sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

The Godfather Part II



Continuando na minha tentativa de visualizar todos os filmes de realizadores seleccionados por mim, assistí ontem ao filme The Godfather 2 de Francis Ford Coppola. Há uns dias atrás, visionei o primeiro desta triologia, The Godfather. Na altura escrevi aqui apenas uma frase de Balzac que dizia que por detrás de uma grande fortuna, existe sempre um crime.  Não me tinha ainda apercebido que aquela frase é a que começa a obra literária de Mário Puzo  que foi co-adaptada com o escritor e Francis Ford Coppola para o cinema. Neste sentido, percebi que a minha análise sobre o filme tinha que ser mais crítica e objectiva. Porque afinal eu não quero ser um mero espectador, quero poder encontrar nos filmes elementos que me proporcionem um maior conhecimento sobre esta forma de arte. Tenho lido algumas obras a esse respeito, isto é, sobre análise filmíca. Onde diversos autores analisam de uma forma pormenorizada todos os frames dos filmes. Porém, essa tarefa não me entusiasma muito, porque a acho um pouco aborrecida, mas serve de ponto de partida para perceber que por vezes para entendermos melhor um determinado filme temos que tentar ser mais observadores. 
Assim, começava por tentar  esmiuçar um pouco mais. Em primeiro lugar, gostava de falar da estética do filme. Fiquei completamente estupefacto com os cenários criados e os jogos de luzes que Coppola conseguiu introduzir no filme. O jogo de pretos e brancos criam um ambiente fantástico no filme e, sem dúvida, que o caracteriza com as personagens. Foi apenas uma impressão minha, mas fiquei com a ideia que o filme na primeira hora utilizava iluminação um pouco mais escurecida e que ao longo do filme a mesma foi aumentando. Liguei esta minha impressão, como a forma que Coppola se lembrou de criar um certo ritmo à narrativa. De resto convêm dizer que o filme ganhou o óscar de Best Art Direction - Set Decoration.
Em segundo lugar, as representações fantásticas de Robert de Niro e Al Pacino. O primeiro é Vito Corleone o segundo Michael Corleone. Em relação a Vito Corleone (Robert de Niro) começamos a conhecer o seu passado siciliano e a altura que ele teve que fugir da Sicília para os E.U.A por causa da máfia que o perseguia. Ao chegar a Nova Iorque, depressa se consegue estabelecer e começar a criar as bases do seu império da máfia. Já Michael Corleone (Al Pacino). É o chefe da família Corleone bastante anos depois da chegada do seu pai aos E.U.A. O seu posto foi conseguido por legado do seu pai, que no filme anterior tinha falecido. Michael sofre uma transformação tremenda ao longo do seu percurso. Uma nova identidade é criada, em alguém que no passado simplesmente recusou a tradição familiar ao alistar-se no exército para ir servir a nação na II Guerra Mundial. Porém esta nova identidade não mais é do que a manifestação da sua biologia, porque percebe-se que existem traços comuns do pai para o filho e vice-versa: a defesa da honra da família. Isto é visível na parte em que Michael manda assassinar o seu o próprio irmão que o traiu, e Vito assassina um chefe da máfia siciliano que muitos anos antes tinha mandado matar o seu pai porque o desonrou. Considero este pormenor a grandiosidade do filme, bem como a prova da mestria de Coppola que genialmente mostrou convicções e valores familiares de uma forma extremamente simples: pelo contraste. 

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