sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Filipe Melo, músico, realizador e cartoonista

Filipe Melo é um artista multifacetado. Realizador da curta I See You in My Dreams (2003), considerado o primeiro filme de terror português e que venceu o Fantasporto em 2004. Na curta entraram Adelino Tavares, São José Correia, Sofia Aparício, Manuel João Vieira, João Didelet e Rui Unas, entre outros. Realizou também Um mundo Catita (2007), uma série de seis episódios que passou na RTP.  
Tem também uma banda. Estudou no Hotclube de Portugal e no Berklee College of Music em Boston. Entre outros já tocou com Peter Bernstein, Camané, Carlos do Carmo e GNR.  Finalmente, é cartoonista. Lançou no ano que corre o seu segundo livro de banda desenhada intitulada Dog Mendonça and Pizza Boy, Apocalipse II (2011). 


A BD antecedente, intitulada The Amazing Adventures of Dog Mendonça and Pizza Boy (2010), e com prefácio de Jonh Landis, realizador do vídeo clip Thriller (1982),  foi nomeada e venceu o melhor argumento no FIBDA Comic Book Convention.
A segunda saga tem o selo da Dark Horse, que é a terceira maior editora de banda desenhada dos Estados Unidos da América, mas numa vertente mais indie, sendo opositora da Marvel e DC Comics.  
Eu convidei o Filipe Melo a dar uma entrevista aqui para o blogue. Para que o possam conhecer melhor e, simultaneamente, dar a conhecer o seu mais recente projeto, pelo qual tenho um deleite. 


1º Fala-nos um pouco de ti e do teu percurso?

Chamo-me Filipe Melo, cresci em Benfica e gosto muito de música, de filmes e de banda desenhada. 

2º Em que altura da tua vida descobris-te a tua vocação e porquê?

Ainda não descobri a minha vocação, tento descobri-la todos os dias, mas suponho que desde cedo percebi o que gostava e do que não gostava e tento viver a minha vida de forma a dedicar-me de forma honesta às coisas que me motivam.

3º Nos dias que correm, tens que conjugar duas atividades em simultâneo! Fala-nos um pouco delas e como consegues sincronizar datas?

Na verdade, adorava ter só duas actividades. Tenho de conjugar várias, porque além dos concertos, tenho a banda desenhada, os filmes, as aulas... É muita coisa ao mesmo tempo. Para sincronizar datas uso o ICal. 

4º Como foi a experiência de realizar a curta I See You in My Dreams e ganhar o Fantasporto?

Foi uma experiência intensa e ajudou-me a ganhar confiança nas coisas que faço. Foi uma época muito bonita da minha vida, e os prémios que o filme ganhou serviram apenas para mostrar que algumas pessoas gostaram do que andámos a fazer. 

5º Fala-nos do teu último trabalho na área dos Comics? Qual o processo e as ferramentas utilizadas na realização?

A última aventura editada em Portugal é "As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy 2 - Apocalipse", a sequela de um livro que lancei no ano passado. É, como o título indica, um livro de aventuras. Paralelamente, tenho trabalhado por encomenda para a Dark Horse Comics, com histórias curtas, de 8 páginas. O desenhador e o colorista vivem na Argentina, por isso o processo de trabalho é via Skype.


6º Qual é a fantástica equipa por detrás?

É uma equipa pequena, mas unida - a equipa central é constituida por mim, que escrevo, o Juan Cavia, que desenha, o Santiago Villa, que põe as cores e o Pedro Semedo que coloca balões. Há também uma série de pessoas essenciais que participam em várias fases do processo e que enriquecem muito a história ao ajudar-nos na adaptação de guião (Martin Tejada, João Pombeiro), na produção, etc. É um processo muito enriquecedor. Sobre a equipa e sobre o processo poderão consultar a página oficial do projecto: www.dog-pizzaboy.com.

7º E para ti como vai o estado dessa arte em Portugal? Soluções e problemas?

Está óptimo. Não vejo problemas, por isso não vejo necessárias soluções. Há festivais, há artistas talentosos. É preciso chegar a mais leitores, só isso, mas isso depende de nós, autores.

8º Que conselhos queres deixar para aqueles que agora estão a começar?

Lembrem-se de quem são e do que gostariam de ser, e nunca desistam de tentar ser aquilo que querem, por mais complicada que se torne a situação.

Para terminar, deixo-vos com o Making Of para que conheçam visualmente a equipa e o processo de trabalho.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Viagem à volta da Terra em um dia

Recordo-me de escrever sobre o projeto num post aqui no Blogue. Desde aí houve sempre uma memória que despertava o meu interesse sobre o resultado final deste projeto. O tempo foi passando e a oportunidade havia de surgir quando menos esperava. 
Acabei por ver o filme, que está totalmente disponível de forma gratuita no site oficial, Life in a Day (2011); no momento em que a vontade de viajar se tornou mais presente. 


O filme foi realizado por Kevin Macdonald e produzido pelos irmãos Ridley Scott e Tony Scott. Teve estreia no festival Sundance, mas passou também por Berlinale (Panorama Special), True/False, Transilvania (Unirii Square), Melbourne (Networked), Karlovy Vary (Another View). Recorreu ao conceito de crowdsoourcing para angariar footage necessária para a montagem. Esta teve como base final cerca de 4500 horas de vídeo de mais de 190 países. 


Analisando a obra, podemos concluir no final que este é um objeto sem qualquer tabu, forma ou estrutura. A sua totalidade foi a criatividade de milhares de pessoas, que aproveitaram a sua rotina diária, para participar em algo que queriam fazer parte. É uma viagem brilhante! Por momentos, parece que percorremos o planeta terra num único dia e esse foi o 24 de Julho de 2010. A variedade de captações, de histórias, de culturas, de momentos, de contextos e pessoas é mote de sonhar em ultrapassar os limites em que estamos limitados.
A narrativa começa de manhã, que é quando o sol nasce. Percorre o interior de casas e o exterior de ruas. Vemos pessoas acordar, outras a cortar a barba, outras a urinar e outras a filmar o interior de um elevador. 
Quase como à velocidade da luz, somos capazes de saltar de continente para continente e sempre que chegamos a um novo destino, não sentimos a estranheza do desconhecido. Pelo contrário, parece que fazemos todos parte desta aldeia global e, que mesmo a milhares de quilómetros, as pessoas que moram em determinado sítio são nossas vizinhas.


Uma outra componente do filme é a sua multiplicidade de culturas. Que já sabemos que existem no mundo inteiro, mas esta é uma prova de como as pessoas são influenciadas por elas. Na sua personalidade, nos seus afazeres, na sua rotina, nos acontecimentos tristes e alegres da vida. 
Enquanto um rapaz reza à mãe que morreu, vemos um pai a desmaiar enquanto olha a sua mulher a dar à luz uma nova vida e assistimos a  um rapaz com pouco mais de 6 anos a engraxar sapatos e o seu maior tesouro é um computador portátil tipo o Magalhães. Mas tudo isto se passa em países diferentes, logo com culturas diferentes. 
Enquanto entramos dentro da obra, deixamos que as suas imagens nos hipnotizem e quase como por magia, somos capazes de sentir que estamos naquele lugar. Mas também existe a soundtrack que funciona muito bem como abstração ao pensamento de estarmos presos a um lugar e queremos viajar para outro. Falo por exemplo, das três mulheres angolanas que cantam e esmagam uma semente, creio que para fazer farinha, sentadas no chão. Mas o som que sai das suas bocas, e enquanto batem com o instrumento no chão, é quase como um concerto de luta pela sobrevivência.
Concluindo, temos aqui uma obra que entra num formato de documentário sem guião, argumento e narrativa multi-linear. Podemos pensar, por exemplo, nos primórdios do cinema onde o cinematógrafo dos irmãos Lumière era colocado de forma estática e apenas filmava o que se passava na rua ou noutro qualquer contexto. Neste objeto, a ideia foi levada um pouco mais longe! A escrita do guião foi responsabilidade dos próprios intervenientes. Por isso é um filme de improviso, imaginação e criatividade e recorrendo a material de baixo custo para a captação. Algo só possível com evolução da tecnologia. Finalizando, não devemos esquecer que o segredo do filme é a montagem e seleção das cenas que foram montadas estruturalmente de uma forma temporal, isto é, um dia na vida na Terra.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A magia do Cinema

No princípio era a imaginação, apenas como faculdade de pensamento da percepção que temos do exterior, aquela coisa que chamamos realidade. Depois temos a palavra e através  do seu código condutor, percebemos o seu real sentido. 
A evolução existencialista lá nos levou a descobrir os simples mecanismos capazes de fazer tecnologia, mas foi a tecnologia  que deu liberdade ao Homem. 
A tecnologia chegou a um ponto em que a imaginação e os sonhos que o Homem tinha em imagens ganharam vida, assim nasceu o Cinema. 


Poderá parecer exagerada aquela introdução, mas torna-se fácil de entender se falarmos um pouco da relação do Homem com a tecnologia e o que ela foi capaz de criar para nosso deleite.
Desde a altura em que o Homem era um animal irracional e conseguiu, seja pela forma criacionista ou evolucionista, atingir o estado de se auto-agraciar com uma das suas melhores descobertas ou invenções da sua história, a tecnologia. 
Desde o simples inventar da roda, ao foguetão que foi à lua. Pelo meio o homem inventou o Cinema. E é aqui que se torna interessante abordar o novo filme de Martin Scorcese, Hugo (2011).  


Se juntarmos a tudo aquilo que disse, como um novo ingrediente, podemos pensar na forma mais criativa de o homem se descobrir. No sentido mais filosófico, a capacidade de criar objetos.
Pequenos artefactos que ganham sentido pelo lado emocional mais artístico. A capacidade da cultura e dela surgir e ser criado para fruição um  produto como a Arte. 
Podemos pensar por exemplo na Magia e a capacidade de Ilusão. A manipulação da ilusão através da inteligência criar o processo capaz de num espaço e num período de tempo enganar uma multidão que está perante o auditório, carregado de pessoas. A maneira como estas pessoas ficam emocionadas com a ilusão era, na verdade, a razão de elas estarem ali e, ainda, pagarem por isso.
Agora imaginem como seria um mágico e, entenda-se ele como pessoa, significando apenas a sua consciência e maneira de entender a realidade e tendo emoções? Agora imaginem o que é sentir como era ficar emocionado. Agora imaginem, passo a redundância, o que é descobrir e ser capaz de inventar algo completamente surpreendente como os efeitos especiais.
George Méliès foi essa pessoa e Martin Scorcese conseguiu juntar aquilo que existe na contemporaneidade e aquilo porque começou por ser inventado, numa estória adaptada ao tempos que vivemos num toque de  entranha fenomenal de sentirmos realmente tempo bem passado perante a fruição de uma obra de Arte.  


Martin Scorcese não podia ter construído melhor homenagem a um dos génios do cinema, George Méliés. A fotografia é deliciosa, a banda sonora fez-me lembrar a Amélie Poulain e tem uma direção de arte fantástica. Mais um candidato a filme do ano. A obra é moderna porque aproveita a estória de vida discriminatória de um órfão. 
George Méliès um dia viu num lugar a invenção tecnológica, lembram-se de eu falar de tecnologia, sem o cinematógrafo  dos irmãos Lumiére, Méliès nunca teria esse momento.  A sua criatividade e a sua paixão nunca teria levado até ele, depois de tentar comprar uma câmara aos irmãos, sentir a necessidade de explorar uma nova tecnologia que simplesmente o apaixonaram e, com isso, criar o primeiro estúdio de cinema do mundo e um espaço onde os sonhos aconteceram 
Aliás essa sequência no filme foi o momento em que me distanciei mais da obra, onde a minha capacidade de análise realmente me fez sentir dentro de um mundo onde os sonhos acontecem, ao imaginar que realmente tería tido a possibilidade de ter estado quase de forma presencial naquele momento da história humana, mas no entanto é essa a magia do Cinema e no fundo é uma ilusão... 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amor com violência

Tyrannosaur (2011) é candidato a melhor filme do ano, mais não seja porque foi o grande vencedor dos prémios British Independent Film Awards (BIFA). Além do prémio de melhor filme, Olivia Colman arrecadou o prémio de melhor atriz. Criados em 1998, premeia o que melhor se faz em cinema britânico fora dos normais circuitos da indústria.  Procura dar a conhecer o que é feito de forma indie e no ano passado o Discurso do Rei (2010) foi o grande vencedor, que acabou por vencer também o Óscar de melhor filme. 


O filme foi realizado por Paddy Considine, que é mais conhecido em participações em filmes como The Bourne Ultimatum (2007), 24 Hour Party People (2002) e Hot Fuzz (2007). 
Na sua segunda aventura cinematográfica, Considine apresenta-nos um filme dramático, intenso, real, simbólico e impaciente. Por ventura, um candidato a melhor filme do ano. E as razões que me levam a acreditar nisso está no conteúdo do próprio filme. Claro que nada melhor que o ver para se ter uma opinião mais concreta sobre aquele argumento e perceber claramente se justifica o que escrevi. 
O que é mais intrigante é que é um realizador que não tem muita experiência na realização de filmes, mas tem muita experiência em atuar em filmes. O primeiro facto pode ser notado, na minha opinião, ao nível da fotografia: nota-se um descuido, uma falta de atenção normal quando esse não é o foco da atenção de quem está a realizar. 
Pelo contrário, em segundo facto, temos um filme com um argumento e enredo emocionantes e arrepiantes em algumas sequências e um cuidado concessivo com a performance. Temos a capacidade de nos surpreender através de gaps intensos e contraditórios. Isto poderá ser a prova que a pessoa e o seu estilo tem muito a ver com a sua experiência. E a experiência de Considine  é enquanto ator e não realizador.


No seu todo, o filme é um reflexo do lado negado da sociedade. O lado da violência e da auto-destruição da condição humana. O lado em que se toca a ténue linha frágil que separa a racionalidade da loucura. O lado que existe dentro das paredes dos ninhos familiares e, quando trespassados para o exterior, é sempre a aparência de papéis hipócritas baseados em aparências. Com uma estética pura e dura, sem preocupação de sensibilizar os mais sensíveis, o filme é a entrada cinematográfica e a representação da realidade existente em muitas casas deste mundo. Casas onde existe a violência e apenas se cinge a ser doméstica.
Por outro lado, o filme também demonstra aquilo que muitas vezes está latente em pessoas que são ignoradas pela sociedade. Ou porque são vagabundos, ou porque são bêbados, ou porque são individualistas essas pessoas não têm valor. São considerados inúteis e dispensáveis, no entanto são pessoas que têm sentimentos e, a maior parte das vezes, são apenas incompreendidos. 
Em suma, a estória do filme é de um homem extremamente agressivo e auto-destrutivo que descobre novamente o amor através da violência que uma mulher sofre dentro de quatro paredes. A forma como esta narrativa nos é mostrada é soberba e é a caraterística de maior qualidade do filme. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

13 vilões

Kathy Ryan/The New York Times
Este é um trabalho delicioso do New York Times intitulado Touch of Evil, sendo a última edição anual revista do assunto Hollywood. Um conceito já explorado em outros anos anteriores, que no fundo é a combinação de atores e atrizes numa perspetiva que vai além do desempenho que eles têm e tiveram na sétima arte. 
É uma galeria cinematográfica de nefastos vilões do cinema (Home wrecker. Madman. Sociopath. Menacing dummy. Vixen. Hothead. Tyrant. Vamp. Asylum nurse. Fire starter. Invisible man. Outlaw. Tycoon); inspirados pelos melhores desempenhos do ano no cinema. 
Realizado por Alex Prager apresenta uma condição mais particular dos ícones do cinema, inseridos em contextos singulares e que procura outros pontos de vista sobre a capacidade de performance dos envolvidos. O próprio jornal argumenta sobre edições anteriores e explica a escolha para este ano: "In years past, the Hollywood issue had no real unifying concept beyond whatever aesthetic sensibility the photographers brought to the task of capturing our chosen performers in still pictures. But once we decided to move into video, our subjects had to have something to do. (...) This year, Arem Duplessis, the magazine’s design director, suggested having the actors play baddies."
O que é realmente interessante explorar no visionamento dos 13 vídeos é a falta de regras estruturais que normalmente encontramos nos desempenhos destes atores e atrizes nos filmes. Notamos a liberdade na criatividade e expressão nos papéis. Tanto da parte dos envolvidos, bem como a arbitrariedade dada ao realizador que o classifica como o projeto de sonho precisamente por isso. 
Considero este projeto uma lufada de ar fresco nas características que associamos a muitos deste atores e atrizes quando os visionamos em filmes que participam. É também uma exploração da técnica e criatividade possível. Pois nota-se o cuidado com a fotografia, a direção de arte, o drama, o movimento, a cenografia, o som, a resolução e a arte. Por não ser possível incorporar os vídeos aqui no blogue, deixo-vos as fotos e, se carregarem nas mesmas, abrem o link para o vídeo que pode ser visto no youtube. Desfrutem. 













terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O projeto 360


O projeto apresenta-se como uma convergência entre fotografia, imagens em movimento e dança. Da iniciativa de Ryan Hughes apresenta como metodologia a colocação de 48 câmaras (Nikon D700); num circulo e clicadas simultaneamente enquanto os bailarinos dançam. O resultado foram dois filmes intitulados “Ballet 360″ e “Krump 360″




O conceito procura representar polémicas perspetivas no que toca à técnica e origem - uma é bela, a outra monstruosa. Claramente a primeira diferença que podemos constatar entre as duas formas de dança é que uma é mais formal, estruturalista, clássica e representa elites e valores da sociedade mais nobres, sendo que a outra provêm da rua e manifesta abstrações e fugas de grupos mais pobres. Parecido com o processo de construção do Bullet Time no filme Matrix (1999); recorre ao uso de software capaz de juntar todas as 48 fotografias numa única timeline de forma a gerar movimento. Em pós-produção a equipa recorreu a outros softwares para melhorar outros aspetos. São eles o Aftereffects, Lightroom, Photoshop e FinalCut. O que é importante apreender é que este é um trabalho de fotografia e apenas se transforma em imagem em movimento quando os frames são colocados juntos. Fiquem com o Behind the Scenes.

A beleza de um segundo

Este é um concurso para celebrar a invenção do cronógrafo há 190 anos por Nicolas Matthieu Rieussec. Foi neste preciso momento que o tempo ficou registado com o detalhe de um segundo. 
O tema pode ser qualquer um, desde que celebre a beleza frágil daquela unidade de tempo. O desafio é lançado a qualquer pessoa, que pode fazer o registo com qualquer ferramenta que queira (desde de telemóvel  a câmaras de alta resolução); porém têm que estar gravadas com o formato 16:9. 


Wim Wenders, realizador de Pina (2011), participa no concurso que tem o selo da Mont Blanc. O teaser promocional, que vou colocar abaixo é bastante explícito sobre as intenções pretendidas. 
Podemos refletir um pouco sobre este acontecimento. Em primeiro lugar é uma forma criativa de marketing e divulgação sobre um produto e uma marca. Aproveitam a celebração em causa para criarem uma forma inovadora de gerarem publicidade. Em segundo lugar, recorrem ao conceito de crowdsourcing para encontrar os fornecedores anónimos do conteúdo pretendido, algo que está muito em voga. Falo, por exemplo, de Ridley Scott, a Google e o projeto One day on Earth. Por último, a metodologia escolhida só é possível graças à inovação tecnológica que vivemos neste século. Nos dias que que correm qualquer um pode ser realizador. Qualquer pessoa tem a possibilidade de gravar um segundo ou uma hora dos momentos da sua vida, em qualquer lugar e em qualquer momento. São os tempos que vivemos atualmente. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A mãe de todas as demos

Douglas Carl Engelbart é um um dos percursores da Internet e responsável pela invenção de muitas das tecnologias que hoje habitam o mundo online e que nós estamos já acostumados. O seu trabalho mais conhecido está relacionado com a interação humano-computador, foi inventor do mousse, desenvolveu o hipertexto, computadores em rede e percursores do GUIs. 

  
Para os geeks mais historiadores é uma figura extremamente conhecida e muito querida. Hoje, por acaso, descobri no youtube um arquivo sobre a demonstração que ele deu em 1968 e que ficou conhecida como The Mother of All Demos. Esta é apenas uma das mais importantes demonstrações acerca da história da computação e mais concretamente das tecnologias da informação e comunicação. A demonstração ao vivo fez a introdução ao: "computer mouse, video conferencing, teleconferencing, hypertext, word processing, hypermedia, object addressing and dynamic file linking,bootstrapping, and a collaborative real-time editor." [1][2]

Flyer original da demonstração

Com a ajuda de uma equipa geográfica distribuída, Engelbart demonstrou os trabalhos da NLS (oN Line System) a mais de 1000 participantes e que trabalhavam profissionalmente com computadores. O projeto foi o resultado do trabalho feito no SRI International's Augmentation Research Center. 
Foi um momento único na história da computação. Um momento a que deve ser dado muita importância e destaque, pois foi neste acontecimento que pela primeira vez foi demonstrado ao mundo tecnologias que acabariam por mudar a forma como começamos e estamos a interagir com o computador. Nesse sentido, deixo-vos aqui o registo audiovisual do acontecimento narrado pelo próprio. A apresentação durou cerca de 90 minutos, porém no youtube a mesma encontra-se distribuída em nove partes, visto que quando lá foi colocada ainda a plataforma não aceitava vídeos com mais de dez minutos. Espero que apreciem, como eu apreciei. 























terça-feira, 22 de novembro de 2011

7 maneiras em que os vídeo jogos recompensam o cérebro


Todos nós sabemos que o cérebro é constituído por dois hemisférios: como podemos ver na imagem acima criada para uma campanha publicitária da Mercedes o lado direito é responsável pela criatividade, o esquerdo pela lógica e pensamento matemático. E se tivessemos formas de os incentivar?
Depois de ver esta conferência TED, apercebi-me que os vídeo jogos podem ser capazes de estimular esses dois hemisférios. Pelo menos é o que nos diz Tom Chatfield. Um jornalista da revista Prospect, escritor sobre jogos, entre outras funções que desempenha também é autor do livro Fun Inc.: Why Gaming Will Dominate the Twenty-First Century.
O seu principal fascínio pelos vídeo jogos tem a ver com o seu poder de nos motivar, de nos compelir, de nos prender como nunca antes nenhuma tecnologia foi capaz. Nesse sentido acredita que podemos aprender muito sobre a aprendizagem com os vídeo jogos. Ao tentar compreender porque grupos de pessoas são capazes de dar milhares de euros por um objeto virtual, Paul diz para não nos alarmar. Para ele este tipo de ato deve ser, pelo contrário, motivo de alegria. 
Por outras palavras, ele fala-nos de recompensas emocionais que as pessoas podem obter ao jogar vídeo jogos, de uma forma particular e coletiva. Ao olharmos para dentro das cabeças das pessoas enquanto estão concentradas ou em atividade há dois processos a ocorrer. Em primeiro lugar, há o processo de querer. Funciona como ambição e motivação: vou fazer isto, esforçar-me para o fazer. Por outro lado, há o processo de gostar, diversão, afeto e prazer.
Nesse sentido, Tom fala de sete maneiras de retirarmos essas lições dos jogos e serem utilizados fora deles.



O dia dos Bloggers

Eu sou um blogger e por isso nunca pedi dinheiro a ninguém. Faço isto por gosto independentemente de ser lido por dezenas, centenas, milhares ou até ninguém. Existe quem com um blogue tenha alcançado o sucesso e com isso uma forma de subsistência, mas mais importante ainda: trabalhar com gosto. Nesse sentido o que trago agora aqui é uma verdadeira alegria para mim, como deverá ser para outros que se identificam comigo. 



Para começar e como é bem visível no teaser promocional, um blogger é alguém que descarta outras tarefas (hobbies) para fazer uma outra. Tão simplesmente é alguém que gosta de partilhar ideias. Essas podem ser sobre qualquer assunto. existem várias plataformas que podemos utilizar para isso fazer. Creio que as mais utilizadas são as wordpress e a blogger. É grátis e qualquer um pode aceder. 


Independentemente dos gostos de cada um quero aqui falar sobre o primeiro Pay a Blogger Day. O mesmo vai acontecer a 29 de Novembro (convinha apontar na agenda). A iniciativa é da Flattr uma starup que procura motivar os utilizadores por conteúdo que eles gostam. O sistema como trabalha é simples: através de um carregamento monetário à nossa escolha e de acordo com o que quisermos gastar, podemos fazer um carregamento. Depois sempre que virmos um botão Flattr num blogue ou num site que gostemos devemos clicar nele. 
Ao final de cada mês eles fazem os cálculos sobre os botões que clicamos e distribuem o valor que carregamos pelos autores dos blogues que apreciamos. Uma ideia simples e inovadora. 


Com este projeto, que teve a sua origem em 2010, a equipa espera inspirar os utilizadores de Internet a mandar alguma apreciação monetária, não apenas distribuindo o dinheiro pelos criadores, mas também comprando uma música, um ebook, T-shirt ou dando-lhes um Flattr click. Como os próprios autores referem ao site Mashable: "We think that many blogs are insightful and witty and people just expect them to be free even though there are a lot of effort and love put into them,” Flattr co-founder Linus Olsson told Mashable. “It’s about time to try to give them something tangible back, at least one day of the year.”
Claro que o sucesso e mesmo o valor a receber vai sempre depender da fama que o sítio vai adquirir na comunidade Flattr. O que para muitos, significa muito pouco. Mas com esta iniciativa a equipa espera, além da divulgação, criar um movimento capaz de valorizar todos aqueles que adoram estas novas tecnologias de comunicação. 
Por exemplo, é possível no próprio site (com a inserção do nosso URL) saber o quanto já ganhamos com o acto de blogging. Foi o que eu fiz e o resultado está visível abaixo.


Além disso, tenho exposta publicidade da Google no meu blogue através do seu Ad sense, mas como devem imaginar os ganhos até agora não foram muitos. E agora vou adicionar um botão Flattr, para aderir ao movimento e poder ter alguma apreciação. Contudo, no fundo é como alguém comentou no site da empresa e para aqueles que se interrogam sobre o seu sucesso: “This month … I’ve made $0.03, but it was the best $0.03 I ever made.”

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O destino


Todos nós sentimos que nascemos com um destino. Para quem acredita, é saber que está escrito lá em cima que um dia acontece. Mas o que é que acontece? Isso, como a própria vida é complexo, mas sempre depende de caso para caso, ou de pessoa para pessoa.
A questão também passa pela sua fé e mais importante, pela sua ambição. Acreditar no destino pode ser simplesmente acreditar que nos apaixonamos pela pessoa certa (a cara metade); encontramos o trabalho/emprego da nossa vida. Que somos felizes com o que temos, mesmo quando isso significa ser e ter nada. Shakespeare já dizia que pobre é aquele que não é feliz com o pouco que tem.
Mas o destino pode ser sempre algo mais complexo...
Se vivêssemos numa tribo na floresta Amazónia a nossa fé não era mais do que o instinto de sobrevivência, mediada por regras de submissão e atrozes condições de vida. Será?
Aquele que nasce selvagem, se nunca sair do seu meio e nunca tiver contato com outros meios e ambientes, nunca se interrogará sobre o seu destino. Vive segundo as regras e tradições do seu povo e esta é a base da sua subsistência, no meio da comunidade nunca nada lhe faltará. Porém, quase nada nunca saberá. 
Nós os ocidentais, acreditamos demasiado no destino. Acreditamos que a sociedade está formatada de forma a que todos sejamos homogéneos na forma como vivemos e, quase sempre, na forma como morremos. Porque podemos morrer felizes. Com a sensação que fizemos algo na vida que valeu a pena e, de alguma forma, deixamos um legado para todos os que venham a seguir a nós.
Depositamos sempre nas nossas crianças, filhos e netos a esperança de um futuro melhor e mais justo. Agora aquilo que eu pergunto: acreditamos todos nesse destino? 
Eu próprio tenho já imensa dificuldade em acreditar em tal destino. À medida que o mundo vai evoluindo e se transformando acreditar num destino parece ser quase como acreditar que o ser-humano é dono das suas totais possibilidades de ação. Se acreditas no destino, não esperes que ele venha ter contigo. Pega numa arma e obriga-o a vir ter contigo. Porque a vida é curta e o destino é sempre longo de alcançar e, a maior parte das vezes, impossível de alcançar. 

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...