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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A nação digital

Digital Nation (2010) é um documentário open source feito pelo canal público americano PBS. É um trabalho que explora o que significa viver num mundo novo, isto é o mundo digital. Realizado por Rachel Dretzin conta com o apoio do jornalista de tecnologia Douglas Rushkoff. Aliás, foi através deste último que tive conhecimento do documentário, já que estou a ler o seu último livro PROGRAM OR BE PROGRAMMED Ten Commands for a Digital Age (2010). 


O trabalho incide muito sobre o território norte-americano, mas é sem dúvida um documento esclarecedor sobre os efeitos do digital nas sociedades, na educação e nas pessoas. Mais não seja por causa da influência que a hegemonia norte americana tem sobre o mundo, especialmente sobre a Europa e Portugal. Porém, extravasa a geografia dos E.U.A e vai até à Coreia do Sul para perceber os impactos dos vídeo jogos na sociedade coreana e nomeadamente nos seus jovens. 
Está divido em 9 capítulos e todos eles exploram várias vertentes onde o digital conseguiu ter impacto profundo nos modelos instaurados até então. Assim, segue-se um pequeno resumo de cada capítulo de forma a sistematizar todo o seu conteúdo. 

Douglas Rushkoff

No primeiro capítulo é analisado a forma como o multitasking nos distrai de tudo. Nesse sentido, é-nos dado os exemplos dos estudantes do M.I.T que se encontram como uns dos mais inteligentes estudantes do mundo e  dos mais ligados à rede através das ferramentas tecnológicas. 
No segundo, é levantada a questão do que todo este novo mundo digital nos está a fazer ao cérebro? Através de exemplos dos testes efetuados na Universiadade de Stanford a multitaskers. O que é mais pertubador são os resultados obtidos explicados por Clifford Nass: "We were absolutely shocked. We all lost our bets. It turns out multitaskers are terrible at every aspect of multitasking. They're terrible at ignoring irrelevant information; they're terrible at keeping information in their head nicely and neatly organized; and they're terrible at switching from one task to another."



O terceiro, fala da tal sociedade sul coreana que tem uma dependência patológica pela Internet e que até já se tornou uma crise de saúde pública. Isso é bem mostrado com exemplos de uma mãe coreana preocupada com a dependência do filho pela Internet. Ou até pelo campo de desintoxicação da Internet para onde são mandados os miúdos com problemas. Mas aponta também os problemas de saúde que surgem pelos compulsivos jogadores de video jogos, como por exemplo no World Of Warcraft.
Ainda sobre aquele tema temos os pontos de vista de James Paul Gee que diz que quando se trata de jogadores compulsivos é necessário fazer as perguntas difíceis sobre a vida real; e Henry Jenkins que afirma que tratando-se de gaming, não quer dizer necessariamente que seja uma perda de tempo. 


O quarto aborda o ensino aprendido através da tecnologia, já que os professores estão a abraçar os meios digitais nas salas de aula, já que com isso conseguem manter os alunos envolvidos na matéria e, ao mesmo tempo, dar-lhes novas habilidades para uma nova era. 
O quinto, levanta a questão sobre se esta geração é a mais burra de sempre, no entanto é um debate que ainda agora começou sobre a literacia dos novos media. 
O sexto fala-nos sobre as relações que se estabelecem na rede, focando um mega encontro de utilizadores do World Of Craft onde as pessoas conseguem interagir de forma a refutar que o digital leva ao isolamento social.  
O sétimo foca-se em mundos virtuais ou jogos online. Aqui é surpreendente o que nos é mostrado. Por um lado,  temos Philip Rosedale, criador do mundo virtual Second Life a afirmar que depois de estarmos lá dentro tudo é possível. Por outro, temos o exemplo da IBM que tem cerca de 10.000 empregados que se encontram regularmente para tratarem de assuntos profissionais em mundos virtuais. 


O oitavo olha para a utilidade da tecnologia digital nas forças aramadas norte-americanas e como certas experiências virtiais podem mudar o comportamento dos soldados e também para o seu uso na pilotagem de Drones (veículos aéreos não pilotados). 
Finalmente o nono capítulo interroga como os vídeo jogos estão a ser utilizados nas escolas como novas ferramentas de ensino. Interroga se as escolas estão organizadas à volta das mecânicas de jogo e alerta que os alunos estão a receber cognições que ainda não somos capazes de reconhecer e medir. Novamente existem abordagens interessantes neste capítulo de James Paul Gee, ao afirmar que até um jogo como o Grand Theft Auto pode ser educacional. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O que o meu site faz?

Depois de ter escrito sobre o freebook de Seth Godin. Tenho analisado mais calmamente o que ele tem escrito e as suas ideias de como pôr um website a funcionar. O livro tem-se apresentado bastante útil na minha procura de reformular o meu site pessoal: www.artedeseexprimir.net. E a minha aposta não vai ser melhorar o seu layout ou interação, mas sim uma aposta no marketing.


Antes de tudo a última citação do último post que escrevi sobre este assunto, fez-me pensar que tipo de produto, serviço ou ideia eu estou a tentar vender ou divulgar? 
Por um lado, o site apresenta-se apenas como um canal de divulgação do meu portfólio em diversas áreas criativas (fotografia; design gráfico e motion graphics). Mas isto só por si, não chega. São milhões os websites deste género e mais de metade deles não servem as intenções dos seus criadores. 
Consequentemente, é necessário lembrar que o website faz parte de um processo. E como todos os processos é necessário levar um passo de cada vez. 
Nesse sentido, o tempo é de refletir antes de tomar o próximo passo e analisar o que já existe e como pode ser melhorado. 

Circus Dolce Vita, um dos meus trabalhos em design gráfico

Seth Godin pede que nós consigamos refletir e tentemos perceber se o nosso website faz várias coisas  ou se apenas faz uma. Ainda pior, se ele nos leva para outra página que também só faz uma coisa. Muitas vezes isto acontece porque levamos demasiado a sério o que nos ensinam sobre webdesign, que muitas vezes acaba por ser dispendioso, perda de tempo e completa ineficácia. 
E tudo aquilo é o que eu quero ultrapassar e não fazer. O livro começa a apresentar-se como manual de ideias chaves que podem ser postas a trabalhar para nós, neste caso para  mim. Isto não quer dizer que eu tenha um problema, o que eu quero é fazer uma coisa: divulgar o meu site. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Construir um web site que funciona, segundo Seth Godin.

Seth Godin, a quem chamam de America's Greatest Marketer é um ensaísta, com mais de trinta livros escritos e traduzidos para várias línguas. Entre esses livros podemos encontrar, por exemplo, Purple Cow: Transform Your Business by Being Remarkable. Um livro muito lido por criativos e por profissionais que trabalham essencialmente nas áreas da tecnologia da comunicação informação. 
Também é um defensor do conceito das tribos, ou por outras palavras, dos nichos de mercado minoritário que sobrepõem uma nova estratégia de crescimento de determinado projeto ou ideia. Um pouco daquilo que é defendido por Jeff Jarvis, Christian Andersen ou Marshall Mcluhan. "Tell a story, connect a tribe, lead a movement, make change." Discurso que se foca nas tribos e não nas massas para espalhar uma ideia e que pode ser melhor entendido nesta conferência TED.


Resumindo, a aposta passa por nós sermos notáveis, mas também sermos capazes de ter vontade de levarmos uma ideia avante. As ideias de Godin fazem todo o sentido, porque se focam no ser particular que somos, como funcionamos biologicamente e mentalmente. Portanto, muitas vezes precisamos apenas é de uma inspiração. E essa inspiração podemos ser nós próprios, porque apenas devemos encontrar a tribo que nos integramos melhor para partilhar ideias, opiniões, visões, projetos, etc. 

Não esquecendo a importância dos outros meios de divulgação, nos dias de hoje a Internet é, indubitavelmente, o meio preferencial para divulgar o que quer que seja, mais não seja o mais barato e livre de burocracias políticas, sociais e legais. 
Nesse sentido, nada melhor do que começarmos o nosso próprio website para podermos reunir a nossa tribo e fazer crescer uma ideia ou projeto. 
É precisamente sobre isso que quero falar, mais concretamente um freebook de Seth Godin intitulado Knock Knock. 
É preciso entender que isto não é nenhuma fórmula mágica, porque para o sucesso as variáveis fundamentais a ter sempre em conta são a motivação com que nos empenhamos e a qualidade da ideia ou projeto. Contudo, o que ganha destaque no livro não é uma explicação sobre webdesign, ou até um tutorial sobre um software de como fazer o melhor layout ou interação do site, mas sim uma aposta no marketing de como e porquê as pessoas o utilizam. Nesse sentido, o autor começa logo por falar na  Big Picture: What a Web Site Does:
Big Picture #1:
A Web site must do at least one of two things, but probably both:
• Turn a stranger into a friend, and a friend into a customer.
• Talk in a tone of voice that persuades people to believe the story you’re telling.
Big Picture #2:
A Web site can cause only four things to happen in the moments after someone sees it:
• She clicks and goes somewhere else you want her to go.
• She clicks and gives you permission to follow up by email or phone.
• She clicks and buys something.
• She tells a friend, either by clicking or by blogging or phoning or talking.

Mais do que isto, então não estamos focados no que é realmente importante.  Entrando em modo mais profundo de análise. Entendemos que o website deve ter um objetivo traçado, isto é, deve ter uma função. Caso contrário não vale a pena o ter e manter. Sim, porque ele ocupa-nos tempo e podemos sempre ocupa-lo de forma mais produtiva.  Sometimes it’s hard to embrace the fact that, yes, you are trying to sell something. It might be a product or a service or just an idea. You might be trying to raise money foryour university or help a battered woman find the nearest shelter. But you are trying to do something with your Web site. If you’re not, get out.
No fundo o livro parece um verdadeiro manual de como fazer um site. Seth Godin explica que é uma forma barata de conhecer estratégias capazes de impulsinar um projeto e uma ideia que pode simplesmente começar num website.  Mas melhor ainda, encontramos um discurso assertivo, profissional e barato. Algo ainda mais importante no livro.  Recomendo vivamente a sua leitura e ele vai ser o meu manual nos próximos meses de 2012 de forma a impulsionar o meu www.artedeseexprimir.net. Feliz ano novo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A mãe de todas as demos

Douglas Carl Engelbart é um um dos percursores da Internet e responsável pela invenção de muitas das tecnologias que hoje habitam o mundo online e que nós estamos já acostumados. O seu trabalho mais conhecido está relacionado com a interação humano-computador, foi inventor do mousse, desenvolveu o hipertexto, computadores em rede e percursores do GUIs

  
Para os geeks mais historiadores é uma figura extremamente conhecida e muito querida. Hoje, por acaso, descobri no youtube um arquivo sobre a demonstração que ele deu em 1968 e que ficou conhecida como The Mother of All Demos. Esta é apenas uma das mais importantes demonstrações acerca da história da computação e mais concretamente das tecnologias da informação e comunicação. A demonstração ao vivo fez a introdução ao: "computer mouse, video conferencing, teleconferencing, hypertext, word processing, hypermedia, object addressing and dynamic file linking,bootstrapping, and a collaborative real-time editor." [1][2]

Flyer original da demonstração

Com a ajuda de uma equipa geográfica distribuída, Engelbart demonstrou os trabalhos da NLS (oN Line System) a mais de 1000 participantes e que trabalhavam profissionalmente com computadores. O projeto foi o resultado do trabalho feito no SRI International's Augmentation Research Center. 
Foi um momento único na história da computação. Um momento a que deve ser dado muita importância e destaque, pois foi neste acontecimento que pela primeira vez foi demonstrado ao mundo tecnologias que acabariam por mudar a forma como começamos e estamos a interagir com o computador. Nesse sentido, deixo-vos aqui o registo audiovisual do acontecimento narrado pelo próprio. A apresentação durou cerca de 90 minutos, porém no youtube a mesma encontra-se distribuída em nove partes, visto que quando lá foi colocada ainda a plataforma não aceitava vídeos com mais de dez minutos. Espero que apreciem, como eu apreciei. 























Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...