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domingo, 1 de julho de 2018

O AI é capaz de produzir arte?

Enquanto certas séries me fazem pensar sobre o futuro da IA como um mal quase apocalíptico. Já que na forma que é abordada é nos mostrado através da arte da televisão, do cinema simulações sobre possíveis futuros em que a máquina domina o seu criador. Há um outro lado da IA que me tem chamado a atenção e é a sua capacidade de criar arte. Ou algo que possa ser considerado arte.

Num artigo da Scientific American essa pergunta também é colocada e analisada de forma a tentar responder. A certa altura do artigo diz o seguinte: 

A mass-produced print of the Mona Lisa is worth less than the actual Leonardo painting. Why? Scarcity—there's only one of the original. But Amper churns out another professional-quality original piece of music every time you click “Render.” Elgammal's AI painter can spew out another 1,000 original works of art with every tap of the enter key. It puts us in a weird hybrid world where works of art are unique—every painting is different—but require almost zero human effort to produce. Should anyone pay for these things? And if an artist puts AI masterpieces up for sale, what should the price be?

Imagem gerada no Deep Dream


A importância do excerto vai no sentido de qual pode ser o valor deste tipo de arte? Mas em primeiro lugar é considerado arte?
A resposta tentei procurar num livro que fala que a arte é um feliz acidenteThe Aesthetic Brain: How We Evolved to Desire Beauty and Enjoy Art (2013) de Anjan Chatterjee.
A teoria apresentada pode ser refutada ou até apoiada por outros autores, mas a verdade é que este é do poucos livros que li sobre o assunto de forma mais científica e profunda.

No livro o autor assume uma teorização científica. Porque normalmente, a objectividade assume uma forma quantitativa. E traduzir experiências estéticas, aparentemente transcendentes, em números é crítico para uma abordagem experimental à estética. Ou seja, informações precisam de ser quantificadas, hipóteses precisam de ser testadas e reivindicações precisam de ser replicadas ou falsificadas.

Aqueles são os fundamentos básicos sobre o qual o progresso em ciência é construído.
No entanto, é esta abordagem que é necessária para haver uma ciência da estética. Talvez porque a experiência estética e uma propriedade emergente de componentes diferentes, que não podem ser derivados a estudar as suas partes.


A mesma imagem gerada do Deep Dream mas com resultado diferente.


Ou seja, a arte criada pela AI tem que se  submeter a algum tipo de estudo científico. Como todas as correntes anteriores, conseguir a definição de arte passa por uma discussão sobre o impacto que este tipo de arte tem.

Mas no entanto indo ao âmago do livro o poder da arte é a sua capacidade de mover-nos e fazer-nos experimentar temas antigos com novos olhos e transmitido através da sua expressão local. 

O conteúdo da arte é moldado por condições locais: a cultura em que nasce, os seus antecedentes históricos, as condições económicas da sua produção e recepção e referências relevante para o seu tempo e lugar. 

A arte é uma coleção bagunçada de adaptações e é repleta de modificações e plug-ins formado por episódios históricos e nichos culturais. 
Quando as pressões culturais selecionam tipos específicos de arte, a arte produzida cai dentro de limites estilizados estreitos. Quando as pressões seletivas culturais são relaxadas, a arte floresce. Não temos um único instinto artístico. Temos instintos que desencadeiam um comportamento artístico. Em vez de ser dominado pelos instintos, é o relaxamento do controle instintivo que permite à arte expressar-se plenamente.

Pegar nesta ideia e passar para a arte criada pela IA é a resposta há pergunta feita anteriormente. Não é o facto de ser arte feita por máquinas. Que não tem qualquer esforço pelo ser humano, mas não deixa de ser uma experiência estética.  Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita.

Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte.

A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência.

Assim, talvez a resposta sobre se a arte criada pela IA é realmente arte esteja na evolução da biologia para potencializar a sobrevivência.

Tolstoy no seu livro toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita e pela sua obra. Enquanto nas sociedade das épocas de correntes artísticas era típico haver artistas que recebiam.
A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível].

A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - porque parece que é possível ensinar a arte a uma máquina.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O Infeliz Acidente da Arte

Neste livro, intitulado The Aesthetic Brain: How We Evolved to Desire Beauty and Enjoy Art (2013) de Anjan Chatterjee, temos uma visão sobre a arte e como ela funciona num todo orgânico no nosso cérebro.
A leitura foi feita de uma forma lenta, porque o tema também é um sobre o qual gosto de refletir. A reflexão obrigou a que tivesse que fazer outro tipo de abordagem. Por isso tentei colocar-me na primeira pessoa na análise ao mesmo. Para que as ideias ficassem incutidas de uma forma mais profunda, esta resenha é baseada em excertos do livro que considero importantes reter.

No livro o autor assume uma teorização científica. Porque normalmente, a objectividade assume uma forma quantitativa.  E traduzir experiências estéticas, aparentemente transcendentes, em números é crítico para uma abordagem experimental à estética. Ou seja, informações precisam de ser quantificadas, hipóteses precisam de ser testadas e reivindicações precisam de ser replicadas ou falsificadas. 
Aqueles são os fundamentos básicos sobre o qual o progresso em ciência é construído.
No entanto, é esta abordagem que é necessária para haver uma ciência da estética. Talvez porque a experiência estética e uma propriedade emergente de componentes diferentes, que não podem ser derivados a estudar as suas partes.




Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita. 
Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte. 


A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência. Partindo deste paradigma, o autor fala de como as experiências agradáveis levantam a questão do que significa ter uma experiência estética?

Nesse sentido responde que no cérebro, os nossos sistemas emocionais de prazer estão alojados em estruturas profundas, distantes da superfície. Juntamente com outras estruturas mentais de sobrevivência. Por essa razão existe um paradoxo: nós evoluímos as nossas respostas à beleza porque elas foram úteis para a nossa sobrevivência, no entanto essas respostas estéticas supostamente não devem ser úteis à nossa sobrevivência! Gostamos do que nós queremos e queremos o que quisermos. Uma linguagem inata no nosso sistema evolutivo. 

O que podemos querer sem gosto? Chatterjee dá o exemplo da droga, ou como os drogados se tornam dependentes da droga, ao ponto de  não "sobreviverem" sem elas. O vício é o protótipo do estado antiestético. 

A experiência estética, segundo o autor deve-se a uma tríade das nossas faculdades: sensações, emoções e entendimento. Este último assume maior importância, porque leva-nos a perceber como a arte pode ser evolutiva. Por exemplo, as pinturas impressionistas hoje em dia adoradas pelo público em geral, inicialmente foram vistas com renitência. A mudança aconteceu na ligação entre os sistemas de recompensa com base no nosso conhecimento e experiência e percepções específicas. 

Essa flexibilidade pelos quais os componentes se combinam em conjuntos estéticos é parte do que faz arte e estética experiências ricas e mesmo imprevisíveis. Assim, os estudiosos falam da evolução da arte em duas diferentes perspectivas: ou tomam a arte como instinto ou como um subproduto evolucionista. 

Partindo destes dois paradigmas, Chatterjee procura no livro dar uma terceira perspetiva sobre a experiência estética e arte. Nesse sentido, fala-nos da serendipidade (feliz acidente) da arte, isto é, os objetos de arte despertam reações que podem nos dar prazer, mas não têm obrigação de o dar. Mesmo que a maioria das pessoas associem beleza com arte, muitas das vezes, a arte não tem que ser bela para dar prazer, pode mesmo ser feia. 

Por outras palavras, o neurocientista explica que a arte contemporânea pode evocar combinações complexas de emoções. Por exemplo, a arte revolucionária, tudo que possa ser criado pelo entendimento da fé, na meditação sobre comportamentos obsessivos, incita-nos a lutar contra sistemas opressivos. Veja-se o exemplo de  Ai Weiwei, considerado pela Art Review como um dos artistas mais influentes da atualidade. Como apontam os teóricos expressionistas da arte: a arte pode comunicar emoções, nuances que são difíceis de transmitir em palavras e se transformam na raça do coração. 


Snapshot do site de Ai Weiwei


A neuroestética, àrea em que autor leciona,  mostra que o cérebro não tem um módulo dedicado há estética ou arte no cérebro. Nós não temos nenhum receptor estético específico e análogo aos nossos receptores de visão, tacto ou olfacto. Como também não temos também nenhuma emoção estética ao medo, ansiedade ou felicidade,  como também à memória, linguagem ou acção. 

Em vez disso, aponta que as experiências estéticas envolvem flexíveis conjuntos neurais dos sistemas sensoriais, emocionais e cognitivos. Essa flexibilidade incorpora os conjuntos do que faz a arte e a estética imprevisíveis.  
A arte está em toda a parte e existe de uma forma profunda  há milhares de anos. A universalidade da arte torna improvável que seja um subproduto de outras capacidades cognitivas evoluídas. 

E é nesta parte que a reflexão atingiu o seu êxtase. Pois a leitura deu-me uma nova perspetiva para pensar sobre a arte. O poder da arte é a sua capacidade de mover-nos e fazer-nos experimentar temas antigos com novos olhos, é transmitido através da sua expressão local. 
O conteúdo da arte é moldado por condições locais: a cultura em que nasce, os seus antecedentes históricos, as condições económicas da sua produção e recepção e referências relevante para o seu tempo e lugar. 
A arte é uma coleção bagunçada de adaptações e é repleta de modificações e plug-ins formado por episódios históricos e nichos culturais. 
Quando as pressões culturais selecionam tipos específicos de arte, a arte produzida cai dentro de limites estilizados estreitos. Quando as pressões seletivas culturais são relaxadas, a arte floresce. Não temos um único instinto artístico. Temos instintos que desencadeiam um comportamento artístico. Em vez de ser dominado pelos instintos, é o relaxamento do controle instintivo que permite à arte expressar-se plenamente. 

A arte germina instintivamente e amadurece. O seu conteúdo é uma mistura  nascida de tempo e lugar e cultura e personalidade. 
Poderia ser de outra maneira? Ser privado de uma grande teoria instintiva de arte unificadora não é motivo de preocupação. Em vez disso, a natureza diversa, local e serendipidade da arte é o que nos pode  surpreender, iluminar, forçar-nos a ver o mundo de forma diferente, . Quando estamos livres, relaxamos na arte. É um feliz acidente natural e inato. 
   

domingo, 3 de abril de 2016

O que é a Arte? Não sei...

Acabei de ler agora mesmo o meu primeiro Livro de Leon (Liev. Leão) Tolstói. Numa primeira reação, respeito imenso as ideias que estão contidas no livro. Mas creio que esta maneira de escrever, esteja muito longe dos seus Romances que o tornaram famoso.
Livros a ler! 
Mas neste não existe Romance!
What is Art? - primeiro publicado em 1897 - é um pensamento filosófico puro sobre o que é a Arte por Tolstói, em que a busca na definição de beleza e o sentimento que ela deve provocar é o que necessário para ser arte. 
Também discute a arte como mecanismo de prosperidade, de evolução humana, pensamento baseado no Marxismo.
Até ao sentimento mais mínimo - vamos pensar no átomo - que a arte faz sentir. Tolstói foi um génio não só da escrita, mas também na forma de escrever o pensamento em palavras. 



Talvez entender a sua vida seja uma forma de entender o homem que foi amado de tal forma, que podia escrever, num tempo de escalada do fascismo, o que pensava. 
Por isso fala logo que nesta edição que não temia a  censura:
"So the matter has remained. A book has appeared under my name containing thoughts attributed to me which are not mine."
Ao ver a sua biografia e os seus ideais, compreendo ainda melhor o livro que acabei de ler. Não quero entrar na parte de educação ou a formação ao longo da sua vida.
É importante para entender este livro saber apenas umas coisas do autor.  Em primeiro lugar:


Para Tolstoi, os Estados, as igrejas, os tribunais e os dogmas eram apenas ferramentas de dominação de uns poucos homens sobre outros, porém repudiava a classificação dos seus ideais como sendo anarquistas. Foi citado pelo escritor anarquista russo Piotr Kropotkin no artigo Anarquismo da Enciclopédia Britânica de 1911 e alguns pensadores o consideram como um dos nomes do Anarquismo cristão. Outra aproximação com o anarquismo se deu em 1862, quando Tolstoi, em viagem pela Europa, visitou o autor anarquista Proudhon. Este estava a escrever um texto chamado "La guerre et la paix", cujo título Tolstoi propositadamente utilizou no seu maior romance.
Porque no pensamento sobre a arte Tosltói aprofunda o pensamento, o seu foco de quinze anos, nesse mesclar da filosofia pura com a arte religiosa. Criada pela adoração ao deuses desde o início dos tempos. Os Gregos já adoravam deuses e artefactos.



Em segundo lugar, na verdade Tolstói no livro fala muito sobre a escola alemã de estudo da estética. Remete também para os escritores franceses, que no seu entender eram imitados. Tem um pensamento socialista e por isso deduzo que o ensaio tenha sido feita durante a sua Conversão.
Pois fala muito mal da corrente renascentista, das classes mais altas da Europa que definiram arte num espectro de elitismo.
Mas também fala da definição do belo e do sentimento de prazer. Procura tanto isso que estuda entender porque as pessoas admiram a arte religiosa. Mas a verdadeira impressão era a forma de como pensava que arte não podia ser apenas de um espectro. As massas teriam direito à arte, a contemplá-la:
It is said that it is all done for the sake of art, and that art is a very important thing. But is it true that art is so important that such sacrifices should be made for its sake? This question is especially urgent, because art, for the sake of which the labor of millions, the lives of men, and, above all, love between man and man, are being sacrificed,—this very art is becoming something more and more vague and uncertain to human perception.

Acaba por chegar a um ponto em que fala do futuro da arte como aproximação ao progresso humano, mas na época em que vivia, não saberia o futuro... Por isso o seu pensamento não pode ser atual.
Fala numa metáfora sobre as artes e a comida e como elas se relacionam. Porque ambas são uma necessidade humana.É uma explicação de arte muito distinta. Em que se distingue as elites de uma forma a que as pessoas se habituam.
The theaching of the schools stops there where the wee bit begins-consequently where art begins.
Por que ele toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita  e pela sua obra. Enquanto na sociedade da época era típico haver artistas que recebiam. Mais uma questão filosófica de Tolstói.
A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível].
A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - e é - Mas faz sentido na ideia do autor e em tudo que ele expõe.
Mas sempre num tom muito crítico em que crítica o próprio Wagner e a sua estrutura de compor  que estabeleceu uma música impossível. Porque entre música e poesia apenas uma das formas de arte é que produz o efeito de prazer. Naquele tempo ele considerava que as classes mais altas consideravam certa arte como boa, mas na verdade não era. Para isso fala em três condições para a arte ser pura:

  1. On the greater or lesser individuality of the feeling transmitted
  2. on the greater or lesser clearness with which feelings is transmitted 
  3. on the sincerity of the artist. 
Em conclusão, não é que não tenha percebido Tolstói neste primeiro livro que li: Talvez a escolha é que não seja a mais adequada para conhecer um autor tão conhecido. Durante a Conversão. Tolstói passou de um escritor frequentador das maiores classes Europeias, para uma Quinta no campo a criar galinhas e coelhos. Quinze anos a escrever sobre um assunto ao qual não encontrou resposta pois procurava as perguntas em temas frágeis como o anarquismo e o cristianismo.
Talvez isto sejam apenas pensamentos de um homem idoso e cansado da cabeça que não parava de questionar os assuntos fundamentais e que pode levar à loucura. Mas numa coisa Tosltói acertou no livro a Arte aproximou-se mais da Ciência. Recomendo Vivamente a leitura.   

sábado, 7 de novembro de 2009

A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica


Walter Benedix Schönflies Benjamin nasceu no seio de uma família judaica em Berlim em Junho de 1892 e morreu em Portbou a 27 de Setembro de 1940. Em 1915, conhece Gerschom Gerhard Scholem de quem se torna muito próximo e com quem toma o gosto pela arte e pela religião judaica que estudavam. Em 1919 defende a tese de doutoramento, A Critica de Arte no Romantismo Alemão. Em 1925 constatou que a vida académica estava fechada para si, porque a sua tese de livre - docência A Origem do Drama Barroco Alemão não foi aprovada para publicação pelo Departamento de Estética da Universidade de Frankfurt. Na década de 1920 interessa-se pelo marxismo e com o companheiro Theodor Adorno aproxima-se da filosofia de Georg Lukács. O reconhecimento como crítico literário surgiu quando publica resenhas e traduções, nomeadamente as de Charles Baudelaire. Em 1934 – 1935 refugiou-se na Itália, anos em que as tensões entre o autor e o Instituto de Pesquisas Sociais, que ficou conhecido como Escola de Frankfurt, aumentaram. No ano da sua morte, 1940, escreveu a sua última obra Teses Sobre o Conceito de História. 
O ensaio foi originalmente publicado em francês na revista do Instituto de Investigação Social Zeitschrift für Sozialforschung em 1936. O autor analisa as novas potencialidades artísticas numa medida política, decorrentes da reprodutibilidade técnica. No passado a prática da obra de arte era regulada pela sua aura, ou seja, pela separação e veneração que cada obra de arte única impinge ao espectador. Em primeiro lugar nas sociedades tradicionais em que a obra de arte era observada como um ritual e uma experiência religiosa: “o culto foi a expressão original da integração da obra de arte no seu contexto tradicional. Como sabemos, as obras de arte mais antigas surgiram ao serviço de um ritual primeiro mágico e depois religioso” (pp.82) Em segundo lugar, e com o aparecimento da sociedade moderna, pela sua importância de distinção social como forma de colocar numa outra esfera aqueles que podem aceder à obra “autêntica”: “Considerado de tal ponto de vista, o Cinema representaria um meio de expressão absolutamente incomparável e, na sua atmosfera, só poderiam mover-se pessoas de pensamento muito nobre, em momentos de total perfeição e mistério do trajecto da sua vida” (pp.89). Com a Revolução Industrial e a possibilidade de reprodutibilidade da arte, esta perde a sua “aura” em que deixa de fazer sentido separar entre a obra de arte original e a sua cópia: “assim, a diferença entre autor e público está prestes a perder o carácter funcional, podendo variar de caso para caso. O leitor está prestes a tornar-se um escritor” (pp.97). Este facto liberta a arte para novas oportunidades, transformando a sua aproximação com os observadores mais democrática, fazendo com que a arte contribua para uma “politização da estética” que vá contra a “estetização da política” que caracterizava os movimentos fascista e totalitários da época em que o texto foi escrito: “é isto que se passa com a estética da política, praticada pelo fascismo. O comunismo responde-lhe com a politização da arte”. (pp.113). 






Reflexão Crítica:

Benjamin detém neste seu estudo uma linha de pensamento da primordial conjectura materialista da arte. O assunto principal deste estudo descobre-se na observação das razões e efeitos da aniquilação da “aura” que circunda os produtos artísticos enquanto matéria particularizada e ímpar. Com a evolução do tecnicismo de multiplicação, nomeadamente no cinema e na fotografia, a aura, diluída nas várias cópias do protótipo, exoneraria a obra de arte do seu estado de raridade. Para Benjamin, a partir da ocasião em que a obra fica afastada do ambiente palaciano e religioso, que fazem dela uma coisa para elites e um corpo de veneração, a desagregação da aura abrange grandezas sociais. Essas grandezas seriam consequentes da estreita afinidade existente entre as metamorfoses técnicas da sociedade e as transformações da apreensão estética. A privação da aura e os efeitos civis provenientes desse facto são peculiarmente susceptíveis no cinema, no qual a representação de uma obra de arte carrega consigo a faculdade de uma fundamental mudança qualificativa na conformidade das massas com a arte. Ainda que o cinema, diz Walter Benjamin, ordene o hábito de toda a individualidade viva do sujeito, este abstém-se da sua aura. Se, no teatro, a aura de um Macbeth, por exemplo, coligasse indivisivelmente à aura do artista que o interpreta, tal como essa aura é vivida pelo público, o idêntico não ocorre no cinema, no qual a aura dos actores ausenta-se com a permuta do público pela máquina. No grau em que o actor se torna extrínseco à cena, não é invulgar que os adequados acessórios representem o papel de actores. Benjamin examina ainda que a realidade observada pelos olhos diferencia-se da realidade observada pela câmara, e esta, ao revezar o campo onde o humano age conscientemente por outro onde a sua actividade é mecânica, permite a prática do automático visual, da mesma maneira que a ciência psicanalítica faculta o saber do inconsciente natural. Ostentando, assim, a mutualidade de exercício entre a matéria e o homem, o cinema seria de imenso peso para uma reflexão materialista. Moldado adequadamente ao operariado que se aprontaria para capturar a autoridade, o cinema tornar-se-ia, em consequência, portador de uma excepcional expectativa histórica. Em suma, a decomposição conceptual de Walter Benjamin aponta que as artes de reprodução das obras de arte, fomentam o trambolhão da aura, fomentam a liquidação do componente tradicional da herança cultural, mas, por outro lado, esse método compreende uma causa positiva, na medida em que permite outro relacionamento das massas com a arte, dotando-as de uma ferramenta eficaz de renovação das estruturas sociais. 
O trabalho de Walter Benjamim, que contribuiu para a teoria da estética, combina ideias antagónicas do idealismo alemão, do materialismo dialéctico e do misticismo judaico de Gershom Scholem. Está associado à Escola de Frankfurt de Theodore Adorno e Max Horkheimer e à Teoria Crítica. Foi fortemente inspirado por autores marxistas como Georg Lukács e Bertolt Brecht.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A morte da pós-modernidade

O criador do nome contestou, dizendo que não tinha sido ele a escolher o nome bebé. Pelo menos não da forma como se tornou conhecido por todo mundo : Pop Art. Pura modéstia. Eufemismo Britânico?




De alguma forma esta foi a corrente que de longe mais me marcou mas também uma das correntes mais carismáticas desta expressão do ser humano, enquanto criador de beleza artística. Aquela ideia de beleza de Kant e Humberto Eco.
Por outras palavras, a filosofia pura da criação e fruição da arte, não ganha sentido enquanto definição de arte. A arte é uma coisa popular e deixa de ser algo elitista e ritual, para passar a ser das massas.
Massas de pessoas que podem usufruir da arte como uma coisa dita normal. Apenas falamos do mais particular do homem, que busca na arte algo de abstrato na simples existência.
Mas o problema é que a arte passou de um estado muito existencialista, para uma estrutura fundamental da existência do seu criador: o ser humano. Logo por isso, massificou-se e tornou-se porpular: Pop Art de Andy. O mais conhecido pintor da corrente...


Mas no entanto apenas serviu de introdução a mais uma vez um motivo de querer escrever. Um artigo que simplesmente tem este nome: Postmodernism is dead da revista Prospectmagazine. Um artigo que nos fala numa ideia  muito simples, mas ao mesmo tempo inquietante para aqueles que entendem a arte pela arte. Não deixa de fazer muito sentido sabendo que ao longo da história principalmente depois do Ilumismo, o Homem já teve muitas correntes de arte. Saber que de alguma forma a que mais me marcou pode apenas ganhar um novo sentido e sofrer uma metamorfose, deixa-me contente. 
A transformação do colar, a repetição, a anarquia e o acaso. Uma pura desconstrução de séculos de modelos impostos e construídos sobre regras que simplesmente se tornaram obsoletas. A humanidade acordou para o iluminismo da arte e com isso ficou a conhecer-se um pouco melhor. Mas aqui lembro-me do livro de José Ortega Gasset a Desumanização da Arte que levanta tantas questões sobre a arte enquanto arte e como é possível a sua transformação não por ela própria, mas pela mão do seu criador e admirador: o Homem. 
Mas atenção, a corrente não é visível apenas na arte da pintura, outras formas de arte são influenciadas por esta nova forma de revolta entre o ser pensante e a realidade que o rodeia: arquitetura, literatura, música, dança, cinema, etc. 


O edifico AT&T em Nova Iorque (no meio), completado em 1984

You could say that the AT&T legitimised postmodernism to the whole world. The building became a lightning rod for what was happening, socially maybe, as well as architecturally.” This was a building that challenged the modernist premise of functional power by referencing other older, European styles, a building that collated and collapsed previous strictures, but was also something entirely new and radical and, in this, subversive. It was a provocation.


Não terá sido o pós-modernismo, já que apareceu depois do modernismo, apenas mais uma evolução da condição humana? Olhemos às transformações sociais, políticas e financeiras que aconteceram no aparecimento da corrente, mesmo durante a sua época de ouro, pois todas as formas de arte têm a sua época de ouro e até ao presente onde as suas caraterísticas são encontradas em artistas como Madonna. A mulher eternamente comportamental como uma virgem e que deixou o seu legado a Lady Gaga e outras semelhantes. Não será esta forma de arte apenas um sintoma da evolução humana?
Será que podemos, apenas nós leigos e incultos argumentar sobre o que é arte e entendê-la como um reflexo da necessidade humana de se auto-compreender? Será apenas um espelho da meta-narrativa que a narrativa terrestre nos obriga a criar! Complexo pensamento se formos ateus como Richard Dawkins e para nós deus é uma desilusão. Ou então somos dogmáticos na fé religiosa, mas também artística e não queremos compreender mas apenas deslumbrar.  
There are two important points. First, that postmodernism is really an attack not just on the dominant narrative or art forms but rather an attack on the dominant social discourse. All art is philosophy and all philosophy is political. And the epistemic confrontation of postmodernism, this idea of de-privileging any one meaning, this idea that all discourses are equally valid, has therefore lead to some real-world gains for humankind. Because once you are in the business of challenging the dominant discourse, you are also in the business of giving hitherto marginalised and subordinate groups their voice. And from here it is possible to see how postmodernism has helped western society understand the politics of difference and so redress the miserable injustices which we have hitherto either ignored or taken for granted as in some way acceptable. You would have to be from the depressingly religious right or an otherwise peculiarly recondite and inhuman school of thought not to believe, for example, that the politics of gender, race and sexuality have been immeasurably affected for the better by the assertion of their separate discourses. The transformation from an endemically and casually sexist, racist and homophobic society to one that legislates for and promotes equality is a resonantly good thing. No question.The second point is deeper still. Postmodernism aimed further than merely calling for a re-evaluation of power structures: it said that we are all in our very selves nothing more than the breathing aggregate of those structures. It contends that we cannot stand apart from the demands and identities that these structures and discourses confer upon us.Adios the Enlightenment. See you later Romanticism. Instead, it holds that we move through a series of co-ordinates on various maps—class, gender, religious, sexual, ethnic, situational—and that those co-ordinates are actually our only identity. We are entirely constructed. There is nothing else. And this, in an over-simplified nutshell, is the main challenge that postmodernism brought to the great banquet of human ideas because it changed the game from one of self-determination (Kant et al) to other-determination. I am constructed, therefore I am. But here we come at last to the trickiest question of all: how do we know postmodernism is over and why?
E no final podemos ficar com esta simples ideia. Enquanto os pós-modernistas reclamavam que os modernistas lhes diziam de como haviam de fazer, a geração seguinte responde que agora ninguém lhes diz o que eles devem fazer.  Porque nós somos a geração do digital e também da maior diversidade cultural que Homem já conheceu. Estamos a viver uma época de grandes transformações onde as matérias de criação ganham novas caraterísticas e os palcos onde as mesmas se desenvolvem são apenas nichos. O de um para muitos faz todo o sentido e agora vivemos a Idade da Autenticidade. Onde cada um define o que é arte e esta já não é apenas pela arte, mas sim pelo social.   

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A revolução da mulher na arte



Podemos falar de uma revolução da mulher enquanto arte? Parece ser esta a pergunta que Lynn Hershman Leeson, um homem que já trabalhou com fotografia, cinema, design de interacção e media arte baseada na internet, se auto-perguntou quando decidiu realizar o Womem Art Revolution. O WAR é um projecto que anota a evolução do movimento da arte feminina nos Estados Unidos da América através do ponto de vista pessoal de Leeson. Através de entrevistas, arte, filmes e imagens de arquivo, o projecto combina um documentário e livro de memórias audaciosas para ilustrar como este movimento, impulsionado por imperativos pessoais e políticas de justiça social e dos direitos civis, transformou radicalmente a arte e a cultura dos nossos tempos. O excerto que se segue é um bom exemplo do WAR, pois introduz  o grupo Guerrilla Girls  formado em 1985 em Nova Iorquea proclamada "consciência do mundo da arte" que chama a atenção para a injustiça e sub-representações em várias plataformas e instituições. Vários membros discutem a sua história de origem e o modus operandis, incluindo o "penis countdown".










Duarnte mais de quarenta anos,  o director Lynn Hershman Leeson reuniu centenas de horas de entrevistas com artistas visionários, historiadores, curadores e críticos que moldaram as crenças e os valores da arte feminista e estratégias usadas para politizar os artistas do sexo feminino e integrar as mulheres nas estruturas da arte. 
O WAR elabora a relação da arte feminista, um  movimento de 1960, contra a guerra e os movimentos de direitos civis e explica como os eventos históricos, como a exposição de protesto de todos os homens  contra a invasão do Camboja, acendeu a primeira de muitas acções feministas contra  as principais instituições culturais. O filme detalha os principais desenvolvimentos na arte das mulheres da década de 1970, incluindo os primeiros programas de arte feminista, organizações políticas e protestos, espaços de arte alternativos, tais como galeria Franklin Furnace em Nova Iorque e Los Angeles.


Isto foram novas maneiras de pensar sobre as complexidades do sexo, raça, classe e sexualidade. As Guerrilla Girls surgiram como a consciência do mundo e galerias de arte, instituições acadêmicas, museus e responsáveis por práticas de discriminação. Com o tempo, a tenacidade e a coragem destas artistas pioneiras  resultaram em que muitos historiadores sentem agora que é o movimento de arte mais significativo do final do século XX. 
Carrie Brownstein compôs uma banda original para acompanhar o filme. Laurie Anderson, Janis Joplin, Sleater-Kinney, The Gossip, Erase Errata e Tribe 8 são alguns dos músicos talentosos que contribuíram para a  banda sonora.

sábado, 26 de janeiro de 2019

O Impacto da AI na Sociedade.

Tenho lido bastante sobre este assunto e a verdade é que foram tantas as fontes que li, que considero que já é em exagero o que sei sobre o assunto. Sendo, que aquele facto me fez distanciar um bocado da escrita e da análise sobre o assunto. Os meus dois últimos artigos em que toquei no assunto focaram-se na forma como uma série pode ser premonição de um futuro que parece ser uma uma visão distótipa que todos ignoram. Dessa forma concluí a minha análise sobre West World da seguinte forma:
Em conclusão, o fim da segunda temporada de West World ainda levantou mais perguntas que respostas. Para o fãs da série, como eu esse acontecimento é uma coisa boa - deixa-nos desejosos por mais-. A série destaca-se das outras do mesmo género porque aposta numa perspectiva sobre a máquina e como esta consegue sucumbir os seus criadores. Todo esse mundo criado e aparentemente distópico faz-me olhar para o mundo que vivemos hoje e pensar que a IA está cada vez mais desenvolvida. E a criação de máquinas com consciência é inevitável porque o ser humano procura cada vez mais o seu conforto. E com isso um mundo mais automatizado e capaz de limitações. Mas existe a possibilidade de que se esse cenário acontecer um dia os hosts se virem contra ele. Num mundo assim, West World acabaria por ser o melhor exemplo actual.
Também analisei se de alguma forma podemos considerar a arte criada pela AI, como arte. Na verdade este talvez seja o assunto mais complicado de explorar, porque a sua análise é complicada e demasiado ambígua. De qualquer das formas tentei explicar que:

Pegar nesta ideia e passar para a arte criada pela IA é a resposta há pergunta feita anteriormente. Não é o facto de ser arte feita por máquinas. Que não tem qualquer esforço pelo ser humano, mas não deixa de ser uma experiência estética. Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita. Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte.

A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência. Assim, talvez a resposta sobre se a arte criada pela IA é realmente arte esteja na evolução da biologia para potencializar a sobrevivência.

Tolstoy no seu livro toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita e pela sua obra. Enquanto nas sociedade das épocas de correntes artísticas era típico haver artistas que recebiam. A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível]. A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - porque parece que é possível ensinar a arte a uma máquina.




Desta forma assumo que é possível que a AI seja capaz de aprender com o tempo. Talvez a sua evolução lhe permita até aprender sozinha. O que já aconteceu! Na forma como nós podemos passar a amar os robots e a forma como eles facilitam a nossa vida. Como demonstra este artigo da New Yorker. 

Pausando um bocado e se pensarmos bem como a AI está infiltrada na nossa vida.  A verdade é que ela está em todo lado e dentro de pouco tempo passará a fazer parte da realidade como mais uma ferramenta de uso na busca infinita do ser humano obter conforto.
Nestes mundos imortalizados pela literatura e pelo cinema como dimensões impossíveis de existir, está bem presente e não podemos fugir dela. Para os mais leigos a aceitação será, como sempre, adaptação e não pensar nas consequências mas sim nas soluções. Mas aqui parece que as consequências podem ser mais perigosas. Pelo menos se nada for feito.


O gráfico acima foi conseguido através de um estudo que afirma que os homens, os mais jovens e as minorias serão os mais afetados pela automação de sistemas de trabalho repetitivo. Os números são altos e reflete bem as diferentes sociedades existentes no mundo.

E é toda esta questão que me aquenta a reflexão. Porque por um lado, parece que ainda não existe uma preocupação imediata sobre o assunto. Uma intervenção ao nível das forças do poder, como políticos ou Governos ou até um bilionário. Que ninguém tome as rédeas sobre esta quarta revolução.  
Por outro, mais assustado fico, quando leio que que há quem já tenha percebido as implicações da AI na sociedade e tenham tido a ideia do Rendimento Mínimo Incondicional, que este tenha sido testado e não tenha funcionado. 
O RMI, no fundo, é uma mesada pelo simples facto de estarmos vivos. Mas na verdade é dar mais liberdade ao livre arbítrio de cada um. Pois num mundo em que as as tarefas rotineiras são feitas por máquinas, as pessoas têm mais tempo para viver a vida que querem. Então esta ideia foi implementada e daí saiu um outro estudo intitulado From Idea To Experiment que decorreu na Finlândia há uns anos atrás e que consistia em testar o RMI junto da população Finlandesa. As conclusões desses estudo podem ser lidas aqui



Por outras palavras, a inteligência artificial como tecnologia está no perfeito auge. Permitiu novas formas de comunicar, novas formas de criar arte, novas formas cinematográficas de podermos imaginar o mundo daqui a umas décadas. Reinventou o trabalho e criou novos desafios à existência humana. 

É este último ponto que me chama mais a atenção, Porque há medida que as coisas vão mudando, as verdadeiras implicações do uso da AI ainda não chegaram a um ponto que sintamos que realmente reinventou algo. Um sentimento parecido aquando o Telemóvel se tornou acessível a todos. Mas agora temos homepods com nomes próprios que respondem às nossas perguntas. Carros que se conduzem sozinhos. Drones que entregam as nossas encomendas em casa. Para não falar nas mais diversas utilidades que a AI tem hoje nos diferentes objetos que utilizamos no trabalho, em casa, no ginásio, no hospital, em tudo.

Se por um lado a AI pode ser reflexo de uma evolução da inteligência humana, por exemplo na construção de artefactos artísticos. Por outro essa mesma arte pode mostrar  para  que mundo nós caminhamos, quando automatizamos séculos de trabalho, fruto de uso do árduo esforço físico e mental do ser humano.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Steal Like An Artist

Austin Kleoan é para mim uma personagem nova. Mas já se tornou numa influência! 
Os media, mais internacionais já lhe deram crédito. O seu trabalho já passou no canal público norte-americano, PBS. A The Atlantic considerou-o uma das pessoas mais interessantes da internet e a New Yorker referiu que os seus poemas estão a ressuscitar o Jornal quando todos já o imaginavam "morto".
Fala também sobre a criatividade na era digital para organizações como a Pixar, Google, SWSW, TEDx e a Revista The Economist.




Every artist gets asked the question,
“Where do you get your ideas?”
The honest artist answers,
“I steal them.”

É este o mote de partida para o seu livro Steal Like A Artist  (2010). No fundo, todo o livro está contido com conselhos de como podemos ser mais criativos. Aqui o público alvo é mesmo gente criativa. Pessoas que trabalham em indústrias criativas.
Mas o racíocinio do escritor vai mais longe e fala também para aquelas pessoas que podem ter um day to day job, mas que de alguma forma têm hobbies que fazem e que alimentam parte do seu tempo na sua verdadeira paixão.
“The only art I’ll ever study is stuff that I can steal from.”
—David Bowie

Nos dias de hoje, isso pode significar muita coisa! Pois o acesso ao mundo da informação já é mais que global. É nesse discursso, que o escritor procura, quase de forma auto-ajuda, chamar a atenção dessas pessoas: que tenham mais coragem...
Para isso, é necessário ir mais além, trabalhar duro, ganhar rotina e acima de tudo continuar sempre a procurar conhecimento!





Austin Kleon está conetado com o mundo atual e, por isso, nos seus conselhos, tenta através da sua escrita/ilustrativa focar-nos, pôr os nossos pés na terra atual.
Prospeta a sociedade humana no seu presente e junta a isso uma mentalidade liberal de auto ajuda e guião para os inadaptados.
Não têm problema em dizer que no mundo de hoje a criativade vem de todo lado! E se temos acesso a ela porque não podemos roubá-la?
Indo mais fundo na sua reflexão, admite que nada é original:
"What a good artist understands is that nothing comes from nowhere. All creative work builds on what came before. Nothing is completely original.
It’s right there in the Bible: “There is nothing new under the sun.” (Ecclesiastes 1:9)"
E de uma forma a sua abordagem está correta!
Porque o conhecimento é a cimentação de anos de pesquisa e investigação para provar factos da natureza. Mas a arte pode ser percebida?
- Imaginemos aqui uma relação entre ciência e arte. Esta ideologia na arte poderia ser uma evolução laboratorial. Em que teríamos sempre o primogénito da obra de arte, mas gerações futuras a poderiam melhorar!
Esta ideia é utópica e Walter Benjamim fala da aura...
Questão: a obra de arte só é arte porque é única?
Acho que nunca saberemos, pois na sociedade já estão implementadas as pedras basilares do que é arte!


Mas na verdade a sua ideia já começa a tornar-se realidade, pois enquanto temos leis restritas do uso de fotografias de sítios históricos, temos figuras a enriquecer com as fotos de outras pessoas e que já são consideradas como as pessoas mais ricas da fotografia.
E o que ele fez?
Pegou no seu Iphone e começou a tirar fotografias no instagram. Num ápice, começou a ganhar milhões! Pode parecer algo extraordinário (o que no facto é), mas chama-se de Apropriação da Arte.
Veja-se o que ele ganhou:



A foto é uma das utilizadas por Richard Prince.  Como podemos ver, apenas foi feito um zoom em alta resolução. Nota-se principalmente por causa do granulado.



Portanto alguma coisa está a mudar! E não vamos esquecer que as coisas hoje em dia mudam muito depressa!
O ponto é: Todo o mundo é um palco. O trabalho criativo é um tipo de teatro. O palco é o teu estúdio, a tua mesa, ou o teu escritório.
A roupa é a tua pintura, o teu fato de negócio, ou  o teu chapéu engraçado ajuda a pensar.
Os adereços são os teus materiais, as tuas ferramentas e os teus meios.
O argumento é tempo velho simplesmente. Só temos que seguir o guião e representar.
Uma hora aqui, exatamente é o tempo medido para que as coisas aconteçam. E para acontecer é preciso roubar, copiar, evoluir.

“Start copying what you love. Copy copy copy copy. At the end of the copy you will find your self.”
—Yohji Yamamoto

Encontrar a nós próprios! A velha questão da antiguidade que ainda não obteve resposta. Por isso, ainda anda, nos dias de hoje, andamos a questionar os cérebros mais, como posso dizer: geeks? 
Acho que é um estrangeirismo que encaixa bem ao que temos neste livro. Um manifesto com regras que podem ajudar a nossa criatividade. 
Não são apenas conselhos basedos no digital. A fisiologia também é importante. 
Considero que o escritor tem uma forma de escrita muito infantil, mas poética conseguindo por isso cativar o seu leitor. Esclarece o mundo que vivemos e não o esconde.
Pelo contrário, fiquei mais claro depois de o lêr. 


sábado, 27 de março de 2010

Arte Digital



Quando comecei a estudar Ciências da Comunicação tinha um conhecimento muito pequeno sobre o que realmente é a comunicação e como ela se transformou com a própria evolução da humanidade. Em poucas palavras comunicar não é apenas mais que uma mensagem que é transmitida por um emissor e ouvida/lida/visualizada por um receptor. Esta é definição mais simples e conhecida da comunicação. Contudo e felizmente, a minha formação em ciências da comunicação tem me dado a perceber que comunicação é muito mais que aquela definição. Comunicação é rádio, cinema, fotografia, imprensa, jornalismo, videojogos, arte digital, etc, etc...
A arte digital é a área que mais tem me entusiasmado. Gosto principalmente pela capacidade de criatividade que permite e pelas questões que aborda. As sua aplicações são da mais variada finalidade e funcionalidade. Assim, decidi começar uma pesquisa sobre o que é Arte Digital e quais são as suas possibilidades. Dito de outro modo, futuramente colocarei neste Blogue informação sobre esta área que quero tanto conhecer. Porque para mim é a isto que podemos chamar a Arte de Exprimir. Para já fica aqui a definição que é mostrada na página oficial do Mestrado de Tecnologia e Arte Digital da Universidade do Minho que estou a pensar ingressar no ano lectivo 2010/2011.
"a arte que usa a tecnologia digital na forma de processo (meio) e/ou produto (resultado)”
"as tecnologias como ferramenta ao serviço do engenho criativo artístico, ou seja, como motor para a criação de novas formas de arte (maior) seja ao nível dos processos ou dos  produtos."

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Algumas ideias para criativos empreendedores

A semana passada  foi muito ocupada com a análise de novas formas de empreendedorismo e novas indústrias criativas que se estão a formar muito devido às novas tecnologias que estão constantemente aparecer. Também foi uma semana que me tenho dedicado a refletir como posso impulsionar e divulgar as minhas ideias. Nessa vertente, quero deixar aqui um registo com as principais ideias.


Em primeiro lugar, torna-se interessante referir o filme documentário PressPausePlay (2011). Realizado por David Dworsky e Victor Köhler é um trabalho magnífico de documentação sobre a obra de arte na era digital. Este trabalho procura esclarecer o que se passa com a arte (música, cinema, entre outras) no século onde as possibilidades da tecnologia atingiu níveis de produção quase globais. Ao longo do mesmo, somos esclarecidos com aspetos positivos e outros negativos, mas uma coisa é certa: esta era é o início de uma nova forma de fazer arte.
Por outras palavras, os realizadores viajam pela Suécia, Noruega, Espanha, Alemanha, Japão, Islândia, Estados Unidos da América, França, Austrália e Grã Bretanha para falarem com artistas de vários quadrantes: desde a música, a literatura, o cinema, o design, o motion graphics, a publicidade, o jornalismo e os tecnólogos. Que conseguiram através da tecnologia, encontrar novos canais de divulgação para a arte que produzem. E, por outro lado, revolucionar as indústrias culturais e reformular toda a sua estrutura base.


Em segundo lugar, para aqueles que já possam ter oportunidade de ter visto o filme de Banksy, Exit Through the Gift Shop (2011); tiveram oportunidade de entender porque muitas vezes o caminho traçado pode ser dispare e encontrar paralelos que nos levam ao nosso destino. A história de Mr. Brain Wash é um exemplo concreto disso. 
Na minha opinião sincera, o filme responde que a arte não é uma estrutura modelada, rígida, alfabetizada, ensinada, ritual ou até que tenha qualquer aura. A arte é algo que se deve sentir como forma de expressão do nosso interior. Como refúgio e abstração à normalidade e dogmatismos. Como instrumento de luta de classes e propícia na procura de entender a realidade que vivemos. Finalmente, e mais importante, que qualquer um de nós pode ser um artista. Para isso basta fazer arte à nossa maneira e nunca desistir.


Os dois filmes foram apenas a introdução para um tema que tenho procurado abordar com leituras de Seth Godin, entre outros, e que podem consultar e entender melhor pela minha análise ao autor aqui e a aqui.
O primeiro filme é uma boa forma de entendermos o que mudou do modelo fabril, para o modelo digital e como nos podemos  integrar. O segundo, é um exemplo (de certeza haverá outros); de como atingir os nossos sonhos e objetivos.
A palavra empreendedorismo é muito importante nas sociedades atuais. Alguém execional, tem uma ideia original, distinguindo-se por isso dos outros e torna-se empreendedor. Esta é uma caraterística comum a todos, no sentido em que todos têm ideias. Contudo, aquilo que distingue e particulariza são aqueles que realmente as conseguem pôr em prática e obter sucesso com elas.
Qualquer ideia, produto ou serviço por muito bons que possam ser, sem um marketing eficiente e resultante de retorno nunca conseguirá viver no mercado. Nesse sentido, Seth Godin parece-me ser uma boa uma escolha.
Noutro sentido, muitas vezes não sabemos bem por onde começar. Muitas vezes isso acontece porque não sabemos as tendências. Nesse sentido, o artigo do GigaOm Why 2012 will be year of the artist-entrepreneur escrito por Michael Wolf é um ponto de partida. 


O artigo começa por nos falar de algumas tendências com sucesso em 2011, tais como e-books, video e rádio/música. E depois explica-nos as tendências subjacentes para 2012 para afirmar o momento dos criativos empreendedores. 
Wolf começa por afirmar que a corrente de distribuição está a colapsar por conteúdos verticais, Isto é, os intermediários entre as empresas de conteúdos e o consumidor final estão a deixar de ser precisos, num momento em que as próprias empresas se tornam distribuidoras diretas e apostam na criação dos seus próprios conteúdos.
Continua dizendo que as ferramentas de produção de conteúdo, distribuição e monetização estão a democratizar-se através da web.  Dando o exemplo de os e-books em que a distribuição e storefronts já se tornaram apenas um. Para realçar o facto deixa um excerto de um artigo de Ryan Lawler também para o GigaOm: “independent content creators stand to gain the most through massive reductions in the cost of recording equipment and editing software, as well as the greater availability of streaming video service on connected devices. They gain new distribution opportunities for their content and greater possibility for monetization. Consider any of the top YouTube video channels, which probably wouldn’t be able to survive in the pay-TV universe but have created thriving businesses due to the cost structure online.”




Por último, Wolf pega numa ideia que já me tinha ocorrido. No mundo digital de hoje o scripting é a literacia e uma imensa forma de expressão artística. Pois, a democratização das ferramentas de produção, distribuição e monetização acontece porque os esclarecidos da tecnologia, que são ao mesmo tempo os artistas, constroem websites e apps que os ajudam a pôr a sua arte para o mundo sem recurso às grandes corporações. Esta última ideia parece ser o tema do último livro de Douglas Rushkoff’s PROGRAM OR BE PROGRAMMED Ten Commands for a Digital Age (2011) que ainda não li, mas já acrescentei à minha lista de leitura.
Em suma, as ideias que aqui quero deixar é que no mundo que vivemos atualmente, as iniciativas de empreendedorismo, nomeadamente para as indústrias criativas, já não estão totalmente sobre a alçada do poder corporativo. A web democratizou as ferramentas e criou todo um novo mundo explicado em PressPausePlay e de onde surgem artistas como MBW protagonista do primeiro filme de Banksy. Por último, as áreas de intervenção são diversas e dispares, mas o designer torna-se programador e este designer num processo de convergência total de saber e especialização que o ajudam a ser um criativo empreendedor.    

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Arte, a experiência autotélico

Muitos são os criativos que muitas vezes podem sentir que o seu trabalho não é reconhecido!
Nas diversas áreas que envolvem as áreas criativas, são muitos aqueles que no meio do "caminho" desistem. 
Pois não conseguem chegar ao reconhecimento artístico que tanto ambicionam...
Então, nos dias de hoje, onde a tecnologia permitiu que a arte esteja banalizada e presente em todo o lado, mas também novas ferramentas de propagação e publicitar. 
Os likes, comments, são o público dos artistas desta geração. E quando esse público é pequeno, a vontade de criar também pode ser. 


Porém, talvez possamos aprender algo com os artistas clássicos. Neste caso concreto com Van Gogh e Leonardo Davinci. 
O que hoje trago aqui são três ensaios realizados por Adam Westbrook um jovem fascinado pela arte e que por isso faz ensaios audiovisuais que tecem histórias e imagens em conjunto para tornar as coisas fascinantes. 
E é mesmo esse adjetivo que serve para nomear este ensaio sobre criatividade e dedicação  também uma mensagem de esperança. 
Segundo Adam, o que podemos aprender com aqueles dois colossos da arte, é que nada já nasce perfeito. 
Na natureza a mais bela árvore demora anos, talvez séculos para atingir toda a sua plenitude e beleza. 
Na arte, o processo é o mesmo, mesmo quando criamos e o nosso público é diminuto, invisivel e muitas vezes cingido aos amigos e familiares. Essa é a questão central dos vídeos. 
Numa época em que tudo é colocado on-line e empurrado para fora nos media, a arte está lutando (muitas vezes); uma batalha perdida pela atenção. 
Mesmo que seja boa, mesmo que seja visionária, mesmo que seja brilhante,única e original - a arte só pode tocar para um público: o póprio artista.
Este pensamento é deprimente, mas talvez o problema não resida na forma como se cria, mas porque criamos. 
Num dos vídeos é explicada uma ideia exposta no livro Flow: The Psychology of Optimal Experience do psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi chamado "experiências autotélicos", que descrevem atividades que são feitas não por causa de qualquer benefício futuro (como a atenção ou notoriedade), mas pelo puro amor de fazê-las.


Por exemplo e num plano mais pessoal. Um fotógrafo que trabalha com esta ideia em mente capta  as fotografias para si mesmo, e não para a promessa de qualquer fama ou fortuna de uma carreira de de sucesso! Em outras palavras, as fotografias são as suas próprias recompensas!
Van Gogh definitivamente é exemplo de autotelia: apesar de todos os desafios que experimentou, ele foi extremamente prolífico na sua curta carreira, que durou cerca de uma década. 
Nesse período criou cerca de 900 pinturas e 1.100 desenhos e esboços - que é uma média de 200 peças por ano, ou uma pintura a cada 1.825 dias.
"Não podemos controlar os resultados externos do que fazemos, então porquê pensar sobre eles? Exceto, é claro que nós criamos um mundo onde esses resultados externos são mais valorizados do que qualquer outra coisa", diz Westbrook. 
E esse é o nosso desafio. Num mundo obcecado com a popularidade, com o social media e o volume exagerado de informação, vamos fazer o nosso trabalho artístico, independentemente das consequências? Mesmo quando ninguém está olhando? 
Assistam os vídeos, que são autênticas reportagens jornalísticas, e pensem sobre isso...









The Long Game Part 3: Painting in the Dark from Delve on Vimeo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Arte histórica masterizada

A Intel é responsável por esta exibição e concepção que basicamente se sustenta na sua campanha 'Visual Life'. 


O projecto Remastered convidou trinta artistas e designers contemporâneos para reinventarem alguns dos mais famosos trabalhos da história da arte, com tecnologia misturada. Um dos objectivos é iluminar e mostrar a designers e artistas contemporâneos como a arte e a tecnologia se podem fundir para a criação de novos traballhos. 




Por outras palavras, é uma nova geração de artistas que pegam em obras do passado e com a ajuda da tecnologia criam novas experiências visuais. O produto final está patente até ao próximo Domingo no One Marylebone London. São trabalhos que nos mostram e representam a fluída relação entre arte e tecnologia. Como não há a possibilidade de deslocação a Londres para ver a exibição, deixo de seguida um vídeo que nos mostra claramente como a arte com a ajuda da tecnologia pode ser reinterpretada, bem como o making of  que nos ajuda a pensar e perceber como se produz este tipo de arte. Chamo a atenção para as ferramentas utilizadas, porque não sendo este o meu trabalho preferido, consegue ter a minha preferência pelas ferramentas tecnológicas escolhidas. 

Mind the Fog 


In his reinterpretation, Pavon brings this narrative to a modern day London, a sprawling metropolis of sights and sounds that provides a backdrop to many of the same questions faced by the wanderer.


Original Medium:
Painting

New Medium:
Stereoscopic (3D) animation

Technology:
Canon 7D to shoot the video and take photographs, edited in After Effects using a 3D composition and applied the Anaglyph effect separating the cameras.




Making Of: 


O resto das obras podem ser vistas aqui

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...