quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pintar com os dedos

É simplesmente genial o que trago hoje aqui. É autenticidade criativa na maneira de convergir a tecnologia com a arte. Algo que me interessa profundamente e que tenho procurado aqui explorar. Seikou Yamaoka é um artista que simplesmente pinta com os dedos. Mas não utiliza uma tela qualquer, aliás a sua tela é um Ipod Touch com uma app chamada Art Studio. A aplicação onde o mesmo se dedica a rabiscar e procura que as suas obras se pareçam mais com pintura de aguarela do que artefatos produzidos de forma digital.


Através da visualização do seu canal do youtube podemos reparar na complexidade e motivação que o artista tem em produzir as suas obras. Por um lado,  teimosia em ter condições de trabalho um pouco precárias devido ao tamanho do ecrã do Ipod. Por outro, a demora para concluir as suas obras. Porém, são estas as duas razões principais que o distinguem de outros demais. No entanto, é um método que tem crescido muito desde do aparecimento de artefatos tecnológicos como o Ipad, Iphone e outros como o Nokia N8 com o qual foi produzido a maior animação em stop motion
Recordo por exemplo um outro post que coloquei aqui à uns tempos atrás de um filme que foi filmado na sua totalidade com um Iphone 4.
Para os que se interessarem recomendo mesmo uma passagem pelo canal de youtube do artista onde podem encontrar vários making of sobre várias obras produzidas tanto em Ipod, como em Ipad.



De resto deixo mais alguns trabalhos do artista e convido-vos novamente a passar pelo seu canal de youtube de forma a terem uma melhor ideia da beleza da sua arte e originalidade. 




quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A vida e os seus ramos

Há já muito tempo que não perdia tempo a analisar um filme. A verdade é que aqueles que tenho visto nos últimos tempos nunca mereceram este tipo de análise. Tree of Life (2011) de Terrence Malick é uma obra prima, que foi considerada por um colega meu como uma das obras cinematográficas do século XXI.  A verdade é que aquele século ainda vai pequeno, mas de todo concordo.
O realizador em muitos anos realizou poucos filmes, mas foram sempre muito bem recebidos pela crítica. Também não é de admirar, é um realizador com trabalhos notáveis e que certamente ficará para a História do cinema. Mas a sua marca também será o mistério que o envolve, para perceber basta ler a sua biografia. Formado também em Filosofia, nunca se preocupou com a quantidade, mas mais com a qualidade. Porém, não escapa às críticas dos mais hermenêuticos, já que obras suas não são bem recebidas. Independentemente de tudo isso, o que interessa mesmo falar é do seu último filme.


São variadas e até infinitas as interpretações que se podem tirar do filme. Podemos pegar pelo lado da instituição primordial para a nossa integração na sociedade: a família. Esse suporte vital, que nos educa para a realidade e nos formata segundo eles próprios foram formatados. A nossa adaptação pode ser de liberdade e logo felicidade, mas também autoritarismo e frustração com a nossa individualidade. Ou porque não atingimos as expetativas impostas, logo ascensão social. Ou porque aos olhos dos nossos progenitores somos uns falhados. Ou porque o excesso de querer a perfeição pode criar a dicotomia amor/ódio.
Podemos também ir mais fundo e olhar pelo lado da religião. Essa fé que nos dá equilíbrio neste mundo que parece não ter sentido mas que agarrados à ideia de divindade dá-nos uma ideia de um destino paradísico e que esta vida é apenas uma passagem para outra. Mas como está mais que provado o fundamentalismo pode levar a atos loucos de expressão. Na minha opinião Malick quer ir mais longe.
Ele pega no lado social e religioso e mistura-os com o lado da ciência, mais de um ponto de vista da evolução de Darwin.


A árvore é constituída por vários ramos, a vida também. Temos o ramo da família, o ramo social, o ramo existencial,  o ramo individual, entre outros. Porém, todos esses ramos fazem parte de uma génese total que não é mais do que a Árvore da Vida. Malick estetiza no filme a sua percepção do mundo e como ele está ligado pelas suas diferentes ramificações. Como elas são constituídas, como são influenciadas e o que objetivamente conseguem dar a cada um.  
O realizador, de uma forma soberba preocupa-se que as imagens consigam passar esta mensagem pondo vários momentos no filme de autêntico blackout. Deixa as imagens falar sem rodeios e sem interferência sonora, a não ser aquela que nos faz pensar. Focaliza a natureza e a sua verdadeira importância na Árvore da Vida, porque é ela a totalidade de toda a realidade.


Do lado da família utiliza o flashback e o flashforward como ferramentas para percebermos o lado do amor com carinho e o amor com autoritarismo. Demonstra pela vozoff  a consciência de cada um e como muitas vezes acarretamos os nossos problemas e inquietações apenas no nosso interior, sem queremos exteriorizar.  E o nosso único confidente é o nosso ser bipolar existente num único cérebro.
Contudo, o que podemos considerar uma harmonia, simplesmente pode ser desfeita porque a Árvore da Vida é feita propositadamente com estes percalços. 
No fundo, o flashback passa-se unicamente no contexto e espaço família, onde existe o amor/carinho e amor/autoritarismo. No flashforward temos a ascensão social que tanto nos impuseram, mas individualmente somos perturbados pela memória e a inquietude mental. 

  
Em suma, o filme fala-nos da vida naquilo que é, puro e duro. A vida é uma ramificação de experiências, sensações, influências, socializações, momentos, fé, etc. Tudo isso nos perturba e nos molda e não é o mesmo lidar com isso coletivamente que nosso interior. 
Gostava apenas terminar apenas com mais uma nota. Na tradicional narrativa, estamos habituados apenas três atos: introdução, desenvolvimento, conclusão. No meu ponto de vista, o filme é constituído por quatro atos. Porém não sei que nome deverei usar para o adjetivar. 
Com tantos gaps no argumento, que são lacunas propositadas, o que dei conta é que o desenlace está presente na introdução e não na conclusão como é normal. Mas não quero entrar mais profundamente nessa questão, vejam por vocês próprios e sintam se podem concordar comigo. 

domingo, 4 de setembro de 2011

A guerra social

Depois da entrada em cena do Google + a "guerra"entre as principais redes sociais do momento aumentou de tom. Nesse sentido, Aaron Wood criou umas interessantes ilustrações que podem ser adquiridas aqui. Gosto especialmente da ironia que as ilustrações têm no texto que incorpora, brincando com a funcionalidade que mais se destaca nas caraterísticas de cada uma das redes sociais. 




sábado, 3 de setembro de 2011

Carmen Ortiz, Ilustradora


Carmen Ortiz é ilustradora. O seu portfólio pode ser visto aqui. O que mais me chamou atenção no trabalho dela foi a delicadeza do traço que a preto e branco cria uma atmosfera inquietante acerca do perfil de atores e atrizes. Adoro a subtileza do desenho a lápis que dignifica alguns dos ícones do cinema mundial. 



É incrível como ela com apenas duas cores, por sinal primárias em todo o seu portfólio, consegue criar toda uma atmosfera que vai para além do preto e branco. Enfatiza o perfil do ator dando-lhe relevo por uma pose real numa textura sublime como aquela que se vê na de Clint Eastwood subjacente nas rugas da cara e do pescoço. A minha predileção vai para os trabalhos da artista em que foca atores de Hollywood e nos quais é extremamente subjacente a qualidade do seu trabalho. Aqui coloquei apenas os meus preferidos, mas recomendo vivamente uma passagem pelo portfólio da artista. 





Pixar, uma história de sucesso

Com as notícias que vieram a público nos últimos dias sobre a saída de Steve Jobs como CEO da Apple, a minha curiosidade sobre a sua biografia aumentou. Com isso, veio também uma necessidade de saber mais sobre outra das empresas que foi fundador, a Pixar



Inicialmente começou por fazer parte do património do realizador de Star Wars, George Lucas. Mais tarde acabou por ser comprado por Steve Jobs (que lhe deu o nome Pixar) e, posteriormente, pela Disney. 
Da sua responsabilidade, destacam-se vários filmes de animação que atingiram um enorme sucesso  e que de alguma forma mudaram a forma de fazer filmes.
No caso concreto acho que se pode dizer que com o primeiro Toy Story (1995) foi o começar de toda uma panóplia de sucessos que culminaram em vários Óscares e outros prémios. O que é mais curioso é que o Óscar de melhor filme de animação apenas foi criado em 2001 e muitos dos filmes realizados pelo estúdio de animação foram realizados antes desse ano. O que na minha opinião é uma injustiça muito grande. Pois muitos bons filmes foram realizados nessa década anterior. 
Mas creio que toda esta informação não será nova para muitos dos que se interessam por estes assuntos. Assim o que quero mesmo é trazer aquela que considero nova (porque não a sabia antes) informação acerca da empresa e como ela própria mudou o cenário do Computer Graphics.
Começo com um vídeo de Ed Catmul, atual CEO da Disney Pixar, Animation Studios. Numa conferência de 2007 na Stanford Graduate School of Business fala-nos da estrutura da Pixar. 
É interessante perceber como ao longo da produção dos filmes de animação foram aparecendo dificuldades e como estas foram resolvidas. Também as ideias de Catmul acerca da criatividade e toda a sua implicação na realização de filmes. Gostei principalmente da parte onde fala de que nem sempre boas ideias significam bons produtos. Porque se as boas ideias forem entregues a pessoas medíocres, podem perder qualidade. 
Outra questão a reter é o seu ponto de vista sobre o negócio que incorpora este tipo de empresa, aliás é neste ponto que a conferência se torna realmente interessante. Dá ideias acerca de todo um processo  necessário através de uma empresa de excelência na área. 

   


Foi depois de visionar esta palestra que me apercebi que a importância da Pixar está mais focada em pessoas visonárias, do que aquilo que simplesmente os meios de comunicação sempre nos passaram. Ao pesquisar um pouco mais sobre Ed Catmull, fiquei a saber numa entrevista do The Guardian de 2003 que ele foi responsável por: 
At school Catmull had hoped to become an animator, inspired by the Disney movies Peter Pan and Pinocchio. Deciding that he wasn't good enough he instead enrolled into a degree course in the nascent field of computer science at the university of Utah, where he stumbled into graphics. He made an animated version of his left hand, which was used in the first film to incorporate 3D computer graphics, the science fiction feature Futureworld.

Graças a um filho de um colega de Ed Catmull veio agora a público um vídeo que não é mais do que o primeiro Making Of da primeira animação 3D feita por computador. É realmente arrepiante ver este vídeo e pensar como Ed Catmull e a toda a sua equipa começaram com esta animação uma verdadeira revolução na imagem em movimento, integrando a tecnologia digital para um proveito artístico e cinematográfico. Mais tarde foi utilizado no filme Sci Fi Future World (1976).




Foi precisamente neste filme que se criou pela primeira vez o CGI através da modelação da própria mão de Ed Catmull. Ou seja, de alguma forma este senhor foi o responsável da utilização do CGI na criação de uma animação 3D. Claro que o mérito não é só dele, porque atrás dele já vinha todo um conhecimento consolidado. Mas ele foi quem utilizou esta tecnologia pela primeira vez. Mas realmente o que merece tempo é ler todo este artigo que conta mais pormenorizadamente a história da Pixar. Vale bem a pena a leitura. 

Dark