sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

40 Anos de Taxi Driver.

O filme de Martin Scorcese Taxi Driver (1976) comemorou quarenta anos no passado dia 8 de Fevereiro desde que foi lançado nas telas do cinema.
Um filme icónico que se tornou de culto, graças em muito à interpretação de Robert de Niro.
Talvez tenha sido o filme que lançou a sua carreira, mas o mas o mais importante mesmo é a sua interpretação no filme.
Uma figura perturbadora que reflete, acentua ou ilumina os recantos mais escuros da sociedade e da psique humana.
E Martin Scorcese desencadeou com este filme uma das personagens mais icónicas do cinema, Travis Bickle.
Desde logo este é dos filmes que na minha lista integra um lugar de topo. Não só pela sua cinematografia, mas também por toda a sua estrutura.
Nesse sentido, achei interessante constatar os filmes que influenciaram Martin Scorcese para a realização do filme.
A produção de Scorcese, contou com um talento, que fez com o filme passasse a ser garantido como um clássico americano.

Robert de Niro e Martin Scorcese durante a produção do filme


Escrito por Paul Schrader que escreveu o argumento num mês, através dos seus próprios problemas e inspirada em notas de Dostoiévski. Temos um filme repleto de brutalidade e a demonstração de como a mente humana pode chegar a pontos irreversíveis.
Assim, fica de seguida os cinco filmes que são também de grandes realizadores. Por último gosto sempre de lembrar que o cinema é um remix. 



The Searchers (1956)

Realizador John Ford


The Wrong Man (1956)

Realizador Alfred Hitchcock


Pickpocket (1959)

Realizador Robert Bresson



2 or 3 Things I Know about Her (1967)

Realizador Jean-Luc Godard


The Merchant of Four Seasons (1971)

Realizador Rainer Werner Fassbinder

Aventuras em Movimento



Graças à minha amiga virtual Lara Milhazes fiquei a conhecer esta iniciativa. Aqui segue a explicação.

As "Aventuras em Movimento" em parceria com a conceituada organização britânica OneDotZero, apresentam pela primeira vez em Portugal Adventures in Motion, uma retrospectiva delirante da cultura visual do Japão. Criativos de áreas distintas como animação digital, motion graphics, curtas experimentais, videoclips, jogos...o topo da evolução em design digital e interactivo. Tudo isto regado pela selecção musical do japonês dj Dubby..... O vídeo que se segue é da edição de 2009. 




Informação Essencial:
  1. onedotzero_adventures in motion11, prepara-se para a próxima temporada fora de portas. Três eventos, onde serão apresentados os novos programas que estrearam em Londres em 2010. Curado e compilado pela onedotzero, todos os programas visam explorar novas formas híbridas da imagem em movimento através de motion graphics, curtas, animação, vídeos, músicas e muito mais.
  2. a onedotzero é uma organização que mostra e promove a inovação em todos os aspectos da imagem digital, nas áreas das curtas, moving image, animação, musica, videos... 
  3. actua e comissiona a organização de eventos, festivais de cinema, e a nível educacional um pouco por todo o mundo. Pioneira na sua visão desde 1996, é reconhecida por promover novas formas artísticas, sobretudo da arte imagem digital, projectando os mais interessantes directores criativos, produtores, designers e novos talentos, via o festival_adventures in motion.
  4. onedotezero_adventures in motion 2011 chamada de trabalhos! onedotzero está á procura de novos trabalhos que demonstrem criatividade,
  5. inovação e ideias visionárias na area de: curtas-metragens, instalações,trabalhos interativos e performances live a/v.
  6. faz parte e apresenta agora! esta é tua chance de mostrar numa plataforma internacional e é completamente livre para entrar!
  7. o prazo para receber as inscrições é 30 de maio de 2011, segunda-feira, 05:00 GMT.
  8. info completa pode ser encontrada em www.onedotzero.com

Este evento é dedicado ao Japão e é a nossa forma de enaltecer e contribuir para um povo e para uma cultura que admiramos muitissimo, mas que o destino teima em sacrificar. Angariação de fundos e consciência a favor da ONG japonesa, “Think the Earth”. Vai acontecer no próximo dia 27 de Maio às 09h30 e dura até 28 do mesmo mês no cinema do Passos Manuel no Porto. Se puderem passem por lá porque promete...





quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A escultura de Picasso

Auto retrato de Pablo Picasso



Bem que sabemos quem é Picasso. O cubista fotógrafo! Que pintou Guernica e que é um dos maiores artistas do século XX.
Picasso é (foi)  o que fez transparecer a sua visão sobre o mundo de uma forma geométrica do caos sobre a sua visão. Em que o se Eu era uma extraordinária forma de ser. E que criou quadros que têm um valor incalculável nos dias de hoje. Alguns dos seus quadros são dos mais caros do mundo.




Picasso foi o artista mais multifacetado na corrente que seguia. Havia os que lhe chamaram de cubista! Como se ele se fechasse num cubo e a sua arte fosse narcisista.
Mas quem conhece a obra de Picasso, sabe que de cubo ele não tinha nada.
Tinha sim uma forma de pintar simétrica, no ponto que pintava, mas era sempre a sua visão. E essa tomou muitas formas., numa única forma: sua forma de fazer arte. Como ele podia pôr a matéria que fosse em arte!!!
Por isso, achei interessante descobrir uma imagens de esculturas de Pablo Picasso. O artista vanguardista do século XX. O pintor que sempre conheci teve uma altura em que foi escultor.! E o mais engraçado é  que são obras que eu mais gosto.
Talvez esteja no 3D da forma do objecto e os meus sentidos e visão sentem o que vêem de forma diferente do que vêem os quadros em 2D. De facto de modo simples são obras que gosto muito.
Aqui ficam algumas das minhas preferidas.










segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O primeiro de kubrick

Todos os grandes cinematógrafos algum dia podem dizer que criaram a sua primeira obra. Aquela com que começam e que pode, ou não ser, o início de tudo!
Perante a qualidade dela -a obra -; daí pode-se traçar um caminho de evolução e obtenção de culto pelas as outras obras que se for realizando e como elas evoluiram. E ao mesmo tempo ver a evolução simultánea que também o artista tem.




Stanley kubrick é um realizador conhecido pela sua majestosa escrita simétrica e de bailado audiovisual que é  2001 : Space Odessy (1968).
É considerado por por alguns como um dos maiores cinematógrafos norte americanos.
Thomas Allen Nellon no seu livro Kubrick: Inside a Film Artist's Maze (2000)  - o livro que na minha pesquisa parece ser o mais consistente sobre a obra de kubrick - descreve-o como:
"Stanley Kubrick ranks among the most important American film makers of his generation, but his work is often misunderstood because it is widely diverse in subject matter and seems to lack thematic and tonal consistency. Thomas Nelson's perceptive and comprehensive study of Kubrick rescues him from the hostility of auteurist critics and discovers the roots of a Kubrickian aesthetic, which Nelson defines as the "aesthetics of contingency."

Ao entendermos kubrick é um caminho denso e ao mesmo tempo percétivel de um cinema experimentalista, em que o mundo em si mesmo é um cérebro, como na circular e luminosa tabla de Doctor Strange Love (1964), o gigante computador na Odisseia do Espaço ou a visão maior sobre o hotel de o The Shining.
No fundo é o realizador que todos cultivam e é imensamente referenciado. Por essa, razão ver o seu primeiro trabalho é quase como ver a criança nascer. 



Ao ver o documentário percebemos já alí a marca de Kubrick. A atenção ao pormenor, o detalhe da voz off e o enquadramento que nos balança entre o contexto da razão e o consciente. 
As limitações do tempo em que arte Cinema estava a começar - e é das artes mais novas que o ser humano culturalizou - temos um documentário que nos agarra de início a fim e coloca-nos no lugar de Walter, a personagem do Boxeur. 


Todo este texto não é para falar sobre a obra de Kubrick, mas o seu primogénito. Acho que vai haver sempre uma sensação única quando isto acontecer - ver a sua primeira obra - sobre um realizador que admiramos, mas nunca compreendemos. Apenas gostamos do modo como o seu cérebro entende e mostra o mundo e que vivemos.  O que fiz foi ver e escrever este post, mais não me quis alongar...

domingo, 31 de janeiro de 2016

The Revenant (2015)


The Revenant (2015) é um filme em que Leonardo  Di Caprio enaltece a sua capacidade de ator, assumindo uma personagem que é motivada pela sede de vingança e como esse pode sentimento pode fazer renascer em nós uma capacidade de sobrevivência extra humana.
Baseado em factos verídicos, é uma história que passou de geração para geração adulterada pelot empo e passou de impossível que se tornou possível.
Logo no iníco do filme temos uma excelente técnica de cinema: o ataque do urso foi filmado num único travelling fazendo com que o espetador sentisse como se fosse a vítima do ataque.



É nesse ponto que tudo começa e que levou a adaptações da história ao longo de anos, até que Alejandro Iñárritu resolveu fazer a sua adaptação. Assim, temos um filme que aborda várias temáticas em simultáneo.
Por um lado, a história do novo mundo habitado por franceses, ingleses e nativos e as guerras e corrupção que daí surgiram.
Todo o filme é composto por frames naturais que buscam tocar o nosso sentimento estético, mas ao mesmo tempo posicionar-nos num tempo e lugar passado.
Um momento da história em que um local geográfico foi colonizado por diferentes povos e que entraram em guerra com os nativos.
Creio que esta é uma mensagem sublimar do filme. Pois nele vemos um lado dos índios hostis, mas também alguma humanidade numa diferença entre os que sofreram diretamente pelos povos colonizadores ou não.


Analisando o filme no seu todo, existem dois pontos que considero que enaltecem a escrita cinematográfica.
Em prmeiro lugar, temos interpretação de Di Caprio: muda, e afastada de diálogos introspetivos, para focar a nossa atenção numa perfomance mais física.
A história verídica é supreendente porque um homem sofreu um ataque de uma mãe urso que apenas queria proteger as suas crias. E  o que daíu surgiu foi um homem mutilado e que estava entre a vida e a morte.
Portanto, todo o guião do filme foi escrito numa perspetiva fisíca de representação. O homem teria que demonstrar sofrimento, perda, vontade de sobriver e ultrapassar todas as dificuldades que se lhe apresentassem pela frente e sede de vingança.
Neste ponto, Di Caprio consegue majestosamente transparecer na personagem que encarna.



O segundo ponto é  fotografia. Pura, natural, enquadrada e mais que contextualizada. A sua qualidade, na minha opinião está no trabalho de Emmanuel Lubezki que já fez a fotografia de Gravity (2013); Birdman (2015); em que ganhou o Òscar na direção de fotografia; ou Chilfren of Man (2006). Ele recorrreu apenas a luz natural e o resultado é sumptuoso.
Embora o filme não tenha sido realizado em território norte americano, mas sim sul americano - Argentina - Iñárritu exigiu que todo o filme fosse filmado com luz natural, daí a mudança geográfica. O que fez com que também ulrapasse o orçamento inicial. Tudo isto fez com que Lubezki tivesse neste filme o seu maior desafio.
Concluindo, o filme destaca-se por duas razões principais: a interpretação de Di Caprio e a direçao de fotografia.
A qualidade do flme ja foi estabelecida de alguma forma com os Globos de Ouro e as nomeções para os Òscars.
E sinceramente, acho que esta nomeação (a quinta); finalmente vai dar a vencer o òscar de melhor ator a Leonardo Di Caprio. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Fotografia, da manipulação criativa à natural petrificada

Dois assuntos despertaram o meu interesse e pensamento para com a fotografia e a forma de como ela é usada.
Entre outros aspetos, os assuntos em questão que equacionaram na minha mente foi como cada fotógrafo escolhe a forma de fotografar e como, por vezes, a criatividade pode ser/estar ainda limitada.
Esta liha de pensameneto vem na senda e influência do livro Steal Like A Artist  (2010) de Austin Kleon.
Um livro de ajuda para pessoas que querem ser mais criativas. Mas que também tem ideias arrojadoras de como usar a criatividade.
Este toca no primeiro dos dois pontos que disse que equacionei.



A foto acima, capturada pelo fotógrafo Chay Yu Wei, foi congratulada pela Nikon de Singapura, contudo rapidamente foi descriditada pelo facto de ser manipulação.
À primeira olhadela não se nota, mas mexendo-se nos levels da foto, nota-se um rectângulo na diagonal à volta do avião.


Desde de logo levantam-se questões éticas, concencionais e regradas pelos valores fotográficos. O problema reside na manipulação da foto e pelo facto de não ter sido uma fotografia real, isto é, capturada exatamente daquela forma num único shot e sem qualquer tipo de edição.
Esta é a regra que se aplica ao fotógrafos mais convencionais, mas também algo estabelecido ao logo do tempo pelos grandes concursos de fotografias mundiais.
Porém, todo o buzz da notícia levou a que outros também fizessem as suas versões das fotos. Num tom satírico, mas criativo.








Não temos exatamente, nas fotos acima, trabalho de grande rigor, mas sim criatividade irónica. Porém, não deixa de ser arte. Seja manipulada ou não...
Nos dias de hoje as ferramentas estão á nossa disposição e devemos usá-las. E sinceramente acho que é mais o sistema que tem que se habituar a esta nova realidade fotográfica.
E por tudo isso, não vejo nenhum tipo de problema na distinção que a Nikon postou.
Por outro lado, também sou defensor da fotografia natural, única e sem qualquer manipulação. E sim, concordo que a sua verdadeira essência está aí.
E por vezes encontramos trabalhos fotográficos que demonstram mesmo isso.






A fotos acima são de Nick Brandt capturadas no Lake Natron localizado no nordeste da Tânzania. 
O efeito causado nos animais é resultado de um processo químico que deixa os animais mortos num estado petrificado devido às altas quantidades de soda e sal existentes no lago. 
O resultado estético conseguido é único e simultaneamente belo e grotesco. Admiramos animais mumificados. 
Em jeito de conclusão, as duas histórias servem para demonstrar que estabelecer regras à arte, neste caso a fotográfica, não pode ser uma limitação para a criatividade. Mas também devemos saber distinguir a qualidade. 
Um artista é criativo, limitar essa criatividade por regras e preconceitos é, nos dias de hoje, uma instituição arcaica e limitadora da evolução artística. 
Mas aquilo que nos move nesta paixão muitas vezes pode ser autotélica, mas nunca onírica. 






quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Arte, a experiência autotélico

Muitos são os criativos que muitas vezes podem sentir que o seu trabalho não é reconhecido!
Nas diversas áreas que envolvem as áreas criativas, são muitos aqueles que no meio do "caminho" desistem. 
Pois não conseguem chegar ao reconhecimento artístico que tanto ambicionam...
Então, nos dias de hoje, onde a tecnologia permitiu que a arte esteja banalizada e presente em todo o lado, mas também novas ferramentas de propagação e publicitar. 
Os likes, comments, são o público dos artistas desta geração. E quando esse público é pequeno, a vontade de criar também pode ser. 


Porém, talvez possamos aprender algo com os artistas clássicos. Neste caso concreto com Van Gogh e Leonardo Davinci. 
O que hoje trago aqui são três ensaios realizados por Adam Westbrook um jovem fascinado pela arte e que por isso faz ensaios audiovisuais que tecem histórias e imagens em conjunto para tornar as coisas fascinantes. 
E é mesmo esse adjetivo que serve para nomear este ensaio sobre criatividade e dedicação  também uma mensagem de esperança. 
Segundo Adam, o que podemos aprender com aqueles dois colossos da arte, é que nada já nasce perfeito. 
Na natureza a mais bela árvore demora anos, talvez séculos para atingir toda a sua plenitude e beleza. 
Na arte, o processo é o mesmo, mesmo quando criamos e o nosso público é diminuto, invisivel e muitas vezes cingido aos amigos e familiares. Essa é a questão central dos vídeos. 
Numa época em que tudo é colocado on-line e empurrado para fora nos media, a arte está lutando (muitas vezes); uma batalha perdida pela atenção. 
Mesmo que seja boa, mesmo que seja visionária, mesmo que seja brilhante,única e original - a arte só pode tocar para um público: o póprio artista.
Este pensamento é deprimente, mas talvez o problema não resida na forma como se cria, mas porque criamos. 
Num dos vídeos é explicada uma ideia exposta no livro Flow: The Psychology of Optimal Experience do psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi chamado "experiências autotélicos", que descrevem atividades que são feitas não por causa de qualquer benefício futuro (como a atenção ou notoriedade), mas pelo puro amor de fazê-las.


Por exemplo e num plano mais pessoal. Um fotógrafo que trabalha com esta ideia em mente capta  as fotografias para si mesmo, e não para a promessa de qualquer fama ou fortuna de uma carreira de de sucesso! Em outras palavras, as fotografias são as suas próprias recompensas!
Van Gogh definitivamente é exemplo de autotelia: apesar de todos os desafios que experimentou, ele foi extremamente prolífico na sua curta carreira, que durou cerca de uma década. 
Nesse período criou cerca de 900 pinturas e 1.100 desenhos e esboços - que é uma média de 200 peças por ano, ou uma pintura a cada 1.825 dias.
"Não podemos controlar os resultados externos do que fazemos, então porquê pensar sobre eles? Exceto, é claro que nós criamos um mundo onde esses resultados externos são mais valorizados do que qualquer outra coisa", diz Westbrook. 
E esse é o nosso desafio. Num mundo obcecado com a popularidade, com o social media e o volume exagerado de informação, vamos fazer o nosso trabalho artístico, independentemente das consequências? Mesmo quando ninguém está olhando? 
Assistam os vídeos, que são autênticas reportagens jornalísticas, e pensem sobre isso...









The Long Game Part 3: Painting in the Dark from Delve on Vimeo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

À TROIS, ON Y VA (o amor é estranho)

O amor é um sentimento estranho não adianta medi-lo, quantificar ou até relativizar.
Ele já é relativo no seu estado puro.
E nós os seres humanos somos os animais mais racionais que conhecemos e temos sobre ele uma obediência criada pela tentação baseado no prazer.
A carne humana unida com o sentimento de o prazer sexual torna-nos um animal e cada um tem a sua forma de o demonstrar.
Ninguém é santo...


Não adianta aqui falar sobre o filme À TROIS, ON Y VA (All About Them - 2015) continuando na mesma linha do que disse acima.
A mensagem é aquela e mais nenhuma!
O mais fascinante mesmo é o filme! A sua arquitetura.
A forma como Jérome Bonnel idealizou toda a narrativa do filme, cada diálogo, cada frame, cada travelling foi a pensar no amor.
É um realizador novo para mim, mas gostei muito da forma como criou este filme.
Conseguiu prender a minha respiração por todo o filme.
Aproximou-me da história triangular, que é prenchida pelo amor.
Mas o que foi mais "irritante" é que ele, de uma forma genial, criou em mim a expetativa de ver, mas na verdade não ví!
E quando finalmente pensamos que entendemos! Eis que a narrativa tem uma rutura brutal na sua lineariedade que tinha sido entendida na introdução e no desenvolvenmimento. Dito de outro modo, nada é o que parece.


A nossa atenção tem que ser focada mais nas personagens!
Seria mais crítico da minha parte caracterizar. Preencher as suas claras personalidades.
Mas não o vou fazer!
Porque acho que o filme perde com esse spoiler!
O que é mesmo importante aqui é unir-nos ao filme. E quando falo em unir é esquecermos que o estamos a ver numa tela ou num ecrã.
Temos que o experienciar  por dentro da história. Dessa forma podemos ter uma opinião mais concreta sobre o que estamos a ver.
Se estamos de acordo? Se na verdade a narrativa é ambígua e demasiado clara, mas o climax é imperativamente incerto (ou certo)? Que no fundo até já passamos pelo triângulo amoroso? Que discurso vamos ter sobre ele?
A mensagem é que é importante!
Ela emociona-nos e toca bem no fundo do nosso sub-consciente.
E nós estando imersos naquele estado, sabendo já  a verdade, ponderamos...
Sobres os valores da sociedade! Que o filme até é uma sátira ao instítudo, mas na verdade a épica história é demasiado bela para nos deixar manipular por essa racionalidade institucional.



Como disse não vale a pena caracterizar as personagens! Mas há uma (que diga-se de passagem tem uma interpretação Indiearte fascinante) central em toda a simetria amorosa.
Ela é a lógica, os outros a criatividade.
Mas é dela, a lógica, que nasce e cria-se todo um sentimento carnal e particular.
Em que cada um entra num tipo de jogo em que ela é a rainha, mas na verdade apenas quer libertar as duas outras personagens da gaiola social!
No final do filme temos que guardar segredo sobre o próprio! Como disse é sobre um triângulo amoroso...
Encontro aqui semelhanças com Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen. Mas é mesmo isso que eu adoro neste filme.
A cidade das luzes,  a pintura, a moda.  Paris torna-se lugar de uma história que cinematograficamente está concebida para nos avaliar.
Allen fez o mesmo, mas em Barcelona.
Aqui temos o diluir do tempo do cinema francês. Godard e toda a sua mestria nos planos mais ambiciosos e duradouros.



Pouco mais ou até nada posso dizer!
O que temos aqui é um romantismo moderno! Manifestado por aquilo que alguns desaprovam (desconforto mental)!
Por essa razão, o filme é underground !
Não tendo, se calhar, chegago onde queria! Mas é mesmo assim!
A sua qualidade é, na minha opinião, é indíscutivel!
Porque eu adoro a técnica do cinema, a sua escrita, a forma como as suas partes criam um único objeto que nos fascina.
Mas adoro mais quando esse objeto me emociona.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Steal Like An Artist

Austin Kleoan é para mim uma personagem nova. Mas já se tornou numa influência! 
Os media, mais internacionais já lhe deram crédito. O seu trabalho já passou no canal público norte-americano, PBS. A The Atlantic considerou-o uma das pessoas mais interessantes da internet e a New Yorker referiu que os seus poemas estão a ressuscitar o Jornal quando todos já o imaginavam "morto".
Fala também sobre a criatividade na era digital para organizações como a Pixar, Google, SWSW, TEDx e a Revista The Economist.




Every artist gets asked the question,
“Where do you get your ideas?”
The honest artist answers,
“I steal them.”

É este o mote de partida para o seu livro Steal Like A Artist  (2010). No fundo, todo o livro está contido com conselhos de como podemos ser mais criativos. Aqui o público alvo é mesmo gente criativa. Pessoas que trabalham em indústrias criativas.
Mas o racíocinio do escritor vai mais longe e fala também para aquelas pessoas que podem ter um day to day job, mas que de alguma forma têm hobbies que fazem e que alimentam parte do seu tempo na sua verdadeira paixão.
“The only art I’ll ever study is stuff that I can steal from.”
—David Bowie

Nos dias de hoje, isso pode significar muita coisa! Pois o acesso ao mundo da informação já é mais que global. É nesse discursso, que o escritor procura, quase de forma auto-ajuda, chamar a atenção dessas pessoas: que tenham mais coragem...
Para isso, é necessário ir mais além, trabalhar duro, ganhar rotina e acima de tudo continuar sempre a procurar conhecimento!





Austin Kleon está conetado com o mundo atual e, por isso, nos seus conselhos, tenta através da sua escrita/ilustrativa focar-nos, pôr os nossos pés na terra atual.
Prospeta a sociedade humana no seu presente e junta a isso uma mentalidade liberal de auto ajuda e guião para os inadaptados.
Não têm problema em dizer que no mundo de hoje a criativade vem de todo lado! E se temos acesso a ela porque não podemos roubá-la?
Indo mais fundo na sua reflexão, admite que nada é original:
"What a good artist understands is that nothing comes from nowhere. All creative work builds on what came before. Nothing is completely original.
It’s right there in the Bible: “There is nothing new under the sun.” (Ecclesiastes 1:9)"
E de uma forma a sua abordagem está correta!
Porque o conhecimento é a cimentação de anos de pesquisa e investigação para provar factos da natureza. Mas a arte pode ser percebida?
- Imaginemos aqui uma relação entre ciência e arte. Esta ideologia na arte poderia ser uma evolução laboratorial. Em que teríamos sempre o primogénito da obra de arte, mas gerações futuras a poderiam melhorar!
Esta ideia é utópica e Walter Benjamim fala da aura...
Questão: a obra de arte só é arte porque é única?
Acho que nunca saberemos, pois na sociedade já estão implementadas as pedras basilares do que é arte!


Mas na verdade a sua ideia já começa a tornar-se realidade, pois enquanto temos leis restritas do uso de fotografias de sítios históricos, temos figuras a enriquecer com as fotos de outras pessoas e que já são consideradas como as pessoas mais ricas da fotografia.
E o que ele fez?
Pegou no seu Iphone e começou a tirar fotografias no instagram. Num ápice, começou a ganhar milhões! Pode parecer algo extraordinário (o que no facto é), mas chama-se de Apropriação da Arte.
Veja-se o que ele ganhou:



A foto é uma das utilizadas por Richard Prince.  Como podemos ver, apenas foi feito um zoom em alta resolução. Nota-se principalmente por causa do granulado.



Portanto alguma coisa está a mudar! E não vamos esquecer que as coisas hoje em dia mudam muito depressa!
O ponto é: Todo o mundo é um palco. O trabalho criativo é um tipo de teatro. O palco é o teu estúdio, a tua mesa, ou o teu escritório.
A roupa é a tua pintura, o teu fato de negócio, ou  o teu chapéu engraçado ajuda a pensar.
Os adereços são os teus materiais, as tuas ferramentas e os teus meios.
O argumento é tempo velho simplesmente. Só temos que seguir o guião e representar.
Uma hora aqui, exatamente é o tempo medido para que as coisas aconteçam. E para acontecer é preciso roubar, copiar, evoluir.

“Start copying what you love. Copy copy copy copy. At the end of the copy you will find your self.”
—Yohji Yamamoto

Encontrar a nós próprios! A velha questão da antiguidade que ainda não obteve resposta. Por isso, ainda anda, nos dias de hoje, andamos a questionar os cérebros mais, como posso dizer: geeks? 
Acho que é um estrangeirismo que encaixa bem ao que temos neste livro. Um manifesto com regras que podem ajudar a nossa criatividade. 
Não são apenas conselhos basedos no digital. A fisiologia também é importante. 
Considero que o escritor tem uma forma de escrita muito infantil, mas poética conseguindo por isso cativar o seu leitor. Esclarece o mundo que vivemos e não o esconde.
Pelo contrário, fiquei mais claro depois de o lêr. 


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O fotógrafo que não vê

Amar uma arte e por adversidades fisiológicas não a poder praticar, deve ser uma das principais razões porque muitos artistas encontram a depressão.
Porém, se a paixão e o empenho ganharem aos sentimentos negativos, podemos por vezes alcançar resultados improváveis e ao mesmo tempo circundá-la com uma aura que faz a nossa arte mais especial.



Em 1979,  ao fotógrafo Steven Erra foi dada a notícia, pelo seu optometrista, devastadora que ele seria cego dentro de 20 anos. 
Ao invés de simplesmente desistir, Erra decidiu dedicar a maior parte de seu tempo e a sua diminuição de visão como razão para continuar a evoluir e criar belas imagens usando a técnica de longa exposição conhecido como light painting. 




Neste ponto, a condição de Erra apenas o deixou com a capacidade de detectar luzes muito brilhantes e  o seu campo de visão foi comprimido até uma área muito pequena, mas que não o impediu de concretizar fotografias que parecem quadros dadaístas fundidas com a corrente expressionista/renascentista.  
O vídeo abaixo de Great Big Story revela que Erra agora faz parte do The Seeing With Photography Collective, um grupo inovador.
Sediado em Nova Iorque foi criado para artistas deficientes visuais que utilizam técnicas de pintura de luz para criar arte. 
Durante uma exposição longa, Erra "pinta" o objeto apenas com a luz de uma lanterna, manchando a pessoa estática com a luz em diferentes direções sobre o seu corpo.
Os resultados que ele capta são simplesmente deslumbrantes com uma qualidade de sonho. Vejam o vídeo:



É um exemplo que deve motivar as pessoas para a resolução de problemas, porque  com força de vontade tudo se consegue e não se deve desistir nunca.
Neste caso concreto é alguém apaixonado por fotografia, mas podia ser qualquer um de nós. Por muito modificados que possamos sentir por certas ocorrências da vida! Acabamos por encontrar o nosso lugar, um novo lugar...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Terrence Malick, o realizador filósofo.

Terrence Malick é um dos realizadores do cinema contêmporáneo mais controverso. A sua cinematografia resume-se a duas mãos de filmes, em que escolho Tree of Life (2011) como o seu melhor filme. Embora não tenha assistido a todos.
Mas um dos aspetos mais evidentes nas suas marcas de autor é a enfase que coloca no silêncio do filme, isto é sem diálogos, e deixa que a soundtrack e o visual embebedem o espetador numa viagem filosófica.
Talvez a mais clara (ou simplista) maneira de explicar é que existem dois tipos de realizadores: aqueles que acreditam nas qualidades exegéticas do cinema, na sua unidade narrativa e movimento através de convenções do enredo e a forma de contar histórias.
E aqueles que tendem a evitar as noções mais aristotélicas de "drama" em favor do mais onírico (que se assemelha ao sonho); elementos do filme e as maneiras pelas quais ele pode sobrecarregar com um senso o nosso lugar no universo. 
Nenhuma abordagem é melhor; ambas são necessárias e os filmes de Malick não evitam o enredo ou o diálogo.



Os filmes de Malick sempre foram bonitos. Em conjunto com os colaboradores cinematográficas, como John Toll e Tak Fujimoto, ele transforma o quotidiano em uma experiência quase sobrenatural do mundo que é ao mesmo tempo familiar e tão muito mais linda e estranha do que o que vemos no nosso dia-a-dia.
Ele não mostra o mundo como nós o experimentamos no tempo, mas o mundo como ele olha para a eternidade, e o pathos na sua obra nasce a partir do facto de que eles são habitados por seres humanos também apanhados nas suas vidas. Como Martin Sheen em Badlands (1973), a sua primeira longa metragem. 


Um tema comum, porém, em todos os filmes de Malick é que ele expressa de uma forma puramente visual, sendo a maneira como ele nos mostra a forma humana na natureza,  a sua insignificância finita contrastada contra o mistério avassalador do mundo.
Malick é um cineasta profundamente filosófico, mas suas opiniões são expressas em imagens. O filósofo Soren Kierkegaard observou certa vez:
So it happens at time that a person believes that he has a world-view, but that there is yet one particular phenomenon that is of such a nature that it baffles the understanding, and that he explains differently and attempts to ignore in order not to harbor the thought that this phenomenon might overthrow the whole view, or that his reflection does not possess enough courage and resolution to penetrate the phenomenon with his world-view.
Parece haver algo de este sentimento no trabalho de Malick, mas ele recusa-se a explicar-se como realizador. 
O mistério nos seus filmes nunca é resolvido, e isso não é importante.  Os seus filmes são um tipo de cinema mudo, embora seja um silêncio, de reverência à natureza e à tragédia das preocupações humanas que cegam os seus personagens para a imanência que os rodeia, e só está à espera de alguém para olhar.
E olhar este ensaio de Rachel Glassman é ver as marcas do realizador filósofo que procura no cinema mostrar ao espetador, de forma visual, aquilo que muitas vezes é ignorado. 
Os filmes de Malick não são para ser entendidos, são sim artefactos audiovisuais que querem que pensemos que não somos o centro do universo. Pelo contrário, somos apenas um grão na sua vasta amplitude. 




Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...