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sábado, 2 de março de 2019

Òscars 2018

De facto os Òscars perderam para mim o valor que tiveram desde sempre até há alguns anos atrás. Fui percebendo que cada vez mais eu não ligava aos nomeados, nem estava para perder uma noite a visionar a cerimónia.

Em 2011 escrevi, e foi neste ano que tudo mudou:

E assim já passou a octogésima terceira edição dos Óscars desde a sua primeira edição a 16 de Maio de 1929 no Hotel Roosevelt. De uma forma muito sucinta o que tenho a relatar da cerimónia deste ano é o glamour que sempre invade esta festa de cinema e na forma como milhões de milhões de pessoas esperam para saber os vencedores das diferentes categorias.
Mas como referi logo no início pensei nos Óscars deste ano de uma forma diferente. Em primeiro lugar a clareza que agora se sabe os vencedores, não sendo mais porque nos últimos anos a comunicação social dá mais destaque a outros prémios e festivais (Cannes, Sundance, ...) e com isso normalizou a escolha dos opinion makers e consequentemente da opinião pública. No ponto de vista dos media, são eles na verdade que criam os vencedores. Em segundo lugar, é complicado concordar com a decisão da Academy Of Motion Picture Arts & Sciences quando para nós houve filmes esquecidos e outros que mereciam o Óscar de determinada categoria.

Comecei a observar em mim, depois de escrever aquelas linhas um desinteresse para tudo aquilo que os Òscars sempre representaram. No fundo, os prémios passaram a ser uma escolha popular e de bilheteira e não propriamente da linguagem cinematográfica.

Frame do Filme Roma
Em 2012 alguma esperança renasceu e sobre os prémios da Academia de Hollywood desse ano escrevi:

Podemos também entrar mais profundamente nas diferenças entres os dois filmes. Algo que foi muito bem explicado por Adam Cook num artigo para o notebook do MUBI. Diz ele o seguinte. "Hugo is a 3D/color/American “blockbuster” shot in Paris and London and The Artist is a 2D/black and white/French “festival” film shot in Hollywood." E continua dizendo que eles têm alguns aspetos em comum como: o franco conhecimento de cinema dos dois realizadores; que os dois filmes apresentam-se como uma resiliente (elástico) força e implícitos argumentos que o cinema como tecnologia altera a forma de fabricar a arte e, assim, o cinema consegue evoluir e sobreviver e depois aponta mais analiticamente características (as que estão escritas na citação acima); técnicas que diferenciam os dois.
Quanto a mim, e de forma a finalizar o post, apenas estou contente por a cerimónia dos Óscars deste ano e todas as pessoas responsáveis tenham sido capazes de homenagear o cinema tal como ele é, ou seja, uma forma de arte. E que Michel Hazanavicius e Martin Scorcese tenham ganho os prémios e com isso o mérito reconhecido.
Passaram alguns anos e a decadência do cinema e a sua glorificação maior sofreu um detrimento, que passa pela monopolização da Marvel, sequelas e prequelas e uma falta de originalidade que simplesmente afastou os espectadores e fez o cinema ter perdas irreparáveis.

Por esta e outras razões as plataformas de streaming ganharam o que o cinema perdeu e tornou-se na forma moderna de consumir produtos audiovisuais. E percebemos em 2018 que os estúdios cada vez gastam mais e os prémios cada vez têm menos valor.


Frame do Filme Roma

Concluindo, escrever sobre a glorificação maior do cinema norte americano e mundial, para mim perdeu todo o encanto. Porém este ano os acontecimentos levaram-me a analisar em maior profundidade.

Nomeadamente a forma como as plataformas de streaming se aliaram para renovar estratégias, mais concretamente com o lançamento do filme Bird Box (2018) que teve primeiro a sua estreia em cinema e só depois nas plataformas.  Algo que se provou um sucesso, pois o filme tornou-se um hit viral conquistando milhões de espectadores em todo mundo.

Por outro lado temos também o filme Roma (2018) que é um hino à forma como se pode escrever cinema e usar toda a sua linguagem para criar um objeto capaz de cativar do princípio ao fim do filme. E que também foi nomeado para os Òscars na categoria de melhor filme estrangeiro.

Um filme a preto e branco de Alfonso Cuarón, é um relato auto biográfico do México de hoje. Patente na história de uma empregada doméstica, que espelha todos os mexicanos e que hoje parecem ser perseguidos pela política norte-americana especialmente por Donald Trump e o muro que pretende construir.

Nos Òscars deste ano, vimos mais uma vez que bilheteira é que escolhe os vencedores e a qualidade cinematográfica é circunscrita para um plano de resilientes que ainda respiram cinema.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A Inteligência Artificial e os Dados. Evolução ou Manipulação?

O assunto não é de todo um daqueles que consiga a atenção das massas. Pois está a entrar no nosso quotidiano ainda de forma subliminar. Porém, para mim tem sido razão de reflexão nestes últimos dias. Acerca dele já escrevi bastante aqui no blog.

Porém, como sempre, não despolpou qualquer interesse nas pessoas que possam, supostamente, ler este blog. Mas também isso não interessa para nada.

Mesmo assim, sinto uma necessidade inata de analisar os meus pensamentos sobre este assunto e o que tem vindo ao meu conhecimento sobre o mesmo.

Concretamente estou a falar da Inteligência artificial (AI) e como esta tecnologia está a ter impacto nas sociedades do todo mundo, com ênfase na arte. Porém este post vai distanciar-se um pouco desse assunto e vai alinhar-se numa perspectiva mais geral.





Ontem houveram alguns artigos de jornais de referência mundial.  Publicaram notícias sobre o assunto em questão. O The Guardian num artigo menciona que em Junho do ano passado cinco pesquisadores da unidade de Inteligência Artificial do Facebook publicaram um artigo demonstrando como os bots podem simular conversas semelhantes a negociações.

Passado um mês após essa pesquisa a Fast Company publicou um artigo intitulado AI Is Inventing Language Humans Can’t Understand. Should We Stop It?.  O artigo tornou-se viral e o mesmo insinuava que as máquinas estavam a criar uma nova linguagem entre si. A proporção de tal suposição levou mesmo os investigadores a desligarem as máquinas, dando a impressão que elas estavam fora de controlo. Porém, a decisão foi tardia e o artigo tornou-se viral e outros meios famintos por noticias promoveram ainda mais essa narrativa.

Zachary Lipton, professor assistente do departamento de aprendizagem de AI da Carnegie Mellon University, assistiu com frustração à história transformar-se de “pesquisa interessante” em “porcaria sensacionalista”.

O que esta história em concreto nos prova é que deve haver um distanciamento bem alargado sobre o que realmente interessa e o depósito que não tem interesse nenhum no estudo científico da IA. Porque se os media começam a noticiar estas novas descobertas como um qualquer monstro Frankstein o problema das Fake News pode tomar proporções apocalípticas.


Por isso mesmo tem que haver um bom entendimento entre o que é IA e o que é o Deep Learning. Podemos assumir a aprendizagem aprofundada como um sub sector da IA. Que basicamente consiste em que as máquinas sejam capazes de aprender sozinhas. 

Contudo, atualmente isso só é possível porque existe a inserção de dados (milhões de terabytes) que permitem à máquina, depois de muitas tentativas falhadas, chegar a uma conclusão concreta e que corresponda há realidade. 

Pode ser um assunto complicado para não-especialistas, e as pessoas muitas vezes confundem erroneamente a inteligência artificial contemporânea com a versão com a qual estão mais familiarizados: uma visão científica de um computador consciente, muitas vezes mais inteligente que um humano. 

Os especialistas referem-se a essa instância específica da inteligência artificial como inteligência geral artificial e, se criarmos algo assim, provavelmente será um longo caminho no futuro. Até então, ninguém é ajudado por exagerar a inteligência ou as capacidades dos sistemas de inteligência artificial.




O entusiasmo sobre a IA é exagerado neste momento. E muito longe está o tempo em que esta tecnologia seja capaz de gerir a nossa vida. Os principais avanços podem demonstrar que a inteligência desta ferramenta esteja ao nível da inteligência humana. Os principais avanços têm a capacidade de deslumbrar o público, mas um novo relatório atesta que isso ainda está longe de ser verdade. 

Os estudos na área apontam que a IA nos próximos anos vai modificar muito as economias mundiais, mas o que realmente foi alcançado a nível de evolução está restringido há classificação de imagens e reconhecimento de voz. Porém, não podem adaptar-se muito se a natureza dos dados mudar ou se analisarem algo completamente desconhecido.

Através de entrevistas com os principais especialistas em IA, o relatório também tenta identificar áreas-chave onde o progresso ainda é necessário. Vários apontam para a necessidade de enormes quantidades de dados para treinar sistemas atuais de IA, e para a sua incapacidade de generalizar sobre a solução de uma variedade de problemas. E aqui reside a questão chave sobre todo o uso que a IA pode ter na forma como existimos. A inserção de dados e a forma como eles são utilizados já é de forma flagrante um problema que as grandes corporações de tecnologia, como a Google ou Facebook se têm debatido nos últimos tempos.

O escândalo da Cambridge Analytica também ilustra onde o teórico utilitarista teria se oposto às práticas do Facebook. Ser descuidado com a maneira como os dados dos utilizadores são compartilhados com terceiros é uma coisa. Mas a tentativa de traçar psicologicamente os usuários do Facebook para apresentar cada um deles com o conteúdo mais provável de influenciar a votação vai além de apenas melhorar a publicidade, para uma forma de manipulação que ameaça o que o liberalismo mais se preocupa: a liberdade do indivíduo.

Alguns escritores de tecnologia, como o historiador israelense Yuval Noah Harari, chegaram a ver o poder do Facebook capaz de manipular o  nosso comportamento como uma confirmação de que o livre-arbítrio é uma ilusão. Essa é uma conclusão extrema a ser tirada do escândalo da Cambridge Analytica, mas devemos ter uma profunda preocupação com as possíveis maneiras pelas quais o Facebook pode estar a minar a nossa autonomia. 

Nesse sentido, se a IA ainda carece da inserção de dados para poder ser denominada de inteligente! Onde é que entra a capacidade de empresas como a Google ou Facebook, que têm uma infinita base de dados, manipular a IA com esses mesmos dados e daí serem capazes de manipular o livre arbítrio de cada indivíduo? Mais, onde pode chegar o poder destas empresas com ajuda do deep learning? 

São perguntas que cada um de nós devia fazer de forma introspectiva. Porque se longe está o tempo em que uma máquina vai ter capacidade de decidir por si mesma. Vivemos o tempo em que os dados e quem mais tem acesso a eles tem o poder absoluto. 


sábado, 26 de janeiro de 2019

O Impacto da AI na Sociedade.

Tenho lido bastante sobre este assunto e a verdade é que foram tantas as fontes que li, que considero que já é em exagero o que sei sobre o assunto. Sendo, que aquele facto me fez distanciar um bocado da escrita e da análise sobre o assunto. Os meus dois últimos artigos em que toquei no assunto focaram-se na forma como uma série pode ser premonição de um futuro que parece ser uma uma visão distótipa que todos ignoram. Dessa forma concluí a minha análise sobre West World da seguinte forma:
Em conclusão, o fim da segunda temporada de West World ainda levantou mais perguntas que respostas. Para o fãs da série, como eu esse acontecimento é uma coisa boa - deixa-nos desejosos por mais-. A série destaca-se das outras do mesmo género porque aposta numa perspectiva sobre a máquina e como esta consegue sucumbir os seus criadores. Todo esse mundo criado e aparentemente distópico faz-me olhar para o mundo que vivemos hoje e pensar que a IA está cada vez mais desenvolvida. E a criação de máquinas com consciência é inevitável porque o ser humano procura cada vez mais o seu conforto. E com isso um mundo mais automatizado e capaz de limitações. Mas existe a possibilidade de que se esse cenário acontecer um dia os hosts se virem contra ele. Num mundo assim, West World acabaria por ser o melhor exemplo actual.
Também analisei se de alguma forma podemos considerar a arte criada pela AI, como arte. Na verdade este talvez seja o assunto mais complicado de explorar, porque a sua análise é complicada e demasiado ambígua. De qualquer das formas tentei explicar que:

Pegar nesta ideia e passar para a arte criada pela IA é a resposta há pergunta feita anteriormente. Não é o facto de ser arte feita por máquinas. Que não tem qualquer esforço pelo ser humano, mas não deixa de ser uma experiência estética. Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita. Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte.

A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência. Assim, talvez a resposta sobre se a arte criada pela IA é realmente arte esteja na evolução da biologia para potencializar a sobrevivência.

Tolstoy no seu livro toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita e pela sua obra. Enquanto nas sociedade das épocas de correntes artísticas era típico haver artistas que recebiam. A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível]. A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - porque parece que é possível ensinar a arte a uma máquina.




Desta forma assumo que é possível que a AI seja capaz de aprender com o tempo. Talvez a sua evolução lhe permita até aprender sozinha. O que já aconteceu! Na forma como nós podemos passar a amar os robots e a forma como eles facilitam a nossa vida. Como demonstra este artigo da New Yorker. 

Pausando um bocado e se pensarmos bem como a AI está infiltrada na nossa vida.  A verdade é que ela está em todo lado e dentro de pouco tempo passará a fazer parte da realidade como mais uma ferramenta de uso na busca infinita do ser humano obter conforto.
Nestes mundos imortalizados pela literatura e pelo cinema como dimensões impossíveis de existir, está bem presente e não podemos fugir dela. Para os mais leigos a aceitação será, como sempre, adaptação e não pensar nas consequências mas sim nas soluções. Mas aqui parece que as consequências podem ser mais perigosas. Pelo menos se nada for feito.


O gráfico acima foi conseguido através de um estudo que afirma que os homens, os mais jovens e as minorias serão os mais afetados pela automação de sistemas de trabalho repetitivo. Os números são altos e reflete bem as diferentes sociedades existentes no mundo.

E é toda esta questão que me aquenta a reflexão. Porque por um lado, parece que ainda não existe uma preocupação imediata sobre o assunto. Uma intervenção ao nível das forças do poder, como políticos ou Governos ou até um bilionário. Que ninguém tome as rédeas sobre esta quarta revolução.  
Por outro, mais assustado fico, quando leio que que há quem já tenha percebido as implicações da AI na sociedade e tenham tido a ideia do Rendimento Mínimo Incondicional, que este tenha sido testado e não tenha funcionado. 
O RMI, no fundo, é uma mesada pelo simples facto de estarmos vivos. Mas na verdade é dar mais liberdade ao livre arbítrio de cada um. Pois num mundo em que as as tarefas rotineiras são feitas por máquinas, as pessoas têm mais tempo para viver a vida que querem. Então esta ideia foi implementada e daí saiu um outro estudo intitulado From Idea To Experiment que decorreu na Finlândia há uns anos atrás e que consistia em testar o RMI junto da população Finlandesa. As conclusões desses estudo podem ser lidas aqui



Por outras palavras, a inteligência artificial como tecnologia está no perfeito auge. Permitiu novas formas de comunicar, novas formas de criar arte, novas formas cinematográficas de podermos imaginar o mundo daqui a umas décadas. Reinventou o trabalho e criou novos desafios à existência humana. 

É este último ponto que me chama mais a atenção, Porque há medida que as coisas vão mudando, as verdadeiras implicações do uso da AI ainda não chegaram a um ponto que sintamos que realmente reinventou algo. Um sentimento parecido aquando o Telemóvel se tornou acessível a todos. Mas agora temos homepods com nomes próprios que respondem às nossas perguntas. Carros que se conduzem sozinhos. Drones que entregam as nossas encomendas em casa. Para não falar nas mais diversas utilidades que a AI tem hoje nos diferentes objetos que utilizamos no trabalho, em casa, no ginásio, no hospital, em tudo.

Se por um lado a AI pode ser reflexo de uma evolução da inteligência humana, por exemplo na construção de artefactos artísticos. Por outro essa mesma arte pode mostrar  para  que mundo nós caminhamos, quando automatizamos séculos de trabalho, fruto de uso do árduo esforço físico e mental do ser humano.

domingo, 1 de julho de 2018

O AI é capaz de produzir arte?

Enquanto certas séries me fazem pensar sobre o futuro da IA como um mal quase apocalíptico. Já que na forma que é abordada é nos mostrado através da arte da televisão, do cinema simulações sobre possíveis futuros em que a máquina domina o seu criador. Há um outro lado da IA que me tem chamado a atenção e é a sua capacidade de criar arte. Ou algo que possa ser considerado arte.

Num artigo da Scientific American essa pergunta também é colocada e analisada de forma a tentar responder. A certa altura do artigo diz o seguinte: 

A mass-produced print of the Mona Lisa is worth less than the actual Leonardo painting. Why? Scarcity—there's only one of the original. But Amper churns out another professional-quality original piece of music every time you click “Render.” Elgammal's AI painter can spew out another 1,000 original works of art with every tap of the enter key. It puts us in a weird hybrid world where works of art are unique—every painting is different—but require almost zero human effort to produce. Should anyone pay for these things? And if an artist puts AI masterpieces up for sale, what should the price be?

Imagem gerada no Deep Dream


A importância do excerto vai no sentido de qual pode ser o valor deste tipo de arte? Mas em primeiro lugar é considerado arte?
A resposta tentei procurar num livro que fala que a arte é um feliz acidenteThe Aesthetic Brain: How We Evolved to Desire Beauty and Enjoy Art (2013) de Anjan Chatterjee.
A teoria apresentada pode ser refutada ou até apoiada por outros autores, mas a verdade é que este é do poucos livros que li sobre o assunto de forma mais científica e profunda.

No livro o autor assume uma teorização científica. Porque normalmente, a objectividade assume uma forma quantitativa. E traduzir experiências estéticas, aparentemente transcendentes, em números é crítico para uma abordagem experimental à estética. Ou seja, informações precisam de ser quantificadas, hipóteses precisam de ser testadas e reivindicações precisam de ser replicadas ou falsificadas.

Aqueles são os fundamentos básicos sobre o qual o progresso em ciência é construído.
No entanto, é esta abordagem que é necessária para haver uma ciência da estética. Talvez porque a experiência estética e uma propriedade emergente de componentes diferentes, que não podem ser derivados a estudar as suas partes.


A mesma imagem gerada do Deep Dream mas com resultado diferente.


Ou seja, a arte criada pela AI tem que se  submeter a algum tipo de estudo científico. Como todas as correntes anteriores, conseguir a definição de arte passa por uma discussão sobre o impacto que este tipo de arte tem.

Mas no entanto indo ao âmago do livro o poder da arte é a sua capacidade de mover-nos e fazer-nos experimentar temas antigos com novos olhos e transmitido através da sua expressão local. 

O conteúdo da arte é moldado por condições locais: a cultura em que nasce, os seus antecedentes históricos, as condições económicas da sua produção e recepção e referências relevante para o seu tempo e lugar. 

A arte é uma coleção bagunçada de adaptações e é repleta de modificações e plug-ins formado por episódios históricos e nichos culturais. 
Quando as pressões culturais selecionam tipos específicos de arte, a arte produzida cai dentro de limites estilizados estreitos. Quando as pressões seletivas culturais são relaxadas, a arte floresce. Não temos um único instinto artístico. Temos instintos que desencadeiam um comportamento artístico. Em vez de ser dominado pelos instintos, é o relaxamento do controle instintivo que permite à arte expressar-se plenamente.

Pegar nesta ideia e passar para a arte criada pela IA é a resposta há pergunta feita anteriormente. Não é o facto de ser arte feita por máquinas. Que não tem qualquer esforço pelo ser humano, mas não deixa de ser uma experiência estética.  Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita.

Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte.

A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência.

Assim, talvez a resposta sobre se a arte criada pela IA é realmente arte esteja na evolução da biologia para potencializar a sobrevivência.

Tolstoy no seu livro toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita e pela sua obra. Enquanto nas sociedade das épocas de correntes artísticas era típico haver artistas que recebiam.
A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível].

A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - porque parece que é possível ensinar a arte a uma máquina.

West World, interrogação sobre a Inteligência Artificial

Terminou recentemente a segunda temporada de West World, uma série que aqui já falei num post anterior e que depois de revisto. Levou-me a pensar que o assunto nesse post está pouco desenvolvido depois do fim da segunda temporada.
Sobre a primeira escrevi:

Na série, ao contrário de Lord of the Rings o foco não está no CGI mas na capacidade guionista de como conseguir que o espetador se interrogue pelas personagens e os seus jogos políticos na conquista e passar da imaginação para a realidade.
Em Westworld temos um mundo que foi construído para satisfazer os nossos desejos mais macabros, monstruosos. Que no fundo só é a nossa parte animal!



O post intitulei-o de Fruto Proibido, porque apenas ainda ia a uns episódios na série e bem longe da narrativa que teve um climax inesperado no ultimo episódio da segunda temporada. Mas já na primeira o desenlace foi bem surpreendente.

Na primeira série West World é apresentado como um mundo habitado por hosts que vivem num parque criado por ser humanos e que estes procuram para fugir da sua realidade e entrar noutra onde todo o fruto proibido é permitido.

A narrativa desenvolve-se com alguns dos hosts a mostrarem uma vontade de livre arbítrio e consciência do que são na realidade e para o que servem. Pelo meio percebemos que  a acção acontece em vários períodos no tempo e as personagens se cruzam num complexo jogo distópico entre máquina e homem.

Quase como o livro de Philip K. Dick que foi adaptado para o cinema e já conta com duas versões cinematográficas: Blade Runner  e Blade Runner: 2049.



Frame de Blade Runner 2049



As histórias em si não têm nada a ver, mas o tema é o mesmo. A construção de máquinas para um determinado uso pelo seres humanos. Posteriormente o seu uso torna-se descartável. Surge assim o nascimento de uma consciência de uma nova espécie, que neste caso são robôs e por essa razão, temidos pelo ser humano.

Um mundo onde existem máquinas que pensam como o ser humano e sentido-se usado por ele, viram-se contra ele. Há também uma história de amor entre duas personagens e como esse factor determina toda a narrativa.

Mas ao contrário de Exterminador Implacável não conhecemos já a conclusão das máquinas sobre o seu criador. Em West World assistimos ao início da revolução e como as máquinas começam a rebelião de dentro para fora.

Mas é em toda esta trama  de um mundo distópico produzido pela indústria televisiva que podemos olhar à nossa volta e perceber que a Inteligência Artificial é um recurso que está presente e cada vez tem mais uso nas tarefas humanas. Desde as lojas da Amazom que não possuem caixas de pagamento ao projeto Maven que nos devem fazer pensar sobre esta possível realidade.

Toda a série é caracterizada por diálogos filosóficos e frases complexas que nos interrogam sobre o ser humano, as suas acções e seu lado mais animal. Mas também como a máquina pode ter uma consciência e uma alma e depois de isso acontecer sentir-se como um animal num zoo.

É complexa a resposta perante esta invenção da IA que está a mexer as colunas da sociedade em todas as suas frentes, mesmo na arte. Onde até a seguinte pergunta  é feita por um orgão de comunicação social: A Arte Criada por IA é Realmente Arte?





Em conclusão, o fim da segunda temporada de West World ainda levantou mais perguntas que respostas. Para o fãs da série, como eu esse acontecimento é uma coisa boa - deixa-nos desejosos por mais-.
A série destaca-se das outras do mesmo género porque aposta numa perpectiva sobre a máquina e como esta consegue sucumbir os seus criadores.
Todo esse mundo criado e aparentemente distópico faz-me olhar para o mundo que vivemos hoje e pensar que a IA está cada vez mais desenvolvida. E a criação de máquinas com consciência é inevitável porque o ser humano procura cada vez mais o seu conforto. E com isso um mundo mais automatizado e capaz de limitações. Mas existe a possibilidade de que esse cenário acontecer um dia os hosts  se virem contra ele. Num mundo assim, West World acabaria por ser o melhor exemplo actual.




  

segunda-feira, 4 de abril de 2016

AKIRA e a experiência artística.

Depois de ontem ter dito que tinha acabado de ler o livro de Leon Tolstói What is Art?  
Aconteceu de eu rever um dos meus filmes de animação anime de sempre AKIRA  (1988) de Katsuhiro Ôtomo.
Um filme que aborda questões filosóficas que se reúnem numa só ideia. Do caos podem nascer coisas belas.
E é assim que devemos pensar sobre tudo que admirámos e apreciámos.
Por isso, acontece que depois do livro e com as suas ideias na minha mente tive um experimento sensorial em que posso dizer que o objeto, a animação, que admirei é arte.
Assim houveram duas coisas que eu quis que ficassem desta minha experiência individual artística que eu quero tornar social.
Em primeiro lugar,: uma citação do livro de Tolstói que considero que vai em muito ao encontro do senti no filme. Pois como disse:
- do caos pode vir coisas belas e essa é a mensagem...
O que vi e senti foi uma infecção de prazer apenas conseguida por deus. Neste caso é uma teoria de estudioso da estética que tem uma teoria que eu considero que se enquadra no filme.
"According to Hegel (1770-1831), God manifests himself in nature and in art in the form of beauty. God expresses himself in two ways: in the object and in the subject, in nature and in spirit. Beauty is the shining of the Idea through matter. Only the soul, and what pertains to it, is truly beautiful; and therefore the beauty of nature is only the reflection of the natural beauty of the spirit—the beautiful has only a spiritual content. But the spiritual must appear in sensuous form. The sensuous manifestation of spirit is only appearance ( schein ), and this appearance is the only reality of the beautiful. Art is thus the production of this appearance of the Idea, and is a means, together with religion and philosophy, of bringing to consciousness and of expressing the deepest problems of humanity and the highest truths of the spirit." 

E, em segundo, enquanto via o filme, deparei por mim a pensar que toda a matéria de belo do filme se resumia às sua imagens - que claro sem o som não têm o mesmo impacto - mas são o produto bonito nascido das ideias.
Assim, o que me interessou ficar na mente, e nest post. foi o objetos de arte que me impressionaram:as imagens do filme.
Fica uma coletânea.
Temos um mundo apocalíptico que conhecemos num período depois da WWIII.
O mundano e desumano é permitido nas ruas.  O imperialismo, capitalismo e corrupção ocupa - uma vez mais - o lugar de poder. Na história é sempre a espiral do eterno retorno...
Mas temos uma consequência do abuso desse poder, a criação de coisas que não percebemos e com isso talvez seja precisa um renascimento. Existem pontas soltas, mas a resposta nunca a vou querer saber!














terça-feira, 26 de janeiro de 2016

À TROIS, ON Y VA (o amor é estranho)

O amor é um sentimento estranho não adianta medi-lo, quantificar ou até relativizar.
Ele já é relativo no seu estado puro.
E nós os seres humanos somos os animais mais racionais que conhecemos e temos sobre ele uma obediência criada pela tentação baseado no prazer.
A carne humana unida com o sentimento de o prazer sexual torna-nos um animal e cada um tem a sua forma de o demonstrar.
Ninguém é santo...


Não adianta aqui falar sobre o filme À TROIS, ON Y VA (All About Them - 2015) continuando na mesma linha do que disse acima.
A mensagem é aquela e mais nenhuma!
O mais fascinante mesmo é o filme! A sua arquitetura.
A forma como Jérome Bonnel idealizou toda a narrativa do filme, cada diálogo, cada frame, cada travelling foi a pensar no amor.
É um realizador novo para mim, mas gostei muito da forma como criou este filme.
Conseguiu prender a minha respiração por todo o filme.
Aproximou-me da história triangular, que é prenchida pelo amor.
Mas o que foi mais "irritante" é que ele, de uma forma genial, criou em mim a expetativa de ver, mas na verdade não ví!
E quando finalmente pensamos que entendemos! Eis que a narrativa tem uma rutura brutal na sua lineariedade que tinha sido entendida na introdução e no desenvolvenmimento. Dito de outro modo, nada é o que parece.


A nossa atenção tem que ser focada mais nas personagens!
Seria mais crítico da minha parte caracterizar. Preencher as suas claras personalidades.
Mas não o vou fazer!
Porque acho que o filme perde com esse spoiler!
O que é mesmo importante aqui é unir-nos ao filme. E quando falo em unir é esquecermos que o estamos a ver numa tela ou num ecrã.
Temos que o experienciar  por dentro da história. Dessa forma podemos ter uma opinião mais concreta sobre o que estamos a ver.
Se estamos de acordo? Se na verdade a narrativa é ambígua e demasiado clara, mas o climax é imperativamente incerto (ou certo)? Que no fundo até já passamos pelo triângulo amoroso? Que discurso vamos ter sobre ele?
A mensagem é que é importante!
Ela emociona-nos e toca bem no fundo do nosso sub-consciente.
E nós estando imersos naquele estado, sabendo já  a verdade, ponderamos...
Sobres os valores da sociedade! Que o filme até é uma sátira ao instítudo, mas na verdade a épica história é demasiado bela para nos deixar manipular por essa racionalidade institucional.



Como disse não vale a pena caracterizar as personagens! Mas há uma (que diga-se de passagem tem uma interpretação Indiearte fascinante) central em toda a simetria amorosa.
Ela é a lógica, os outros a criatividade.
Mas é dela, a lógica, que nasce e cria-se todo um sentimento carnal e particular.
Em que cada um entra num tipo de jogo em que ela é a rainha, mas na verdade apenas quer libertar as duas outras personagens da gaiola social!
No final do filme temos que guardar segredo sobre o próprio! Como disse é sobre um triângulo amoroso...
Encontro aqui semelhanças com Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen. Mas é mesmo isso que eu adoro neste filme.
A cidade das luzes,  a pintura, a moda.  Paris torna-se lugar de uma história que cinematograficamente está concebida para nos avaliar.
Allen fez o mesmo, mas em Barcelona.
Aqui temos o diluir do tempo do cinema francês. Godard e toda a sua mestria nos planos mais ambiciosos e duradouros.



Pouco mais ou até nada posso dizer!
O que temos aqui é um romantismo moderno! Manifestado por aquilo que alguns desaprovam (desconforto mental)!
Por essa razão, o filme é underground !
Não tendo, se calhar, chegago onde queria! Mas é mesmo assim!
A sua qualidade é, na minha opinião, é indíscutivel!
Porque eu adoro a técnica do cinema, a sua escrita, a forma como as suas partes criam um único objeto que nos fascina.
Mas adoro mais quando esse objeto me emociona.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Terrence Malick, o realizador filósofo.

Terrence Malick é um dos realizadores do cinema contêmporáneo mais controverso. A sua cinematografia resume-se a duas mãos de filmes, em que escolho Tree of Life (2011) como o seu melhor filme. Embora não tenha assistido a todos.
Mas um dos aspetos mais evidentes nas suas marcas de autor é a enfase que coloca no silêncio do filme, isto é sem diálogos, e deixa que a soundtrack e o visual embebedem o espetador numa viagem filosófica.
Talvez a mais clara (ou simplista) maneira de explicar é que existem dois tipos de realizadores: aqueles que acreditam nas qualidades exegéticas do cinema, na sua unidade narrativa e movimento através de convenções do enredo e a forma de contar histórias.
E aqueles que tendem a evitar as noções mais aristotélicas de "drama" em favor do mais onírico (que se assemelha ao sonho); elementos do filme e as maneiras pelas quais ele pode sobrecarregar com um senso o nosso lugar no universo. 
Nenhuma abordagem é melhor; ambas são necessárias e os filmes de Malick não evitam o enredo ou o diálogo.



Os filmes de Malick sempre foram bonitos. Em conjunto com os colaboradores cinematográficas, como John Toll e Tak Fujimoto, ele transforma o quotidiano em uma experiência quase sobrenatural do mundo que é ao mesmo tempo familiar e tão muito mais linda e estranha do que o que vemos no nosso dia-a-dia.
Ele não mostra o mundo como nós o experimentamos no tempo, mas o mundo como ele olha para a eternidade, e o pathos na sua obra nasce a partir do facto de que eles são habitados por seres humanos também apanhados nas suas vidas. Como Martin Sheen em Badlands (1973), a sua primeira longa metragem. 


Um tema comum, porém, em todos os filmes de Malick é que ele expressa de uma forma puramente visual, sendo a maneira como ele nos mostra a forma humana na natureza,  a sua insignificância finita contrastada contra o mistério avassalador do mundo.
Malick é um cineasta profundamente filosófico, mas suas opiniões são expressas em imagens. O filósofo Soren Kierkegaard observou certa vez:
So it happens at time that a person believes that he has a world-view, but that there is yet one particular phenomenon that is of such a nature that it baffles the understanding, and that he explains differently and attempts to ignore in order not to harbor the thought that this phenomenon might overthrow the whole view, or that his reflection does not possess enough courage and resolution to penetrate the phenomenon with his world-view.
Parece haver algo de este sentimento no trabalho de Malick, mas ele recusa-se a explicar-se como realizador. 
O mistério nos seus filmes nunca é resolvido, e isso não é importante.  Os seus filmes são um tipo de cinema mudo, embora seja um silêncio, de reverência à natureza e à tragédia das preocupações humanas que cegam os seus personagens para a imanência que os rodeia, e só está à espera de alguém para olhar.
E olhar este ensaio de Rachel Glassman é ver as marcas do realizador filósofo que procura no cinema mostrar ao espetador, de forma visual, aquilo que muitas vezes é ignorado. 
Os filmes de Malick não são para ser entendidos, são sim artefactos audiovisuais que querem que pensemos que não somos o centro do universo. Pelo contrário, somos apenas um grão na sua vasta amplitude. 




domingo, 3 de janeiro de 2016

O Amor tem um ambiente

In The Mood For Love (2000) de Wong Kar-wai é uma fábula moderna oriental construída numa linguagem cinematográfica para fugir aos mundos cor de rosa das estórias de amor ocidentais.
E, com isso, trazer o sentimento do amor para a realidade, mas ao mesmo tempo desmentir as utopias de que o amor é um sentimento que nasce por acaso e no devido momento.
Quase como se fosse a versão oriental Vs a versão ocidental.
Não faltam exemplos, de como o cinema americano, e até mesmo o europeu, constrói os filmes romancistas. Mas neste todas as regras são quebradas e temos uma obra prima que toda a gente deveria ver.



O filme está uniformizado numa filosofia do inteligível e a metáfora da caverna.
Por outras palavras, a sua cinematografia vagarosa quer o foco do espectador concentrado num conflito entre o que é importante compreender e o que são simplesmente sombras e nunca o real.
É uma estória de amor! Mas não qualquer estória de amor!
É um amor acidental, quase desconhecido, levado a crescer pela traição!
Por alguma razão o filme ganhou no ano 2000 o prémio de melhor ator e o grande prémio da técnica no Festival de Cannes.





E não é de admirar que tenha ganhado este último prémio.
Todo o filme está envolto num ambiente de cores quentes, onde o vermelho e o laranja/amarelado predominam de forma saturada.
Os enquadramentos não são feitos ao acaso! Parecem ter quase uma simetria de fotograma a fotograma.
Os movimentos da câmara são suaves, vagarosos e cuidados de forma a que possamos apreciar todo o cenário de forma tranquila e confortável.
Não existem cortes abruptos entre frames e o que aparece na tela pode ser apreciado como se fosse uma pintura.
A soundtrack também sincroniza o auditório com a mensagem.
Wong Kar-wai não deixou mesmo nada ao acaso. E com imensa mestria criou uma obra que nos emociona e simultaneamente faz-nos pensar... Neste caso concreto sobre o amor e como ele pode nascer e morrer?






Posso mesmo afirmar que este é um dos filmes mais apreciados do século passado, só tenho pena é ter demorado tanto tempo para o ver.
Mas verdade seja dita, a espera valeu a pena!
Quando o filme acabou ainda tinha a música nos meus ouvidos a ecoar! Interroguei-me sobre de que forma o amor pode ser uma conquista e ao mesmo tempo uma desilusão?
Mas é nesta dualidade que este sentimento ganhou a importância que tem na sociedade!
Se a conquista fosse extremamente fácil a desilusão nem sequer existiria.
O desafio que o amor apresenta aos apaixonados é uma verdadeira guerra.
Por umas vezes ganha-se, noutras perde-se!
O mais importante, mesmo, é perceber qual é o ambiente onde ele reside.  

sábado, 26 de dezembro de 2015

Ilustrações Lynchian

Ao ver estas estas ilustrações esta manhã, lembrei-me de ontem ter lido um artigo no No Film School sobre a definição de Lychian. 
De alguma forma é tentar caracterizar a técnica do realizador.
V Rénee mete uma citação no artigo bastante coincidente com a minha opinião.

A frase é de David Foster Wallace e diz o seguinte:

"Lynchian: a particular kind of irony where the very macabre and the very mundane combine in such a way as to reveal the former's perpetual containment within the latter."



Ou seja, a realidade pode combinar-se numa mensagem de normalidade e algo errado.
Um hábito que criamos nos novos gadgets  que todos os dias nos aparecem.
E é com esta forma Lynchian que observo estas ilustrações.
O traço é único e a mensagem é  um tipo particular de ironia onde o muito macabro e o muito mundano se combinam.
De tal maneira como para revelar  a contenção perpétua do antigo no âmbito deste último.
Por outras palavras. A verdade que pode ser negra na nossa vida é um costume banal, que nem merece reflexão se é realmente necessário à nossa existência e felicidade.






Podem ver mais ilustrações aqui.
Em todas elas vão encontrar a mensagem de atenção Lychian para o mundo que vivemos.
Nos dias de hoje, a tecnologia transformou o ser humano moderno, que comunica de forma pessoal e virtual ao mesmo tempo, multifacetado nas formas de comunicar!
Mas ao mesmo tempo vive o tempo de grandes mudanças!
Essas são supérfluas, quase nem notadas por quem vive actualmente.
Mas nestas ilustrações, se a observarmos com capacidade de análise, notamos que o macabro, na nossa rotina, se tornou quase mundana e nos somos felizes com isso.


sábado, 7 de setembro de 2013

I share, I am.







Sou filho de um tempo de atitudes individuais que facilitam a harmonia da mente. Atitudes que todos os dias facilitam a nossa estadia neste lugar a que chamamos Terra. Um tempo que a tecnologia está a mudar (mudou) a rapidez com que as coisas se fazem.Tanto ao nível do trabalho, da vida pessoal e social. Um tempo de revolução tecnológica que abafou a comunicação pela via digital e começou a mandar os elementos discursos por canais, que parecem ser linguagem gestual por instrumentos tecnológicos, em que os grupos são um rede social de comunicação bipolar.

Isso entristece-me, para esclarecer melhor, nada como ver o vídeo que coloco abaixo.





Os contextos de comunicação mudaram, para os mais atentos. Os mais desatentos ainda vão dar por ela. Eu faço parte dessa tribo, porque I Share, I am. Parece quase uma questão filosófica que os filósofos da actualidade devem observar com mais atenção.

Em conclusão, a solidão pode ser procurada para momentos de reflexão para atingir o equilíbrio individual (como demonstra a foto acima), mas a solidão também pode ser estar no meio de um grupo de pessoas e perder as mensagens que estão a ser transmitidas.

Para onde caminhamos?  Não sei, mas o caminho é ainda recente e ninguém sabe o seu fim.
Apenas sei que que tudo muda. Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Vivemos a quarta revolução e isso atinge as nossas vidas. Seja no interior ou no exterior. O tempo é de adaptação. Mas nem todos vão conseguir adaptar.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O fogo que arde nas linhas da vida




Em poucas palavras muitas vezes conseguimos dizer muito, quando pelo contrário em muitas não conseguimos dizer nada nem que seja para descrever, pormenorizar, discursar os acontecimentos.
Utilizamos muitas vezes adjectivos, sinónimos, antónimos, metáforas, personificações, etc..
Eu encontro nesta imagem a personificação da minha vida que arde e as palavras deturpadas são os acontecimentos que a perturbaram e nunca encontraram uma visibilidade capaz de ter uma resposta.
É ofusco a mensagem que encontro na imagem, mas é aquilo que sinto. 
Por outras palavras, é o fogo que arde nas palavras da vida. Algo tão simples, mas complicado quando o pavio não encontra combustível para se alimentar. 
Somos carne, mas disso passamos a pó. A alma é só uma e o fogo que arde até ao momento que apaga é composta por linhas onde podemos escrever de todas as palavras. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Almas Unidas







Uma alma só é alma quando encontra o seu par. Uma alma anda vazia até que encontre outra alma que a preencha. São as duas puxadas por uma força espiritual que os seus corpos físicos não entendem. 
É uma assimilação cognitiva que o discurso humano ainda não encontrou argumento para o descrever. 
Normalmente, utilizam a palavra amor, mas a verdade é que o humano não compreende isso de uma forma consciente. Tem uma breve nuance do que é. 
Quando não é palpável, para o humano torna-se complicado entender, arranjar factos científicos que realmente demonstrem o  que existe.
Há, mais uma vez, uma influência da Bíblia de como se conseguir e até entender essa coligação de dois seres unidos por um sentimento espiritual.
Mas a prova é que nem isso funciona, porque muitas vezes o amor que é reunido, perante Deus, não  é escrupulosamente cumprido, 
Mas o que me realmente fascina nisto tudo, é o sentimento. 
É a esse que olho com mais atenção.
Porque o que passa de um sentimento carnal, passa e passará pela sobrevivência conjunta. Juntar duas almas que vivam juntas trinta, quarenta anos juntos é complicado, mas é possível e não tem que ter autorização de Deus. 
Basta amar e respeitar... 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Viver sozinho.











Muitas vezes quando estou sozinho, a solidão parece ser um sofrimento silencioso que penetra no meu corpo sem qualquer sintoma da sua penetração.
A única sensação que me ocorre é a razão a pensar sobre isso. E mais ainda tentar perceber!
A solidão não é um sofrimento. É uma forma de estar, de viver, de ser. 
Se pensar um pouco mais sobre isso, é mais o tempo que passo sozinho, do que aquele que passo acompanhado.
Interrogo-me por exemplo sobre os prisioneiros de Auschwitz, mais por causa da foto acima, que durante o tempo que passaram lá, estavam acompanhados por outros prisioneiros e os guardas alemães.
No fundo, embora acompanhados, o seu verdadeiro sentimento era de solidão. 
Em síntese, acompanhados ou sozinhos, mediante o contexto, o que interessa é viver. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Deformado, com o tempo e as pessoas.




Na estrutura essencial que é a vida, muitas vezes interrogo-me sobre o seu valor. Ou melhor sobre o que nela ganhámos e nela perdemos. 
São variadíssimas coisas, mas uma delas que me me interrogo profundamente é a nossa maneira de ser. A nossa personalidade...
Com o tempo, e com a idade a passar, nós mudamos, não apenas de aspecto físico, mas também a maneira de pensar.
Pode parecer uma análise um pouco supérflua, algo que toda a gente sabe. Mas no meu caso concreto, de alguma forma, interrogo-me mais profundamente sobre essa questão.
Aquilo que fui há 10 anos atrás e o que fazia nessa altura e aquilo que sou agora e faço neste momento, são dois opostos completamente diferentes que não se encontram e se afastam continuamente.
De alguma forma sinto-me deformado, alguém que foi e já não é. 
Apenas porque cresceu e percebeu que mudou. 
Outras das coisas, que também perdemos, por diversas circunstâncias, são as pessoas. E é nisso que também me interrogo um pouco? 
Ao perdermos essas pessoas, fica sempre um vazio, que dificilmente pode ser preenchido, porque essa pessoa, pela sua particularidade, preenchia o vazio como só ela/e podia. Por vezes, de forma inconsciente, mas preenchia.
A verdade, é que depois, com o tempo, outras pessoas vão entrando sorrateiramente na nossa vida e preenchem outros vazios que temos.
Porém, como tudo, ou neste caso como cada pessoa, o vazio que preenche já não é o mesmo que a outra pessoa anterior preenchia. 
Em conclusão, é sinto-me deformado. Porque quando mudei mais foi, durante o tempo que avança, quando perdi algumas pessoas que me deixaram um vazio. Mas, em dura verdade, muitas vezes pergunto-me se eu não precisava de conhecer esse vazio e preencher outros, que nem sabia que estavam dessa forma...


domingo, 18 de agosto de 2013

O amor.





De certo modo, o amor é uma questão fundamental na vida das pessoas!Sem ele, podemos não ser nada.
Temos o amor da família, amigos e outras pessoas menos importantes. 
Mas este é um tipo particular de amor!
É um amor que se cria entre duas pessoas, que no início não tem qualquer afinidade, mas depois decidem tomar um compromisso.
Uma sobrevivência a dois, estimulado pela companhia e o prazer que dela se tira. 
Este é um amor, que precisa ser trabalhado, harmonizado e principalmente compreensivo.
Porque as diferenças existem, mas este amor tem que superar isso.
E foi o pensamento que esta fotografia me fez ter. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Holstee Manifesto em vídeo inspirador

Para quem não conhece, The Holstee Manifesto é um projecto começado por dois irmãos Mike e David e um parceiro em Maio de 2009.  Mais que uma empresa ou roupa o trio quis criar um estilo de vida. Por isso numa apresentação gráfica visual compuseram tudo o que a ideia defende. 


A ideia foi avançando e o trio no verão de 2009, sentados nas escadas da Union Square, chegou à seguinte conclusão: It wasn't about shirts and it wasn't about their old jobs. It was about what they wanted from life and how to create a company that breathes that passion into the world everyday. It was a reminder of what we live for.
É aqui que está a importância deste projecto e a filosofia que defende. Quantos de nós está preso às regras do sistema e, por medo ou até outras razões, não é capaz de tomar uma decisão de mudar de vida. Algo como desistir do emprego que não gosta, deixar de ver televisão e, assim, ter mais tempo para fazer o que gosta. No fundo viver a sua vida da forma que gosta. 
Pode parecer um sonho muito difícil de alcançar para muitos, mas para outros é uma vontade que se torna realidade e por tal cria mais felicidade. Lembro-me por exemplo do meu amigo Luís António Garcia que é um adepto do CouchSurfing e o modo dele viver desde que o conheci faz já uns anos. Ele já viajou por todo mundo e, por essa razão, dedica-se a uma outra paixão que é a fotografia. 

Podem ver mais trabalhos fotográficos do Luís Garcia no 500px
Chegou-me hoje, via email que, The Holstee Manifesto iniciou um novo projecto inspirado pelo manifesto: The Artist Series. O mesmo vai consistir em trabalhos de arte, inspirados pelo projecto e interpretados pelos artistas preferidos da família Holstee. Fica então o primeiro vídeo da série:


O que é mesmo inspirador, além da qualidade do vídeo, que mostra letterpressed no melhor papel de algodão, é como parece simples fazer tudo aquilo quando aquilo que nos comanda é apenas que:"This is your life. Do what you love and do it often." Talvez seja uma menagem mais direccionada para artistas, mas considero que cada pessoa, quando quer e pode, poderá concretizar e alcançar aquilo que a faz realmente feliz. 

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...