quinta-feira, 27 de junho de 2013










Eu não quero ser mais do que sou. Ser apenas eu, já é de si uma difícil tarefa. Uma existência repleta de fantásticas façanhas, mas também das mais incríveis incongruências. 
Ser eu, não é mais do que ser. Mas o ser é que tem características que devem ser analisadas e compreendidas.
Eu sou eu porque fui influenciado por alguém. Posso dizer de outra forma, que o conteúdo do meu cérebro, mais propriamente a sua consciência, e aquilo que faz a minha personalidade, é influência de factores externos que se tornaram internos pela simples assimilação de informação.
Quando vim ao mundo era uma tábua rasa que foi moldada, esculpida, pintada para obter uma determinada forma. Foram os meus pais, os meus professores, os meus amigos, os meus colegas, as namoradas, as experiências de trabalho, os momentos de lazer, os momentos tristes e os momentos alegres.
Mas em todos estes contextos existia sempre uma pessoa ou pessoas. Elas, como eu, também foram esculpidas, moldadas de uma tábua rasa para uma forma. 
Essa poderá ser de deslumbre ou de autêntico repelente. Mais de forma hermenêutica, ser eu é uma uma conjugação de factores que são alheios ao meu ser. Sinto-me quase como esponja que vai absorvendo a experiência do dia a dia e com isso crescendo, crescendo e crescendo...
Ser eu, não é simples. Mas também nunca quis o contrário... 

terça-feira, 25 de junho de 2013

O nosso mundo.







O mundo que eu vivo parece ser um mundo único, onde apenas eu lido com as ideias da minha consciência e imaginação. Um mundo incompreendido por todos os outros, fazendo com que eu me sinta único. 
Mas eu no fundo não me importo, mas entristece-me não poder partilhar esse meu mundo com outros.
Que sejam capazes de entender as minhas palavras, os meus pensamentos, os meus actos, as minhas atitudes, os meus comportamentos, os meus valores e tudo o resto.
Porém, no fundo todos somos assim. Ou, por outras palavras, sofremos todos do mesmo mal... 
Talvez por isso a sociabilidade seja uma dualidade de pólos negativo e positivo. Talvez seja essa dualidade que faz do ser humano ser o que é. E que, por essa razão, encontre algum tipo de felicidade em ser assim simplesmente.
No fundo, todos temos o nosso mundo. Agora percebe-lo é a real dura tarefa que temos dentro de nós e, mais difícil ainda é dá-lo a compreender aos outros. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A marca como dispositivo ilustrativo

Este é mais um artigo de Paul Rand, no seguimento de um outro que escrevi aqui não há muito tempo. Desta vez o conteúdo do artigo que foi originalmente publicado no livro Seven Designers Look At Trademark Design (1952) é uma análise de Rand ao conceito de marca como um dispositivo ilustrativo. 



Por outras palavras, o que Rand analisa no artigo é a importância da marca e por isso considera que ela não meramente um dispositivo para adornar papel timbrado ou até a prerrogativa que a marca só existe por força da repetição constante na mente do público consumidor. 
Para a Rand a marca é uma caraterística ilustrativa do vigor e eficácia e quando usada naqueles sentidos, escapa totalmente escapa do seu destino habitual de ser uma reimpressão chata da identidade do fabricante do produto. Recordo-me aqui por exemplo do anúncio do Pingo Doce, que pode servir de exemplo para melhor o que foi dito acima.
Continuando, Rand assume que quando totalmente explorada, a marca pode estimular o interesse no produto ou marca. Creio que foi o que aconteceu com o anúncio do Pingo Doce, que apesar de se tornar repetitivo nos meios de comunicação, criou interesse no público consumidor. Por isso, creio que a equipa por detrás da criação daquele anúncio usou muito bem esta ideia de Rand: This is important; monotonous repetition eventually loses its impact, and the trademark which becomes a visual cliche will fail to evoke a response from the spectator.
Contudo, a ideia que tenho e não recorrendo a estatísticas porque não as tenho, o efeito do anúncio do Pingo Doce teve um efeito contrário ao que Rand afirma. Isto é, a sua repetição e consecutivo cliché impulsionou uma resposta ativa no espetador, no caso concreto consumidor. Porém não podemos esquecer que Rand era alguém relacionado com o design gráfico e o anúncio do Pingo Doce foi distribuído  maioritariamente  no suporte audiovisual (televisão) e de forma menor nos outros meios de comunicação (rádio, Internet, Imprensa escrita).  Contudo, considero que a ideia se relaciona e conjuga no exemplo que dei.


Rand afirma que duas das formas mais importantes para transformar a marca comercial para um dispositivo estimulador ilustrativo, nomeadamente no design gráfico, são: variar o tratamento do próprio dispositivo e alterar o contexto em que o dispositivo é mostrado. 
Porque os meios que o tratamento ou a prestação da marca podem ser variados. O dispositivo pode, por exemplo, ser desenhado em linha, em silhueta ou em três dimensões. Além disso, uma parte do dispositivo pode ser usado para representar o todo. Esta ideia pode ser melhor entendida nos anúncios da Disney reproduzidos no artigo e que eu coloco aqui. 






Rand diz-nos ainda que embora a variação máxima no tratamento da marca seja desejável, devemos recordar que a forma básica, ou a parte representativa da forma básica, nunca deve mudar. Se isso acontecer, a marca vai deixar de identificar o fabricante do produto.   

Família.








Naquilo que somos enquanto seres físicos, compostos por genes. Existe um que que sobressai e transporta o legado genético. 
Nesses genes existem semelhanças físicas que  nos identificam com a nossa família. 
Mas na verdade isso pouca importância tem. O verdadeiro legado é aquele que é transmitido pela educação, pelo comportamento familiar e social que encontramos no lar.
Aquele que é partilhado por pessoas que nos amam e apenas querem o nosso bem.
Nesse pequeno espaço tudo é partilhado: alegria, tristeza...
A família é o pilar onde tudo começa e tudo acaba. Sem ela não somos nada e com ela acabamos por ser alguém. Mesmo que não tenhamos nada.
Preservar uma harmonia dentro de um lar, não depende das semelhanças que temos enquanto seres conectados por ligações físicas, mas sim da partilha de conhecimento de geração para geração. 

domingo, 23 de junho de 2013

A casa.









Estava eu perante aquele muro. De cor branca, com uma transparência incolor que só trespassava a luz difusa e suave.
Do outro lado estava a casa. O sítio onde tudo acontece, porque é mágica.
Por estórias contadas, ouvi dizer que uma rapariguinha muito nova tinha tomado um chã e ficado gigante.
Noutros contos, argumentaram que havia portas para escolher, que depois de abertas nos deslumbravam com todos os sonhos que tínhamos.
Assim, entre mim e a casa apenas estava aquele muro. 
Tinha que fazer uma plano de como transpor-lo, porque era minha obsessão esse objectivo.
De cor avermelhada depois de várias tentativas falhadas, consegui de forma simples atravessar: bastou caminhar para o lado e ver que o muro, por muito alto e largo que fosse,teria uma parte que conseguiria passar calmamente.
Feliz, cheguei à casa. A primeira coisa que fiz, foi deitar-me no chão e admirar o tecto no seu interior. 


sábado, 22 de junho de 2013

punctum, studium


No meio de tanta confusão, tenho andado distante. Os meus pensamentos parecem raízes de uma árvore que rompem o solo à procura de água.
Na metáfora, encontro, a resposta para esta nuvem carregada de ambivalência que paira na minha cabeça.
Ou seja, ando à procura de algo que ainda não encontrei. É uma procura de sentido e existencialismo.
Dois valores fundamentais que se impõem como pilares da razão da existência de nós enquanto seres racionais.
Tento buscar o punctum que se extrai todos os dias na caminhada que temos que fazer nesta curta passagem que somos obrigados a percorrer.
É uma caminhada de uma meta só, onde o prémio que se ganha nenhum dos participantes gosta. Porém, são obrigados a aceitar. E, sem outra opção, são felizes.
Talvez a confusão não tenha sentido enquanto adjectivo. Basta apenas aceitar o MUNDO como ele é.
Mas coloco a questão, quem são os loucos? Aqueles que vivem miseravelmente felizes com a ideia massificada do que é a vida? Ou são aqueles que rompem com o dogma e com o seu sentido crítico se interrogam sobre as coisas? A resposta é difícil...
Sinceramente, no meio de tanta desordem o studium parece ser a aura que procuro e que quero. Porque não quero encontrar o que todos os outros já sentiram e visionaram. Quero ser livre e sentir por mim próprio....

In the Stars