sábado, 26 de dezembro de 2015

Ilustrações Lynchian

Ao ver estas estas ilustrações esta manhã, lembrei-me de ontem ter lido um artigo no No Film School sobre a definição de Lychian. 
De alguma forma é tentar caracterizar a técnica do realizador.
V Rénee mete uma citação no artigo bastante coincidente com a minha opinião.

A frase é de David Foster Wallace e diz o seguinte:

"Lynchian: a particular kind of irony where the very macabre and the very mundane combine in such a way as to reveal the former's perpetual containment within the latter."



Ou seja, a realidade pode combinar-se numa mensagem de normalidade e algo errado.
Um hábito que criamos nos novos gadgets  que todos os dias nos aparecem.
E é com esta forma Lynchian que observo estas ilustrações.
O traço é único e a mensagem é  um tipo particular de ironia onde o muito macabro e o muito mundano se combinam.
De tal maneira como para revelar  a contenção perpétua do antigo no âmbito deste último.
Por outras palavras. A verdade que pode ser negra na nossa vida é um costume banal, que nem merece reflexão se é realmente necessário à nossa existência e felicidade.






Podem ver mais ilustrações aqui.
Em todas elas vão encontrar a mensagem de atenção Lychian para o mundo que vivemos.
Nos dias de hoje, a tecnologia transformou o ser humano moderno, que comunica de forma pessoal e virtual ao mesmo tempo, multifacetado nas formas de comunicar!
Mas ao mesmo tempo vive o tempo de grandes mudanças!
Essas são supérfluas, quase nem notadas por quem vive actualmente.
Mas nestas ilustrações, se a observarmos com capacidade de análise, notamos que o macabro, na nossa rotina, se tornou quase mundana e nos somos felizes com isso.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Filme de 2015

Agora que as festividades abrandaram. Dei por mim, novamente,  a pensar que já há muito não escrevia sobre filmes aqui no Artedeseexprimir.
Embora tenha feito uma análise ao filme Star Wars The force Awakens (2015)  porque trata-se de uma saga que acompanhou a minha juventude. Naquela altura o visionar destes filmes era diferente. Uma criança não pensa como um adulto.
E a verdade é que este filme de início da trilogia vem mesmo dar uma lufada de ar fresco à storyline.
Posto isto! Simplesmente deixei de publicar aqui no blog, críticas ao filme. Ou mesmo listas como fiz no Mubi.



Este ano, sinto-me diferente. Talvez porque este meso filme é uma nova sequela da série original com Mel Gibson, numa das suas melhores interpretações.
Já esta saga vem com um olhar e entendimento de criança, mas que só teve a sua continuação passados trinta anos.
Embora tivesse visto, talvez pela primeira vez,  o primeiro filme de Mad Max, com 13 anos!
São na mesma 20 anos de espera. E que realmente valeram a pena, embora a storyline tenha um rewind concreto de nova criação, mas adaptada aos novos dias.
O filme no seu todo é uma viagem ao desconhecido. Onde o protagonista, novamente, aparece atormentado pelo passado, mas um herói.




Este personagem que é o ponto forte de toda a saga e misticismo criado desde o filme original, creio de 1979. Mas este ganha contornos particulares!
George Miller consegue neste filme dar crédito a duas formas artísticas/criativas de fazer cinema.
Por um lado, à partida, tinha logo o desafio de pegar em  guiões de há mais de trinta anos.
Conhecer a personagem. Saber as suas características. Pontos fortes, fracos.
Enfim. Alguém utópico tinha que ser conhecido.
Por outro, adaptar uma linguagem cinematográfica aos dias de hoje. tendo sempre em conta a atmosfera iniciada pelos filmes originais.
Tinha mesmo de carregá-la de cores quentes. Um ambiente apocalíptico, reduzido a areia.
Em que os grãos mais finos são importantes.
É um vazio.
O homem racional no meio ambiente selvagem depois de ter tido s conhecimento e tecnologia que destruiu o mundo.


 
Tom Hardy consegue fazer, de uma forma muito bem estudada, todas aquelas características que falei acima. A sua perfomance é sublime apenas porque fala pouco, age muito e sobrevive!
Ao detalhe, a atuação não se se  pode comparar há de Mel Gibson, São actores muito diferentes!
Mas neste renascer do espírito da saga, a personagem foi intensamente bem conseguida.
Logo. foi estabelecido a personalidade de alguém traumatizado, mas entregue ainda à sanidade de saber a diferença entre bem e mal.



Charlize Theron também não me escapa pela negativa. A sua interpretação no filme é quase sublime, mas ela consegue ser o fundamental do desenvolvimento da história.
A sua atitude, o que é correcto fazer, agir e pensar num mundo consumido pelas chamas e pelo lado sombrio do lado humano.
Num mundo sem leis, sem regras. Ainda existe espaço para chamamentos de fé no querer do bem e, o intuito maior, fazer a diferença para um futuro melhor.
Esse foi o seu chamamento, o seu desafio o seu destino.



Concluindo! Comecei por dizer que faz muito tempo que não escrevo sobre filmes aqui no Artedeseexprimir.
Mas as sagas reavivaram em mim  este gosto.
Assim, falei sobre noutro post sobre Star wars.
Neste falo, naquele que é imprescindivelmente o filme do ano.
O filme que marcou o ano com uma linguagem cinematográfica muito bem conseguida.
Com recurso ao CGI, sem dúvida. Mas há frames no filme que parecem ser autênticas pinturas pintadas por um pintor num verão de opium e muito quente e amarelado.
A fotografia neste filme tem uma importância realmente digna. Só por esta técnica o filme é grandioso. Juntando os outros ingredientes, diria que temos um bladerunner século XXI.
Há, nas nomeações dos Globos de Ouro, aqueles que prevêem os Óscars! Mad Max destacou-se e até há quem concorde comigo em dizer que é o filme do ano.   

domingo, 20 de dezembro de 2015

Star Wars, lufada de Ar fresco

Porventura sou um fã incondicional desta saga que começou há décadas, voltou ao passado há uns anos e agora prevê todo um novo ambiente cenário.
Os que há mais de trinta anos visionaram os primeiro episódios, e este em particular, tiveram a oportunidade de dizer adeus  e os mais novos, que passaram pelo mesmo momento, de dizer, olá.


Sim, um olá!
Porque J. J. Abrams consegue trazer-nos neste filme o renascer da força.
Não só como fosse o último reduto daquele lado da força. Mas algo novo...
Enquanto nas prequelas, todo o foco da narrativa foi a personagem de Darth Vader.
A personagem por detrás da máscara.
A criança que a força escolheu e lhe deu poder . E ao mesmo tempo seduziu-o para o seu lado negro É bipolar esta força.
Pela amargura, pela perda, pela manipulação.
Dito por outras palavras, esta personagem é crucial em toda a saga, seja a original de há mais de trinta anos,  sejam as prequelas das mesmas, mas mais recentes.
Darth Vader é a verdadeira essência  de StarWars enquanto locomotiva de imagens capazes de encantar milhões de olhos e tornar o fanático ainda mais fanático.
Chama-se a isso marketing e J. J. Abrams soube usá-lo.


Todo o ambiente se manteve fiel a Starwars, mas o pilar é sempre o mesmo, o lado negro a querer prevalecer. Mas ao mesmo tempo a história de uma família que a força decidiu implicar ou escolher.
A sua última vítima é Kylo Ren, filho de Han solo e Leia.  (spoiler alert)
Assenta na forma de como era o seu avô, Darth Vader. A personagem parece ser esquizofrénica ao demonstrar que tem um amor ao que o seu avô significou.
É esta direção que a saga ao seguir consegue uma lufada de ar fresco e ao mesmo tempo reinventar-se enquanto história, argumento, guião.  
No início o avô, depois o neto. Porquê?
Não se sabe, nem nunca se saberá! Nesta fórmula-se a reinvenção e  aclama dois objetivos: comover os já fãs da série a continuar a ver a saga, mas ao mesmo tempo, ser capaz de alcançar novos públicos. novas personagens, novo marketing.
Mas a emoção tem que estar sempre presente: Para isso serve a maldição Skywalker: With You The Force Will Be.
E está mesmo, porque a família é mesmo amaldiçoada pela mesma.


Han Solo parece ter conhecido neste episódio o seu fim. Enquanto personagem é o mesmo Harrison Ford de há trinta anos, mas mais velho.
Era necessária uma mutilação desta na saga. Só assim o interesse se manteria e a sua evolução notória.
Mas ele acaba apenas por ser mais uma vítima da força. Mas ela tem dois lados. Logo isso implica equilíbrio. E para haver equilíbrio é necessário sacrifício.



Em jeito de conclusão, o VII episódio da saga Stawars é uma ida ao passado, que terminou quase como  se vivessem felizes para sempre.
Mas o lado negro ganhou  uma nova força e reinventou uma cinematografia que foi, é e será capaz de sempre deslumbrar, comover e, mais importante, agarrar o seu público.
O sétimo episódio é mesmo um renascer para um novo começo que no primeiro da trilogia já deixou muitas perguntas...



sábado, 19 de dezembro de 2015

A Porta Vermelha.




Na porta vermelha onde encontro o ponto de viragem,
Lembro do vermelho sofrimento,
O início de uma viagem,
Onde o novo deixou o tormento.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A Fotografia do Século XIX

Com a massificação da fotografia, criada principalmente pela evolução da tecnologia e, logo, a possibilidade de fotografar com qualquer dispositivo. E também a passagem do analógico para o digital. A fotografia depressa passou de conhecimentos técnicos profissionais para um conhecimento baseado num click.
O Instagram é um dos melhores exemplos actuais daquele processo. Por dia são colocadas naquela rede social cerca de 93 milhões de fotografias. 



Por essa razão é interessante verificar que alguns profissionais da área ainda detém uma paixão pelo analógico. 
Michael Shindler é um desses. Utiliza a técnica de Ferrotipia que é um processo fotográfico que consiste na criação de uma imagem positiva sem negativo, diretamente sobre uma chapa fina de ferro revestido com um verniz ou esmalte escuro, que é utilizada como suporte para a emulsão fotográfica. A sua utilização mais ampla deu-se durante as décadas de 1860 e 1870. O vídeo abaixo exemplifica melhor a técnica explicada pelo próprio Michael Shindler.



Como pudemos verificar, é um processo vagaroso que nos dias de hoje não servia para empresas da indústria com um grande volume de produção.
Porém, é aqui que se torna extremamente interessante a técnica e a forma como a podemos analisar/admirar.
Pelo que se pode visionar, o processo engloba uma série de químicos e conhecimento técnico que nos dias hoje a maior parte dos fotógrafos mais novos desconhecem. Porque tudo é digital.
E todos sabem as vantagens do digital em comparação ao analógico.
Por exemplo, na demonstração que vimos, se houvesse qualquer tipo de falha ou problema no desenrolar da captação, teria que se iniciar tudo novamente. A placa de ferro é a única cópia que existe. Com o digital já não é assim, pode-se repetir quase infinitamente.






É de admirar esta devoção por uma arte já porventura arcaica e que nem todos têm a possibilidade de experimentar. O uso da Ferrotipia cria uma ligação única entre fotógrafo e o retrato. 
Fotografar um retrato com esta técnica é uma experiência incomum e mergulha em nostalgia, como se nos víssemos numa vida anterior.
O nível de detalhe presente em cada retrato é surpreendente e pode-se perguntar como era possível no século XIX aquela resolução em placas do tamanha de cartões de crédito.
O tamanho da placa em si, que se torna o sensor, cria uma fotografia de alta definição. Os grãos de prata depositado sobre a placa torna-se o equivalente de pixels na fotografia digital.
Como o próprio referiu:
"It wasn’t until I started making tintypes that I really kinda figured out how photography works. And it’s just the process of making your own materials and knowing exactly what the ingredients and asking yourself ‘What is that for? What does that do?"
Ou seja, um fotógrafo profissional que só percebeu através de uma técnica inventada em 1851, como a fotografia funciona. Mais trabalhos dele podem ser vistos aqui.

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