sábado, 24 de abril de 2010

O Modo de Análise


Inconscientemente somos todos conhecedores dos melhores filmes que foram exibidos. Esta é uma questão tão particular como a própria existência. A opinião que se tem de uma obra, nasce da relação que se tem com ela. 
Contudo de uma forma mais complexa, essa opinião pode ser sempre influenciada pela mão do autor da dita obra, normas estéticas e artísticas estandardizadas, por opiniões massificadas, entre outros vários factores. O penúltimo aspecto para mim é o pior. 
É quando uma obra ganha sucesso entre as massas e muitos daqueles que pertencem a esse aglomerado nem sabem definir porque gostam da obra A ou C. O lema é: Eu gosto porque os outros gostam, não porque experienciei algo que emocionou a minha existência singular. 
Basicamente é como se neste momento perguntássemos a uma amostra de 1000 pessoas qual dos dois filmes conheciam: Avatar ou Yi Yi (One And a Two). As respostas não deviam ser muito surpreendentes nos resultados apontados...
Não quero com isto tentar de alguma forma descredibilizar a mestria de James Cameron ou o filme em 3D que ele realizou recentemente. Bem como não quero parecer um elitista consumista de filmes intelectuais. Até que não sou ninguém com legado e bagagem para julgar ou formar qualquer tipo de opinião ou influência, bem antes pelo contrário. Também não quero dizer que o filme de Edward Yang é uma obra magna, embora tenha sido considerada por várias revistas especialistas das artes cinematográficas como um dos melhores filmes da década transacta.


A questão está apenas relacionada com a casualidade de factos que ocorrem no quotidiano e que ajudam a construir um raciocínio. Por outras palavras, num espaço e tempo dos últimos dias dei por mim a visionar o filme mencionado e ao mesmo tempo a ler um texto que de alguma forma relacionei com o filme.
Por partes, o texto que falo encontra-se no livro "Como analizar un film", Paidos, 1994, Barcelona de Casetti Francesco, De Chio Frederico. Mais concretamente o capítulo intitulado: "El recorrido del anális" O curso da análise.
Para os autores:
"Podemos definir intituitivamente el análisis como un conjunto de operaciones aplicadas sobre un objecto determinado y consistente en su decomposición y en su sucesiva recomposición, con el fin de identificar mejor los componentes, la arquitectura, los movimientos, la dinâmica, etc

Aqui o objecto é o filme ou cinema e a sua análise deve ser feita através da decomposição e recomposição. É uma questão de desmontar e voltar a montar como um puzzle. Assim conseguimos perceber a mecânica do objecto. Para quem estuda cinema ou quer ter um conhecimento um pouco mais profundo sobre a arte. Trata-se  de saber o que são planos, movimentos de câmara, profundidade de campo, composição de imagem, iluminação, etc. Porque:
"Según esto, el camino conduce a una mejor inteligilidad del objecto investigado"

Para efectuar este tipo de análise temos que efectuar várias etapas. Que, como já referi, consiste na decomposição e recomposição do objecto analisado. Claro que surgem vários problemas inerentes à análise de um objecto comunicativo e significante assim como as implicações concretas que comporta a relação com este objecto em concreto. Porém os autores referem os aspectos mais importantes na análise de um filme:

  • La distancia optica
Antes de mais é preciso um distanciamento físico e espiritual. É característico do filme conter uma realidade material quase inacessível. Por isso no melhor dos casos a observação pode resumir-se a:

" (...) mientras con un libro puedo moverme libremente, detenerme, volver atrás o comparar os enunciados, en el cine me encuentro inevitablemente sometido a la concatenaçión de las imágenes, al flujo sonoro, a su ritmo regulado. El film se desarrola externamente a mi, sin ninguna intervencion posible por mi parte
Como não podemos penetrar na realidade do fotograma que nos é mostrado e com isso passear pela narrativa e fazer dela algo emergente, existem algumas ferramentas que tornam o processo muito mais fácil: o magnetoscopio  e as suas funções de slow motion; stop frame; rewind, etc  que permitem romper com o fluxo do filme, fragmentando-o, dando-lhe uma nova ordem. Assim, a sala de cinema já não é o único lugar destinado à visão: na escola, em casa, com os amigos, em qualquer sítio pode-se seguir um filme e interromper quando se quiser, tomar nota, transcrever-se numas páginas, compara-lo com outras imagens e reproduzir numa série de fotografias fixas. Quem não faz qualquer destas acções hoje em dia com o seu computador portátil?


Basicamente este tipo de distância representa um factor constante em cada investigação: qualquer estudioso sabe que deve estar bastante afastado do objecto analisado para poder investigar todas as suas características essenciais. Agora falta saber como se efectua este tipo de distanciamento em relação a um filme? Porque ao fazer-se isto o objecto de fruição e lazer passa a ser um objecto de estudo. Então os autores apontam que: 

"una distancia óptima es aquella que permite una investigacion critica , y a la vez  no excluye una investigación apasionada: aquela que no está en contradicción con una «distancia amorosa»"
A ideia de «distãncia amorosa» vem de Roland Barthes

"episódios de linguagem que giram na cabeça do sujeito enamorado, apaixonado, e esses episódios se interrompem bruscamente por causa de tal distância, tal ciúme, tal encontro frustrado, tal espera insuportável que ocorrem, e nesse momento essas espécies de pedaços de monólogo são quebrados e se passa a outra figura. Respeitei o descontínuo radical dessa tormenta de linguagem que se desencadeia na cabeça amorosa. É por isso que recortei o conjunto em fragmentos e coloquei estes em ordem alfabética. [...] É, pois, um livro descontínuo que protesta um pouco contra a história de amor (Barthes, 2004, p. 401)."

  • Analizar, Reconocer, Compreender
O reconhecimento e a compreensão não são o mesmo. O reconhecimento está relacionado com a capacidade de identificar tudo o que aparece na tela onde o filme é projectado. Trata-se portanto de  uma acção pontual, desenvolvida em elementos simples, e serve para captar essencialmente a identidade (o que é esta figura, este ruído, esta luz,...). A compreensão, pelo contrário, está relacionada com a capacidade de inserir tudo o que aparece na tela num conjunto mais amplo: os elementos concretos identificados em interesse do filme, o mundo representado com as razões da sua representação, o que se chega a compreender no marco do próprio conhecimento. Contudo, é necessário um olhar distanciado para se trabalhar de uma forma sistemática e com auto-consciência:

"pero entre el reconociminento y la compreensión existe un nexo dinâmico, un vínculo recíproco: ante un film, y más en general ante un texto, se oscila en una especie de vaivén constante entre la identificaçion de los elementos concretos y la construcción de un todo"


  • Analizar, Descibrir, Interpretar
Descrever significa recorrer a a uma série de elementos, um por um, com cuidado, até ao último deles; passar revista a um conjunto detalhado e completo. Trata-se de um trabalho minucioso, mas também um trabalho objectivo: a descrição adopta-se um guia para o observador, mas também para o que é observado.
Interpretar, pelo contrário, não significa somente implantar uma atenção obstinada com respeito ao objecto, mas também interactuar explicitamente com ele ; não só passar em revista, mas também reactivar, escutar, dialogar. É, por tanto, um trabalho que consiste em captar com exactidão o sentido do filme, empenhando-se numa reconstrução pessoal, mas sem deixar de lhe ser fiel. Por conseguinte, 

"el análisis se revela estrechamente relacionado con la descripción como con la interpretátion: cada una de sus fases tiene que ver con los dos procedimentos, aunque sea en medida y novos distintos. La idea resultante es que debemos enfrentarnos tanto con una operación descriptiva ya  orientada hacia la interpretación, como con una actividad interpretativa basada en la discripción"  


Como é possível entender a relação que se pode criar na análise de um filme envolve vários factores. Uma distância óptima, uma análise para compreender e reconhecer e outra para analisar descrever e interpretar. Desta forma conseguimos obter uma maior inteligibilidade do filme.
Neste caso concreto estou a falar de um filme do ano 2000 realizado por Edward Yang. Este filme marcou-me não apenas pela sua estética complexa e realística, mas também pela sua técnica em linguagem cinematográfica. O realizador de forma a contar a história de uma família que vive em Taipei, optou pelos movimentos simples e lentos, planos que sofrem apenas um ténue ritmo pela oscilação de panorâmicas em câmara fixa numa passagem do horizontal e vertical. Um mis en scene colorido que em planos generais e médios nos remontam para o ambiente da realidade, que não mais nada nada daquilo que é real.

Depois o contraste entre o primeiro acto e terceiro acto, sendo que o primeiro começa com um casamento e o segundo com um funeral. Este filme de alguma forma lembrou-me o modo de representação primitivo que esteve em grande moda até final dos anos 30, se não estou em erro, e depois deu passou para um modo mais institucional. Sobre isso falarei num próximo post.




quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Nova Economia


Encontro-me nos laboratoarios informaticos da UAB enquanto escrevo este post. Digo isto, porque pela primeira vez me apercebi que os teclados dos computadores sao diferentes dos que estou habituado a utilizar em Portugal. Por essa razao, nas palavras nao vao aparacer quais-queres acentos gramaticais. Isto vai tornar a leitura um pouco dificil para aqueles que lerem este post.
A razao do mesmo e um livro que acabei de ler nos dias transactos. O autor e Chris Anderson, ja conhecido por outro livro: The Long Tail. Na obra o autor tenta demonstrar como no contexto actual a industria do entretenimento esta a migrar do mundo fisico para o mundo digital. Sitio onde surgiu uma cultura diversificada e novos modelos de negocios que focam-se em vender pouco a muitos. Neste sentido, Chris Anderson no livro que eu quero falar (Free) analisa como a internet proporcionou um novo mercado de negocios baseados no conceito mercado livre e gratis.
Recorrendo a analise de varias empresas que conseguiram fazer da norma "pouco para muitos" o seu principal metodo de trabalho e com isso tornarem-se grandes multinacionais, Chris Anderson aborda no seu livro o conceito da Gift Economy. A Wikipedia e um dos melhores exemplos que se pode dar sobre aquele conceito, pois foi nela que encontrei a seguinte informacao e pela qual nao tive que retribuir nada em troca, ou quase nada....

In the social sciences, a gift economy (or gift culture) is a society where valuable goods and services are regularly given without any explicit agreement for immediate or future rewards (i.e. no formal quid pro quo exists).[1] Ideally, simultaneous or recurring giving serves to circulate and redistribute valuables within the community. The organization of a gift economy stands in contrast to a barter economy or a market economy. Informal custom governs exchanges, rather than an explicit exchange of goods or services for money or some other commodity.
Various social theories concerning gift economies exist. Some consider the gifts to be a form of reciprocal altruism. Another interpretation is that social status is awarded in return for the gifts.[2] Consider for example, the sharing of food in some hunter-gatherer societies, where food-sharing is a safeguard against the failure of any individual's daily foraging. This custom may reflect concern for the well-being of others, it may be a form of informal insurance, or may bring with it social status or other benefits.

Um dos maiores exemplos do que e abordado por Chris Anderson, e tambem analisado no livro e o lancamento do album In Rainbows por parte da banda Radiohead  em 2007.  Atraves do seu site a banda pos ao dispor dos interessados o download gratuito do album.
Os que quisessem, poderiam efectuar um pagamento monetario do valor que achassem apropriado. A primeira vista, a ideia que surge é que o album foi descarregado sem alguem alguma vez ter dado um valor monetario pelo mesmo e que a banda não teria qualquer retorno lucrativo. Contudo, e como Chris Anderson nos demonstra na sua analise, o lucro dos Radiohead manifestou-se na publicidade que obtiveram pelo acto inedito, o que pela sua vez se reflectiu na possibilidade de dar mais concertos, bem como na criação de um misticismo e feticismo pela edicao do album na forma tradicional com uma serie de extras atractivos.
Em suma, tratou-se de uma estrategia de marketing que resultou muito bem. O que nos mostra que o gratuito é apenas uma ideia errada. Por como disse anteriormente, não tive que pagar quase nada pela informaçao que retirei da Wikipedia. Contudo, se pensar que de uma a forma mais objectiva, o facto de me encontrar na UAB deve-se a eu ser estudante universitário e para isso tenho que pagar propinas durante 10 meses...

domingo, 11 de abril de 2010

Duelo entre Titãs

Steve Jobs é um comunicador nato. Que depois da apresentação sobre o novo gadget da empresa que o mesmo lidera, lançou entre os mais fanáticos pela tecnologia e pelos produtos Apple o autentico fascínio pela obra de arte. Veja-se o vídeo abaixo de www.engadget.com que pelas suas imagens e sons demonstram de uma forma muito clara a "loucura"  que houve no dia de lançamento do Ipad. 


Reforçando ainda mais a loucura acontecida no passado 03 de Abril a revista Wired analisou o Ipad e no começo do texto escreveu o seguinte: 
The zeitgeist excitement needle on this gadget has moved past Hula Hoop and Lady Gaga levels, and is approaching zones previously occupied only by the Beatles and the birth-control pill. Can a one-and-a-half-pound slab possibly live up to this massive hype?

No mesmo artigo também é falado das afirmações de Jobs que disse na apresentação que o Ipad iria proporcionar a melhor experiência de internet de sempre, contudo Steven Levy, autor do artigo da revista, afirma: 
First, browsing. Steve Jobs promised that Safari on the iPad would be the best browsing experience ever. It's hard to give it that distinction when it doesn't run Flash, the technology behind a lot of web video and animation. I also miss tabs. That said, the techniques that work well to allow the iPhone to smoothly surf the Web really shine on the bigger screen here.


O que se passa precisamente é que o Ipad não consegue correr a linguagem do software produzido pela Adobe (Flash). Os especialistas consideram que o flash foi o verdadeiro responsável pela mudança de paradigma na web, tornando a interactividade numa nova experiência de navegação online. Nesse sentido o Ipad vai correr a linguagem de programação HTML5
Acerca deste assunto foi começado no facebook uma pequena discussão que dá para entender quais são os aspectos que levam a uma guerra entre titãs (Adobe vs Aplle).



João Martinho é um Artista Digital que se encontra a tirar o Mestrado de Tecnologia e Arte Digital na Universidade do Minho. Foi um dos responsáveis pelo lançamento de um jogo para Ipad no dia do seu lançamento (Smuggi). Na sua opinião: "A Adobe é uma grande empresa, e os seus produtos como o Photoshop ou AfterEffects são fenomenais. Mas fica somente por aí. O Flash é um erro que aconteceu no início da web, e que se proliferou massivamente, com a aceitação da sociedade digital por falta de alternativas. Mas ja há alternativas, que obviamente irão prevalecer.Relativamente à experiência interactiva, não concordo também. O flash não melhora a experiencia interactiva. É verdadeiramente um alien num browser, que está encapsulado num objecto, fechado, não indexável, não pesquisável, de extrema difícil leitura textual, e requer muito processamento do hardware. Não vos incomoda o menu flash quando clicam no butao direito do browser? Conseguem seleccionar conteúdos do flash? Copiar uma imagem? Arrastar algo para o desktop? Conseguem ler bem? Seleccionar texto confortavelmente?Se a Adobe trabalhasse muito, provavelmente conseguiria melhorar isso, mas a sociedade digital anda muito depresa, e a Adobe não irá conseguir acompanhar a velocidade das cosias, acima de tudo pelos terriveis problemas de retro-compatibilidade e multiplataforma que enfrentam. O AS3 foi uma grande melhoria, mas acabou por se tornar muitíssimo complexo, pois tem o legado do AS1 e AS2 em cima.Relativamente ao video. Já experienciaram navegar pelo site da Apple, e sentir o conforto da ausência do flash? Existe lá muito video, mas sem flash, e ainda bem. Já experimentaram o youtube e o vimeo configurados para ver video em html5? O Flash é feito por uma empresa propietária. Tem um custo, quer na sua aquisição e adopção ... Obriga a normas propietárias, que estão sempre a mudar, mas com muito atraso, e que acima de tudo que não vão ao encontro dos fundamentos e visões de Tim Berners-Lee, quando criou a web." 



Já Nelson Zagalo é professor assistente da Universidade do Minho. Na sua opinião: (...) "Mas a verdade é que havia plataformas para isso tínhamos o Shockwave que permitia codificar objectos feitos em Director para ambientes web, mas eram muito pesados e o próprio plug-in era ainda mais pesado. Havia os Applets de Java que eram ainda piores coitadas das máquinas quando aquilo corria coisas gráficas mais puxaditas, e que não tinham nem nunca tiveram qualquer aplicação decente para o desenho de objectos interactivos, era tudo baseado em programação apenas. Por outro lado lembro-me do plug-in do Shockwave ter 10Mb em tempos de modems de 28.8k e o plug-in de Flash ter 400k. Ou seja não havia alternativas viáveis. Mas não podemos chamar-lhe erro se há software que traduz o essencial das condições de interactividade multimédia é o Flash. O Flash nasce directamente do Director, que por sua vez nasce do Hypercard a primeira grande aplicação de authoring de multimédia interactiva. O que aconteceu com o Flash foi passar de uma condição bitmap a uma condição vectorial e com isso poder circular na web facilmente dado o seu reduzido tamanho."Relativamente à experiência interactiva, não concordo também. O flash não melhora a experiencia interactiva."Primeiro temos de ver o Flash no momento em que aparece e agora. Agora tens muitas outras linguagens que permitem criar o que o Flash criava há 15 anos atrás. Mesmo assim criar animação interactiva, para não falar em objectos mais complexos como os Jogos, com uma interface dedicada é muito diferente de o fazer com programação apenas. Aliás veja a plataforma de jogos que reina no Facebook. Depois os problemas que apontas da pesquisa, não são culpa do Flash. O Flash não foi criado para desenhar sites de raiz, mas sim para criar objectos interactivos. Se as pessoas o começaram a utilizar para representação de informação foi porque queriam algo mais... Mas ainda e em relação à pesquisa, como já disse antes, ela é apenas uma das funcionalidades da web. A Pesquisa representa o lado orientado à tarefa, em que o essencial é conseguir o conteúdo e não a forma como se consegue esse conteúdo. Por outro lado a Web é hoje Muito mais do que apenas uma ferramenta de pesquisa, ou seja o que é importante para a generalidade das pessoas é a Experiência, a Emocionalidade da Experiência e não apenas conseguir encontrar o paper A, B ou C, ou livro Y e Z. A generalidade das pessoas querem ser entretidas, querem ser recompensadas. Aliás como disse, se fosse apenas isso nunca a Web teria sido capaz de ultrapassar a Televisão, como o está a fazer nas camadas mais jovens. Mas isto não é mais do que a discussão que vivemos à mais de 15 anos entre Informáticos e Designers. E que é também espelhada pelo Nielsen e pelo Norman. O Nielsen e as suas malfadadas heurísticas de Usabilidade foi um dos grandes detractores do Flash e o Norman acompanhou-o até uma certa altura. Mas em 2002 percebeu que o caminho do design não podia ser isso e seguiu um outro completamente diferente o do Emotional Design (2004).As pessoas gostam de encontrar o que procuram na web, é certo e isso faz parte de um dos grandes apelos. Mas nunca te esqueças que 80% do tempo que as pessoas passam Hoje ligadas à web não é a procurar coisas que precisam, mas é a experienciarem a interactividade da web e à espera que esta lhes proporcione novas experiências."acima de tudo que não vão ao encontro dos fundamentos e visões de Tim Berners-Lee, quando criou a web." Quanto aos fundamentos do Berners-Lee desculpa lá, mas ele apenas conceptualizou a "coisa" tecnologicamente, muito antes dele já tínhamos tido um Vannevar Bush a escrever "As We May Think" e a lançar o design para um Memex isto ainda nos anos 40, e depois nos anos 60 tivemos mesmo uma primeira implementação por Ted Nelson num Xanadu. Estes sim lançaram os fundamentos do Hipertexto que por sua vez permitiram ao Berners-Lee lançar-se na Web. Mas o que importa aqui é que nenhum destes 3 viram o hipertexto/hipermédia e a rede que este gera como algo que se iria transcender, algo que é mais do que a simples pesquisa de informação interligada. A navegação nestas redes é já de si uma experiência, e cabe-nos a nós melhorar essa experiência, não apenas o fim do acesso à informação pretendida.Quanto à necessidade da Adobe melhorar, do Flash evoluir, de o Flash poder ser hoje a parte crappy, concordo, mas ainda não vejo alternativas em termo de ferramentas de Authoring de Multimédia Interactiva que permita aos designers trabalharem, sem o stress da programação. Como bem dizes o AS3 é bom, mas demasiado complexo para eles... vamos ver..."



Como podemos perceber pelos argumentos dos dois especialistas a questão é complexa e envolve um total conhecimento das ferramentas. Mas no meu entender: 

Um entendimento entre os dois Aplle e Adobe apenas iria ser mais benéfico para o consumidor final, que neste caso somos todos nós.  
Claro que do ponto de vista do poder as coisas podem tornar-se eticamente inaceitáveis. A minha ideia não era propriamente uma fusão entre os dois gigantes, mas sim um entendimento que favorecesse todo o consumidor final, não apenas pela oferta mais alargada, mas também pela possibilidade de ele escolher sempre o produto mais eficaz. Porque no meu entender, o Ipad tem sido tão sensacionalista nos media, que sinceramente não sei quantas pessoas terão consciência da não possibilidade de correr o Flash. E aqueles que sabem têm que andar sempre à procura de outros produtos que os sirvam melhor. Complicado.





  

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pensar em termos 3D




Julian Napier é um dos mais experientes realizadores do 3D de Inglaterra. Na revista 3D World fez a seguinte afirmação: 
“3D personalises the viewing experience in a way that 2D never could. To be able to funnel a message so personally and individually to the viewer makes 3D an incredibly powerful tool for marketing purposes. But to fully explore its creative potential, people need to properly think in 3D terms, conceptualise for 3D and then execute this with enough authority to preserve the integrity of their original vision. Ideas and story remain paramount, but there’s more to making engaging and memorable 3D than simply having the right bit of kit and adding dimensionality to a 2D idea.”

Com   a mesma eu concordo totalmente. No cenário que vivemos actualmente o 3D voltou a conquistar um lugar com elevada importância. Filmes como Avatar e novas tecnologias que permitem a televisão a 3D trouxeram novamente para a ordem do dia esta forma de representação e com isso também um novo alento à indústria.  Mas aquilo que realmente eu penso é, indo no sentido no que é referido na citação, se as pessoas pensam realmente em 3D?


Provavelmente ninguém põe em questão a relevância da importância do 3D nos dias hoje. Os próximos tempos vão ser recheados de novas produções neste formato. Mas a questão que me surgiu, depois de ler o artigo na 3D World é se realmente as pessoas pensam em 3D e quais serão os principais entraves a isso. Então, nesse seguimento percebi que o maior problema surge, como quase em todas as indústrias às despesas que tem com a opção a esse recurso. Tudo se resume na seguinte citação retirada do site www.compendium3d.com:


The Cost:
Various figures have been suggested as to the “add-on” cost for 3D over 2D. Yes, currently, producing 3D is more expensive than 2D. Both the production process and the post-production process involve more people, more kit and more time. To mitigate this add-on cost it is now more important than ever to have a production process of the highest calibre. As with all things new, in time the premium for 3D will reduce. Perhaps obviously, various factors in conjunction with 3D can affect cost; pure live action or pure CG are the least expensive versions of 3D. Conversely, mixing both live action and CG together in the same frame results in a much greater cost. So, to actually put a definitive cost for 3D over 2D is virtually impossible, but for those of you still reading, then currently 3D is between 15-50% more expensive than 2D depending on the factors mentioned above. On the upside if you shoot in 3D you get a 2D version for “free”…


terça-feira, 6 de abril de 2010

Choque de civilizações


A perspicácia deste filme começa logo com a sua introdução. Através de uma apresentação em texto percebemos o que é o Walkabout. Depois vemos imagens de um pai que está prestes a atingir a loucura e decide matar os seus dois filhos. A parte onde isto nos é mostrado é um pouco incompreensível, porque não é mostrada uma razão objectiva para o sucedido. Mas a importância do filme não é perceber a razão porque o pai das duas personagens principais se tornou um louco. Antes de mais este filme é uma mescla de culturas e formas de sobrevivência e isto é que é importante perceber. Neste mundo multi-cultural a diversidade humana é fascinante: não só porque é um motivo de o homem estar sempre à procura do novo, mas também para percebermos como o homem é um ser complexo e socialmente diferente apenas pelo meio onde vive. Contudo, a forma de o homem comunicar não precisa de ser extremamente apurada. Numa sequência é mostrado, num grande momento de linguagem cinematográfica, como o homem nas formas de comunicação mais primitivas consegue comunicar de uma forma mais eficiente do que a língua mais evoluída: depois de a irmã insistir várias vezes com o aborígene que pretendia água num inglês extremamente correcto, a criança chega e com linguagem gestual indica ao aborígene, que  rapidamente o entendeu, do que os dois queriam.
Mas no choque de culturas a manifestação do sentimento mais primitivo do ser humano é razão do nascimento de uma necessidade de o manifestar. Mas neste caso a comunicação é composta por um ruído de simbolismo e semântica. Então, a má comunicação vai provocar o mal de alguém e não o bem: o aborígene apaixona-se pela rapariga. Decidido, começa a demonstrar-lhe esse afecto através de um ritual característico da sua cultura. Porém, depois de muitas horas a "dançar" a sua mensagem não foi compreendida, o que faz com que ele se suicide. 


sábado, 3 de abril de 2010

Eu engano, tu enganas...


Existem filmes que são uma  simples forma de reconhecer a realidade e com ela percebemos que existem coisas que são mesmo estranhas e enganosas. Orson Welles um dos maiores nomes de sempre do cinema e não só. Produziu e realizou inúmeras obras que foram reconheciddas pela crítica como autênticas reivinções do próprio cinema. Foi um produtor, realizador, guionista e actor americano pioneiro e génio do cinema. Com as suas obras conseguiu renovar a estética narrativa da linguagem cinematográfica. Foi uma figura influente por causa da sua metamoforse estética que se pode ver em obras como Citizen Kane. Quem já viu este filme consegue perceber a sua qualidade pela fotografia, que embora seja a preto e branco, foi altamente inovador para a época, e pelos planos que criaram normas cinematográficas que ainda hoje são usadas por realizadores, e pelo conceito de profundidade de campo. Para mim uma das maiores qualidades do produto audiovisual que pode ser admirado não só apenas nos filmes tradicionais, mas também de uma forma mais evoluída na forma que voltou a ser moda de ver filmes, o 3d. 



O Cidadão Kane foi realizado e produzido com recurso a factos verídicos de um cidaddão americano. Mas o filme que eu quero falar é o que eu tive oportunidade de visionar. Por sinal foi a última obra de Welles e integra-se num género de audiovisual que não é a ficção, mas sim o documental. Talvez seja pertinente perceber quais são as diferenças que existem entre os vários géneros. A literatura que existe é vasta e muitos são os autores que tentam explicar, em ensaios académicos os varios elementos que os diferenciam. Eu podia procurar intensamente a melhor definição sobre o que realmente diferencia os dois géneros, mas a verdade é  e não é num post que vou conseguir encontrar e publicar aquilo que que eu considero que diferencia um do outro. Em simples palavras, e como o seu próprio sentido significa, ficção distingue-se do documentário pela forma como capta a realidade.

Mas vejamos o que dizem os especialistas sobre o assunto: 
Se as narrativas voltadas para exponenciar a circunstância da tomada aparecem como centrais em trabalhos próximos da estilística do Cinema Verdade/Direto, há, na história do cinema documentário como um todo, uma espécie de força centrípeta que atrai a imagem e o espectador para a presença do sujeito que sustenta a câmera na tomada.

Fernão Pessoa Ramos

Eu acho que o que estou a tentar dizer é que a ficção não é o mesmo que o documentário. Eu todos os dias tento perceber qual é a verdadeira consistência na forma de representar a realidade. Que é a coisa mais complicada que o ser humano tem que entender na sua existência. Podemos compreender a realidade como uma história que foi escrita e nós apenas temos que seguir. Ou então podemos ver a realidade apenas como simples construções de representações entre o que é real e o que é ficcional. Todos os dias passamos por situações que nos fazem pensar entre o que distingue um do outro. Desde o aparecimento da forma em movimento de representação que o ser humano entrou em dúvida sobre o que é realidade e sobre o que é ficção. 


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