terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quem foi Kafka?


Na tenacidade de um momento vanglorioso pela particularidade de uma existência grotesca e visceral. Uma personagem numa história como tanto outras e mais nenhuma. Um personagem que é ele próprio e mais ninguém naqueles que o precederam e ele sucedeu. Uma história que podia ser a minha, ou a tua, ou a dele, seja lá quem for. Quem for ou quem foi Kafka, um personagem que se distinguiu acima de tantos outros, mas que poucos conheceram, não passando do ouvir falar ou até ler. 
Numa viagem rápida à enciclopédia mais volumosa virtual do mundo, encontramos a informação deste personagem, que de tanto importante que foi, serve o artigo de uma fonte desconhecida que apenas é filantrópica da ciência e do conhecimento. 
A Wkipédia forneceu o instrumento o utilizador a usou. O presente lá escreveu que: 
Franz Kafka (Praga, 3 de julho de 1883 — Klosterneuburg, 3 de junho de 1924) foi um dos maiores escritores de ficção da língua alemã do século XX. Kafka nasceu numa família de classe média judia em Praga, Áustria-Hungria (atual República Checa). O corpo de obras suas escritas— a maioria incompleta e publicadas postumamente[1] — destaca-se entre as mais influentes da literatura ocidental[2]. Seu estilo literário presente em obras como a novela A Metamorfose (1915) e romances incluindo O Processo (1925) e O Castelo (1926) retrata indivíduos preocupados em umpesadelo de um mundo impessoal e burocrático.
 

E é na sedução da leitura que consigo associar o sentido das palavras ao impacto sensorial causado pela obra acima. Uma obra negra, simples, solitária e cheia de formas concubinais. Uma mestria de ténues duas cores emblemáticas e intensas, de uma particularidade mais que sub-depressiva. Palavras como alienação e perseguição são evidentes nas formas pictóricas. Um contacto com o homem do século XXI que é um mimetismo provocatório e perturbante. Um homem que não sabe que rumo tomar, não sabe os objcetivos da sua vida, questiona seriamente a existência e acaba só. Nada que um homem na faixa etária dos 50 anos não passe, hoje mais que nunca. 
Uma personificação dos lados negros da vida que personifica a solidão e a paranóia e delírios da influência, na utilização dos objectos do lazer como a televisão, a rádio e a Internet. A Kafka podemos atribuir todos os traumas e complexos, evidentes numa sexualidade duvidosa e cheia de êxito entre os homossexuais que fogem à padronização natural da palavra de deus e da mãe Natureza. 
Talvez seja esta a representação de  Piotr Dumala  um realizador polaco que apenas delirou com o sentido expelido por Kafka em palavras transformadas em livros. 


Braga 031


Braga 031, originally uploaded by NoslenPhotographer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A revolução da mulher na arte



Podemos falar de uma revolução da mulher enquanto arte? Parece ser esta a pergunta que Lynn Hershman Leeson, um homem que já trabalhou com fotografia, cinema, design de interacção e media arte baseada na internet, se auto-perguntou quando decidiu realizar o Womem Art Revolution. O WAR é um projecto que anota a evolução do movimento da arte feminina nos Estados Unidos da América através do ponto de vista pessoal de Leeson. Através de entrevistas, arte, filmes e imagens de arquivo, o projecto combina um documentário e livro de memórias audaciosas para ilustrar como este movimento, impulsionado por imperativos pessoais e políticas de justiça social e dos direitos civis, transformou radicalmente a arte e a cultura dos nossos tempos. O excerto que se segue é um bom exemplo do WAR, pois introduz  o grupo Guerrilla Girls  formado em 1985 em Nova Iorquea proclamada "consciência do mundo da arte" que chama a atenção para a injustiça e sub-representações em várias plataformas e instituições. Vários membros discutem a sua história de origem e o modus operandis, incluindo o "penis countdown".










Duarnte mais de quarenta anos,  o director Lynn Hershman Leeson reuniu centenas de horas de entrevistas com artistas visionários, historiadores, curadores e críticos que moldaram as crenças e os valores da arte feminista e estratégias usadas para politizar os artistas do sexo feminino e integrar as mulheres nas estruturas da arte. 
O WAR elabora a relação da arte feminista, um  movimento de 1960, contra a guerra e os movimentos de direitos civis e explica como os eventos históricos, como a exposição de protesto de todos os homens  contra a invasão do Camboja, acendeu a primeira de muitas acções feministas contra  as principais instituições culturais. O filme detalha os principais desenvolvimentos na arte das mulheres da década de 1970, incluindo os primeiros programas de arte feminista, organizações políticas e protestos, espaços de arte alternativos, tais como galeria Franklin Furnace em Nova Iorque e Los Angeles.


Isto foram novas maneiras de pensar sobre as complexidades do sexo, raça, classe e sexualidade. As Guerrilla Girls surgiram como a consciência do mundo e galerias de arte, instituições acadêmicas, museus e responsáveis por práticas de discriminação. Com o tempo, a tenacidade e a coragem destas artistas pioneiras  resultaram em que muitos historiadores sentem agora que é o movimento de arte mais significativo do final do século XX. 
Carrie Brownstein compôs uma banda original para acompanhar o filme. Laurie Anderson, Janis Joplin, Sleater-Kinney, The Gossip, Erase Errata e Tribe 8 são alguns dos músicos talentosos que contribuíram para a  banda sonora.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Braga 062


Braga 062, originally uploaded by NoslenPhotographer.

A Web está morta


Num extenso artigo saído na edição de Setembro da Revista Wired, o seu editor Chris Anderson explica-nos de que forma crê como a Internet evoluiu desde à vinte anos e como está a mudar do paradigma do procurar para o de obter. Um artigo obrigatório para todos os que têm dificuldades em diferenciar a Web da Internet. Como Anderson explica a determinada altura: 
Blame human nature. As much as we intellectually appreciate openness, at the end of the day we favor the easiest path. We’ll pay for convenience and reliability, which is why iTunes can sell songs for 99 cents despite the fact that they are out there, somewhere, in some form, for free. When you are young, you have more time than money, and LimeWire is worth the hassle. As you get older, you have more money than time. The iTunes toll is a small price to pay for the simplicity of just getting what you want. The more Facebook becomes part of your life, the more locked in you become. Artificial scarcity is the natural goal of the profit-seeking.
A questão está em que mesmo que a Internet disponibilize muitos serviços gratuitos, no final  a rotina do dia à dia vai sempre sobrepor-se e assim iremos sempre escolher a maneira mais fácil de os obter.  Tudo isto leva apenas ao crescimento exponencial do capitalismo. Um situação que não é nada de novo como Anderson explica no artigo. 

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Braga 030


Braga 030, originally uploaded by NoslenPhotographer.

As tecnologias não nos fazem mais burros, ajudam-nos a ficar mais espertos

Não há muito tempo, estava a ler um artigo no New York Times que falava sobre as novas tecnologias da informação e comunicação, nomeadamente as redes sociais como o Facebook. Na altura li uma frase que ficou registada na minha memória e também num bloco onde a escrevi:
"As tecnologias não nos fazem mais burros, ajudam-nos a ficar mais espertos"
Em termos semânticos esta frase não tem nada de especial, mas já quanto à sua pragmática é que fico com mais renitências. Porque é complicado falar de tecnologia e de ficarmos mais espertos ou mais burros. Talvez seja por isso que a frase ficou guardada na minha memória e também no bloco. Porém, nele também escrevi sobre um outro artigo que li num outro jornal, do qual não me recordo qual foi, que a Google pensava entrar no mundo da televisão, criando para isso um canal na rede. E uma das ideias que me surgiu logo de seguida, foi que  ao longo de toda a história da comunicação sempre houve quem levantasse críticas contra as inovações tecnológicas que apareceram. A televisão foi a que mais sofreu com isso, já que ganhou o estatuto da "pequena caixa que mudou o mundo"
Alan Archibald Campbell Swinton considerado o que inventou o primeiro protótipo de televisão

Acho que estou a ir no sentido de como as tecnologias foram e são capazes de criar ferramentas e suportes de comunicação que revolucionam a maneira de comunicar e de informar. A ideia também surge da leitura que tenho feito nos últimos dias. Um livro de Jean-Noël Jeanneney intitulado "Uma História da Comunicação Social". Um livro fundamental para conhecer e contextualizar os factos que marcaram todo o processo de crescimento de uma das áreas que mais evoluiu nas últimas décadas da história humana. O autor é especializado em história dos media, nomeadamente na imprensa escrita, rádio e televisão. Mas é uma determinada parte do livro que quero enunciar de forma a ver como os meios de comunicação social também sofrem com as pressões dos contextos políticos e económicos que atingem e dominam a época que existem. Ao falar-nos do Modelo Napoleónico, Jeanneney num parágrafo demonstra como os meios são mutáveis às circunstâncias. Isto é, o autor remetendo para a altura que Napoleão deixa a ilha de Elba para reconquistar Paris e a forma que o Jornal Moniteur transformou o seu discurso conforme o imperador se aproximava da capital francesa.

O autor escreve: " Le Moniteur, que muito prudentemente se tornou realista, após a instalação de Luís XVIII nas Tuherias, evoluiu como se pode ver: 1º dia - O antropófago saiu do seu covil- ; 2º dia - O ogre da Córsega acaba de de desembarcar no Golfo Juan- 3º dia - O tigre chegou a Gap - ; 4º dia - O monstro dormiu em Grenoble -; 5º dia - O tirano atravessou Lião - ; 6º dia - O usurpador foi visto a 60 léguas da capital - ; 7º dia - Bonaparte avança a grandes passos, mas nunca entrará em Paris -; 8º dia - Napoleão chegará amanhã às nossas muralhas- ; 9º dia - O Imperador chegou a Fontainebleau - ; 10º dia - Sua Majestade Imperial fez a sua entrada no Castelo das Tulherias, por entre os seus fiéis súbditos". 
Assistimos assim a uma prova de como as circunstâncias mudam os meios de comunicação social conforme as necessidades assim os obrigam.Uma realidade ainda existente nos dias de hoje. Por essa mesma razão não devemos esquecer que as empresas que dominam todo o teatro comunicativo têm sempre as suas estratégias que, no final, buscam sempre o mesmo objectivo: o lucro. Um bom exemplo disto é dado por Jeff  Jarvis  no seu livro "What Would Google Do",  sobre o qual já aqui escrevi.
Em suma, desde os tempos em que a imprensa escrita apareceu até à era digital, as evoluções tecnológicas sempre permitiram que o homem evoluísse. Nesse sentido, a pergunta que fica neste momento é como as tecnologias estão a modificar o homem no seu crescimento intelectual? Neste caso concreto é a principal plataforma de divulgação de informação na actualidade: a Internet e todas as suas aplicações que assume um papel primordial. Assim analisarei num próximo post se a tecnologia realmente está a deixar-nos mais espertos. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Paredes


Paredes, originally uploaded by NoslenPhotographer.

Português ganha SIGGRAPH

A conferência SIGGRAPH é o maior evento de computação gráfica do mundo. Este ano o vencedor foi Pedro Cruz um estudante da Universidade de Coimbra. O vídeo é um projecto de visualização de informação que nos narra o declínio de quatro impérios - Portugal, Espanha, França e Inglaterra - entre os séculos XIX e XX. O trabalho figurou entre trinta selecções feitas por um júri, sendo que muitos desses trabalhos eram de profissionais  de artes gráficas, videojogos, animação, cinema e efeitos visuais, alguns de grande produtoras de Hollywood, como segmentos dos filmes Avatar, Alice no País das Maravilhas, Príncipe da Pérsia e 2012. Pedro Cruz neste momento encontra-se a tirar um mestrado. 
O vídeo com cerca de três minutos, é um trabalho em 2D que começa a mostrar quatro grandes manchas que representam os impérios e que vão diminuindo à medida que as colónias vão ganhando a sua independência nos 110 momentos históricos. Contudo, no final, chamo a atenção para o facto de Portugal não ocupar o seu lugar geográfico no mapa mundi. Facto que pode ter uma razão perfeitamente explicável. Já perguntei ao autor do vídeo, que quando me der uma resposta vou colocar como update neste post. De qualquer das formas os meus parabéns ao Pedro. Segue o vídeo abaixo:


update: 


Conforme prometido fica aqui a resposta do Pedro:
Sobre as posições geográficas, Portugal e Espanha estão efectivamente próximos das suas posições geográficas médias, mas um em relação ao outro é que a coisa não joga tão bem. De facto isto é um assunto em relação ao qual nós ibéricos somos especialmente sensíveis.No fim este glitch resulta do comportamento do sistema físico, em que ambos os corpos estão a ser atraídos para as suas posições mas estão mutuamente em colisão também. Por isto não se conseguem desviar um do outro. Hum, posso sempre esperar que correndo a simulação novamente tal possa não acontecer. Mas enfim, não é perfeito."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Os melhores planos 1998-2008

A revista especializada em cinema  American Cinematographer's publicou a sua lista do melhor plano cinematográfico entre a década 1998-2008 aquando do 80º aniversário do American Society of Cinematographers. O meu destaque vai para o segundo lugar: Children of  Men onde Emmanuel Lubezk é mais uma vez reconhecido. De destacar também um post de Nelson Zagalo onde o mesmo filme conseguiu o segundo lugar dos filmes melhores fotografados na mesma década. Sendo que Amélie (2001) ocupa o primeiro lugar das duas listas mencionadas. Num post posterior também Nelson Zagalo destacou os comentários que o seu post gerou, destacando a opinião de Fernando Martins que destacou que: 

"O "Children of Men" ficou-me gravado na memória precisamente devido a umas quantas cenas ÚNICAS, sendo a maior parte delas gravadas numa única sequência sem cortes. Há pelo menos 4 assim, e uma delas demora à volta de 7 minutos, que inclui entrar e sair de veículos e de edifícios, com tiros, explosões e muita acção a decorrer [ver cena completa no YouTube]. Segundo consta, para se filmar esta sequência foram necessários 14 dias de preparação e ensaios, e cada vez que se tentava re-filmar a cena demorava 5 horas de preparativos. Essa foi a que, na altura em que estava a ver o filme, me chamou mais a atenção porque se “sentia” que se estava a fazer parte da acção, como se fosse um documentário e seguíssemos os protagonista em todos os seus passos, sem cortes."
 

Eu pessoalmente ainda não tive a oportunidade de visionar o filme, mas a minha curiosidade ficou susceptível de o ver nos próximos tempos. Contudo não posso deixar de concordar com a inserção com os filmes que ocupam os 3º; 6º; 7º, 9º e 10º respectivamente por já  os ter tido visualizado.  Em relação ao resto dos vencedores fica de seguida a mesma indicada:

3. Saving Private Ryan (1998).

4. There Will Be Blood (2007).

5. No Country for Old Men (2005).

6. Fight Club (1999).

7. The Dark Knight (2008).

8. Road to Perdition (2008). 

9. City of God (2002).

10. American Beauty (1999). 




Montserrat

Montserrat, originally uploaded by NoslenPhotographer.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Barcelona

Barcelona, originally uploaded by NoslenPhotographer.

Iluminação_parte2



Muito tempo passou sobre o último post sobre iluminação. A razão deste atraso deve-se fundamentalmente à inserção de um período de repouso prolongado que efectuei depois da minha chegada de Barcelona. Tentei aclarar as ideias e definir de uma forma mais clara os objectivos que pretendo alcançar nos próximos tempos. Porém, a verdade é que deixei passar mais tempo do que aquele que pretendia, mas considero que neste momento já tenho a minha decisão tomada. Não é fácil efectuar um post sobre um tema tão abstracto que é a iluminação. Mesmo com a ajuda de especialistas, percebo que a teoria sem a prática é um caminho um pouco mais complicado para se aprender efectivamente. Contudo, prefiro ter estas capacidades e estar limitado ao nível de ferramentas, do que achar que pelas limitações não devo esforçar o meu conhecimento sobre as áreas que eu gosto e admiro.
No último post terminei na parte que falava sobre a qualidade da luz e referenciei que para me ajudar iria recorrer a David Bordwell e ao seu livro "El Arte Cinematografico" (1995). 


Assim para continuar tenho que falar da direcção da luz que se faz por referência do caminho que percorre desde a sua fonte até ao objecto que ilumina. Von Sternberg  escreveu:
" Toda a luz tem um ponto que é mais brilhante e um ponto que se dirige para se perder por completo (...) A viagem dos raios desde este coração central até aos lugares da obscuridade é a aventura e o drama da luz".
Para os nossos propósitos podemos distinguir entre luz frontal, luz lateral, contraluz, luz contrapicada e luz zenital que vem de zénite:

Informação da enciclopédia infopédia
1.ASTRONOMIA ponto da esfera celeste que, relativamente a cada lugar da Terra, é encontrado pela vertical levantada desse lugar
2.figurado ponto mais elevadoaugefastígioapogeuápice
(Do ár. samt, «caminho; rumo; direcção da cabeça»)

Marlene Diectrich, Shangai Express, 1932.

A luz frontal pode-se reconhecer pela sua tendência a eliminar as sombras. A contra luz, como sugere o nome procede de trás do sujeito filmado. Pode-se posicionar em muito ângulos: muito por cima da figura, em diferentes ângulos nos lados, apontado directamente para cima ou desde de baixo. A luz contrapicada sugere que a luz proceda debaixo do sujeito iluminado para que se possa criar efeitos dramáticos de terror, mas também pode indicar simplesmente uma fonte de luz realista.
Os directores de fotografia também recorrem a tipos de luzes direccionais mais especializadas, sobretudo a Kicker (uma luz traseira situada a um lado que cria um toque de luz na bochecha da figura) e a luz de olhos (que é colocada na câmara para que ilumine os olhos do sujeito.
A iluminação também se pode caracterizar pela sua fonte; Em alguns filmes, como os documentais, o cineasta pode ver-se obrigado a rodar com a luz disponível no cenário real. A maioria dos filmes de ficção utilizam fontes de luzes adicionais de forma a poderem ter um maior controlo sobre o aspecto da imagem. 

In the Stars