sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Construir um web site que funciona, segundo Seth Godin.

Seth Godin, a quem chamam de America's Greatest Marketer é um ensaísta, com mais de trinta livros escritos e traduzidos para várias línguas. Entre esses livros podemos encontrar, por exemplo, Purple Cow: Transform Your Business by Being Remarkable. Um livro muito lido por criativos e por profissionais que trabalham essencialmente nas áreas da tecnologia da comunicação informação. 
Também é um defensor do conceito das tribos, ou por outras palavras, dos nichos de mercado minoritário que sobrepõem uma nova estratégia de crescimento de determinado projeto ou ideia. Um pouco daquilo que é defendido por Jeff Jarvis, Christian Andersen ou Marshall Mcluhan. "Tell a story, connect a tribe, lead a movement, make change." Discurso que se foca nas tribos e não nas massas para espalhar uma ideia e que pode ser melhor entendido nesta conferência TED.


Resumindo, a aposta passa por nós sermos notáveis, mas também sermos capazes de ter vontade de levarmos uma ideia avante. As ideias de Godin fazem todo o sentido, porque se focam no ser particular que somos, como funcionamos biologicamente e mentalmente. Portanto, muitas vezes precisamos apenas é de uma inspiração. E essa inspiração podemos ser nós próprios, porque apenas devemos encontrar a tribo que nos integramos melhor para partilhar ideias, opiniões, visões, projetos, etc. 

Não esquecendo a importância dos outros meios de divulgação, nos dias de hoje a Internet é, indubitavelmente, o meio preferencial para divulgar o que quer que seja, mais não seja o mais barato e livre de burocracias políticas, sociais e legais. 
Nesse sentido, nada melhor do que começarmos o nosso próprio website para podermos reunir a nossa tribo e fazer crescer uma ideia ou projeto. 
É precisamente sobre isso que quero falar, mais concretamente um freebook de Seth Godin intitulado Knock Knock. 
É preciso entender que isto não é nenhuma fórmula mágica, porque para o sucesso as variáveis fundamentais a ter sempre em conta são a motivação com que nos empenhamos e a qualidade da ideia ou projeto. Contudo, o que ganha destaque no livro não é uma explicação sobre webdesign, ou até um tutorial sobre um software de como fazer o melhor layout ou interação do site, mas sim uma aposta no marketing de como e porquê as pessoas o utilizam. Nesse sentido, o autor começa logo por falar na  Big Picture: What a Web Site Does:
Big Picture #1:
A Web site must do at least one of two things, but probably both:
• Turn a stranger into a friend, and a friend into a customer.
• Talk in a tone of voice that persuades people to believe the story you’re telling.
Big Picture #2:
A Web site can cause only four things to happen in the moments after someone sees it:
• She clicks and goes somewhere else you want her to go.
• She clicks and gives you permission to follow up by email or phone.
• She clicks and buys something.
• She tells a friend, either by clicking or by blogging or phoning or talking.

Mais do que isto, então não estamos focados no que é realmente importante.  Entrando em modo mais profundo de análise. Entendemos que o website deve ter um objetivo traçado, isto é, deve ter uma função. Caso contrário não vale a pena o ter e manter. Sim, porque ele ocupa-nos tempo e podemos sempre ocupa-lo de forma mais produtiva.  Sometimes it’s hard to embrace the fact that, yes, you are trying to sell something. It might be a product or a service or just an idea. You might be trying to raise money foryour university or help a battered woman find the nearest shelter. But you are trying to do something with your Web site. If you’re not, get out.
No fundo o livro parece um verdadeiro manual de como fazer um site. Seth Godin explica que é uma forma barata de conhecer estratégias capazes de impulsinar um projeto e uma ideia que pode simplesmente começar num website.  Mas melhor ainda, encontramos um discurso assertivo, profissional e barato. Algo ainda mais importante no livro.  Recomendo vivamente a sua leitura e ele vai ser o meu manual nos próximos meses de 2012 de forma a impulsionar o meu www.artedeseexprimir.net. Feliz ano novo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Filipe Melo, músico, realizador e cartoonista

Filipe Melo é um artista multifacetado. Realizador da curta I See You in My Dreams (2003), considerado o primeiro filme de terror português e que venceu o Fantasporto em 2004. Na curta entraram Adelino Tavares, São José Correia, Sofia Aparício, Manuel João Vieira, João Didelet e Rui Unas, entre outros. Realizou também Um mundo Catita (2007), uma série de seis episódios que passou na RTP.  
Tem também uma banda. Estudou no Hotclube de Portugal e no Berklee College of Music em Boston. Entre outros já tocou com Peter Bernstein, Camané, Carlos do Carmo e GNR.  Finalmente, é cartoonista. Lançou no ano que corre o seu segundo livro de banda desenhada intitulada Dog Mendonça and Pizza Boy, Apocalipse II (2011). 


A BD antecedente, intitulada The Amazing Adventures of Dog Mendonça and Pizza Boy (2010), e com prefácio de Jonh Landis, realizador do vídeo clip Thriller (1982),  foi nomeada e venceu o melhor argumento no FIBDA Comic Book Convention.
A segunda saga tem o selo da Dark Horse, que é a terceira maior editora de banda desenhada dos Estados Unidos da América, mas numa vertente mais indie, sendo opositora da Marvel e DC Comics.  
Eu convidei o Filipe Melo a dar uma entrevista aqui para o blogue. Para que o possam conhecer melhor e, simultaneamente, dar a conhecer o seu mais recente projeto, pelo qual tenho um deleite. 


1º Fala-nos um pouco de ti e do teu percurso?

Chamo-me Filipe Melo, cresci em Benfica e gosto muito de música, de filmes e de banda desenhada. 

2º Em que altura da tua vida descobris-te a tua vocação e porquê?

Ainda não descobri a minha vocação, tento descobri-la todos os dias, mas suponho que desde cedo percebi o que gostava e do que não gostava e tento viver a minha vida de forma a dedicar-me de forma honesta às coisas que me motivam.

3º Nos dias que correm, tens que conjugar duas atividades em simultâneo! Fala-nos um pouco delas e como consegues sincronizar datas?

Na verdade, adorava ter só duas actividades. Tenho de conjugar várias, porque além dos concertos, tenho a banda desenhada, os filmes, as aulas... É muita coisa ao mesmo tempo. Para sincronizar datas uso o ICal. 

4º Como foi a experiência de realizar a curta I See You in My Dreams e ganhar o Fantasporto?

Foi uma experiência intensa e ajudou-me a ganhar confiança nas coisas que faço. Foi uma época muito bonita da minha vida, e os prémios que o filme ganhou serviram apenas para mostrar que algumas pessoas gostaram do que andámos a fazer. 

5º Fala-nos do teu último trabalho na área dos Comics? Qual o processo e as ferramentas utilizadas na realização?

A última aventura editada em Portugal é "As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy 2 - Apocalipse", a sequela de um livro que lancei no ano passado. É, como o título indica, um livro de aventuras. Paralelamente, tenho trabalhado por encomenda para a Dark Horse Comics, com histórias curtas, de 8 páginas. O desenhador e o colorista vivem na Argentina, por isso o processo de trabalho é via Skype.


6º Qual é a fantástica equipa por detrás?

É uma equipa pequena, mas unida - a equipa central é constituida por mim, que escrevo, o Juan Cavia, que desenha, o Santiago Villa, que põe as cores e o Pedro Semedo que coloca balões. Há também uma série de pessoas essenciais que participam em várias fases do processo e que enriquecem muito a história ao ajudar-nos na adaptação de guião (Martin Tejada, João Pombeiro), na produção, etc. É um processo muito enriquecedor. Sobre a equipa e sobre o processo poderão consultar a página oficial do projecto: www.dog-pizzaboy.com.

7º E para ti como vai o estado dessa arte em Portugal? Soluções e problemas?

Está óptimo. Não vejo problemas, por isso não vejo necessárias soluções. Há festivais, há artistas talentosos. É preciso chegar a mais leitores, só isso, mas isso depende de nós, autores.

8º Que conselhos queres deixar para aqueles que agora estão a começar?

Lembrem-se de quem são e do que gostariam de ser, e nunca desistam de tentar ser aquilo que querem, por mais complicada que se torne a situação.

Para terminar, deixo-vos com o Making Of para que conheçam visualmente a equipa e o processo de trabalho.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Viagem à volta da Terra em um dia

Recordo-me de escrever sobre o projeto num post aqui no Blogue. Desde aí houve sempre uma memória que despertava o meu interesse sobre o resultado final deste projeto. O tempo foi passando e a oportunidade havia de surgir quando menos esperava. 
Acabei por ver o filme, que está totalmente disponível de forma gratuita no site oficial, Life in a Day (2011); no momento em que a vontade de viajar se tornou mais presente. 


O filme foi realizado por Kevin Macdonald e produzido pelos irmãos Ridley Scott e Tony Scott. Teve estreia no festival Sundance, mas passou também por Berlinale (Panorama Special), True/False, Transilvania (Unirii Square), Melbourne (Networked), Karlovy Vary (Another View). Recorreu ao conceito de crowdsoourcing para angariar footage necessária para a montagem. Esta teve como base final cerca de 4500 horas de vídeo de mais de 190 países. 


Analisando a obra, podemos concluir no final que este é um objeto sem qualquer tabu, forma ou estrutura. A sua totalidade foi a criatividade de milhares de pessoas, que aproveitaram a sua rotina diária, para participar em algo que queriam fazer parte. É uma viagem brilhante! Por momentos, parece que percorremos o planeta terra num único dia e esse foi o 24 de Julho de 2010. A variedade de captações, de histórias, de culturas, de momentos, de contextos e pessoas é mote de sonhar em ultrapassar os limites em que estamos limitados.
A narrativa começa de manhã, que é quando o sol nasce. Percorre o interior de casas e o exterior de ruas. Vemos pessoas acordar, outras a cortar a barba, outras a urinar e outras a filmar o interior de um elevador. 
Quase como à velocidade da luz, somos capazes de saltar de continente para continente e sempre que chegamos a um novo destino, não sentimos a estranheza do desconhecido. Pelo contrário, parece que fazemos todos parte desta aldeia global e, que mesmo a milhares de quilómetros, as pessoas que moram em determinado sítio são nossas vizinhas.


Uma outra componente do filme é a sua multiplicidade de culturas. Que já sabemos que existem no mundo inteiro, mas esta é uma prova de como as pessoas são influenciadas por elas. Na sua personalidade, nos seus afazeres, na sua rotina, nos acontecimentos tristes e alegres da vida. 
Enquanto um rapaz reza à mãe que morreu, vemos um pai a desmaiar enquanto olha a sua mulher a dar à luz uma nova vida e assistimos a  um rapaz com pouco mais de 6 anos a engraxar sapatos e o seu maior tesouro é um computador portátil tipo o Magalhães. Mas tudo isto se passa em países diferentes, logo com culturas diferentes. 
Enquanto entramos dentro da obra, deixamos que as suas imagens nos hipnotizem e quase como por magia, somos capazes de sentir que estamos naquele lugar. Mas também existe a soundtrack que funciona muito bem como abstração ao pensamento de estarmos presos a um lugar e queremos viajar para outro. Falo por exemplo, das três mulheres angolanas que cantam e esmagam uma semente, creio que para fazer farinha, sentadas no chão. Mas o som que sai das suas bocas, e enquanto batem com o instrumento no chão, é quase como um concerto de luta pela sobrevivência.
Concluindo, temos aqui uma obra que entra num formato de documentário sem guião, argumento e narrativa multi-linear. Podemos pensar, por exemplo, nos primórdios do cinema onde o cinematógrafo dos irmãos Lumière era colocado de forma estática e apenas filmava o que se passava na rua ou noutro qualquer contexto. Neste objeto, a ideia foi levada um pouco mais longe! A escrita do guião foi responsabilidade dos próprios intervenientes. Por isso é um filme de improviso, imaginação e criatividade e recorrendo a material de baixo custo para a captação. Algo só possível com evolução da tecnologia. Finalizando, não devemos esquecer que o segredo do filme é a montagem e seleção das cenas que foram montadas estruturalmente de uma forma temporal, isto é, um dia na vida na Terra.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A magia do Cinema

No princípio era a imaginação, apenas como faculdade de pensamento da percepção que temos do exterior, aquela coisa que chamamos realidade. Depois temos a palavra e através  do seu código condutor, percebemos o seu real sentido. 
A evolução existencialista lá nos levou a descobrir os simples mecanismos capazes de fazer tecnologia, mas foi a tecnologia  que deu liberdade ao Homem. 
A tecnologia chegou a um ponto em que a imaginação e os sonhos que o Homem tinha em imagens ganharam vida, assim nasceu o Cinema. 


Poderá parecer exagerada aquela introdução, mas torna-se fácil de entender se falarmos um pouco da relação do Homem com a tecnologia e o que ela foi capaz de criar para nosso deleite.
Desde a altura em que o Homem era um animal irracional e conseguiu, seja pela forma criacionista ou evolucionista, atingir o estado de se auto-agraciar com uma das suas melhores descobertas ou invenções da sua história, a tecnologia. 
Desde o simples inventar da roda, ao foguetão que foi à lua. Pelo meio o homem inventou o Cinema. E é aqui que se torna interessante abordar o novo filme de Martin Scorcese, Hugo (2011).  


Se juntarmos a tudo aquilo que disse, como um novo ingrediente, podemos pensar na forma mais criativa de o homem se descobrir. No sentido mais filosófico, a capacidade de criar objetos.
Pequenos artefactos que ganham sentido pelo lado emocional mais artístico. A capacidade da cultura e dela surgir e ser criado para fruição um  produto como a Arte. 
Podemos pensar por exemplo na Magia e a capacidade de Ilusão. A manipulação da ilusão através da inteligência criar o processo capaz de num espaço e num período de tempo enganar uma multidão que está perante o auditório, carregado de pessoas. A maneira como estas pessoas ficam emocionadas com a ilusão era, na verdade, a razão de elas estarem ali e, ainda, pagarem por isso.
Agora imaginem como seria um mágico e, entenda-se ele como pessoa, significando apenas a sua consciência e maneira de entender a realidade e tendo emoções? Agora imaginem o que é sentir como era ficar emocionado. Agora imaginem, passo a redundância, o que é descobrir e ser capaz de inventar algo completamente surpreendente como os efeitos especiais.
George Méliès foi essa pessoa e Martin Scorcese conseguiu juntar aquilo que existe na contemporaneidade e aquilo porque começou por ser inventado, numa estória adaptada ao tempos que vivemos num toque de  entranha fenomenal de sentirmos realmente tempo bem passado perante a fruição de uma obra de Arte.  


Martin Scorcese não podia ter construído melhor homenagem a um dos génios do cinema, George Méliés. A fotografia é deliciosa, a banda sonora fez-me lembrar a Amélie Poulain e tem uma direção de arte fantástica. Mais um candidato a filme do ano. A obra é moderna porque aproveita a estória de vida discriminatória de um órfão. 
George Méliès um dia viu num lugar a invenção tecnológica, lembram-se de eu falar de tecnologia, sem o cinematógrafo  dos irmãos Lumiére, Méliès nunca teria esse momento.  A sua criatividade e a sua paixão nunca teria levado até ele, depois de tentar comprar uma câmara aos irmãos, sentir a necessidade de explorar uma nova tecnologia que simplesmente o apaixonaram e, com isso, criar o primeiro estúdio de cinema do mundo e um espaço onde os sonhos aconteceram 
Aliás essa sequência no filme foi o momento em que me distanciei mais da obra, onde a minha capacidade de análise realmente me fez sentir dentro de um mundo onde os sonhos acontecem, ao imaginar que realmente tería tido a possibilidade de ter estado quase de forma presencial naquele momento da história humana, mas no entanto é essa a magia do Cinema e no fundo é uma ilusão... 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amor com violência

Tyrannosaur (2011) é candidato a melhor filme do ano, mais não seja porque foi o grande vencedor dos prémios British Independent Film Awards (BIFA). Além do prémio de melhor filme, Olivia Colman arrecadou o prémio de melhor atriz. Criados em 1998, premeia o que melhor se faz em cinema britânico fora dos normais circuitos da indústria.  Procura dar a conhecer o que é feito de forma indie e no ano passado o Discurso do Rei (2010) foi o grande vencedor, que acabou por vencer também o Óscar de melhor filme. 


O filme foi realizado por Paddy Considine, que é mais conhecido em participações em filmes como The Bourne Ultimatum (2007), 24 Hour Party People (2002) e Hot Fuzz (2007). 
Na sua segunda aventura cinematográfica, Considine apresenta-nos um filme dramático, intenso, real, simbólico e impaciente. Por ventura, um candidato a melhor filme do ano. E as razões que me levam a acreditar nisso está no conteúdo do próprio filme. Claro que nada melhor que o ver para se ter uma opinião mais concreta sobre aquele argumento e perceber claramente se justifica o que escrevi. 
O que é mais intrigante é que é um realizador que não tem muita experiência na realização de filmes, mas tem muita experiência em atuar em filmes. O primeiro facto pode ser notado, na minha opinião, ao nível da fotografia: nota-se um descuido, uma falta de atenção normal quando esse não é o foco da atenção de quem está a realizar. 
Pelo contrário, em segundo facto, temos um filme com um argumento e enredo emocionantes e arrepiantes em algumas sequências e um cuidado concessivo com a performance. Temos a capacidade de nos surpreender através de gaps intensos e contraditórios. Isto poderá ser a prova que a pessoa e o seu estilo tem muito a ver com a sua experiência. E a experiência de Considine  é enquanto ator e não realizador.


No seu todo, o filme é um reflexo do lado negado da sociedade. O lado da violência e da auto-destruição da condição humana. O lado em que se toca a ténue linha frágil que separa a racionalidade da loucura. O lado que existe dentro das paredes dos ninhos familiares e, quando trespassados para o exterior, é sempre a aparência de papéis hipócritas baseados em aparências. Com uma estética pura e dura, sem preocupação de sensibilizar os mais sensíveis, o filme é a entrada cinematográfica e a representação da realidade existente em muitas casas deste mundo. Casas onde existe a violência e apenas se cinge a ser doméstica.
Por outro lado, o filme também demonstra aquilo que muitas vezes está latente em pessoas que são ignoradas pela sociedade. Ou porque são vagabundos, ou porque são bêbados, ou porque são individualistas essas pessoas não têm valor. São considerados inúteis e dispensáveis, no entanto são pessoas que têm sentimentos e, a maior parte das vezes, são apenas incompreendidos. 
Em suma, a estória do filme é de um homem extremamente agressivo e auto-destrutivo que descobre novamente o amor através da violência que uma mulher sofre dentro de quatro paredes. A forma como esta narrativa nos é mostrada é soberba e é a caraterística de maior qualidade do filme. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

13 vilões

Kathy Ryan/The New York Times
Este é um trabalho delicioso do New York Times intitulado Touch of Evil, sendo a última edição anual revista do assunto Hollywood. Um conceito já explorado em outros anos anteriores, que no fundo é a combinação de atores e atrizes numa perspetiva que vai além do desempenho que eles têm e tiveram na sétima arte. 
É uma galeria cinematográfica de nefastos vilões do cinema (Home wrecker. Madman. Sociopath. Menacing dummy. Vixen. Hothead. Tyrant. Vamp. Asylum nurse. Fire starter. Invisible man. Outlaw. Tycoon); inspirados pelos melhores desempenhos do ano no cinema. 
Realizado por Alex Prager apresenta uma condição mais particular dos ícones do cinema, inseridos em contextos singulares e que procura outros pontos de vista sobre a capacidade de performance dos envolvidos. O próprio jornal argumenta sobre edições anteriores e explica a escolha para este ano: "In years past, the Hollywood issue had no real unifying concept beyond whatever aesthetic sensibility the photographers brought to the task of capturing our chosen performers in still pictures. But once we decided to move into video, our subjects had to have something to do. (...) This year, Arem Duplessis, the magazine’s design director, suggested having the actors play baddies."
O que é realmente interessante explorar no visionamento dos 13 vídeos é a falta de regras estruturais que normalmente encontramos nos desempenhos destes atores e atrizes nos filmes. Notamos a liberdade na criatividade e expressão nos papéis. Tanto da parte dos envolvidos, bem como a arbitrariedade dada ao realizador que o classifica como o projeto de sonho precisamente por isso. 
Considero este projeto uma lufada de ar fresco nas características que associamos a muitos deste atores e atrizes quando os visionamos em filmes que participam. É também uma exploração da técnica e criatividade possível. Pois nota-se o cuidado com a fotografia, a direção de arte, o drama, o movimento, a cenografia, o som, a resolução e a arte. Por não ser possível incorporar os vídeos aqui no blogue, deixo-vos as fotos e, se carregarem nas mesmas, abrem o link para o vídeo que pode ser visto no youtube. Desfrutem. 













terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O projeto 360


O projeto apresenta-se como uma convergência entre fotografia, imagens em movimento e dança. Da iniciativa de Ryan Hughes apresenta como metodologia a colocação de 48 câmaras (Nikon D700); num circulo e clicadas simultaneamente enquanto os bailarinos dançam. O resultado foram dois filmes intitulados Ballet 360″ e “Krump 360




O conceito procura representar polémicas perspetivas no que toca à técnica e origem - uma é bela, a outra monstruosa. Claramente a primeira diferença que podemos constatar entre as duas formas de dança é que uma é mais formal, estruturalista, clássica e representa elites e valores da sociedade mais nobres, sendo que a outra provêm da rua e manifesta abstrações e fugas de grupos mais pobres. Parecido com o processo de construção do Bullet Time no filme Matrix (1999); recorre ao uso de software capaz de juntar todas as 48 fotografias numa única timeline de forma a gerar movimento. Em pós-produção a equipa recorreu a outros softwares para melhorar outros aspetos. São eles o Aftereffects, Lightroom, Photoshop e FinalCut. O que é importante apreender é que este é um trabalho de fotografia e apenas se transforma em imagem em movimento quando os frames são colocados juntos. Fiquem com o Behind the Scenes.

A beleza de um segundo

Este é um concurso para celebrar a invenção do cronógrafo há 190 anos por Nicolas Matthieu Rieussec. Foi neste preciso momento que o tempo ficou registado com o detalhe de um segundo. 
O tema pode ser qualquer um, desde que celebre a beleza frágil daquela unidade de tempo. O desafio é lançado a qualquer pessoa, que pode fazer o registo com qualquer ferramenta que queira (desde de telemóvel  a câmaras de alta resolução); porém têm que estar gravadas com o formato 16:9. 


Wim Wenders, realizador de Pina (2011), participa no concurso que tem o selo da Mont Blanc. O teaser promocional, que vou colocar abaixo é bastante explícito sobre as intenções pretendidas. 
Podemos refletir um pouco sobre este acontecimento. Em primeiro lugar é uma forma criativa de marketing e divulgação sobre um produto e uma marca. Aproveitam a celebração em causa para criarem uma forma inovadora de gerarem publicidade. Em segundo lugar, recorrem ao conceito de crowdsourcing para encontrar os fornecedores anónimos do conteúdo pretendido, algo que está muito em voga. Falo, por exemplo, de Ridley Scott, a Google e o projeto One day on Earth. Por último, a metodologia escolhida só é possível graças à inovação tecnológica que vivemos neste século. Nos dias que que correm qualquer um pode ser realizador. Qualquer pessoa tem a possibilidade de gravar um segundo ou uma hora dos momentos da sua vida, em qualquer lugar e em qualquer momento. São os tempos que vivemos atualmente. 

In the Stars