com os personagens em movimento num mundo criado por mentes criativas. É daquelas obras de arte que so se gosta se nos fizer esquecer o mundo, a realidade e os problemas que temos...


terça-feira, 8 de março de 2016

O Cinema e as suas Sequelas

Neste ensaio sobre remakes é tocado um ponto interessante com que o cinema se tem deparado nos últimos anos. A falta de originalidade.!


Embora a adaptação de os Comics para o cinema tenha, por um lado, levado ao seu maior auge na fusão entre arte e tecnologia, e tornado interessante pelo 3D.
O cinema passa por uma época de remakes de forma a obter mais os blockbuster's do que os Indie.
O vídeo é de Jaume R. Lloret no Vimeo.


Remakes from Jaume R. Lloret on Vimeo.


A análise audiovisual tem o seu encanto pelo quadro divido em dois e podermos contemplar visões fundidas, mas de tempos diferentes.  
E assim entender talvez o porquê do cinema sofrer uma servidão enquanto entendimento da realidade. 
Sofra no sentido de se render ao mainstream  e deixar que o cinema de autor (indie) desapareça. 
As previsões de Steven Spilberg são diferentes deste paradigma. Numa conversa com George Lucas refere:
"There’s eventually going to be a big meltdown. There’s going to be an implosion where three or four or maybe even a half-dozen of these mega-budgeted movies go crashing into the ground and that’s going to change the paradigm again."
Vamos esperar mesmo que sim. Porque o cinema já não aguenta com mais sequelas. A doença tem que encontrar a sua cura!



segunda-feira, 7 de março de 2016

A Cultura Criativa da Pixar

Depois de ter acabado de ler o livro de Ed(win) Catmull, escrito com a ajuda de Amy Wallace; Creativity, Inc.: Overcoming the Unseen Forces That Stand in the Way of True Inspiration (2014) a principal ideia que fiquei é que Ed Catmull é um homem extraordinário; visionário e que ganhou o seu lugar na história enquanto "pai" da Computação Gráfica.


Ed Catmull enquanto criança tinha um sonho: fazer o primeiro filme animado através de um computador.
Este mote é o início de todo o livro e a história que começa na empresa Lucas Film de George Lucas, criador da saga Star Wars.  Até ao momento em que conseguiram pela primeira vez animar uma matéria através de um computador. Essa matéria foi a própria mão de Ed Catmull.




Ao longo do livro entendemos a paixão, vocação que Ed Catmull dedicou ao nascimento desta tecnologia e como ela foi evoluindo. Tendo ele um papel primordial neste facto.
Mas o livro não é uma história auto-biográfica do surgimento da Pixar, que antes de ser uma empresa de realizar filmes de animação, era uma empresa de venda de hardware.
Mas a admiração que o CEO da Pixar e Disney Animation Studios tinha por Walt Disney entranhou nele, desde muito novo, um sonho que culminou na criação de uma das empresas mais inovadoras, nascidas no século passado.
E tudo começou com Walt Disney e como os seus filmes de animação o embelezaram e tocaram num caminho de sucesso e sonhos concretizados. Depois com o facto de ter conhecido Jonh Lasseter.


By the time I met John, he was as connected to Walt Disney as any twenty-six-year-old on earth. He had graduated from CalArts, the legendary art school founded by Walt, where he’d learned from some of the greatest artists of Disney’s Golden Age; he’d worked as a river guide on the Jungle Cruise at Disneyland; and he’d won a Student Academy Award in 1979 for his short film The Lady and the Lamp—an homage to Disney’s Lady and the Tramp—whose main character, a white desk lamp, would later evolve into our Pixar logo.



E por fim o aparecimento de Steve Jobs, que com a sua habilidade única, conseguiu que a Pixar se aguentasse nos seus momentos mais difíceis. Já que ele era o suporte financeiro da empresa nos primeiros anos da sua vida e que não foram fáceis.
Porém, o que eu creio que Ed Catmull pretende com este livro é dar uma história na primeira pessoa do nascimento da Pixar. Dos seus maiores êxitos, mas também os seus momentos mais problemáticos. Mas mais importante falar da Cultura Criativa da Pixar.
O que percebi ao longo do livro é que Ed Catmull, Jonh Lasseter e Steve Jobs, quando enveredaram pelo objetivo de criar a Pixar, não foi só juntar a arte com a tecnologia. Mas sim criar uma cultura de criatividade própria e original na empresa.
Por isso mesmo, Ed Catmull entra profundamente na tentativa de explicar as metodologias utilizadas na Pixar de forma a tornar todos os seus funcionários mais criativos. Mais propensos a remar na mesma direção que a empresa e nunca a subestimar as ideias ou ideais de cada um.
O melhor exemplo disso é a forma como os intervenientes na realização dos filmes de animação estudam ou investigam os temas subjacentes ao filme.
O trabalho passava pela observação no terreno, a aprendizagem na cozinha de cozinheiros de restaurantes com estrelas Michelin e mesmo a prática de alguns desportos. Tudo isto para que a qualidade atingisse quase a perfeição.






Concluindo, o livro é uma análise do próprio Ed Catmull à empresa que ele ajudou a criar, mas também um manifesto a favor da criatividade e como esta é importante numa empresa como a Pixar ou qualquer outra.
O livro tem um discurso muito otimista nesse sentido. E um bom exemplo é o capitulo que nos fala da metodologia Notes Day. Uma forma de procurar e incentivar a criatividade em todos os funcionários da empresa e ao mesmo tempo fazê-los sentir que não existem hierarquias e que todos tem uma voz que vai ser sempre ouvida.
Ao mesmo tempo percebemos que Ed Catmull é um homem normal - apesar dos feitos que já alcançou na sua vida -; com receios como qualquer outro homem, mas que argumenta que nunca devemos deixar que os nossos medos nos dominem.
É um livro obrigatório que eu li duas vezes seguidas. Inspirou-me em vários sentidos, mas principalmente a nunca desistir dos nossos (meus) sonhos.
Um ponto mais tocante é a dedicatória que faz a Steve Jobs que faleceu a 5 de Outubro de 2011. Dando a conhecer um homem que também era visionário e que teve também um papel primordial no sucesso da Pixar. Sendo que a sua morte foi um dos momentos mais marcantes da história da empresa.
Por último, o livro termina com conselhos a todos os CEO's de empresas para poderem criar uma cultura criativa semelhante à que existe na Pixar e posteriormente na Disney Animation Studios.


Steve was a big believer in the power of accidental mingling; he knew that creativity was not a solitary endeavor. But our trip to Northside helped clarify that thinking. In a creative company, separating your people into distinct silos—Project A over here, Project B over there—can be counterproductive.

O arco-íris que apareceu sobre os escritórios da Pixar logo depois do anunciamento da morte de Steve Jobs

Da esquerda: Steve Jobs, Jonh Lasseter e Ed Catmull



 

quarta-feira, 2 de março de 2016

A Ramificação Artística da Fotografia.

O livro que mais me tocou a ler sobre o tema de fotografia foi o "Câmara Clara"  de Roland Barthes. Creio que é o ensaio literário que me faz ter uma visão de entendimento sobre a fotografia como arte. A aura, o punctum e toda a filosofia meta física que Barthes descreve faz com que sinta e compreenda a fotografia como uma sensação ou emoção expressa nas suas palavras.



É um tema que refleti depois de ver um vídeo de de Roger Ballen em que aponta 7 maneiras de um fotógrafo saber se é um artista!
Mas é o que senti no final  do vídeo que me fez pensar que ser fotógrafo já de alguma maneira  é ser um artista. Saber utilizar uma máquina, uma tecnologia, um artefacto inventado pelo homem para captar a realidade. Já faz com que um fotógrafo já seja um artista!
A questão não passa pela área em fotografa, mas sim a forma que fotografa. Até um book de casamento pode ter fotos artísticas.
Para mim, e olhando ao presente, um fotografo é um artista. Mas falo de fotógrafos que sabem fotografar (porque é o que é comum a todos os fotógrafos); e depois aplicar-lhe a sua visão, conhecimento e sentimento (não é uma selfie do Instagram).
A fotografia banalizou-se, passou a ser de massas. Mas a sua aura ainda existe, porque existem pessoas que assim o fazem.  Porque como Barthes fala no seu livro sobre o punctum. 
“O punctum de uma foto é esse acaso que, nela, me punge (mas também me mortifica, me fere).” (BARTHES, 1984 p. 46)

O punctum de alguma forma é o que faz a fotografia. Porque é um acaso que é captado, ou o studium onde tudo é fotografado e preparado.
Mas Roger Ballen já mostra no seu vídeo como podemos ver a fotografia, ou melhor, como um fotógrafo é um artista.
É profundo este ensaio, pois fala como podemos ver a arte da fotografia focando-se em pontos que considero interessantes. Como qual é o propósito da arte, como ela pode redefinir o nosso mundo, as nossas relações visuais, como uma visão é única, uma constante procura, algo que nasce na nossa mente e em que enfrentamos os nossos medos.
Fica a resenha dos pensamentos de Ballen e o vídeo em que ele majestosamente os explica.

1. The Purpose of Art

“Why do some works stick? Why are some works fleeting? If you ponder this, then you may be an artist.”

2. Redefine Your World

“How do you define anything? If you redefine your understanding of words, then you may be an artist.”

3. Visual Relationships

“When you learn to see strong, complex visceral relationships beyond words, then you may be an artist.”

4. A Vision is Unique

“When you learn every moment is crucial, and that no picture can be repeated, then you may be an artist.”

5. Search Within

“You need to travel deep inside yourself to create a good picture.”

6. Break Through Your Mind

“If you can let go and break through your mind, then you may be an artist.”

7. Face Your Fears

“If you confront your fears, this will certainly assist your artistic endeavors.”





domingo, 28 de fevereiro de 2016

Òscars 2016 e a Fotografia de Lubezki.

A 88ª cerimónia dos Òscars acontece hoje e mais uma vez o tapete vermelho estará estendido para receber os atores e atrizes no Teatro Dolby em Los Angels.



Este ano as nomeações estão cercadas com uma polémica que na web ficou conhecida como #OscarsSoWithe relacionado com as nomeações em que poucos foram os nomeados de cor negra nas diversas categorias que integram a cerimónia.
Mas polémicas à parte, quero falar sobre Emmanuel Lubezki e o seu trabalho de tirar o fôlego. Nomeado este ano pelo seu trabalho no filme de Alejandro González Iñárritu The Revenant (2015).
Se ele vencer, Lubezki será um dos únicos cineastas de sempre a levar para casa o Òscar na categoria de Fotografia três anos seguidos, depois das vitórias em  Gravity (2013) e Birdman (2014). 
Em homenagem a esse facto a The Criterion Collection está a dar um raro vislumbre através dos olhos talentosos de Lubezki, uma oportunidade para ver o que o negativo original em bruto do filme de Terrence Malick A New World (2005), um dos filmes mais bem conseguidos a nível da fotografia do cinematógrafo, fica finalizado depois de passar pelas mãos de Lubezki.Assim, deixo três videos abaixo em que aparece o antes e depois da correção de cor em cenas do filme.
Ainda melhor Lubezki e Malick têm trabalhado com a Critterion há mais de um ano para criar um novo filme em 4K restaurado de 172 minutos de Malick do filme, e estes breves exemplos, nunca antes vistos, mostram a incrível diferença entre o olhar de Lubezki meticulosamente exposta em câmara negativa e o filme terminado. São autênticos ensaios audiovisuais que todos os que interessam por esta arte deviam ver.
Mais importante é vislumbrar o trabalho fantástico de Lubezki e compreender porque já ganhou dois Òscars na categoria de fotografia e obrigatoriamente deve ganhar o terceiro pelo trabalho estético belíssimo que conseguiu em  The Revenant. Sendo que todo o filme foi capturado com luz natural.










sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Manoel de Oliveira, Tetralogia de Amor Frustado

É com enorme orgulho que aqui falo de um acontecimento que vai ocorrer (está a ocorrer) de 25 a 28 de Fevereiro em Nova Iorque.
No fundo é uma homenagem a Manoel de Oliveira organizado pelo Film Society of Lincoln Center, uma organização fundada em 1969 e que celebra o cinema americano e o internacional. Mas também quer servir como suporte para novos realizadores e um meio de propagandear o novo cinema, principalmente o Indie. 




A morte de Manoel de Oliveira em 2015, com 106 anos, privou o cinema de uma das suas lendas vivas e um dos seus mais prolíficos e surpreendentes artistas que trabalharam nesta arte. 
A percentagem de produção de Oliveira era famosa e subiu nas últimas décadas da sua vida, mas foram os quatro filmes que ele fez em Portugal entre 1972 e 1981, quando ele já tinha entrado nos seus sessenta anos, que estabeleceu a sua reputação internacional. 
São adaptações literárias que alastraram no comprimento, mas mantiveram um foco enrolado, que se mudou austeramente, mas pulsava com a energia sensual, e baseou-se em convenções teatrais do século XIX, mas dependia tão fortemente da sua auto-reflexão. 
Manoel de Oliveira foi até agora um dos maiores realizadores portugueses e por isso esta celebração é uma ótima forma de o homenagear. Um dos responsáveis é Pedro Costa. 
Um realizador de uma geração diferente da de Oliveira, mas já com um repositório reconhecido internacionalmente. 
O que é mais interessante é que ao descobrir este acontecimento, ao mesmo ganhei noção dos filmes que podem ser considerados os mais relevantes da carreira do realizador. Porque como argumenta a organização: 

Literary adaptations that sprawled in length but kept a coiled focus, moved austerely but pulsed with sensual energy, drew on 19th-century theatrical conventions but relied just as heavily on self-reflexive meta-gestures, the films in Oliveira’s Tetralogy of Frustrated Love signaled the arrival of a one-of-a-kind cinematic voice.

Fica a lista dos filmes que vão passar:





Francisca

Manoel de Oliveira
1981
Portugal
35mm
166 minutes


Past and Present

Manoel de Oliveira
1972
Portugal
35mm
115 minutes
Manoel de Oliveira
1979
Portugal
35mm
252 minutes

Benilde, or the Virgin Mother

Manoel de Oliveira
1975
Portugal
35mm
112 minutes


Eu não posso dizer que sou um fã incondicional de Manoel de Oliveira. Ou até que goste dos seus filmes. No entanto sou um cinéfilo e orgulho-me muito de alguém como ele ter levado o nome de Portugal mais longe e numa das formas de arte que mais admiro.
Manoel de Oliveira deixou uma obra incalculável que vai perdurar por muitos séculos. Obrigado e até sempre.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Quais os elementos de um bom filme

Neste vídeo temos uma abordagem interessante na forma de como as pessoas podem gostar de um filme. Mais concretamente, um ensaio que mensagem pretende elucidar o seu auditório do que é um bom filme.



O vídeo é de Simon Cade  da DSLRguide, que tentar agregar alguns dos elementos que fazem um bom filme e explicá-los.
No seu artigo para a revista escreveu os elementos que considera que caracterizam um bom filme dando exemplos de filmes onde esses elementos estão mais presentes.
A forma que escolheu está muito simples e ao mesmo tempo muito criativo. Ao personificar a árvore como cinema e os seus ramos como os elementos ou extensões do cinema. Isto no vídeo. Deixo primeiro a lista. Que quero guardar!
E mais importante serve como arquivo para consultar mais tarde, pois considero que está dentro daquilo que eu penso.



SCRIPT:

Conflict – Finding Nemo
It’s amazing how much the characters get dragged through the dirt in this film. Nothing ever goes right, they go from one trial to the next tribulation.

Plot – The Departed
Some of my favourite twists and turns in this plot, cleverly weaving two different character’s stories together.

Dialog – The Grand Budapest Hotel
Quirky & Quotable.

Subtext: A Beautiful Mind
Such a great message about mental health, putting us in someone else’s shoes.
CHARACTER:

Flaws: Him & Her (TV)
Really fresh, authentic characters from the to main characters, and then some fun caricatures from the others.

Desires: The Incredibles
Every character has a clear set of goals / desires that link in with their character arcs.
ACTING:

Emotion: Good Will Hunting
This film might make you cry.

Authenticity: Captain Phillips
Tom Hanks does a great job giving a truly believable performance, as do the Somalians. When the characters meet on screen, it was the first time the actors met in person too.

Movement: Dead Poets Society
Lots of great acting movement in this by the king of body language.
TIMING:

Order: Jurassic Park
Love the cross cutting between multiple plots (A story, B story etc) but also within scenes.

Structure: City of God
City of God is a great study in non-chronological storytelling.

Pace: Shaun of the Dead
Comedy is all about timing, apparently. Nick Frost’s perfectly timed sound effect…
SOUND:

Ambience: Se7en
The opening scenes of Se7en are so immersive with all of the ambient sounds. The heavy rain hitting plastic works perfectly.

Sound Effects: Transformers (haha but seriously)
The sound effects help achieve the purpose of this film: as epic as possible. This movie would be nothing without the sounds.

Music: Gladiator
Love the music in this, particularly the use of calm music in contrast to the battle on screen.
VISUALS:

Camera: Double Indemnity
Simple but effective camerawork.

Lighting: The Shawshank Redemption
Very motivated light, which is what i’m appreciating most recently. Perfect specific application of the ‘magic hour’ look that people seem apply to everything.

Location / Set: Fight Club
So grimy, I love it.

Costume: Catch Me If You Can
Covering many costume situations, across different time periods. An integral part of the story without being distracting. Great use of colour.

Props: Dances with Wolves
Significant props to the storyline, as symbols for friendship etc.


O vídeo talvez seja mais elucidativo ou até mais apetecível de ver.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Da Notoriedade Internacional, Há Imbecilidade Nacional

Mais um português foi distinguido pelo concurso World Press Photo na categoria Daily Life. Neste caso concreto, tratasse de Daniel Rodrigues, um fotógrafo que tirou o curso no IPF (Instituto Português de Fotografia). 
O P3 refere:
A fotografia que lhe garantiu o prémio foi tirada em Março de 2012, na aldeia de Dulombi, na Guiné-Bissau. “As crianças estavam a jogar à bola e fui jogar com elas. Pelo meio, fotografei-as. Gostei do resultado e fiz mais algumas fotografias semelhantes”, afirma Daniel Rodrigues, ao P3.
O fotógrafo esteve um mês na Guiné-Bissau, ao abrigo da missão humanitária Dulombi. A iniciativa partiu do próprio, que contactou os responsáveis da missão. Para além da vertente humanitária da iniciativa, que considera “muito compensadora, pela possibilidade de ajudar quem precisa”, houve outro motivo forte que o levou àquele destino.


Esse motivo foi a paixão que tem por África e a vontade de fotografar naquele continente. 
Sem dúvida este é um acontecimento que deixa qualquer fotógrafo português orgulhoso. Estamos a falar de um concurso internacionalmente reconhecido e, embora não tenha ganhado a categoria principal, o mérito existe. Por essa razão o Daniel merece os parabéns. 
Mas existe neste fotógrafo uma triste realidade: no momento está desempregado e até já teve que vender o seu material fotográfico para fazer face às despesas. 
O seu último emprego terminou em 2012 e, por aquilo que me foi possível saber, desde de então nunca mais trabalhou.
Dedicando-se por isso a causas humanitárias como a que fez em Guiné-Bissau. 
Na minha opinião temos aqui um reflexo - mais um - negativo da indústria criativa e cultural em Portugal. 
Um reflexo que demonstra que em termos artísticos estamos profundamente atrasados, desorganizados, desatualizados e desvalorizados. 
Claro que agora com esta distinção o fotógrafo, muito provavelmente, vai conseguir resolver o seu problema de desemprego. 
Mas é pena que tenha que ser desta forma! É vergonhoso que no seu próprio país não tenha conseguido o valor que merecia, tal como acontece a centenas ou milhares de outras pessoas na mesma situação. Como o própio referiu ao P3: 

“Há muita gente com valor, em Portugal, que não tem trabalho. Talvez este prémio possa ajudar a que essas pessoas sejam olhadas com outra atenção. Espero que este prémio me ajude”, garante.

No fundo sente revolta entre a dualidade de desemprego em Portugal e o reconhecimento que o prémio lhe atribui.
Mas, como já disse, esta situação está demasiado impregnada no sistema português e por isso a ascensão social e o reconhecimento que muitos desejam alcançar, muitas vezes é impedida por medidas obsoletas, sistemas estatatais burocráticos e o pior: o Estado não dá o devido valor. E em Portugal esse facto nota-se de forma bastante particular!
Por todas essas razões e outras, é necessário que se encontre fora do país que se nasceu a notoriedade e, assim, depois já se têm o valor que se merece. É completamente irracional e estúpido estas situações. Vivemos num país imbecil no que toca a este ponto.  E é com muita pena que escrevo estas palavras.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A Arte de Explodir Laptop's

Discord é uma foto que faz parte de uma série de fotos (a segunda) em que o fotógrafo Rutger Prins mescla várias formas de trabalho para obter o resultado final.
À primeira vista Discord  parece ser um laptop explodindo um vários fragmentos e que foram captados num único shot e depois trabalhado digitalmente.
Mas a verdade é que por detrás da fotografia final está todo um trabalho manual, minucioso, vocacional, original e inspirador.
O que realmente é inspirador é que Prins começou por desmontar um laptop obsoleto peça por peça. Usando quase 4.000 pés de linha de pesca, ele desligou todos os bits do teto do seu estúdio, contando com esboços para os organizar de modo a que parececesse que a máquina estava a explodir.
Para conseguir os pedaços de computador pulverizados explodindo em pó, Prins soprou açúcar em pó, creme de café e plástico de baixo para cima, através de pequenos canudos de peças de escultura fazendo exposições múltiplas.
Ele criou e fotografou mesmo os efeitos de fumo e chamas no estúdio, usando uma máquina de fumo e um pequeno lança-chamas que ele construiu. No Adobe Photoshop CC, ele retirou todas as linhas de pesca para criar o resultado final: uma réplica convincente de um computador explodindo. Veja-se o making of  no vídeo abaixo:



Tem outros trabalhos no site do fotógrafo. Mas o que me entusiasma especialmente neste (também porque foi o primeiro que vi); é a dedicação que Prins dedicou ao seu projeto.
Ele recorreu-se do Photoshop, do Aftereffects e do Camera Raw para conseguir obter a fotografia final.
Mas por decisão própria não quis utilizar os softwares para criar a sua arte final apenas recorrendo a ferrramentas digitais. Querendo desta forma demonstrar aos apreciadores que por detrás da foto está muito trabalho manual, horas de montagem e desmontagem.
Em quase todas as artes é assim, mas este é um exemplo que considero deveras inspirador. Ganhando um afeto especial pelo que o fotógrafo falou acerca do laptop para a Create.

“Discord stands for a time in my life when everything around and inside me was changing,” I had entered high school where I was kind of the odd one out. I didn't have any friends and my mother was just diagnosed with metastasized cancer, of which she died a few years later. With turbulent times at home and being bullied at school, I used this computer to escape into the world of games and online chat groups on IRC (Internet Relay Chat). I spent all my earnings from my part-time job on this laptop, which was one of the first to have an optional Internet connection. To me, it was a portal to another plane of existence and I feel it deserves to be an art piece for that reason.”



A arte não é apenas expressão do intrínseco do artista. Ele também tem sentimentos por materais e esses em determinadas alturas da nossa vida podem ter uma determinada função. Noutras épocas podem ser utilizadas para outras. Como por exemplo criar obras de arte. Este é um bom exemplo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

40 Anos de Taxi Driver.

O filme de Martin Scorcese Taxi Driver (1976) comemorou quarenta anos no passado dia 8 de Fevereiro desde que foi lançado nas telas do cinema.
Um filme icónico que se tornou de culto, graças em muito à interpretação de Robert de Niro.
Talvez tenha sido o filme que lançou a sua carreira, mas o mas o mais importante mesmo é a sua interpretação no filme.
Uma figura perturbadora que reflete, acentua ou ilumina os recantos mais escuros da sociedade e da psique humana.
E Martin Scorcese desencadeou com este filme uma das personagens mais icónicas do cinema, Travis Bickle.
Desde logo este é dos filmes que na minha lista integra um lugar de topo. Não só pela sua cinematografia, mas também por toda a sua estrutura.
Nesse sentido, achei interessante constatar os filmes que influenciaram Martin Scorcese para a realização do filme.
A produção de Scorcese, contou com um talento, que fez com o filme passasse a ser garantido como um clássico americano.

Robert de Niro e Martin Scorcese durante a produção do filme


Escrito por Paul Schrader que escreveu o argumento num mês, através dos seus próprios problemas e inspirada em notas de Dostoiévski. Temos um filme repleto de brutalidade e a demonstração de como a mente humana pode chegar a pontos irreversíveis.
Assim, fica de seguida os cinco filmes que são também de grandes realizadores. Por último gosto sempre de lembrar que o cinema é um remix. 



The Searchers (1956)

Realizador John Ford


The Wrong Man (1956)

Realizador Alfred Hitchcock


Pickpocket (1959)

Realizador Robert Bresson



2 or 3 Things I Know about Her (1967)

Realizador Jean-Luc Godard


The Merchant of Four Seasons (1971)

Realizador Rainer Werner Fassbinder

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...