sexta-feira, 11 de junho de 2010

Iluminação


Conforme já tinha prometido aquando da análise do último filme de Francis Ford Coppola que visionei, Youth Witouth Youth vou fazer um post sobre a iluminação e o seu uso no cinema. Assim podemos por começar por dizer que grande do impacto de uma imagem se deve à manipulação de a iluminação. No cinema em geral, a iluminação é algo mais que a luz que nos permite a acção. Nas zonas mais escuras ou mais claras do fotograma contribuem a criar uma a composição geral de cada plano e dirigem a nossa atenção para determinados objectos e acções, como também uma sombra pode ocultar um detalhe ou criar suspense sobre o que se pode esconder. A iluminação também pode definir texturas: a suave curva de um rostro; o delicado traçado de uma teia de aranha o brilho do cristal e o reflexo de uma pedra preciosa...
A iluminação dá forma aos objectos criando reflexos e sombras. Um reflexo é uma zona de luminosidade relativa numa superfície. Os reflexos proporcionam importantes indicações da textura da superfície. Se a superfície é lisa como o cristal os reflexos tendem a brilhar, numa superfície mais tosca, como um revestimento de madeira áspera tendem a criar reflexos mais difusos. Há dois tipos básicos de sombras e ambas são importantes na composição filmica.
São elas as sombras inerentes ou sombreado e as sombras projectadas. Uma sombra inerente produz-se quando a luz não consegue iluminar parte de uma objecto devido às características da sua superfície. Se uma pessoa está de frente de uma vela num quarto escuro, algumas zonas do rosto e do corpo ficarão escuras. Este fenómeno é o sombreado, ou sombras inerentes. Porém, também a vela projecta uma sombra na parede que há detrás dela. Esta é uma sombra projectada. porque o corpo bloqueia a luz.
A iluminação também conforma a composição global de um plano bem como também afecta a nossa sensação de da forma e da textura dos objectos descritos. Se se ilumina um balão pela frente, parecerá redondo. Se esse mesmo balão se ilumina de um lado veremos-lo como um semicírculo.  A curta metragem Lemon (1969) de Hollis Frampton  consiste principalmente em uma luz que se move ao redor de um limão e as movediças sombras criam desenhos de amarelo e negro que mudam de forma espectacular.



Podemos isolar quatro características principais da iluminação cinematográfica: qualidade, direcção, fonte e cor.

  • Qualidade: faz referência à intensidade relativa da iluminação. A iluminação "dura" cria sombras claramente definidas, por outro lado a iluminação "suave" cria uma luz difusa. Na natureza o sol do meio-dia cria uma luz dura, enquanto um céu nublado cria uma luz suave. Os términos são relativos e muitas situações de iluminação se incluirão entre ambos os extremos, porém na prática podemos reconhecer facilmente as diferenças. Pois a iluminação "dura" cria sombras claras e texturas e contornos definidos.


Mas muito ainda mais à dizer sobre esta característica fundamental do cinema e sobre a qual qualquer aspirante a realizador ou filmaker deve dominar. Este post foi feito com recurso ao livro de David Bordwell versão espanhola "El Arte Cinematografico" (1995) que no próximo post sobre o tema voltará a servir de referência. 

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