quarta-feira, 30 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
O estado das coisas
Recentemente coloquei aqui um post sobre uma entrevista de Pedro Costa. Nesse post encontrei no sentido das palavras de Pedro Costa um outro significado que de alguma forma conotei sobre o estado do cinema em Portugal. Por essa razão decidi reflectir um pouco sobre o assunto. Para começar talvez em Pedro Costa esteja reflectida o estado das coisas num aspecto em relação ao cinema em Portugal. O seu último filme Ne Change Rien teve estreia em Espanha no passado dia 11 de Junho, mais concretamente em Madrid e Barcelona bem como vai ter projecção em três salas no Japão: Tóquio, Osaka e Hiroshima. É um caso entre poucos que tem obtido reconhecimento internacional. Outro realizador português e também muito reconhecido a nível internacional é Manuel de Oliveira que é o realizador mais velho do mundo. São imensas as suas obras, das quais destaco a última O Estranho caso de Angélica.
Estes dois exemplos são poucos onde deveriam existir muitos. Mas onde está o problema no cinema em Portugal? Numa entrevista dada ou Correio da Manhã Paulo Branco foi capaz de responder a essa pergunta identificando alguns pontos onde o cinema em Portugal sofre problemas. A entrevista é de 2009, mas infelizmente ainda continua recente e bem presente. Deixo algumas partes que considero que tocam nos pontos essenciais. Não podemos esquecer que Paulo Branco é outro homem que no cenário internacional também detém alguma reputação.
Como está o estado actual do cinema em Portugal?
A época de ouro do cinema português, anos 80 e 90, quando apareceram pessoas como o Pedro Costa, o Manoel de Oliveira, oJoão César Monteiro, a Teresa Villaverde, o João Botelho, e hoje, a comunidade política e a comunicação social têm tendência a esquecer-se desse período que levou o cinema português além-fronteiras. A qualidade do cinema em Portugal só foi possível graças a uma estrutura que, mal ou bem, resistiu às mudanças de governo, às mudanças de ministros. Essas estrutura é que tem de ser reforçada e não questionada. O Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), com as diversas denominações que teve ao longo dos tempos, foi o instrumento número um, que possibilitou ao cinema português ter aquela áurea enorme técnica.
(....)
Então o que passa no cenário actual do cinema?
Há uma grande ignorância e novo-riquismo os decisores que estremeceram, nos últimos três anos, esta estrutura que é indispensável e devia ter mais fundos para além da taxa dos quatro porcento. Em vez de ter havido o reforço dos meios do ICA, houve um deslumbramento para caçar, a qualquer preço, espectadores. O grande cinema não pode ser feito com esse espírito. Mais do que isso, houve um desvio de uma lei que nos punha ao nível da Europa e que, de certa forma, obrigava qualquer operador audiovisual a investir em cinema e audiovisual. Isso foi transformado num projecto que só tem trazido a pior confusão e um grande oportunismo. É quase um caso de polícia.
Está a falar do Fundo de Investimento no Cinema e Audiovisual (FICA)?
Sim, é um discurso demagogo e aldrabão e uma caça ao dinheiro do Estado, através do Ministério de Economia. Este fundo é uma lei desviada dos contornos originais e que promete retornos impossíveis de obter. É um monstro, um aborto, que não tem nada a ver com critérios culturais. Mesmo que um filme faça 300 mil espectadores, o retorno ao produtor são 150 mil euros e os filmes são feitos com, pelo menos, um milhão e meio ou dois milhões de euros. Portanto não há retorno (como é regra para obtenção do fundo). A Lei que devia fomentar a cultura acabou por ser esquecida e desviada.
(...)
Os filmes apoiados pelo FICA não conseguem então cumprir a regra do retorno relativa a este fundo?
É uma profusão de audiovisual de baixa qualidade mas não consegue espectadores para dar retorno nem sequer a nível cultural. Só dá uma imagem do país inacreditável e ‘inexportável’.
Então acha que se devia abolir o FICA?
O FICA nunca devia ter existido. A única estrutura que devia gerir o audiovisual em Portugal era o ICA e sem permitir baixar a qualidade. Não sei quem vai querer comprar, lá fora, o ‘Equador’ e é inacreditável que o primeiro produto audiovisual sobre Salazar tenha sido aquilo (‘A Vida Privada de Salazar’). Estamos muito abaixo de Berlusconi. E isto tem sido feito com o beneplácito do próprio ministro da Cultura que diz que isto não tem nada a ver com ele e adoptou a posição de avestruz.
E o ICA serve os propósitos do cinema português?
Tenho muitas críticas ao funcionamento da instituição mas não ponho em causa a estrutura. Quero é o reforço da estrutura com um reforço de verbas e responsabilização na promoção e desenvolvimento da produção audiovisual, além da cinematográfica, e com critérios de qualidade. Deviam ser criadas condições para que o ICA funcionasse melhor: deixasse esta burocratização excessiva e reforçasse as suas receitas – até podia ser com o reforço de 1% do volume de negócios das televisões privadas –, ter uma maior preocupação na distribuição e exibição e uma transparência no apoio a festivais. E rever o incentivo a primeiras obras, assim é difícil surgirem novos realizadores...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Escrever até morrer
Não se defendem ideologias, nem tão pouco as ideias que ruminam na mente de cada um. A escrita é uma arte que todos possuímos, mas poucos conseguem reconhecimento por ela. Não podemos esquecer que há milhares de anos o Homem para evoluir teve que inventar um código, que assente em regras normalizadas, construiu o seu caminho evolucionário. O real só foi apreendido depois de ter ganhado significado e isso foi feito pela forma da linguagem que também se manifesta em escrita. José Saramago morreu hoje aos 87 anos de idade depois de um caminho que teve a sua mais alta subida aquando do prémio Nobel da Literatura. Um prémio que distingue não os melhores, mas aqueles que realmente fizeram mudar o mundo. A visão de Saramago para uns era ortodoxa, para outros um neoformalista na escrita. De qualquer das formas Saramago era Português e por isso sinto-me orgulhoso.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Frame a frame
Não podia deixar de colocar aqui um post sobre este fantástico filme de um realizador que se caracteriza por ser visionário e admite que o stop motion não é uma paixão. Wes Anderson surpreendeu-me pela positiva com este filme de animação e stop motion. Fantastic Mr. Fox é um filme surpreendente não só pelo recurso a uma técnica que torna o cinema numa arte um pouco mais criativa e superior, bem como um momento de puro relaxamento e reflexão. Em relação à narrativa posso dizer que há já bastante tempo que não havia um filme que conseguisse que eu me "agarrasse" ao ecrã como este filme conseguiu. Além de possuir um enredo intensamente cativante, possui momentos de humor fantásticos. Depois os cenários são também uma razão para a minha predilecção pelo filme, que pela luz e cor que contém resulta num filme estéticamente muito bem conseguido e numa animação de imagens em movimento que de uma forma unida resultam numa perfeição mais que perfeita, passo a redundância, para o género. Aqui ficam alguns frames que demonstram o que disse e que demonstram visualmente tudo o que há a dizer sobre o filme:










quarta-feira, 16 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
O que existe, mas não se vê.
Trago aqui um vídeo interessante que de alguma forma se encaixa naquilo que considero de pensamento audiovisual. Realizado por Timo é um vídeo que realmente descreve o mundo actual que vivemos. Nos dias de hoje as grandes metrópoles e não só, não são apenas constituídas por edifícios e infraestruturas de cimento e ferro. No dias de hoje, e graças à evolução da tecnologia, nomeadamente nos meios de comunicação móveis, os espaços onde os humanos vivem são compostos por mais um elemento que por sinal é invisível ao seu olho, mas no entanto representa um papel fundamental na questão de sociabilidade. Por isso estas palavras que o autor descreve o projecto não sejam tão insensatas como parecem. :
"Utopian and radical architects in the 1960s predicted that cities in the future would not only be made of brick and mortar, but also defined by bits and flows of information. The urban dweller would become a nomad who inhabits a space in constant flux, mutating in real time. Their vision has taken on new meaning in an age when information networks rule over many of the city's functions, and define our experiences as much as the physical infrastructures, while mobile technologies transform our sense of time and of space."
Realmente o espaço das grandes cidades estão a ser ocupadas por círculos de bits e fluxos de informação (Wireless) que estão a transformar o nosso sentido de tempo e espaço. Um sentido que no preciso momento está a ser reformulado em novos significados de tempo e espaço. O vídeo que se segue talvez seja uma aproximação visual a essa realidade.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Cinema em Portugal
Por causa de uma entrevista que Pedro Costa deu à versao espannhola de Cahiers du Cinèma por causa do seu último filme Ne Change Rien, surgiu-me o pensamento sobre a realidade do cinema em Portugal depois de ler a seguinte citação:
"El Cine es el sueño pero también es la accion prática, en la rutina del trabajo un poco jodido, comprar papel de aluminio para a la iluninacion, transportar el pie da la cámara, hacer yo mismo las sándwiches. Y esto es acción. no es sueno. Pero tampoco me gusta la acción. Quiero decir que detesto tanto el sueno como la acción. Pero como de de trabajar con ambas, las mezclo. No es que una cosa importe más que otra. No estoy inmerso en sueño de cine, no estoy en un pequeno sueño de perfección, de idealización de la pelicula a realizar. Estoy mucho más en los líos de la rutina, que pueden ser una tortura pero en los que también he aprendido a encontrar placer."
As palavras de Pedro Costa estao carregadas de significado. Primeiro nota-se a simplicidade e humildade de um homem que simplesmente tem escrito nos ultimos anos novos tracos no cinema Mundial. Homenageado por diversos especialistas, viu a a sua obra ser reconhecida ultimamente pelo lancamento da sua filmografia por uma das respeitadas editoras de cinema do mundo The Criterion. Mas as palavras vao mais longe: quando o realizador argumenta que tem que comprar papel de aluminio para a iluminacao e transportar o tripé da câmara, nao fala apenas das suas diificuldades, mas também das dificuldades do cinema em Portugal que nao consegue produzir obras em terras nacionais que merecam o reconhecimento internacional. Acho que este tema merece uma analise mais profunda.
sábado, 12 de junho de 2010
Barceloneta
A praia é um lugar onde podemos descansar.
Ouvindo as ondas a bater na areia, podemos sonhar.
Viajando pelo fundo do mar,
Podemos conhecer mundos que não existem noutro lugar.
Ouvindo as ondas a bater na areia, podemos sonhar.
Viajando pelo fundo do mar,
Podemos conhecer mundos que não existem noutro lugar.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
World Cup 2006
Porque está aí o Mundial 2010 que ocorre na África do Sul. Ficam aqui excelentes fotografias tiradas durante o que ocorreu em 2006 por Rachel Hulin.














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Iphone Infografia
Tenho um afecto especial pelo Iphone, não apenas porque é um objecto de desejo, mas também pela sua funcionalidade e simplicidade. Qual não foi a minha surpresa ao ver este trabalho de Benn Milen . O mesmo descreve o projecto como:
In researching the iPhone as a part of Critical Wayfinding, the analysis of the device, the corporation, the vast network of shareholders, technology and the distribution infrastructure that surrounds it yielded an overwhelming amount of information. In an attempt to organize this information into a format that is engaging and reflective of the wayfinding foundations of the project, two large conceptual diagrams in the style of Harry Beck’s London Underground diagram were produced. These are not maps in any conventional sense, but rather diagramatic representations of the interconnected space of technology, capital, instrumental value, exchange value, social and environmental impact that surround the device. The first diagram focuses primarily on the physical device, and the existence of the device as an object in our world. The second examines the placement of the device with respect to the individual and society.
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