sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O Homem no Castelo Alto

Philip K. Dick (1928-1982) foi um escritor que dizem que mudou a forma de ver a ficção científica na literatura. Embora o seu reconhecimento tenha vindo pos mortem, as adaptações ao cinema de alguns dos seus livros, elevou-o a outros patamares.
Não seja demais dizer pelo filme Blade Runner (1982) realizado por Ridley Scott e que ganhou uma legião de fãs por causa da sua estética e linguagem cinematográfica. Adaptado do livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (1968).  Filme que vai ter uma sequela no próximo ano e conta novamente com Harrison Ford.

Philip K. Dick

Porém, depois desta apresentação do autor, quero passar a falar da  web série The Man In The High Castle (2015) produzida pela Amazon em cooperação com a Scott Free e que a segunda temporada estreou no início deste mês. 
Adaptada do livro de Dick com o mesmo nome, a série de ficção científica distópica desenrola-se numa realidade onde a Alemanha Nazi e o Japão, o eixo, ganharam a Segunda Guerra Mundial e são os dois impérios que dominam o Mundo. Particularmente dividem o território norte americano: sendo a costa do pacífico dominada pelos japoneses e a costa atlântica dominada pelos nazis. Estes detêm a capacidade de produzir a bomba atómica. Pois com ela ganharam a grande guerra, lançando uma sobre a capital dos Estados Unidos da América, Washington D. C.  


Lançado em 1963 o livro ganhou o prémio Hugo e foi recebido pela crítica como bastante inovador para a época. Não podendo opinar sobre o livro, porque ainda não o li e nem sei se vou ler. Posso apenas falar sobre a série.
Não tenho conhecimento profundo sobre as séries que a Amazon tem produzido. Na verdade creio que é a primeira que vejo produzida pela multinacional retalhista. 
Porém sei que esta é das mais faladas pela imprensa e meios de comunicação, fazendo com que seja das séries com mais audiência produzida pela Amazon. 
Na minha opinião esta série vem fechar o ano com chave de ouro, num mesmo onde a ficção científica teve uma excepcionalidade com séries como The Stranger Things da Netflix ou Westworld  da HBO. 
O romance na novela envolta em esoterismo realista do que podia ser a realidade. Encontra no meio do cinema a passagem do conhecimento necessário para salvar o mundo de uma aniquilação nuclear. 


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O Árabe do Futuro

A coisa mais surpreendente sobre The Arab of the Future: A Childhood in the Middle East, 1978–1984, é a devida devastadora memória gráfica de Riad Sattouf e dos seus primeiros sete anos de vida, e que ele conseguiu escrevê-lo e publicá-lo sem ser morto. 
Nascido em Paris em 1978, filho de um pai sunita sírio e mãe Britânica, Sattouf cresceu na Líbia, na França e na Síria. A sua infância é o tema do seu livro. 




Sabemos que, quando adulto, voltou para a França, desenhou um livro de quadrinhos sobre a circuncisão quando tinha oito anos, fez um filme satírico chamado Jacky no Reino das Mulheres (ambientado num país islâmico fictício com papéis sexuais invertidos) e, até pouco antes do massacre em Paris, trabalhou para o Charlie Hebdo, onde foi o único cartunista de origem árabe. 

Em suma, sabemos que Sattouf escolheu a França sobre a Síria. Lá, ele escreveu e desenhou o Árabe do Futuro, uma dura crítica das suas experiências nas sociedades que deixou para trás, colocando tudo isso em uma picaresca memória gráfica contada a partir do ponto de vista de uma criança. 

O primeiro volume deste livro, publicado inicialmente em francês como L'Arabe du Futur, ganhou o prémio principal no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême em 2015 e o Los Angeles Times Book Prize para melhor graphic novel






Ele concentra-se principalmente na relação entre Riad pequeno e o seu pai, Abdel-Razak, um professor com ambições de trazer iluminação, educação e unidade para os seus companheiros árabes. O segundo volume  centra-se na escola religiosa de Riad na Síria. 
Em um nível, estes dois volumes são a lembrança detalhada, desenhada com grande economia e humor, de uma criança observadora.  Como ele é arrancado da Líbia  para a França e, finalmente, para a Síria.


Ao longo do caminho, obtemos um relato na primeira pessoa da brutalidade da Síria sob Hafez al-Assad e a Líbia sob Muammar Kadafi. Mas como o título sugere, o árabe do futuro pode ser lido muito mais amplamente. 
Sugere uma história de duas culturas, duas civilizações, dois modos de vida - Europa versus Médio Oriente , Ocidente versus Oriente. E serve, de facto, como um relato atento e justificativo da escolha final de Sattouf de viver na França. Um tema atual no mundo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A Idade Adulta é um Mito

Sarah's Scribbles  é uma webcomic que inicialmente se chamou Doodle Time e que depois de ser sindicalizado pela GoComics passou a ter o nome atual.  Adulthood Is a Myth (2016) é um livro retrato autobiográfico de Sarah Andersen que resultou numa coleção ilustrada com os Doodles da cartunista.



Andersen, explora as fraquezas da idade adulta focando o ridículo e por vezes frustrantes acontecimentos que se passam nessa fase da vida.  
Andersen é uma excelente caricaturista - algumas das suas mais engraçadas linhas são painéis de rostos sem expressão, de olhos arregalados. 
Muitos dos seus desenhos mostram o que se pode chamar de problema de introvertidos, sendo por isso que a maior parte dos leitores são pessoas que sofrem de introvertismo. 
Por essa razão, nota-se na autora uma capacidade de capturar pequenas partes da vida que são muito muitas vezes esquecidas e raramente se falam sobre elas. 
Como muitos comediantes talentosos, grande parte do seu melhor material vem dos aspectos desconfortáveis ​​e até embaraçosos da vida. 
Tiras que envolvem a ansiedade social em todas as formas, incluindo a depilação do corpo e o desempenho nos media social.  






Este livro é para todos nós. Estes quadrinhos documentam o desperdício de belos fins de semana na Internet; a agonia insuportável de segurar as mãos na rua com um homem lindo; sonhar o dia todo em voltar para casa e vestir o pijama, e perguntar quando exatamente essa coisa da idade adulta começa. Em outras palavras, os horrores e constrangimentos da vida moderna jovem.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

As Seis Inovações que Mudaram o Mundo.

Vamos lá tentar esclarecer uma coisa, eu não conhecia Steven Johnson. Este é o primeiro livro que estou a ler escrito por ele. Mas a verdade é que encontro na escrita dele uma forma de entender o mundo de forma diferente.
Uma nova forma de entender a História, a ciência, a tecnologia e o evolucionismo que isso leva à prosperidade da raça humana. É um dos temas deveras esquecido, mas importante. 



Uma das coisas que mais gosto quando leio um livro, vejo um filme, é que no fim de cada um há uma mensagem que me sensibilizou e modifica a minha forma de entender a realidade em que vivo.
Quero dizer, o sentido de História para mim é entendido segundo as normas que me ensinaram na escola. 
Seja ela a primária, básica, secundária e académica ou universitária! A história é baseada em factos e é através desses factos que nos é ensinado o sentido de História.
Não passa de uma decisão! Seja ela tomada por instituições que nos regulam ou de uma forma mais pessoal, seja a decisão que tomamos em acreditar. 
Não interessa, somos moldados segundo a decisão do que é importante entender em sociedade como História.
Em How We Got to Now: Six Innovations That Made the Modern World (2014), de Steven Johnson, encontramos uma outra forma de olhar para o passado e entender como as ideias surgem e como elas são transformadas em inovação tecnológica que mudou a Humanidade. 
Mais fascinante é como está explicado no livro como algumas das ideias/invenções que tornaram o mundo mais moderno, aconteceram por acaso ou acidente. 
É uma marca da escrita do autor, que examina conexões inesperadas entre campos aparentemente não relacionados: como a invenção do ar-condicionado permitiu a maior migração de seres humanos na história da espécie para cidades como Dubai ou Phoenix, que de outra forma seriam praticamente inabitáveis.
Acompanhado por uma importante série de televisão em seis partes da PBS,  este livro é a história de redes colaborativas construindo o mundo moderno, escrito num estilo provocativo, informativo e envolvente. 

Peitoral em ouro com pedras semipreciosas e pasta de vidro, com escaravelho alado, símbolo de ressurreição, no centro, do túmulo do Faraó Tutankhamun

O livro é longo, denso e por vezes monótono, mas é engrandecido por ser uma autêntica enciclopédia de conhecimento alternativo ao standard das sociedades modernas. 
O autor apresenta o paradigma do hummingbird effect: uma inovação, ou aglomerado de inovações, numa determinada área acaba por provocar mudanças que parecem pertencer a um domínio completamente diferente. Esses efeitos vêm em variadas formas. Alguns são bastante intuitivos: aumentos de ordens de grandeza na partilha de energia ou informação tendem a pôr em movimento uma onda caótica de mudança que surge facilmente sobre as fronteiras intelectuais e sociais. Basta olhar para a história da Internet nos últimos trinta anos. 
Em seis capítulos ficamos a saber as seis inovações que fizeram o mundo moderno.  Como um jornalista do Wall Street Journal escreveu:

In “Cold,” we move from air conditioning, to the flocking of American retirees to the now habitable Sunbelt, to the shift of political power from north to south. Freezing leads him to the creation of sperm banks, which have given many more women the opportunity to conceive and changed our notions of marriage and parenthood. “Sound” begins in the reverberating cave dwellings of Paleolithic man in Burgundy and ends up with the ultrasound technology being used to determine the sex of unborn children. “Clean” takes us from Chicago’s sewer system, the first urban system in America, to the growth of household cleaning products like Clorox and the hyper sanitized plants where microchips are made.


Las Meninas por Diego Rodríguez de Silva Velázquez



Em suma, este livro é mais que um livro. É um autêntico documento que permite ter uma outra perspectiva sobre a inovação. A visão neo criacionista/tecnológica de Steve Johnson analisa seis grandes inovações que mudaram o mundo. Mas também permite perceber que essas inovações surgiram por um lado depois anos, séculos de tentativa e erro  - o método científico -; e por outro por acaso, por acidente da causalidade casual. 
Na conclusão do livro, ele fala dos Time Travellers, ou as pessoas que pensaram em algo extraordinariamente progressivo, capaz de inovar, transformar ou até mesmo mudar o mundo. O curioso é que normalmente essas pessoas estão à frente do seu tempo.
Indivíduos capazes de pensar em algo out the box para a época em que vivem. A analogia moderna surge, obviamente a Steve Jobs e numa frase descreve o espaço onde contemporaneamente surgem as melhores ideias: 
The garage is the space for the hacker, the tinkerer, the maker. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ida, Tag...

Ida (2013) de Pawel Pawlikowski é daqueles filmes em que descrever a experiência de o ver é complicado. Expor por palavras o que o filme contém não chega, é preciso mesmo ver para sentir a plenitude do mesmo. Pois são tantos os pormenores que ele contém que podemos admirar, saborear, contemplar e mesmo assim vamos ter dificuldades em o explicar. 
É mais uma obra cinematográfica tocada por uma linguagem cinematográfica plena, com destaque para o uso da luz num formato preto e branco.
Aliás esse é um dos pormenores que mais se destaca no filme: o uso da luz em apenas duas cores, com captação do som ambiente, nunca utilizando o recurso à banda sonora para preencher o espaço.
Um filme altamente premiado, incluindo um Óscar e BAFTA na categoria para Melhor Filme Estrangeiro em 2015.






De alguma forma,  lembrei-me imediatamente do filme de Michael Haneke, The White Robbin (2009). Mas os filmes só são parecidos pelo uso da técnica utilizada por cada um dos realizadores, o preto e branco. Bem como a narrativa se desenvolver num tempo semelhante. Encontram-se também contornos culturais que moldam as sociedades e logo as pessoas. 
Nos dois filmes são mostrados os monstros que as pessoas escondem nas gavetas da sua memória. E demonstram pesadelos acontecidos e o impacto desses nas suas vidas.
São ambos filmes com preocupações filosóficas, que através da sétima arte tentam expor a perspetiva de cada realizador influenciados pelo meio onde nasceram. 
Ambos os dois filmes são merecedores da marca de cânone.





Especialmente na obra do realizador polaco, a metamorfose da personagem principal é como Barabbas, que depois de uma experiência traumática, entra numa fase de negação.
Aqui, Ida tem necessidade de conhecer o mundo e a vida como elas realmente são depois de descobrir que toda a sua vida foi moldada pela ganância de pessoas.
Há um impacto entre o estilo de vida moderno e a vida vivida segundo os princípios religiosos.
Nota-se a influência de gostos pessoais e formas de pensar sobre o mundo em geral de forma diferente.
A forma como vemos o mundo muitas vezes está escondido na nossa imaginação e na forma como ela retrata certas histórias que fomos ouvindo.
Então se forem histórias do passado, a nossa imaginação tem mesmo que ser levada à sua capacidade máxima de representação de sentido na nossa razão.
Por isso mesmo, esta obra serve perfeitamente para nos contextualizar naquele tempo negro da história europeia e num país que mais sofreu com esse monstro do passado.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A Criada

Depois de Old Boy (2003), este é o trabalho cinematográfico de Chan - wook Park que literalmente vem mais uma vez demonstrar que o cinema pode ser usado de forma sublime e magistral em toda a sua técnica. 
The Handmaiden (2016) é daquelas obras de arte que foi construída num tempo, num contexto e num espaço que faz dela uma obra única e intemporal da sétima arte.
Todo o filme leva a linguagem cinematográfica ao extremo, seja na questão de geometria no enquadramento, caracterizado pela simetria na composição dos planos. Pela utilidade da construção de diferentes atmosferas criadas pelas cores escuras e a luz em contraste com as cores. Pelo uso do guionismo na criação de uma narrativa surpreendente. 
O filme é um triller erótico que conta a história de uma mulher que vai trabalhar para uma casa de uma família da Coreia do Sul, no tempo ocupada pelo Japão. 








Para mim o filme é uma lufada de ar fresco nos filmes que tenho visto ultimamente e a verdade é que não têm sido muitos. Mas este foi uma surpresa profundamente agradável em que a experiência estética evocou todos os meus sentidos  em emoções provocadas pelas imagens. É uso da estimulação das sensações ao seu máximo através do uso da linguagem cinematográfica
Uma agradável viagem psicológica pela libido e erotismo. Este é o clímax do filme: o uso da imagem e som para provocar em nós excitação no que estamos a ver, ouvir a sentir. 
A tal serendipidade da arte que nem é instintiva, nem um sub produto da nossa evolução. Mas sim uma fusão das duas, encaixada com forças sociais, culturais.
Pergunto-me como esta obra será analisada daqui a 20 anos? 
Muito poderia deambular sobre esta obra prima, mas o melhor mesmo é ver. 



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O Infeliz Acidente da Arte

Neste livro, intitulado The Aesthetic Brain: How We Evolved to Desire Beauty and Enjoy Art (2013) de Anjan Chatterjee, temos uma visão sobre a arte e como ela funciona num todo orgânico no nosso cérebro.
A leitura foi feita de uma forma lenta, porque o tema também é um sobre o qual gosto de refletir. A reflexão obrigou a que tivesse que fazer outro tipo de abordagem. Por isso tentei colocar-me na primeira pessoa na análise ao mesmo. Para que as ideias ficassem incutidas de uma forma mais profunda, esta resenha é baseada em excertos do livro que considero importantes reter.

No livro o autor assume uma teorização científica. Porque normalmente, a objectividade assume uma forma quantitativa.  E traduzir experiências estéticas, aparentemente transcendentes, em números é crítico para uma abordagem experimental à estética. Ou seja, informações precisam de ser quantificadas, hipóteses precisam de ser testadas e reivindicações precisam de ser replicadas ou falsificadas. 
Aqueles são os fundamentos básicos sobre o qual o progresso em ciência é construído.
No entanto, é esta abordagem que é necessária para haver uma ciência da estética. Talvez porque a experiência estética e uma propriedade emergente de componentes diferentes, que não podem ser derivados a estudar as suas partes.




Por isso, o autor fala no livro sobre os encontros estéticos e não sobre a condição para acontecer tais encontros. Nesse sentido, poupa-nos às conclusões científicas que caracterizam essa escrita. 
Assim, o neurocientista coneta a estética psicológica evolutiva com a neurociência. Focando-se sobre o cérebro e os quadros que ajudam melhor a compreender a estética interligando aquelas duas áreas científicas para melhor iluminar o caminho labiríntico da beleza, prazer e arte. 


A ideia básica da psicologia evolutiva é que as nossas faculdades mentais ou biologia evoluíram para melhor potencializar as nossas hipóteses de sobrevivência. Partindo deste paradigma, o autor fala de como as experiências agradáveis levantam a questão do que significa ter uma experiência estética?

Nesse sentido responde que no cérebro, os nossos sistemas emocionais de prazer estão alojados em estruturas profundas, distantes da superfície. Juntamente com outras estruturas mentais de sobrevivência. Por essa razão existe um paradoxo: nós evoluímos as nossas respostas à beleza porque elas foram úteis para a nossa sobrevivência, no entanto essas respostas estéticas supostamente não devem ser úteis à nossa sobrevivência! Gostamos do que nós queremos e queremos o que quisermos. Uma linguagem inata no nosso sistema evolutivo. 

O que podemos querer sem gosto? Chatterjee dá o exemplo da droga, ou como os drogados se tornam dependentes da droga, ao ponto de  não "sobreviverem" sem elas. O vício é o protótipo do estado antiestético. 

A experiência estética, segundo o autor deve-se a uma tríade das nossas faculdades: sensações, emoções e entendimento. Este último assume maior importância, porque leva-nos a perceber como a arte pode ser evolutiva. Por exemplo, as pinturas impressionistas hoje em dia adoradas pelo público em geral, inicialmente foram vistas com renitência. A mudança aconteceu na ligação entre os sistemas de recompensa com base no nosso conhecimento e experiência e percepções específicas. 

Essa flexibilidade pelos quais os componentes se combinam em conjuntos estéticos é parte do que faz arte e estética experiências ricas e mesmo imprevisíveis. Assim, os estudiosos falam da evolução da arte em duas diferentes perspectivas: ou tomam a arte como instinto ou como um subproduto evolucionista. 

Partindo destes dois paradigmas, Chatterjee procura no livro dar uma terceira perspetiva sobre a experiência estética e arte. Nesse sentido, fala-nos da serendipidade (feliz acidente) da arte, isto é, os objetos de arte despertam reações que podem nos dar prazer, mas não têm obrigação de o dar. Mesmo que a maioria das pessoas associem beleza com arte, muitas das vezes, a arte não tem que ser bela para dar prazer, pode mesmo ser feia. 

Por outras palavras, o neurocientista explica que a arte contemporânea pode evocar combinações complexas de emoções. Por exemplo, a arte revolucionária, tudo que possa ser criado pelo entendimento da fé, na meditação sobre comportamentos obsessivos, incita-nos a lutar contra sistemas opressivos. Veja-se o exemplo de  Ai Weiwei, considerado pela Art Review como um dos artistas mais influentes da atualidade. Como apontam os teóricos expressionistas da arte: a arte pode comunicar emoções, nuances que são difíceis de transmitir em palavras e se transformam na raça do coração. 


Snapshot do site de Ai Weiwei


A neuroestética, àrea em que autor leciona,  mostra que o cérebro não tem um módulo dedicado há estética ou arte no cérebro. Nós não temos nenhum receptor estético específico e análogo aos nossos receptores de visão, tacto ou olfacto. Como também não temos também nenhuma emoção estética ao medo, ansiedade ou felicidade,  como também à memória, linguagem ou acção. 

Em vez disso, aponta que as experiências estéticas envolvem flexíveis conjuntos neurais dos sistemas sensoriais, emocionais e cognitivos. Essa flexibilidade incorpora os conjuntos do que faz a arte e a estética imprevisíveis.  
A arte está em toda a parte e existe de uma forma profunda  há milhares de anos. A universalidade da arte torna improvável que seja um subproduto de outras capacidades cognitivas evoluídas. 

E é nesta parte que a reflexão atingiu o seu êxtase. Pois a leitura deu-me uma nova perspetiva para pensar sobre a arte. O poder da arte é a sua capacidade de mover-nos e fazer-nos experimentar temas antigos com novos olhos, é transmitido através da sua expressão local. 
O conteúdo da arte é moldado por condições locais: a cultura em que nasce, os seus antecedentes históricos, as condições económicas da sua produção e recepção e referências relevante para o seu tempo e lugar. 
A arte é uma coleção bagunçada de adaptações e é repleta de modificações e plug-ins formado por episódios históricos e nichos culturais. 
Quando as pressões culturais selecionam tipos específicos de arte, a arte produzida cai dentro de limites estilizados estreitos. Quando as pressões seletivas culturais são relaxadas, a arte floresce. Não temos um único instinto artístico. Temos instintos que desencadeiam um comportamento artístico. Em vez de ser dominado pelos instintos, é o relaxamento do controle instintivo que permite à arte expressar-se plenamente. 

A arte germina instintivamente e amadurece. O seu conteúdo é uma mistura  nascida de tempo e lugar e cultura e personalidade. 
Poderia ser de outra maneira? Ser privado de uma grande teoria instintiva de arte unificadora não é motivo de preocupação. Em vez disso, a natureza diversa, local e serendipidade da arte é o que nos pode  surpreender, iluminar, forçar-nos a ver o mundo de forma diferente, . Quando estamos livres, relaxamos na arte. É um feliz acidente natural e inato. 
   

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A arte gráfica da luta contra o tabaco.

No boredpanda encontrei uma lista das 15 imagens mais fortes na luta contra o tabaco, segundo o autor do texto.Estas imagens têm um fim único: chamar atenção das pessoas para os malefícios do vício de fumar. 

No entanto não deixei de encontrar nelas uma certa arte original. A forma como é transmitida a mensagem com recurso a outros símbolos de comunicação é verdadeiramente o uso da criatividade humana ao mais alto nível. 
Claro que temos nas suas origens grandes investimentos feitos, que permitem o acesso a tudo que de melhor se pode conseguir na área da publicidade, imagem, etc. Por outro lado, tentam combater um dos maiores problemas de saúde das sociedades actuais. 

Mas, como já referi, encontro nelas uma forma de arte. 
Arte no sentido de construção de um objecto capaz de emocionar/enjoar o indivíduo que a vê. De um ponto de vista subjetivo e nunca objetivo ou geral. Ou seja, embora tenha saído de um pedido de uma entidade, organização ou associação. Não deixa de ser uma ideia que saiu da cabeça de uma ou várias pessoas. É construção de um uso de vários elementos de simbologia na transformação de uma arma contra o tabaco.  E na verdade é o que torna interessante admirá-las. 
Considero isto arte publicitária. Seguem as que gostei mais.















domingo, 20 de novembro de 2016

Admirável Mundo Novo

O novo documentário de Werner Herzog Lo and Behold Reveries of the Connected World (2016), é um trabalho que analisa a criação da Internet desde a sua origem até aos dias de hoje. Focando os pontos positivos e negativos desta invenção para a humanidade.  
Porém, é também uma demonstração da qualidade cinematográfica do realizador alemão, nomeadamente no Novo Cinema Alemão, com o qual o qual não se identifica. 
Ao longo de 10 capítulos vamos conhecendo a história da Internet, as suas principais personagens e as ramificações que proporcionou para a comunicação, tecnologia, ciência, etc. 




Para quem conhece já outras obras de Werner, sabe que ele tem uma maneira muito peculiar de usar o cinema para contar histórias. Porém, esta é uma história de uma invenção tecnológica e as consequências dessa maravilha que é a Internet no mundo moderno. 
Ao longo da narrativa  são apresentadas várias razões para amar-mos ou odiar a Internet e toda a tecnologia que se difundiu nas suas diferentes ramificações. É uma viagem desde a sua origem até à incerteza do seu impacto no futuro. 
Entre outras personagens do documentário temos, por exemplo, Elon Musk. O visionário empreendedor que enriqueceu à custa do PayPal e criou/participa em empresas como a Tesla Motors e SpaceX. O homem que quer habitar Marte e sugeriu que para isso se devia lançar bombas atómicas para o planeta de forma a derreter as calotas de gelo e fazer com que a produção de oxigénio fosse possível. 






Mais uma vez Werner Herzog consegue realizar um documentário activo para o espetador. Isto é, apresenta-lhe uma série de ideias e questões que assolam o mundo moderno - nomeadamente com a invenção da Internet, a descoberta mais importante de sempre-; relatos de pessoas que lidam diretamente com o objeto documentado e, finalmente, o que de bom ou mau pode advir do seu uso.
E é isso que mais aprecio neste realizador: tem a capacidade de usar o cinema para desconstruir a realidade em segmentos inteligíveis capazes de nos fazer pensar. E o tema que é abordado neste documentário tem um interesse pessoal para mim. 
Por último, este é um filme que nos apresenta o mundo moderno com integração da Internet nas sociedades e culturas. A forma como ela mudou a humanidade e como está a ser utilizada para construir um mundo completamente novo. Um mundo que alguns vêem com perspetiva bastante positiva e outros que se deixam controlar por ela e se tornam dependentes de uma tecnologia que muito vai proporcionar às gerações futuras. 

domingo, 13 de novembro de 2016

Entre o Dogma e o Cepticismo, a Verdade Reside no Meio

Depois de ler Barabbas (1950) de Pär Lagerkvist, um livro que atormenta o leitor com a questão metafilosófica da capacidade de acreditar ou não acreditar na religião, ler Belief or Non-Belief?: A Confrontation (1996) de Umberto Eco (1932-2016), tornou-se uma coincidência inexplicável. Já que encontrei o livro por acaso e no mesmo momento em que ainda estava a assimilar as ideias com que fiquei da leitura da obra do autor sueco. 
A obra baseia-se na troca de correspondência entre o intelectual e Carlo Maria Martini (1927-2012). E concentra-se na discussão de ideias e conceitos que foram sendo construídos a partir do momento em que se encontraram factos num livro (a bíblia) que levou o pensamento humano a acreditar ou não na existência de uma entidade divina. Um poder superior, criador de todas as coisas. 
Podemos pensar que apenas se baseia na ideia simples da capacidade racional que o ser humano tem de poder viver (acreditar) de acordo com os princípios impostos por esse facto ou, pelo contrário, não concordar de todo com esses valores. Mas a verdade é que a narrativa do livro leva-nos mais longe que isso...



De um lado temos o investigador académico e escritor que é ateu - embora tenha seguido a religião católica até à idade dos 22 anos - e do outro um homem que foi ordenado cardeal e, devido à sua formação, quer intelectual e pessoal, foi imensamente respeitado na Igreja Católica. 
Como o próprio título indica, o conteúdo do livro é um confronto de ideias entre o dogma e o cepticismo na religião ou numa entidade metafísica e tudo o que essa questão levanta em 2000 anos de presença nas diferentes culturas. 
Logo temos que analisar a questão de um ponto de vista geral e ver todas as reminiscências que isso implica. Ou seja, os dois caminhos traçados (acreditar ou não acreditar) levou à construção de normas, valores morais, espirituais, etc que levam os dois lados a argumentar e refutar os pontos de vista diferentes.
Claro que no livro não é possível discutir todos esses pontos, mas creio que os mais importantes estão lá. 
Há uns tempos atrás, depois de ler The God Delusion (2006) de Richard Dawkins, a minha crença metafísica mudou. Passei de ser ateu para agnóstico, porque acredito que isso é uma benção. E mais ainda depois de ler este livro. 
A confrontação de ideias entre aquelas duas pessoas, que sabem do que falam, leva-me a crer que toda a diferença entre aqueles que têm uma perspetiva criacionista ou evolucionista baseia-se num meio termo que reside no meio dos dois conceitos e puramente o ser humano nunca terá a capacidade intelectual de entender o que está no meio desses dois paradigmas.
A confrontação dos dogmáticos e os cépticos baseia-se, neste caso entre Eco e Martini, entre o conhecimento do que é realmente factual e o espiritual. 
Isto é, ao longo da leitura percebi que uma das questões que ali reside foi que Umberto Eco argumenta com um conhecimento com base científica e mais inteligível. E, pelo contrário, Carlo Maria Santini assenta toda a sua argumentação naquilo que ele decidiu acreditar, a religião católica. 
Como é referido pelos dois no livro, os pontos de vista diferentes vão por teses que levou alguns dos leitores a reclamar que eram muito difíceis de entender. 
Em suma, eles demonstram que uma conversa entre as duas partes é viável e valorizada, bem como um desacordo entre ideias é possível entre os que acreditam e os que não acreditam. 
Porém,  quero fechar este post com dois excertos do livro  e nomeadamente referenciados por Umberto Eco em duas partes distintas do livro. Pois, para mim são as ideias novas com que fiquei e mais me interessam pessoalmente.
Mais, creio que são ideias que vigoram neste momento e que devem servir para pensar. São eles:

If not, it would be perfectly all right to accept the approach of the end, even without thinking about it, sitting in front of our TV screens (in the shelter of our electronic fortifications), waiting for someone to entertain us while meantime things go however they go. And to hell with what will come.
I reflect on certain semantic questions — and it doesn’t matter if some find our discussion too difficult: they have doubtless been encouraged to think in simplistic terms by mass-media “revelations” which are predictable by definition. Let them learn to think hard, for neither the mystery itself nor the evidence is easy.

Barabbas, o escolhido!

Ao começar a ler este livro intitulado Barabbas (1950) de Pär Lagerkvist (1891-1974), Nobel em 1951, não sabia exatamente o que estava a começar a conhecer, a ler... Em primeiro lugar o autor, depois o livro. 
O escritor sueco fez parte dos De Aderton da Academia Sueca. Por si só esta seria uma razão para recear o conteúdo do livro. Tanto que o seu título também é um motivo forte para abrir a minha curiosidade. Tentado, lá o comecei a ler.




Barabbas (1950) de Pär Lagerkvist é uma obra filosófica que toca num ponto concreto: 
O homem que escreve, logo o escritor! Que tem que ter uma criatividade para criar sua arte: Literatura! Que lida, leva o pensamento do leitor a outro lugar! 
Pär Lagerkvist leva-nos ao momento em que Jesus Cristo foi crucificado. Pega em Barrabás, o escolhido e constrói toda uma atmosfera de atormentação sobre um homem que para a humanidade apenas teve sorte. É uma questão de conhecer a história de Barrabás. 
E esta storyline é algo para mim completamente inovador. Pela primeira vez senti que a escrita tinha quase como se encontrado a sua verdadeira essência. Passo a explicar:
Já desde a sua invenção,  a escrita, é  transformação da imaginação utilizar, aquela ferramenta para descrever acontecimentos. É normal pegar num desses acontecimentos presentes e dar-lhes com remix
No entanto, aqui encontramos algo novo. Pegar num evangelho do livro mais impactante da história da humanidade, a Bíblia. E dar-lhe vida com uma inteligente precisão, é obra de alguém genuinamente  artístico. 
O autor sueco de maneira magistral, tornou possível para eu perceber as fontes misteriosas de uma consciência emergente secretamente atormentado pelo problema de Cristo num momento em que a doutrina cristã ainda estava no processo de formação, quando o dogma da ressurreição ainda dependia de prova incerta de algumas testemunhas crédulas que ainda não tinham superado o fosso entre a superstição e a fé. 


"Dê-nos Barrabás!", ilustração do volume 9 de The Bible and its Story Taught by One Thousand Picture Lessons, de 1910

O autor tem uma forma literária grotesca de construir toda uma narrativa baseada num acontecimento, que não é mais que uma passagem de um livro. Consegue através da literatura, que o leitor tenha uma ideia do que aconteceu a Barrabás depois de Cristo morrer na cruz.
Este livro é precisamente essa história, ou uma das versões delas. Tem um personagem com o nome de Barabbas e é curioso como o autor entra na personagem de Barabbas (Barrabás), que não tem muita importância na morte de Jesus. Quero dizer não contribui para ela de forma direta, mas é apresentado, pelo mesmo autor como alguém atormentado e tem um pesar na sua existência. Desde o momento em que aconteceu:


Barabbas thought, so that the poor man would not have to suffer any more. If only the end would come! As soon as the end came he would hurry away and never think of this again.…
But all at once the whole hill grew dark, as though the light had gone out of the sun; it was almost pitch-dark, and in the darkness above, the crucified man cried out in a loud voice:
—My God, my God, why hast thou forsaken me?

São nestes relatos, que de alguma forma podem não ser reais, mas são minuciosos que percebemos o tormento pessoal de Barabbas: ele não é Jesus da bíblia. Esse é outro personagem, noutra história, noutro livro. Esta é a história de Barabbas que se cruzou com Jesus.
O que vem depois é uma questão toda ela profunda de análise. Em primeiro lugar o que está escrito e o que nos faz pensar e sentir. A mim fez sentir que o autor tenta mostrar que não é religioso. Mas encontra nas figuras místicas uma forma de inspiração. Na verdade creio que Barabbas é mesmo a personificação do autor. Atormentado sobre o que deve acreditar. Já que a própria humanidade pode falhar.
Creio que existe um filme baseado no livro, mas mesmo esse acho que não consegue importunar as pessoas pelo que está escrito e diga-se de forma detalhada. De alguma forma a existência de Barabbas é a minha própria existência.
O autor manifesta que está perturbado pelas grandes questões que atormenta a humanidade, mas não as quer ter sozinho. É necessário expulsar e a para isso criou Barabbas como o seu refúgio e manifestou em 144 páginas.
Mas são 144 páginas que a meio do livro já cansa pela repetição de ideias e buscas contínuas pela verdade, pela razão de acreditar que tudo não é meramente um acaso, mas sim algo escrito já há muito tempo, afinal estamos a falar do Messias.
Mas a personagem Barabbas consegue de forma profunda caracterizar um período de radical mudança, socializando com as pessoas e tendo com elas diálogos sobre o sucedido. Afinal, na história ele não é qualquer um, é uma personagem.
E uma personagem com características únicas: é um assassínio.  Mas tudo que tinha acontecido com ele mudou-o.
A questão passa entre o acreditar e não acreditar e o que este livro consegue, é de forma literária, que o nosso pensamento deambule entre essa confrontação durante toda a sua leitura. 

domingo, 6 de novembro de 2016

The Fate Of Man

Mikhail Sholokhov (1905-1984) ganhou o prémio Nobel da Literatura em 1965 por causa da sua : "for the artistic power and integrity with which, in his epic of the Don, he has given expression to a historic phase in the life of the Russian people".
E no livro The Fate of Man encontramos reminiscências que denunciam aquela característica que a Academia Sueca argumentou aquando da sua escolha para o laureado.
Numa escrita realista e pormenorizada Sholokhov conta-nos a história na primeira pessoa de um soldado russo que passou pelos horrores da II Guerra Mundial e viveu para mais tarde poder contar a história ao próprio escritor, tal como ele descreve no livro. 



As atrocidades que se passaram naquele período da história da humanidade estão mais que documentadas em livros de história. Porém, neste livro é contada a história pessoal de Andrei Sokolo. Um soldado Russo que é obrigado a ir para a linha da frente da Guerra e a deixar tudo para trás, tal como o discurso dele representa no momento em que tem que despedir da sua esposa.
"I tore myself away from Irina, then took her face in my hands and kissed her. Her lips were like ice. I said good-bye to the kids and ran to the carriage, ma­ naged to jump on the steps as it was moving. The tra­ in started off very slow, and it took me past my fami­ ly again. I could see my poor little orphaned kids bunched up together, waving th{'ir hands and trying to smile, but not managing it. And Irina had her hands clasped to her breast; her lips were white as chalk, and she was whispering something, and sta­ ring straight at me, and her body was all bent for­ ward as it she was trying to walk against a strong wind. And that's how I'll see her in my memory for the rest of my life - her hands clasped to her breast, those white lips, and her eyes wide open and full of tears. That's mostly how I see her in my dreams too. Why did I push her away like that? Even now, when I remember, it's like a blunt knife twisting in my heart."



Por outras palavras, este livro é um testamento do que é a guerra. O que ela tira, cria e oferece. Porque existem histórias, como esta, que estão contidas de horrores, cenas macabras mas ao mesmo tempo um destino inesperado. 
Remanescente de Tolstoy nas suas cenas vividamente realistas, nas suas descrições de carácter austero e, acima de tudo, o seu vasto panorama do período revolucionário, épico de The Fate of Man  tornou-se a obra mais lida de ficção Soviética. Profundamente interessado em destinos humanos que são jogados contra o fundo das transformações e problemas na Rússia, Sholokhov une no seu trabalho a herança artística de Tolstoy e Gogol com uma nova visão introduzido na literatura russa por Maxim Gorky.
O que fica do livro é uma emoção de impotência entre as cenas que são narradas de um passado para o presente. Passado esse que foi formado, por fome, tortura, vergonha e saudades dos que morreram. O presente assente no encontro de uma outra razão para viver. O que está mais que subjacente é a crença que o género literário de romance deve ser uma força artística que conte a realidade à sociedade e que uma artista que não faz uma sociedade pensar, filosofar sobre os seus problemas não é artista. Como o próprio referiu no seu discurso na entrega do Nobel: 

The era we live in is full of uncertainty. Yet there is not one nation on Earth that desires a war. There are, however, forces that hurl whole nations into the furnaces of war. Is it not inevitable that the ashes from the indescribable conflagration of the Second World War should move the writer's heart? Is not an honest writer bound to stand up against those who wish to condemn mankind to self-destruction?

sábado, 29 de outubro de 2016

Lynch e a Criatividade

A The Atlantic criou um pequeno vídeo animado com a voz off de David Lynch e as suas ideias sobre a criatividade. 
Este é um tema deveras profundo e contraditório. Enquanto uns podem considerar a criatividade algo exclusivamente humano, como a capacidade de criar. Falam de uma diferença entre estética e arte. Uma sabemos que existe por causa das nossas emoções, a outra ainda não se sabe muito bem. 
Outros a vêem como presente no mundo e é o que a ajuda o mundo animal a criar e logo a evoluir. 
Não importa. A criatividade é excepcional no ser humano. Porque independentemente que seja Estética ou arte, tem sem sempre a capacidade de surpreender. 
Mas como ela surge? De um ponto de vista cientifico, é a capacidade da parte do cérebro que em choques elétricos entre os neurões a originam. Mas esta é a parte interior, o que se passa na parte exterior é a forma como aquele processo todo interno, em actos de criação físicos. 










Na verdade, no vídeo Lynch argumenta de uma forma simples o que é para ele a criatividade. Acompanhado com uma animação colorida pelo seu estilo no cinema. O realizador diz de forma simples várias ideias de como podemos ser criativos. 
Mais espantoso é como ele acredita que a dor possa ser um bom motivo para espoletar a criatividade. No seu todo o vídeo é uma forte mensagem de uma pessoa singular que tem a capacidade criativa de realizar filmes e séries que simplesmente nos emocionam e nos fazem idolatra-lo. 

A lot of artists think that suffering is necessary,” he says. “But in reality, any kind of suffering cramps the flow of creativity.”

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Westworld, fruto proibido...

Vamos imaginar um mundo em que tínhamos disponível um parque de diversões, em que era possível pagar (provavelmente valores muito avultados); para entrar num mundo em que podíamos fazer tudo o que quisemos!
Esta questão implica logo o pensamento que fazer o que quisemos, implicava infringir a lei. O sistema de regras pelo qual nos regemos para aceitar os nossos erros!
Mas este mundo, como disse, é um parque de diversões! E num parque de diversões o que fazemos é divertir-nos...
No entanto o conceito de divertir neste mundo é a pessoa, que pagou entrar num ambiente do velho western americano completado com IA (inteligência artificial) em corpos exatamente ao ser humano, mas o seu interior não ter uma alma...














Na verdade, Westworld começou por ser um filme realizado por Michael Crichton em 1973, que simula três ambientes: Roma antiga, A Idade Média e o Velho Oeste. Onde as personagens humanas podem entrar nesses ambientes e coexistir com robôs e simular com eles os seus desejos mais negros.
O filme foi adaptado pela HBO para uma série que neste momento segue no terceiro episódio e já está a causar o seu impacto.
As últimas notícias falam de crossover com Game of Thrones a série que engrandeceu o género cinematográfico de fantasia.
Na série, ao contrário de Lord of the Rings o foco não está no CGI mas na capacidade guionista de como conseguir que o espetador se interrogue pelas personagens e os seus jogos políticos na conquista e passar da imaginação para a realidade.
Em Westworld temos um mundo que foi construído para satisfazer os nossos desejos mais macabros, monstruosos. Que no fundo só é a nossa parte animal!

Memorials Notre Dame

Sinto que estou carregado de uma pena. As pessoas olham para mim como se eu fosse um estranho. Na verdade eu olho para eles e penso que e...