quarta-feira, 13 de abril de 2016

Von Trier, a Depressão nos seus filmes

A depressão é uma doença pela qual tenho um particular interesse. Mais não será humilde da minha parte dizer que já passei por uma.
Até posso dizer que tenho um pequeno livro para ler sobre o assunto. Darkness Visible: A Memoir of Madness (1990).
Mas esta análise é mais uma capaz de tocar pelo detalhe de cada cena do filme, de como ela é composta e as influências na realização do filme. Tudo isto em mais um brilhante ensaio visual de Nerdwriter.




Mais uma vez o Nerdwriter consegue, de uma forma sublime, construir um ensaio audiovisual que observa pormenores dos filmes de Lars Von Trier sobre o tema da Depressão.
Mais concretamente no filme Melancholia 2011.
Ele examina o som, os cenários as influências artísticas de Von Trier para realizar o filme.
Consegue também explicar, pela linguagem cinematográfica, uma doença de que se sabe tão pouco... Inclusive consegue que o espectador entenda melhor este tema através da personagem principal. Levando-a a estar no tempo e no espaço entre o utópico e o real que a mesma passa no filme.
Para mim o que foi mesmo fantástico foi, com o vídeo, recordar o filme e voltar a sentir o que senti na primeira vez que o vi.
Na verdade, o sentimento foi mais intenso! Porque o ensaio consegue explicar o tema de uma forma muito detalhada e de forma narrativa que me prendeu desde a introdução até á conclusão. Uma das particularidades do Nerdwriter.
Ainda melhor é sempre saber mais. E falo das influências de Von Trier para o filme:









domingo, 10 de abril de 2016

Loving Vincent

É o primeiro filme do mundo animado por pinturas a óleo.
A combinação entre pintura e cinema ganha aqui um protagonismo literal.
Porque o filme como "arte" tem aqui um novo significado. Um novo filme de animação composto por cerca de 57.000 pinturas a óleo no estilo de Vincent Van Gogh.
O filme traz a arte de Van Gogh e a sua história pessoal de vida.
Para que o resultado seja possível, mais de 100 pintores têm animado as personagens das suas pinturas.
O resultado é um número sem precedentes de 12 quadros a óleo visionados por segundo para ser realístico.




A empresa responsável pela produção do filme é a BreakThru Productions, sediada na Polónia, inventado as estações de trabalho de animação patenteado no seu estúdio para facilitar o processo. Cada cena é composto por uma inteira nova pintura a óleo, e o movimento é adicionado em pinceladas.
A empresa polaca foi escolhida pela certeza que os pintores polacos são bons na arte de pintar. E os pintores são alunos de arte já com bastantes anos de estudo na arte.
O Academy Award-winning, produtor e co-diretor Hugh Welchman foi assertivo quando descreveu  o processo de "pintura stop-motion".









Para algumas cenas, a equipa do filme captou filmagem em live-action com um ator. Foi filmado e projectado, quadro a quadro, sobre uma tela, onde os pintores, em seguida, interpretaram a ação com o seu pincel.
Apenas um feito semelhante foi realizado. Em 1999, Aleksandr Petrov ganhou um Oscar pela sua impressionante adaptação de 20 minutos de The Old Man and the Sea, que ele criou com pinturas a óleo pastel no vidro.
Loving Vincent, dirigido por Dorota Kobiela e Welchman e por Aidan Turner, Saoirse Ronan e Helen McCrory, marca a primeira longa-metragem do seu tipo, com esta estrutura é uma obra deliciosa em que os quadros de Van Gogh ganham vida literalmente. Fica um trailer e uma reportagem da CCTV que explica e mostra audiovisualmente o que escrevi. 






segunda-feira, 4 de abril de 2016

AKIRA e a experiência artística.

Depois de ontem ter dito que tinha acabado de ler o livro de Leon Tolstói What is Art?  
Aconteceu de eu rever um dos meus filmes de animação anime de sempre AKIRA  (1988) de Katsuhiro Ôtomo.
Um filme que aborda questões filosóficas que se reúnem numa só ideia. Do caos podem nascer coisas belas.
E é assim que devemos pensar sobre tudo que admirámos e apreciámos.
Por isso, acontece que depois do livro e com as suas ideias na minha mente tive um experimento sensorial em que posso dizer que o objeto, a animação, que admirei é arte.
Assim houveram duas coisas que eu quis que ficassem desta minha experiência individual artística que eu quero tornar social.
Em primeiro lugar,: uma citação do livro de Tolstói que considero que vai em muito ao encontro do senti no filme. Pois como disse:
- do caos pode vir coisas belas e essa é a mensagem...
O que vi e senti foi uma infecção de prazer apenas conseguida por deus. Neste caso é uma teoria de estudioso da estética que tem uma teoria que eu considero que se enquadra no filme.
"According to Hegel (1770-1831), God manifests himself in nature and in art in the form of beauty. God expresses himself in two ways: in the object and in the subject, in nature and in spirit. Beauty is the shining of the Idea through matter. Only the soul, and what pertains to it, is truly beautiful; and therefore the beauty of nature is only the reflection of the natural beauty of the spirit—the beautiful has only a spiritual content. But the spiritual must appear in sensuous form. The sensuous manifestation of spirit is only appearance ( schein ), and this appearance is the only reality of the beautiful. Art is thus the production of this appearance of the Idea, and is a means, together with religion and philosophy, of bringing to consciousness and of expressing the deepest problems of humanity and the highest truths of the spirit." 

E, em segundo, enquanto via o filme, deparei por mim a pensar que toda a matéria de belo do filme se resumia às sua imagens - que claro sem o som não têm o mesmo impacto - mas são o produto bonito nascido das ideias.
Assim, o que me interessou ficar na mente, e nest post. foi o objetos de arte que me impressionaram:as imagens do filme.
Fica uma coletânea.
Temos um mundo apocalíptico que conhecemos num período depois da WWIII.
O mundano e desumano é permitido nas ruas.  O imperialismo, capitalismo e corrupção ocupa - uma vez mais - o lugar de poder. Na história é sempre a espiral do eterno retorno...
Mas temos uma consequência do abuso desse poder, a criação de coisas que não percebemos e com isso talvez seja precisa um renascimento. Existem pontas soltas, mas a resposta nunca a vou querer saber!














domingo, 3 de abril de 2016

O que é a Arte? Não sei...

Acabei de ler agora mesmo o meu primeiro Livro de Leon (Liev. Leão) Tolstói. Numa primeira reação, respeito imenso as ideias que estão contidas no livro. Mas creio que esta maneira de escrever, esteja muito longe dos seus Romances que o tornaram famoso.
Livros a ler! 
Mas neste não existe Romance!
What is Art? - primeiro publicado em 1897 - é um pensamento filosófico puro sobre o que é a Arte por Tolstói, em que a busca na definição de beleza e o sentimento que ela deve provocar é o que necessário para ser arte. 
Também discute a arte como mecanismo de prosperidade, de evolução humana, pensamento baseado no Marxismo.
Até ao sentimento mais mínimo - vamos pensar no átomo - que a arte faz sentir. Tolstói foi um génio não só da escrita, mas também na forma de escrever o pensamento em palavras. 



Talvez entender a sua vida seja uma forma de entender o homem que foi amado de tal forma, que podia escrever, num tempo de escalada do fascismo, o que pensava. 
Por isso fala logo que nesta edição que não temia a  censura:
"So the matter has remained. A book has appeared under my name containing thoughts attributed to me which are not mine."
Ao ver a sua biografia e os seus ideais, compreendo ainda melhor o livro que acabei de ler. Não quero entrar na parte de educação ou a formação ao longo da sua vida.
É importante para entender este livro saber apenas umas coisas do autor.  Em primeiro lugar:


Para Tolstoi, os Estados, as igrejas, os tribunais e os dogmas eram apenas ferramentas de dominação de uns poucos homens sobre outros, porém repudiava a classificação dos seus ideais como sendo anarquistas. Foi citado pelo escritor anarquista russo Piotr Kropotkin no artigo Anarquismo da Enciclopédia Britânica de 1911 e alguns pensadores o consideram como um dos nomes do Anarquismo cristão. Outra aproximação com o anarquismo se deu em 1862, quando Tolstoi, em viagem pela Europa, visitou o autor anarquista Proudhon. Este estava a escrever um texto chamado "La guerre et la paix", cujo título Tolstoi propositadamente utilizou no seu maior romance.
Porque no pensamento sobre a arte Tosltói aprofunda o pensamento, o seu foco de quinze anos, nesse mesclar da filosofia pura com a arte religiosa. Criada pela adoração ao deuses desde o início dos tempos. Os Gregos já adoravam deuses e artefactos.



Em segundo lugar, na verdade Tolstói no livro fala muito sobre a escola alemã de estudo da estética. Remete também para os escritores franceses, que no seu entender eram imitados. Tem um pensamento socialista e por isso deduzo que o ensaio tenha sido feita durante a sua Conversão.
Pois fala muito mal da corrente renascentista, das classes mais altas da Europa que definiram arte num espectro de elitismo.
Mas também fala da definição do belo e do sentimento de prazer. Procura tanto isso que estuda entender porque as pessoas admiram a arte religiosa. Mas a verdadeira impressão era a forma de como pensava que arte não podia ser apenas de um espectro. As massas teriam direito à arte, a contemplá-la:
It is said that it is all done for the sake of art, and that art is a very important thing. But is it true that art is so important that such sacrifices should be made for its sake? This question is especially urgent, because art, for the sake of which the labor of millions, the lives of men, and, above all, love between man and man, are being sacrificed,—this very art is becoming something more and more vague and uncertain to human perception.

Acaba por chegar a um ponto em que fala do futuro da arte como aproximação ao progresso humano, mas na época em que vivia, não saberia o futuro... Por isso o seu pensamento não pode ser atual.
Fala numa metáfora sobre as artes e a comida e como elas se relacionam. Porque ambas são uma necessidade humana.É uma explicação de arte muito distinta. Em que se distingue as elites de uma forma a que as pessoas se habituam.
The theaching of the schools stops there where the wee bit begins-consequently where art begins.
Por que ele toca no ponto em que a humanidade conheceu a arte. Os escritores das epopeias, não receberam nenhum dinheiro pela sua escrita  e pela sua obra. Enquanto na sociedade da época era típico haver artistas que recebiam. Mais uma questão filosófica de Tolstói.
A crítica da arte não existe e eu concordo com ele. Analisar a arte é o mesmo que entender o cosmos: não há resposta [pelo menos cientificamente plausível].
A obra é toda uma crítica à arte em si mesmo. Porque ele afirma que arte não se ensina. É impossível ensinar a arte a um homem. O que parece ser contraditório - e é - Mas faz sentido na ideia do autor e em tudo que ele expõe.
Mas sempre num tom muito crítico em que crítica o próprio Wagner e a sua estrutura de compor  que estabeleceu uma música impossível. Porque entre música e poesia apenas uma das formas de arte é que produz o efeito de prazer. Naquele tempo ele considerava que as classes mais altas consideravam certa arte como boa, mas na verdade não era. Para isso fala em três condições para a arte ser pura:

  1. On the greater or lesser individuality of the feeling transmitted
  2. on the greater or lesser clearness with which feelings is transmitted 
  3. on the sincerity of the artist. 
Em conclusão, não é que não tenha percebido Tolstói neste primeiro livro que li: Talvez a escolha é que não seja a mais adequada para conhecer um autor tão conhecido. Durante a Conversão. Tolstói passou de um escritor frequentador das maiores classes Europeias, para uma Quinta no campo a criar galinhas e coelhos. Quinze anos a escrever sobre um assunto ao qual não encontrou resposta pois procurava as perguntas em temas frágeis como o anarquismo e o cristianismo.
Talvez isto sejam apenas pensamentos de um homem idoso e cansado da cabeça que não parava de questionar os assuntos fundamentais e que pode levar à loucura. Mas numa coisa Tosltói acertou no livro a Arte aproximou-se mais da Ciência. Recomendo Vivamente a leitura.   

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Kubrick e as Cassetes Perdidas

Este é um pequeno documentário sobre a vida e as características dos primeiros filmes do grande Stanley Kubrick.
Narrado pelo próprio. A narração foi retirada de entrevistas que ele concedeu em 1966 a Jeremy Bernstein.
Bernstein escreveu um perfil sobre o diretor baseado em tese e gravações usadas como um suporte para recolher informações. 
Durante o vídeo ouvimos a voz de Kubrik e é uma sensação muito interessante.
Aborda vários temas na sua narração. Tal como a sua admiração pela fotografia, os custos e meios da época para a realização dos filmes, etc. 
É ainda mais interessante por ser uma auto reflexão sobre todas as suas obras. Uma análise aos detalhes e técnicas dos seus filmes. No fundo acaba por ser um forma de conhecer melhor a personalidade de Kubrik, a sua mente criativa e a sua forma de pensar e realizar. 



Posso dizer que no fim de visionar o pequeno documentário, senti na pele as dificuldades de Kubrik, as suas melhores sensações e as suas opiniões sobre o cinema e principalmente como ele se tornou um dos principais realizadores de todos os tempos.
Ouvir a voz do próprio a narrar problemas na realização do filmes, dos orçamentos e também o isqueiro a acender constantemente como ruído de fundo cria uma sensação de estarmos no próprio sítio de onde ele está a narrar.
É uma oportunidade única para os apaixonados da sétima arte.




In the Stars