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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Árabe do Futuro

A coisa mais surpreendente sobre The Arab of the Future: A Childhood in the Middle East, 1978–1984, é a devida devastadora memória gráfica de Riad Sattouf e dos seus primeiros sete anos de vida, e que ele conseguiu escrevê-lo e publicá-lo sem ser morto. 
Nascido em Paris em 1978, filho de um pai sunita sírio e mãe Britânica, Sattouf cresceu na Líbia, na França e na Síria. A sua infância é o tema do seu livro. 




Sabemos que, quando adulto, voltou para a França, desenhou um livro de quadrinhos sobre a circuncisão quando tinha oito anos, fez um filme satírico chamado Jacky no Reino das Mulheres (ambientado num país islâmico fictício com papéis sexuais invertidos) e, até pouco antes do massacre em Paris, trabalhou para o Charlie Hebdo, onde foi o único cartunista de origem árabe. 

Em suma, sabemos que Sattouf escolheu a França sobre a Síria. Lá, ele escreveu e desenhou o Árabe do Futuro, uma dura crítica das suas experiências nas sociedades que deixou para trás, colocando tudo isso em uma picaresca memória gráfica contada a partir do ponto de vista de uma criança. 

O primeiro volume deste livro, publicado inicialmente em francês como L'Arabe du Futur, ganhou o prémio principal no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême em 2015 e o Los Angeles Times Book Prize para melhor graphic novel






Ele concentra-se principalmente na relação entre Riad pequeno e o seu pai, Abdel-Razak, um professor com ambições de trazer iluminação, educação e unidade para os seus companheiros árabes. O segundo volume  centra-se na escola religiosa de Riad na Síria. 
Em um nível, estes dois volumes são a lembrança detalhada, desenhada com grande economia e humor, de uma criança observadora.  Como ele é arrancado da Líbia  para a França e, finalmente, para a Síria.


Ao longo do caminho, obtemos um relato na primeira pessoa da brutalidade da Síria sob Hafez al-Assad e a Líbia sob Muammar Kadafi. Mas como o título sugere, o árabe do futuro pode ser lido muito mais amplamente. 
Sugere uma história de duas culturas, duas civilizações, dois modos de vida - Europa versus Médio Oriente , Ocidente versus Oriente. E serve, de facto, como um relato atento e justificativo da escolha final de Sattouf de viver na França. Um tema atual no mundo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A Idade Adulta é um Mito

Sarah's Scribbles  é uma webcomic que inicialmente se chamou Doodle Time e que depois de ser sindicalizado pela GoComics passou a ter o nome atual.  Adulthood Is a Myth (2016) é um livro retrato autobiográfico de Sarah Andersen que resultou numa coleção ilustrada com os Doodles da cartunista.



Andersen, explora as fraquezas da idade adulta focando o ridículo e por vezes frustrantes acontecimentos que se passam nessa fase da vida.  
Andersen é uma excelente caricaturista - algumas das suas mais engraçadas linhas são painéis de rostos sem expressão, de olhos arregalados. 
Muitos dos seus desenhos mostram o que se pode chamar de problema de introvertidos, sendo por isso que a maior parte dos leitores são pessoas que sofrem de introvertismo. 
Por essa razão, nota-se na autora uma capacidade de capturar pequenas partes da vida que são muito muitas vezes esquecidas e raramente se falam sobre elas. 
Como muitos comediantes talentosos, grande parte do seu melhor material vem dos aspectos desconfortáveis ​​e até embaraçosos da vida. 
Tiras que envolvem a ansiedade social em todas as formas, incluindo a depilação do corpo e o desempenho nos media social.  






Este livro é para todos nós. Estes quadrinhos documentam o desperdício de belos fins de semana na Internet; a agonia insuportável de segurar as mãos na rua com um homem lindo; sonhar o dia todo em voltar para casa e vestir o pijama, e perguntar quando exatamente essa coisa da idade adulta começa. Em outras palavras, os horrores e constrangimentos da vida moderna jovem.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ilustrando sobre a perspetiva da caneta

O video sem dúvida que se tornou uma arma muito poderosa na capacidade de o olho humano poder observar pormenores que até então não era possível. Mais fascinante é podermos ver como nasce do nada os traços que depois vão dar a obra final. As várias técnicas seguidas para criar diferentes objetos visuais, a forma como é dado volume a esses e como se usa diferentes tipos de ferramentas para esse fim.





É isso que podemos ver neste trabalho de Though Ronan e Erwan Bourouec que não são são artistas sequenciais, mas criaram no seu estúdio, com a ajuda de  uma câmara fixa, uma forma de filmar ilustrações  sobre as perspectivas das canetas. É um divertimento, quase vertiginoso vermos a caneta, o pincel, o marcador deslocarem-se ao redor das páginas ou telas para criar figuras básicas e complexas.
Mais ainda, acaba também por ser um making of do trabalho que, por um lado ajuda a perceber melhor a sua construção. Mas, por outro, mostra o quanto simples pode ser desenhar. Era uma ideia que todos os artistas deveriam seguir. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Filipe Melo, músico, realizador e cartoonista

Filipe Melo é um artista multifacetado. Realizador da curta I See You in My Dreams (2003), considerado o primeiro filme de terror português e que venceu o Fantasporto em 2004. Na curta entraram Adelino Tavares, São José Correia, Sofia Aparício, Manuel João Vieira, João Didelet e Rui Unas, entre outros. Realizou também Um mundo Catita (2007), uma série de seis episódios que passou na RTP.  
Tem também uma banda. Estudou no Hotclube de Portugal e no Berklee College of Music em Boston. Entre outros já tocou com Peter Bernstein, Camané, Carlos do Carmo e GNR.  Finalmente, é cartoonista. Lançou no ano que corre o seu segundo livro de banda desenhada intitulada Dog Mendonça and Pizza Boy, Apocalipse II (2011). 


A BD antecedente, intitulada The Amazing Adventures of Dog Mendonça and Pizza Boy (2010), e com prefácio de Jonh Landis, realizador do vídeo clip Thriller (1982),  foi nomeada e venceu o melhor argumento no FIBDA Comic Book Convention.
A segunda saga tem o selo da Dark Horse, que é a terceira maior editora de banda desenhada dos Estados Unidos da América, mas numa vertente mais indie, sendo opositora da Marvel e DC Comics.  
Eu convidei o Filipe Melo a dar uma entrevista aqui para o blogue. Para que o possam conhecer melhor e, simultaneamente, dar a conhecer o seu mais recente projeto, pelo qual tenho um deleite. 


1º Fala-nos um pouco de ti e do teu percurso?

Chamo-me Filipe Melo, cresci em Benfica e gosto muito de música, de filmes e de banda desenhada. 

2º Em que altura da tua vida descobris-te a tua vocação e porquê?

Ainda não descobri a minha vocação, tento descobri-la todos os dias, mas suponho que desde cedo percebi o que gostava e do que não gostava e tento viver a minha vida de forma a dedicar-me de forma honesta às coisas que me motivam.

3º Nos dias que correm, tens que conjugar duas atividades em simultâneo! Fala-nos um pouco delas e como consegues sincronizar datas?

Na verdade, adorava ter só duas actividades. Tenho de conjugar várias, porque além dos concertos, tenho a banda desenhada, os filmes, as aulas... É muita coisa ao mesmo tempo. Para sincronizar datas uso o ICal. 

4º Como foi a experiência de realizar a curta I See You in My Dreams e ganhar o Fantasporto?

Foi uma experiência intensa e ajudou-me a ganhar confiança nas coisas que faço. Foi uma época muito bonita da minha vida, e os prémios que o filme ganhou serviram apenas para mostrar que algumas pessoas gostaram do que andámos a fazer. 

5º Fala-nos do teu último trabalho na área dos Comics? Qual o processo e as ferramentas utilizadas na realização?

A última aventura editada em Portugal é "As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy 2 - Apocalipse", a sequela de um livro que lancei no ano passado. É, como o título indica, um livro de aventuras. Paralelamente, tenho trabalhado por encomenda para a Dark Horse Comics, com histórias curtas, de 8 páginas. O desenhador e o colorista vivem na Argentina, por isso o processo de trabalho é via Skype.


6º Qual é a fantástica equipa por detrás?

É uma equipa pequena, mas unida - a equipa central é constituida por mim, que escrevo, o Juan Cavia, que desenha, o Santiago Villa, que põe as cores e o Pedro Semedo que coloca balões. Há também uma série de pessoas essenciais que participam em várias fases do processo e que enriquecem muito a história ao ajudar-nos na adaptação de guião (Martin Tejada, João Pombeiro), na produção, etc. É um processo muito enriquecedor. Sobre a equipa e sobre o processo poderão consultar a página oficial do projecto: www.dog-pizzaboy.com.

7º E para ti como vai o estado dessa arte em Portugal? Soluções e problemas?

Está óptimo. Não vejo problemas, por isso não vejo necessárias soluções. Há festivais, há artistas talentosos. É preciso chegar a mais leitores, só isso, mas isso depende de nós, autores.

8º Que conselhos queres deixar para aqueles que agora estão a começar?

Lembrem-se de quem são e do que gostariam de ser, e nunca desistam de tentar ser aquilo que querem, por mais complicada que se torne a situação.

Para terminar, deixo-vos com o Making Of para que conheçam visualmente a equipa e o processo de trabalho.

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...