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domingo, 20 de novembro de 2016

Admirável Mundo Novo

O novo documentário de Werner Herzog Lo and Behold Reveries of the Connected World (2016), é um trabalho que analisa a criação da Internet desde a sua origem até aos dias de hoje. Focando os pontos positivos e negativos desta invenção para a humanidade.  
Porém, é também uma demonstração da qualidade cinematográfica do realizador alemão, nomeadamente no Novo Cinema Alemão, com o qual o qual não se identifica. 
Ao longo de 10 capítulos vamos conhecendo a história da Internet, as suas principais personagens e as ramificações que proporcionou para a comunicação, tecnologia, ciência, etc. 




Para quem conhece já outras obras de Werner, sabe que ele tem uma maneira muito peculiar de usar o cinema para contar histórias. Porém, esta é uma história de uma invenção tecnológica e as consequências dessa maravilha que é a Internet no mundo moderno. 
Ao longo da narrativa  são apresentadas várias razões para amar-mos ou odiar a Internet e toda a tecnologia que se difundiu nas suas diferentes ramificações. É uma viagem desde a sua origem até à incerteza do seu impacto no futuro. 
Entre outras personagens do documentário temos, por exemplo, Elon Musk. O visionário empreendedor que enriqueceu à custa do PayPal e criou/participa em empresas como a Tesla Motors e SpaceX. O homem que quer habitar Marte e sugeriu que para isso se devia lançar bombas atómicas para o planeta de forma a derreter as calotas de gelo e fazer com que a produção de oxigénio fosse possível. 






Mais uma vez Werner Herzog consegue realizar um documentário activo para o espetador. Isto é, apresenta-lhe uma série de ideias e questões que assolam o mundo moderno - nomeadamente com a invenção da Internet, a descoberta mais importante de sempre-; relatos de pessoas que lidam diretamente com o objeto documentado e, finalmente, o que de bom ou mau pode advir do seu uso.
E é isso que mais aprecio neste realizador: tem a capacidade de usar o cinema para desconstruir a realidade em segmentos inteligíveis capazes de nos fazer pensar. E o tema que é abordado neste documentário tem um interesse pessoal para mim. 
Por último, este é um filme que nos apresenta o mundo moderno com integração da Internet nas sociedades e culturas. A forma como ela mudou a humanidade e como está a ser utilizada para construir um mundo completamente novo. Um mundo que alguns vêem com perspetiva bastante positiva e outros que se deixam controlar por ela e se tornam dependentes de uma tecnologia que muito vai proporcionar às gerações futuras. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Chauvet, narração na primeira pessoa!

Por vezes encontramos sem querer pequenas obras audiovisuais que nos marcam profundamente.
The Cave of Forgotten Dreams (2010), escrito realizado e narrado por Werner Herzog é uma dessas. Tem a ver com uma simplicidade na construção do documentário minimalista na forma. Expandido pela narração intro/filosófica do narrador (Werner Herzog) que calmamente nos narra a importância do que é mostrado com uma impossibilidade criada pelo que é filmado.
As cavernas Chauvet, descobertas em 1994, são uma maiores descobertas sobre o mundo antigo, pré histórico em que as manifestações de emoções são visíveis através da representação artística.
















E está na forma como nos é apresentado todo este universo com uma atmosfera pré histórica onde outrora viveu um povo distante e com um conhecimento do mundo completamente diferente do nosso. A sua expressão ficou gravada durante milhares de anos e várias vezes foi adulterada por outros com diferença de milhares de anos.
O discurso de Werner Herzog, num tom engrandecido de um alemão a falar língua inglesa, afoga o nosso pensamento nas palavras que descrevem de forma pacífica e racional o composto único de uma capela celestina pré histórica.  

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VIMEO Awards


Já passaram quase dois meses do ano de 2011, mas quero apresentar agora os VIMEO Awards de 2010. No fim de semana onde a entrega dos Óscares vai acontecer e com isso distinguir o que de melhor foi feito em cinema no ano transato. Este evento organizado pela comunidade VIMEO talvez seja, na minha opinião pelo menos é, o concurso que distingue o que de melhor foi feito pelo mundo virtual e comunidades online de criativos por esse mundo fora no ano passado. 
Criativos esses que na sua maior parte são profissionais já com um respeitoso portefólio, mas também bastantes são alunos finalistas que apresentam o seu projeto final de curso. É uma mescla entre os profissionais que já deram provas das suas capacidades e os estudantes que ainda estão a ser testados acerca das suas potencialidades. 

Copyright Todos os direitos reservados a Casey Pugh

Foram submetidos a concurso cerca de 6500 vídeos, mas apenas alguns foram escolhidos como vencedores. Os grandes vencedores das diferentes categorias, além de ganharem capital para produzirem um novo trabalho, têm a garantia da VIMEO que vão ter uma forte exposição nas diferentes redes, mas nomeadamente na sua em concreto bem como uma distinção de pessoas com a categoria de "guru" nas diferentes áreas. 
Mas sem demorar mais tempo vou passar a apresentar os vencedores, ou melhor uma escolha pessoal dos cinco melhores vídeos em toda a sua globalidade e diferentes aspectos avaliados. Para aqueles que querem ter mais informação é só irem à página oficial. 


1º. Melhor Vídeo - Melhor Documentário - Escolha da Comunidade. 



2º. Série Original.





3º. Motion Graphics - Prémio VIMEO - Escolha da Comunidade



4º. Animação






5º. Vídeo de Música

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

As cores do infinito

De todo este documentário é esclarecedor sobre um paradigma que pode ser considerado "a própria linguagem de deus". Realizado pelo escritor do filme 2001: Odisseia no EspaçoArthur C. Clarke, é um esclarecimento audiovisual sobre as cores do infinito. 


Na semana passada morreu aquele que foi considerado o pai da Geometria Fractual (se é que se pode traduzir assim para português), Benoît Mandelbrot um matemático que desde os anos 50 se dedicou à descoberta dos traços que compõem a matéria da natureza e neste caso o mundo físico. 
Mais concretamente o que Mandelbrot conseguiu fazer foi magnificar uma imagem através do computador e através de uma fórmula matemática obter formas infinitas com uma precisão e detalhe só comparável às que existem na natureza. Como o New York Times reportou:
Applied mathematics had been concentrating for a century on phenomena which were smooth, but many things were not like that: the more you blew them up with a microscope the more complexity you found,”
Veja-se o espectáculo visual que é conseguido:

 

Mandelbrot traçou todo o seu percurso académico numa pergunta que o atormentava quando era jovem: que tamanho tem a linha costeira do Reino Unido? Qual não foi a sua admiração quando descobriu que dependendia que quão perto a pessoa olhasse. Porque num mapa uma ilha pode parecer lisa, mas ampliando a capacidade de zoom, começam a revelar-se bordas que levam a ter percepção de uma linha costeira maior àquilo que inicialmente julgamos. Quanto mais zoom fosse feito, mais linha costeira ia ser revelada.
A sua descoberta contribuiu para os campos da geologia, medicina, cosmologia e engenharia. Foi usada para explicar como as galáxias se aglomeram, como os preços do trigo podem mudar com o passar do tempo e como o cérebros de mamíferos podem crescem, entre outros fenómenos. Tudo isto pode ser visto no documentário que acima assinalei. 
A sua influência também foi sentida no domínio da geometria, onde ele foi um dos primeiros a utilizar computação gráfica (a que me interessa pessoalmente), para estudar objectos matemáticos como o conjunto de Mandelbrot, que foi nomeado em sua honra. Como o próprio referiu:
“I decided to go into fields where mathematicians would never go because the problems were badly stated. I have played a strange role that none of my students dare to take.”

Benoît Mandelbrot

Até sempre...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Fotógrafo de guerra

Poderá ser incrível para alguns, para outros nem tanto, pois já tinham consciência da sua existência. Mas existe uma profissão que é denominada de Fotógrafo de Guerra. Nesta profissão corre-se muitos riscos, pois entra-se no meio do teatro de operações e todas as situações são possíveis. Num momento estamos a tirar uma fotografia e no outro somos alvejados por uma bala perdida ou até intencional. O mais fantástico é que podemos conseguir as imagens mais incríveis e arrepiantes que o mundo já viu. 
Neste sentido, quero falar sobre um documentário que conta a história de James Nachtwey  um fotógrafo americano que um  dia decidiu que ia ser fotógrafo de guerra e, através da fotografia, conseguir captar  a essência da guerra e toda a realidade que é produzida por uma das mais longas tradições humanas. War Photographer é um documentário feito ao longo de dois anos nas guerras da Indonésia, do Kosovo e da Palestina. Realizado e produzido pelo suíço Christian Frei que usou micro câmaras agarradas à máquina fotográfica de Natchtwey. É impressionante como ao longo do documentário, com cerca de 1h30, somos levados para o lado da câmara e percebemos como um fotógrafo de guerra penetra no ambiente directamente e muitas vezes se confunde com o mesmo. Como se percebe a dificuldade de desempenhar um trabalho em condições únicas e claramente perigosas. Em que a todo o momento se desenrola violência humana entre grupos que lutam numa guerra por ideais opostos.  
É um momento único que merece toda a coragem de querer agarrar aquele instante e mostrar ao mundo o que está acontecer e aconteceu num fragmento. É um trabalho carregado de paixão para a sua execução e capaz de sensibilizar o mundo para a monstruosidade humana que acontece nas guerras. São os momentos em que o humanismo é trocado por raiva e ódio, bem exemplificado pelas imagens que o nosso protagonista captou no Ruanda, bem como nas ruas de Jacarta, quando um homem é perseguido por uma multidão em fúria e mutilado por todos em plena rua. É também um documentário onde é bem visível a dificuldade do ambiente onde desenrola toda a acção, bem mostrado na guerra da Palestina, onde o fotógrafo sofre danos causados por uma bomba de gás lacrimogéneo, ou até quando presta auxílio a um colega que foi atingido por uma bala. Também é um documentário onde percebemos que a fotografia é a arma de Nachtwey para mostrar ao mundo como as pessoas sofrem e, assim, conseguir a sua solidariedade para os mais necessitados. Bem explícito na carta que lê de um leitor, que a mandou depois de ver a reportagem da família indonésia que vive entre carris de comboio e em que o pai não tem um braço e uma perna.  O leitor, muito sensibilizado, refere na carta que vai começar a mandar dinheiro para a pobre família, mesmo não tendo muitos recursos financeiros. Um exemplo de como a arma pode ser poderosa.  Nas imagens em movimento e nas estáticas vemos a realidade tal como ela é, sem qualquer tipo de montagem ou edição, nuns momentos em que por vezes somos o olho por detrás da câmara.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A revolução da mulher na arte



Podemos falar de uma revolução da mulher enquanto arte? Parece ser esta a pergunta que Lynn Hershman Leeson, um homem que já trabalhou com fotografia, cinema, design de interacção e media arte baseada na internet, se auto-perguntou quando decidiu realizar o Womem Art Revolution. O WAR é um projecto que anota a evolução do movimento da arte feminina nos Estados Unidos da América através do ponto de vista pessoal de Leeson. Através de entrevistas, arte, filmes e imagens de arquivo, o projecto combina um documentário e livro de memórias audaciosas para ilustrar como este movimento, impulsionado por imperativos pessoais e políticas de justiça social e dos direitos civis, transformou radicalmente a arte e a cultura dos nossos tempos. O excerto que se segue é um bom exemplo do WAR, pois introduz  o grupo Guerrilla Girls  formado em 1985 em Nova Iorquea proclamada "consciência do mundo da arte" que chama a atenção para a injustiça e sub-representações em várias plataformas e instituições. Vários membros discutem a sua história de origem e o modus operandis, incluindo o "penis countdown".










Duarnte mais de quarenta anos,  o director Lynn Hershman Leeson reuniu centenas de horas de entrevistas com artistas visionários, historiadores, curadores e críticos que moldaram as crenças e os valores da arte feminista e estratégias usadas para politizar os artistas do sexo feminino e integrar as mulheres nas estruturas da arte. 
O WAR elabora a relação da arte feminista, um  movimento de 1960, contra a guerra e os movimentos de direitos civis e explica como os eventos históricos, como a exposição de protesto de todos os homens  contra a invasão do Camboja, acendeu a primeira de muitas acções feministas contra  as principais instituições culturais. O filme detalha os principais desenvolvimentos na arte das mulheres da década de 1970, incluindo os primeiros programas de arte feminista, organizações políticas e protestos, espaços de arte alternativos, tais como galeria Franklin Furnace em Nova Iorque e Los Angeles.


Isto foram novas maneiras de pensar sobre as complexidades do sexo, raça, classe e sexualidade. As Guerrilla Girls surgiram como a consciência do mundo e galerias de arte, instituições acadêmicas, museus e responsáveis por práticas de discriminação. Com o tempo, a tenacidade e a coragem destas artistas pioneiras  resultaram em que muitos historiadores sentem agora que é o movimento de arte mais significativo do final do século XX. 
Carrie Brownstein compôs uma banda original para acompanhar o filme. Laurie Anderson, Janis Joplin, Sleater-Kinney, The Gossip, Erase Errata e Tribe 8 são alguns dos músicos talentosos que contribuíram para a  banda sonora.

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...