terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Arquitetura Simétrica de Budapeste em Fotografia

Para quem já viu The Grand Budapest Hotel U.S.A (2014) de Wes Anderson, talvez tenha reparado na arquitetura do hotel que aparece no filme.
Um dos seus principais realces é a simetria na forma das suas partes. Principalmente as janelas nas fachadas que parecem ter sido metricamente construídas.
Já agora recomendo vivamente o visonamento do filme.



Mas o tema deste post não é o filme em questão, mas sim fotografia de arquitetura simétrica.
O filme apenas serviu de introdução para a apresentação do fotógrafo Zsolt Hlinka’s que nos fornece uma coleção maravilhosa de retratos arquitetónicos com uma simetria perfeita. À qual o fotógrafo intitulou de Urban Symmetry.

Urban Symmetry presents buildings on the banks of the River Danube, which are emphasized out of their surroundings and put into soundproof, homogeneous space cleaned off the whole exterior information. However, the series cannot be considered as a dry study, because it does not depict the raw reality: if you get a closer view of the photographs, you may discover that none of the pictures show the building in its full form, but only its reflected part. After all, these fictitious buildings coming into existence perfectly grab and condense their original character into themselves, as if you could see human faces and different personalities on the building portraits.






Na coleção, Hlinka manipula subtilmente as obras arquitetónicas, mostrando visões refletidas para enfatizar o carácter distintivo de cada edifício.
Editanto o contexto de cada imagem. Ajustando o objeto fotografado contra fundos simples, consegue que cada retrato possa ser estudado isoladamente.
Os mesmos fundos dão, simultaneamente, um contraste e harmonia ao retrato. Fazendo com que cada um seja único e vivo.








As imagens resultantes têm todos os traços que nos permite ver os detalhes das janelas.
São obras de arte que têm direito a uma existência perfeita e capaz de condensar a sua particular personalidade nos retratos de construção.
Este tipo de fotografia nunca me interessou muito, mas esta coleção deslumbrou-me os olhos e aliciou-me de forma férvia a querer ver pessoalmente estes edíficios. 

sábado, 9 de janeiro de 2016

As 10 obras de arte mais caras de 2015

No site Artsy saiu um editorial a enunciar as obras de arte mais caras do ano transato. 
Segundo o mesmo site, o ano em questão bateu todos os recordes. Havendo entusiastas que gastaram milhões, nomeadamente em trabalhos contemporáneos, modernos e após a II Grande Guerra. 
A leiloeira Christie’s ganha destaque porque conseguiu vender oito das dez obras mais caras. 
Ganha especial interesse no artigo perceber que Pablo Picasso ainda continua a ser um dos artistas/pintores mais procurados. Fazendo com que alguns dos seus quadros estejam no pódio. 
Porque considero que aqui as palavras não são muito necessárias, segue a lista das obras, bem como o valor que foram leiloadas. 
Espero que apreciem!

$179.4 Million


Pablo Picasso, Les Femmes d’Alger (Version ‘O’), 1955


$170.4 Million


Amedeo Modigliani, Nu couché, 1917-18




$141.3 Million


Alberto Giacometti, L’homme au doigt, 1947






$95.4 Million


Roy Lichtenstein, Nurse, 1964



$81.9 Million


Mark Rothko, No.10, 1958





$70.53 Million


Cy Twombly, Untitled (New York City), 1968



$67.5 Million


Pablo Picasso, La Gommeuse, 1901


$67.4 Million


Pablo Picasso, Buste de Femme (Femme à la Résille), 1938


$56.2 Million


Andy Warhol, Colored Mona Lisa, 1963




$56.2 Million


Lucian Freud, Benefits Supervisor Resting, 1994

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O Estado do Cinema

Um grupo eclético discute o estado do Cinema numa discussão organizada pelo Hollywood Reporter.
É uma mesa redonda com alguns dos meus realizadores preferidos .
Estou a falar de Danny Boyle (Steve Jobs), Tom Hooper (The Danish Girl), Alejandro González Iñárritu (The Revenant), David O. Russell (Joy), Ridley Scott (The Martian) and Quentin Tarantino (The Hateful Eight).
Em parte eu até considerava, esta Round Table audioviusal como uma review dos principais filmes do ano de 2015 por quem percebe da arte.
Não é todos os dias que podemos deliciar-nos com este tipo de conversa entre os grandes do cinema.



Em todo o vídeo, de pouco mais de uma hora, todos os intervenientes argumentam sobre a sua opinião pessoal sobre o estado geral do cinema, filmes em particular e outras questões.
Falam sobre o estado da carreira, trabalhar com atores e os seus filmes preferidos.
O momento em que Ridley Scott indica que foram necessárias 17 horas de filmagem num helicópetro para o final da longa metragem Blade Runner (1982) é um momento em que senti, metafóricamente, a dificuldade do trabalho na área.
Quentin Tarantino lança um ponto interessante: o constante aumento do preço dos bilhetes e outros factores que fazem com que as pessoas não saiam de casa para ir ver um filme.
O ideal mesmo é visionar o vídeo e contemplar estes mestres a discutir cinema. A sua linguagem, as suas características e a sua aura.




No final ficamos com vontade de mais! Podemos tirar do conteúdo do vídeo perspetivas e opiniões que nos podem inspirar e podemos idolotrar. Mas no fim não podemos esquecer que os intervenientes são pessoas normais, que têm a sorte de trabalhar no que adoram.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cada Enquadramento Uma Pintura.

Por vezes encontramos algum assunto que nos faz ter um pouco mais de atenção. Faz-nos querer saber mais e entender...
Adoro quando isso me acontece!
Principalmente se for um assunto que me interesse!



Neste caso concreto é um ensaio de Tony Zhou.
Um homem que gosta de filmes e não gosta de pedidos.
É libertino no cinema e por isso a sua escolha o levou a criar uma série intitulada  de Every frame a painting
São ensaios audiovisuais sobre técnicas de cinema que simplesmente me deixaram boquiaberto.
Surpreso pela qualdidade analítica do realizador, criador e pintor.
Cada um dos 26 vídeos que encontramos na sua coleção no Vimeo são objectos audiovisuais que merecem a contemplação de um quadro exposto no Louvre.
Mais!
É mesmo uma ferramenta de aprendizagem para os professores de cinema, fotografia, comunicação, etc...
O que temos aqui é uma dedicação soberba pela arte de fazer filmes.
E também compreender quem nos inspira e idolotramos de alguma forma...
Não consegui encontrar muita informação sobre o autor Tony Zhou.
Mas também não perdi muito tempo.
O que realmente me chamou a atenção foi a sua análise ao filme Memories of Murder  Coreia do Sul (2003) de  BONG JOON-HO.

BONG JOON-HO

Um filme baseado nos primeiros serials killers registados na Coreia do Sul.
O que visionamos no ensaio é mesmo uma narrativa da descrição pura de como cativar o público.
São oito maneiras, que vistas e entendidas, são mesmo apreciação de uma obra pura de vocação. 
O detalhe com que ele entra na descrição de cada frame é louca!
Mas depois deassimilada, ainda expoenta a linguagem cinematográfica como a arte complexa que é.
Geometricatente construída e matematicamente elaborada! P
Pode-se transformar num fime desconhecido, mas apreciado por alguém conhecido como Quentin Tarantino. Aparecendo na  sua lista dos top 20 filmes de 1992 a 2009.



Como tinha referido são 26 vídeos analíticos sobre técnicas de escrever cinema, talvez manipulá-lo!
Assim, deixo apenas os dois que mais chamaram a minha atenção. 


O primeiro incide sobre oito maneiras de olhar para um personagem.
Analisa formas de cativar a atenção do espetador através da descrição de quadros do filme Memories of Murder. Comparando mesmo a técnica hollowoodesca com a do sul coreano.
Aprendemos muito sobre a diferença  entre representar e ser filmado sozinho e fazer o mesmo em conjunto. A conclusão final é logicamente genial. Aí percebemos realmente porque o cinema é uma arte. 


O segundo foi o que mais me supreendeu.
Não posso dizer que nunca fui fã dos filmes de jackie Chan.
Tenho que admitir que ele tem alguns que não foram tempo desperdiçado em visioná-los.
Mas depois de ver este ensaio, olho para os filmes com outro olhar. E de alguma forma vejo ali arte, dedicação e mais importante gosto pela realização.
Notando-se mais aquilo (spoiler alert) quando quase no final do ensaio vemos e entendemos duas grandes diferenças entre o cinema ocidental e o oriental.
Por um lado, o tempo e perfeccionismo na montagem. Em segundo o tempo que Jackie Chan demora a captar uma cena. Repetindo-se até à exaustão até estar satisfeito.
Por último a utilização da câmara. Em que percebemos a diferença entre a mesma permanecer num plano estático ou ser direciconada de vários pontos de perspetiva. 


Concluindo, estes 26 vídeos são ensaios pormenorizados sobre a linguagem do cinema e como ela pode ser complexa e mística. Mas também como pode ser banal e massificada. 
Isto é, não creio que sejam muitas as pessoas que se interessem por estes assuntos.
Alguns até poderão achar monótono. Mas de certeza que certos hobbies que eles tenham também eu vou achar monótono. É assim a vida...
O que realmente quero dizer é que para quem se interessa por estes assuntos, temos aqui uma fonte grandiosa de entendimento cinematográfico. Que por um lado pode ser apreciado apenas por gosto de valor, mas por outro como aprendizagem da arte em que trabalhamos e com isso evoluir.  


domingo, 3 de janeiro de 2016

O Amor tem um ambiente

In The Mood For Love (2000) de Wong Kar-wai é uma fábula moderna oriental construída numa linguagem cinematográfica para fugir aos mundos cor de rosa das estórias de amor ocidentais.
E, com isso, trazer o sentimento do amor para a realidade, mas ao mesmo tempo desmentir as utopias de que o amor é um sentimento que nasce por acaso e no devido momento.
Quase como se fosse a versão oriental Vs a versão ocidental.
Não faltam exemplos, de como o cinema americano, e até mesmo o europeu, constrói os filmes romancistas. Mas neste todas as regras são quebradas e temos uma obra prima que toda a gente deveria ver.



O filme está uniformizado numa filosofia do inteligível e a metáfora da caverna.
Por outras palavras, a sua cinematografia vagarosa quer o foco do espectador concentrado num conflito entre o que é importante compreender e o que são simplesmente sombras e nunca o real.
É uma estória de amor! Mas não qualquer estória de amor!
É um amor acidental, quase desconhecido, levado a crescer pela traição!
Por alguma razão o filme ganhou no ano 2000 o prémio de melhor ator e o grande prémio da técnica no Festival de Cannes.





E não é de admirar que tenha ganhado este último prémio.
Todo o filme está envolto num ambiente de cores quentes, onde o vermelho e o laranja/amarelado predominam de forma saturada.
Os enquadramentos não são feitos ao acaso! Parecem ter quase uma simetria de fotograma a fotograma.
Os movimentos da câmara são suaves, vagarosos e cuidados de forma a que possamos apreciar todo o cenário de forma tranquila e confortável.
Não existem cortes abruptos entre frames e o que aparece na tela pode ser apreciado como se fosse uma pintura.
A soundtrack também sincroniza o auditório com a mensagem.
Wong Kar-wai não deixou mesmo nada ao acaso. E com imensa mestria criou uma obra que nos emociona e simultaneamente faz-nos pensar... Neste caso concreto sobre o amor e como ele pode nascer e morrer?






Posso mesmo afirmar que este é um dos filmes mais apreciados do século passado, só tenho pena é ter demorado tanto tempo para o ver.
Mas verdade seja dita, a espera valeu a pena!
Quando o filme acabou ainda tinha a música nos meus ouvidos a ecoar! Interroguei-me sobre de que forma o amor pode ser uma conquista e ao mesmo tempo uma desilusão?
Mas é nesta dualidade que este sentimento ganhou a importância que tem na sociedade!
Se a conquista fosse extremamente fácil a desilusão nem sequer existiria.
O desafio que o amor apresenta aos apaixonados é uma verdadeira guerra.
Por umas vezes ganha-se, noutras perde-se!
O mais importante, mesmo, é perceber qual é o ambiente onde ele reside.  

sábado, 2 de janeiro de 2016

O novo ano.

Perante este novo ano, já são muitas as inquietações que me perseguem. No entanto, sinto finalmente um alívio do peso do passado.
Os passos dados são cada vez mais leves.
O passeio ganhou uma espuma onde o som dos saltos altos se afogam na acústica fechada do material.



O som não entoa e segue-se a luz.
Aquela que dizemos que muitas vezes está no final do túnel.
Uma frase de alívio e positivismo que acompanha.
Não é apenas querer, desejar e curar!
A luz não aparece logo, demora o seu tempo...
Pé ante pé, em salto de cordeirinho, começa a ocupar uma parte de nós e quando dermos por ela!
A luz transforma-se e, no seu todo, faz parte de todo o nosso ser.




Não vale a pena ter pressas.
O nosso melhor amigo é o tempo.
Esse cura tudo. E agora dou por ela.
Por isso, quando um novo ano começa, é sempre bom lembrar dos que passaram e lembrar o que de mau aconteceu neles e saber que nos novos, certos erros não voltam acontecer.
No fundo o passar dos anos é sinal de envelhecimento e logo maturidade, creio que se deva mais isso.
Mas a metáfora da luz é algo simbólico que faz ter mais esperança que o outro discurso.
Bom ano 2016. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Ilustrações Lynchian

Ao ver estas estas ilustrações esta manhã, lembrei-me de ontem ter lido um artigo no No Film School sobre a definição de Lychian. 
De alguma forma é tentar caracterizar a técnica do realizador.
V Rénee mete uma citação no artigo bastante coincidente com a minha opinião.

A frase é de David Foster Wallace e diz o seguinte:

"Lynchian: a particular kind of irony where the very macabre and the very mundane combine in such a way as to reveal the former's perpetual containment within the latter."



Ou seja, a realidade pode combinar-se numa mensagem de normalidade e algo errado.
Um hábito que criamos nos novos gadgets  que todos os dias nos aparecem.
E é com esta forma Lynchian que observo estas ilustrações.
O traço é único e a mensagem é  um tipo particular de ironia onde o muito macabro e o muito mundano se combinam.
De tal maneira como para revelar  a contenção perpétua do antigo no âmbito deste último.
Por outras palavras. A verdade que pode ser negra na nossa vida é um costume banal, que nem merece reflexão se é realmente necessário à nossa existência e felicidade.






Podem ver mais ilustrações aqui.
Em todas elas vão encontrar a mensagem de atenção Lychian para o mundo que vivemos.
Nos dias de hoje, a tecnologia transformou o ser humano moderno, que comunica de forma pessoal e virtual ao mesmo tempo, multifacetado nas formas de comunicar!
Mas ao mesmo tempo vive o tempo de grandes mudanças!
Essas são supérfluas, quase nem notadas por quem vive actualmente.
Mas nestas ilustrações, se a observarmos com capacidade de análise, notamos que o macabro, na nossa rotina, se tornou quase mundana e nos somos felizes com isso.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Filme de 2015

Agora que as festividades abrandaram. Dei por mim, novamente,  a pensar que já há muito não escrevia sobre filmes aqui no Artedeseexprimir.
Embora tenha feito uma análise ao filme Star Wars The force Awakens (2015)  porque trata-se de uma saga que acompanhou a minha juventude. Naquela altura o visionar destes filmes era diferente. Uma criança não pensa como um adulto.
E a verdade é que este filme de início da trilogia vem mesmo dar uma lufada de ar fresco à storyline.
Posto isto! Simplesmente deixei de publicar aqui no blog, críticas ao filme. Ou mesmo listas como fiz no Mubi.



Este ano, sinto-me diferente. Talvez porque este meso filme é uma nova sequela da série original com Mel Gibson, numa das suas melhores interpretações.
Já esta saga vem com um olhar e entendimento de criança, mas que só teve a sua continuação passados trinta anos.
Embora tivesse visto, talvez pela primeira vez,  o primeiro filme de Mad Max, com 13 anos!
São na mesma 20 anos de espera. E que realmente valeram a pena, embora a storyline tenha um rewind concreto de nova criação, mas adaptada aos novos dias.
O filme no seu todo é uma viagem ao desconhecido. Onde o protagonista, novamente, aparece atormentado pelo passado, mas um herói.




Este personagem que é o ponto forte de toda a saga e misticismo criado desde o filme original, creio de 1979. Mas este ganha contornos particulares!
George Miller consegue neste filme dar crédito a duas formas artísticas/criativas de fazer cinema.
Por um lado, à partida, tinha logo o desafio de pegar em  guiões de há mais de trinta anos.
Conhecer a personagem. Saber as suas características. Pontos fortes, fracos.
Enfim. Alguém utópico tinha que ser conhecido.
Por outro, adaptar uma linguagem cinematográfica aos dias de hoje. tendo sempre em conta a atmosfera iniciada pelos filmes originais.
Tinha mesmo de carregá-la de cores quentes. Um ambiente apocalíptico, reduzido a areia.
Em que os grãos mais finos são importantes.
É um vazio.
O homem racional no meio ambiente selvagem depois de ter tido s conhecimento e tecnologia que destruiu o mundo.


 
Tom Hardy consegue fazer, de uma forma muito bem estudada, todas aquelas características que falei acima. A sua perfomance é sublime apenas porque fala pouco, age muito e sobrevive!
Ao detalhe, a atuação não se se  pode comparar há de Mel Gibson, São actores muito diferentes!
Mas neste renascer do espírito da saga, a personagem foi intensamente bem conseguida.
Logo. foi estabelecido a personalidade de alguém traumatizado, mas entregue ainda à sanidade de saber a diferença entre bem e mal.



Charlize Theron também não me escapa pela negativa. A sua interpretação no filme é quase sublime, mas ela consegue ser o fundamental do desenvolvimento da história.
A sua atitude, o que é correcto fazer, agir e pensar num mundo consumido pelas chamas e pelo lado sombrio do lado humano.
Num mundo sem leis, sem regras. Ainda existe espaço para chamamentos de fé no querer do bem e, o intuito maior, fazer a diferença para um futuro melhor.
Esse foi o seu chamamento, o seu desafio o seu destino.



Concluindo! Comecei por dizer que faz muito tempo que não escrevo sobre filmes aqui no Artedeseexprimir.
Mas as sagas reavivaram em mim  este gosto.
Assim, falei sobre noutro post sobre Star wars.
Neste falo, naquele que é imprescindivelmente o filme do ano.
O filme que marcou o ano com uma linguagem cinematográfica muito bem conseguida.
Com recurso ao CGI, sem dúvida. Mas há frames no filme que parecem ser autênticas pinturas pintadas por um pintor num verão de opium e muito quente e amarelado.
A fotografia neste filme tem uma importância realmente digna. Só por esta técnica o filme é grandioso. Juntando os outros ingredientes, diria que temos um bladerunner século XXI.
Há, nas nomeações dos Globos de Ouro, aqueles que prevêem os Óscars! Mad Max destacou-se e até há quem concorde comigo em dizer que é o filme do ano.   

domingo, 20 de dezembro de 2015

Star Wars, lufada de Ar fresco

Porventura sou um fã incondicional desta saga que começou há décadas, voltou ao passado há uns anos e agora prevê todo um novo ambiente cenário.
Os que há mais de trinta anos visionaram os primeiro episódios, e este em particular, tiveram a oportunidade de dizer adeus  e os mais novos, que passaram pelo mesmo momento, de dizer, olá.


Sim, um olá!
Porque J. J. Abrams consegue trazer-nos neste filme o renascer da força.
Não só como fosse o último reduto daquele lado da força. Mas algo novo...
Enquanto nas prequelas, todo o foco da narrativa foi a personagem de Darth Vader.
A personagem por detrás da máscara.
A criança que a força escolheu e lhe deu poder . E ao mesmo tempo seduziu-o para o seu lado negro É bipolar esta força.
Pela amargura, pela perda, pela manipulação.
Dito por outras palavras, esta personagem é crucial em toda a saga, seja a original de há mais de trinta anos,  sejam as prequelas das mesmas, mas mais recentes.
Darth Vader é a verdadeira essência  de StarWars enquanto locomotiva de imagens capazes de encantar milhões de olhos e tornar o fanático ainda mais fanático.
Chama-se a isso marketing e J. J. Abrams soube usá-lo.


Todo o ambiente se manteve fiel a Starwars, mas o pilar é sempre o mesmo, o lado negro a querer prevalecer. Mas ao mesmo tempo a história de uma família que a força decidiu implicar ou escolher.
A sua última vítima é Kylo Ren, filho de Han solo e Leia.  (spoiler alert)
Assenta na forma de como era o seu avô, Darth Vader. A personagem parece ser esquizofrénica ao demonstrar que tem um amor ao que o seu avô significou.
É esta direção que a saga ao seguir consegue uma lufada de ar fresco e ao mesmo tempo reinventar-se enquanto história, argumento, guião.  
No início o avô, depois o neto. Porquê?
Não se sabe, nem nunca se saberá! Nesta fórmula-se a reinvenção e  aclama dois objetivos: comover os já fãs da série a continuar a ver a saga, mas ao mesmo tempo, ser capaz de alcançar novos públicos. novas personagens, novo marketing.
Mas a emoção tem que estar sempre presente: Para isso serve a maldição Skywalker: With You The Force Will Be.
E está mesmo, porque a família é mesmo amaldiçoada pela mesma.


Han Solo parece ter conhecido neste episódio o seu fim. Enquanto personagem é o mesmo Harrison Ford de há trinta anos, mas mais velho.
Era necessária uma mutilação desta na saga. Só assim o interesse se manteria e a sua evolução notória.
Mas ele acaba apenas por ser mais uma vítima da força. Mas ela tem dois lados. Logo isso implica equilíbrio. E para haver equilíbrio é necessário sacrifício.



Em jeito de conclusão, o VII episódio da saga Stawars é uma ida ao passado, que terminou quase como  se vivessem felizes para sempre.
Mas o lado negro ganhou  uma nova força e reinventou uma cinematografia que foi, é e será capaz de sempre deslumbrar, comover e, mais importante, agarrar o seu público.
O sétimo episódio é mesmo um renascer para um novo começo que no primeiro da trilogia já deixou muitas perguntas...



sábado, 19 de dezembro de 2015

A Porta Vermelha.




Na porta vermelha onde encontro o ponto de viragem,
Lembro do vermelho sofrimento,
O início de uma viagem,
Onde o novo deixou o tormento.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Fotografia do Século XIX

Com a massificação da fotografia, criada principalmente pela evolução da tecnologia e, logo, a possibilidade de fotografar com qualquer dispositivo. E também a passagem do analógico para o digital. A fotografia depressa passou de conhecimentos técnicos profissionais para um conhecimento baseado num click.
O Instagram é um dos melhores exemplos actuais daquele processo. Por dia são colocadas naquela rede social cerca de 93 milhões de fotografias. 



Por essa razão é interessante verificar que alguns profissionais da área ainda detém uma paixão pelo analógico. 
Michael Shindler é um desses. Utiliza a técnica de Ferrotipia que é um processo fotográfico que consiste na criação de uma imagem positiva sem negativo, diretamente sobre uma chapa fina de ferro revestido com um verniz ou esmalte escuro, que é utilizada como suporte para a emulsão fotográfica. A sua utilização mais ampla deu-se durante as décadas de 1860 e 1870. O vídeo abaixo exemplifica melhor a técnica explicada pelo próprio Michael Shindler.



Como pudemos verificar, é um processo vagaroso que nos dias de hoje não servia para empresas da indústria com um grande volume de produção.
Porém, é aqui que se torna extremamente interessante a técnica e a forma como a podemos analisar/admirar.
Pelo que se pode visionar, o processo engloba uma série de químicos e conhecimento técnico que nos dias hoje a maior parte dos fotógrafos mais novos desconhecem. Porque tudo é digital.
E todos sabem as vantagens do digital em comparação ao analógico.
Por exemplo, na demonstração que vimos, se houvesse qualquer tipo de falha ou problema no desenrolar da captação, teria que se iniciar tudo novamente. A placa de ferro é a única cópia que existe. Com o digital já não é assim, pode-se repetir quase infinitamente.






É de admirar esta devoção por uma arte já porventura arcaica e que nem todos têm a possibilidade de experimentar. O uso da Ferrotipia cria uma ligação única entre fotógrafo e o retrato. 
Fotografar um retrato com esta técnica é uma experiência incomum e mergulha em nostalgia, como se nos víssemos numa vida anterior.
O nível de detalhe presente em cada retrato é surpreendente e pode-se perguntar como era possível no século XIX aquela resolução em placas do tamanha de cartões de crédito.
O tamanho da placa em si, que se torna o sensor, cria uma fotografia de alta definição. Os grãos de prata depositado sobre a placa torna-se o equivalente de pixels na fotografia digital.
Como o próprio referiu:
"It wasn’t until I started making tintypes that I really kinda figured out how photography works. And it’s just the process of making your own materials and knowing exactly what the ingredients and asking yourself ‘What is that for? What does that do?"
Ou seja, um fotógrafo profissional que só percebeu através de uma técnica inventada em 1851, como a fotografia funciona. Mais trabalhos dele podem ser vistos aqui.

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...