quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Concerto à la carte

A mulher é o protagonista na história da evolução humana que mais sofreu com a imagem e fisionomia com que foi pré-concebida. Podemos nós, olhando a todo o conhecimento que temos sobre o assunto, proceder a uma análise profunda sobre o que aconteceu durante estes milhares de anos. Dos tempos da pré-história podemos ver o lugar da mulher como o animal, que depois da copulação com o homem, carregava o legado da sobrevivência da espécie na sua barriga durante vários meses. A questão que se coloca agora é se naquela época os meses que eram necessários para conceber o filho ou a filha eram os mesmos que são precisos agora: nove meses. Depois, noutra fase da história humana, o homem e a mulher de animais irracionais, que agiam com base no seu instinto e não tinham consciência cognitiva capaz de os fazer interrogar sobre as razões do processo de sobrevivência, passaram para um estado de inteligibilidade que lhes permitiu ter consciência da necessidade daquele processo para a sua sobrevivência. Vários milhares de anos depois, e por sinal aqueles mais recentes, a mulher estava num lugar de submissão e um papel subjugado na sociedade moderna. Mas a mulher cresceu na mente e emancipou-se tornando-se forte e capaz de vencer as dificuldades que a vida lhe põe à frente. Mas no fim a mulher é mais alguém que se influencia pela sociedade e a rotina que esta instituição lhe impõe, muitas vezes leva a cometer actos claramente criticáveis. Fica aqui registado a emoção sentimental que o meu corpo sentiu enquanto visionava a peça de teatro "Concerto a la carte" que esteve em exibição no Theatro Circo em Braga. Obrigado Vera

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Introspecção sobre cinema e fotografia

Uma questão fundamental na existência é viver cada dia como se fosse o último. Isto não é mais do que aquilo para que nós fomos gerados. É estranho querer falar disto agora, mas depois destes últimos dias tenho-me interrogado sobre isso. Muito por causa da dificuldade que tenho encontrado nas tarefas que tenho que executar diariamente. Contudo a maior conclusão que tiro disto tudo é que não vale a pena a preocupação. Porque no dia em que ela existe, no dia seguinte já terá sido esquecida. O fundamental são os afectos e aquilo que pretendemos atingir com objectivos nesta curta viagem. 
Podemos incluir aquilo em metáfora como o design interactivo que é  criação de estimulos que resultam em actividade, logo interacção. Ou um outro de passividade logo fruição. Neste último podemos incluir a linguagem cinematográfica e no primeiro a linguagem dos vídeo-jogos. Há quem quem lhe chame simulacro como Baudrillard, há quem também veja a dicotomia da emoção como Nelson Zagalo. No fundo é uma experiência. 
Mais uma vez, a questão que mais me tem preenchido a cabeça é tentar encontrar um balanço no que é o cinema. Porém o caminho começa a tornar-se um pouco desorientado, porque existem muitas teorias actualmente que tentam explicar o que é esta forma de arte.

Encontramos, por exemplo, em Walt Disney, uma razão de análise teorética, onde podemos culminar  numa dedução: alguém que tinha uma cognição fantasiosa e um espírito empreendedor que moldou as mentes de milhões de pessoas a acreditar no mundo da fantasia, com personagens que se tornaram marcas icónicas no nosso conhecimento infantil.


Por outro lado, temos Hitckcock, que com a sua narrativa de suspense, se tornou mestre na capacidade de assustar o público e fazê-lo "saltar" da cadeira com os jogos estéticos do horror psicológico. Ambos os dois já foram ao longo do tempo razão de análises e estudos infinitos. Estes dois senhores, marcas incontornáveis do cinema mundial, são o exemplo de muitos e de todos os que adoram bom cinema.
Porque temos que começar por algum lado, David Bordwell e André Bazin parecem ser dois bons autores para ler nos próximos tempos e tentar obter as respostas. Uma das ideias que me agradam mais em André Bazin é a sua forma de entender o cinema como uma maneira de entender a realidade. Mas Bazin parecia ser um visionário mais amplo. Ele referenciava a capacidade de o aparecimento da fotografia e do cinema serem capazes de registar o processo evolutivo do homem em fragmentos de memória vitalícios. Uma ferramenta que não existia ao dispor do homem nos tempos da Grécia Antiga, do Império Romano e de muitos outros momentos marcantes ao longo da história da humanidade. Mas também Bazin entendia e correlacionava o cinema e a fotografia como a capacidade de o homem lutar contra o tempo e contra a morte. Bazin escreveu:
“Uma psicanálise das artes plásticas consideraria talvez a prática do embalsamamento como um fato fundamental de sua gênese. Na origem da pintura e da escultura, descobriria o ‘complexo’ da múmia. A religião egípcia, toda ela orientada contra a morte, subordinava a sobrevivência à perenidade material do corpo. Com isso, satisfazia uma necessidade fundamental da psicologia humana: a defesa contra o tempo. A morte não é senão a vitória do tempo. Fixar artificialmente as aparências carnais do ser é salva-lo da correnteza da duração: aprumá-lo para a vida.”
Tudo parte de um estímulo que nos leva a tomar uma acção. As consequências dessa acção poderá  manifestar-se de várias formas e várias vezes ao longo do tempo. Mas a decisão das acções que cometemos e fazemos só dependem de nós e das capacidades cerebrais de cada um. Ou somos activos ou somos passivos. Dependendo sempre da plataforma que escolhemos para interagir. Como Bazin se iluminou ao pôr na fotografia e no cinema a filosofia do tempo e abrir-lhe profundidade no seu campo de acção. Talvez a resposta esteja reunida apenas nos fragmentos de pontos de luz e de cor que os nossos olhos captam. A composição dessas imagens são longos milhares de anos de evolução que culminaram numa visão quase perfeita, o perfeccionismo é algo incansável. Com os olhos mais abertos, o ser humano lá conseguiu ver melhor a realidade e com isso evoluir na tecnologia e na humanidade.
Em suma, o cinema e a fotografia são duas ferramentas que o homem na sua infinita busca, aperfeiçoou para o ajudar a crescer e a desenvolver. Porque já desde do tempo das pedras, em cavernas, o homem pintava as representações da realidade que o rodeavam. A fotografia e o cinema são simplesmente a passagem da caverna para a luz.  

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Luz sobre nós


Luz sobre nós, originally uploaded by NoslenPhotographer.

Fotógrafo de guerra

Poderá ser incrível para alguns, para outros nem tanto, pois já tinham consciência da sua existência. Mas existe uma profissão que é denominada de Fotógrafo de Guerra. Nesta profissão corre-se muitos riscos, pois entra-se no meio do teatro de operações e todas as situações são possíveis. Num momento estamos a tirar uma fotografia e no outro somos alvejados por uma bala perdida ou até intencional. O mais fantástico é que podemos conseguir as imagens mais incríveis e arrepiantes que o mundo já viu. 
Neste sentido, quero falar sobre um documentário que conta a história de James Nachtwey  um fotógrafo americano que um  dia decidiu que ia ser fotógrafo de guerra e, através da fotografia, conseguir captar  a essência da guerra e toda a realidade que é produzida por uma das mais longas tradições humanas. War Photographer é um documentário feito ao longo de dois anos nas guerras da Indonésia, do Kosovo e da Palestina. Realizado e produzido pelo suíço Christian Frei que usou micro câmaras agarradas à máquina fotográfica de Natchtwey. É impressionante como ao longo do documentário, com cerca de 1h30, somos levados para o lado da câmara e percebemos como um fotógrafo de guerra penetra no ambiente directamente e muitas vezes se confunde com o mesmo. Como se percebe a dificuldade de desempenhar um trabalho em condições únicas e claramente perigosas. Em que a todo o momento se desenrola violência humana entre grupos que lutam numa guerra por ideais opostos.  
É um momento único que merece toda a coragem de querer agarrar aquele instante e mostrar ao mundo o que está acontecer e aconteceu num fragmento. É um trabalho carregado de paixão para a sua execução e capaz de sensibilizar o mundo para a monstruosidade humana que acontece nas guerras. São os momentos em que o humanismo é trocado por raiva e ódio, bem exemplificado pelas imagens que o nosso protagonista captou no Ruanda, bem como nas ruas de Jacarta, quando um homem é perseguido por uma multidão em fúria e mutilado por todos em plena rua. É também um documentário onde é bem visível a dificuldade do ambiente onde desenrola toda a acção, bem mostrado na guerra da Palestina, onde o fotógrafo sofre danos causados por uma bomba de gás lacrimogéneo, ou até quando presta auxílio a um colega que foi atingido por uma bala. Também é um documentário onde percebemos que a fotografia é a arma de Nachtwey para mostrar ao mundo como as pessoas sofrem e, assim, conseguir a sua solidariedade para os mais necessitados. Bem explícito na carta que lê de um leitor, que a mandou depois de ver a reportagem da família indonésia que vive entre carris de comboio e em que o pai não tem um braço e uma perna.  O leitor, muito sensibilizado, refere na carta que vai começar a mandar dinheiro para a pobre família, mesmo não tendo muitos recursos financeiros. Um exemplo de como a arma pode ser poderosa.  Nas imagens em movimento e nas estáticas vemos a realidade tal como ela é, sem qualquer tipo de montagem ou edição, nuns momentos em que por vezes somos o olho por detrás da câmara.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A actual Internet

Não vai há muito tempo coloquei aqui um post ao artigo de Chris Anderson, editor da famosa revista Wired onde o mesmo, explicava do seu ponto de vista a evolução da Internet nos últimos vinte anos. A minha principal consideração relacionada com o artigo, na altura, foi em concordar que embora as pessoas tenham acesso a serviços e produtos gratuitos através da Internet, a rotina de todos os dias vai ser sempre um obstáculo à obtenção desses mesmos produtos e serviços. Porque a facilidade com que se obtêm um serviço ou produto pago, não é o mesmo quando eles são gratuitos. Mas no momento estamos a passar uma fase em que a Internet tal como a conhecemos pode sofrer transformações radicais e que levam a uma autêntica segmentação. Nesse sentido veio o responsável da Telefónica, Júlio Linares referir que:


“O principal problema com que se defronta o sector passa por uma grave discrepância entre o crescimento do tráfego, o custo da rede, as receitas que gera e a tensão no investimento”


O conselheiro delegado da Telefónica fala de assimetrias entre os cibernautas que mais utilizam a rede e aqueles que têm uma utilização mais reduzida. Explicando que a solução passava por oferecer serviços de maior eficácia aos diferentes clientes. Na minha opinião, este protótipo de modelo, é uma discussão impertinente porque o que os diferentes clientes ganham é o fim do princípio da neutralidade que a Internet oferece. Porque o principio da neutralidade parte do pressuposto que todas a informações que são passadas na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando sempre à mesma velocidade.  Com o fim da mesma iremos assistir a uma segmentação e descriminação na utilização da rede. 

Um outro ponto importante é olhar para o gigante monopolista da rede, a Google. Num artigo recente do New York Times, William Gibson, também criador do termo ciberespaço, apontou a sua opinião sobre o gigante da Internet. Nas suas palavras a Google descreve-se como: 

"central and evolving structural unit not only of the architecture of cyberspace, but of the world." 
Gibson fala das alegações de Eric Schimdt, CEO da empresa, referindo-se aquele à forma como as pessoas utilizam a Internet com recurso à ferramenta Google, referindo mesmo que elas não querem que a Google responda às suas perguntas, mas antes pelo contrário que a Google lhes diga o que devem fazer a seguir. Este parece um cenário preocupante, que Gibson considera que existe, mas com algumas qualificações complicadas: 
"Is he saying that when we search for dinner recommendations, Google might recommend a movie instead? If our genie recommended the movie, I imagine we’d go, intrigued. If Google did that, I imagine, we’d bridle, then begin our next search."
O que é importante lembrar é que a Google não é nossa, embora possa parecer confuso pois nós somos os principais fornecedores da empresa em todas as matérias que ela precisa para subsistir. Uma mera procura sobre qualquer informação basta. É aqui que Gibson merece toda a minha atenção quando afirma que isto é o tipo de coisa que Estados-nações e impérios faziam antes. Porém, antes impérios e estados-nações  não eram órgãos da global percepção humana. Contudo Gibson adverte:
They had their many eyes, certainly, but they didn’t constitute a single multiplex eye for the entire human species.
Isto tudo é um puro contraste entre o que se quer na teoria e o que existe na prática. Por um lado temos o princípio da neutralidade que evoca uma Internet mais justa e equitativa. Por outro, temos a divergência que existe em aceder a serviços e produtos gratuitos na rede, que acabam por contribuir para o capitalismo desmesurado. Por exemplo, todos os produtos e serviços da Google são gratuitos, ou pelo menos pensamos que são, já sobre isso aqui falei. Contudo todos os lucros brutos da empresa não são distribuídos pelos seus principais fornecedores. No meio de tudo isto as palavras de Eric Schmidt  ao Wall Street Journal acerca do futuro do procurar não devem deixar de ser motivo de preocupação sobre a actual e futura Internet:
As you go from the search box [to the next phase of Google], you really want to go from syntax to semantics, from what you typed to what you meant. And that's basically the role of [Artificial Intelligence]. I think we will be the world leader in that for a long time.
O que é mais um contraste, quando temos protagonistas como Patrick Finch a falar sobre a Open Web, e refere que o que é importante sobre a Web não são as qualidades intrínsecas da tecnologia, mas sim as acidentais. 
 




  

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