segunda-feira, 7 de março de 2016

A Cultura Criativa da Pixar

Depois de ter acabado de ler o livro de Ed(win) Catmull, escrito com a ajuda de Amy WallaceCreativity, Inc.: Overcoming the Unseen Forces That Stand in the Way of True Inspiration (2014) a principal ideia que fiquei é que Ed Catmull é um homem extraordinário; visionário e que ganhou o seu lugar na história enquanto "pai" da Computação Gráfica.


Ed Catmull enquanto criança tinha um sonho: fazer o primeiro filme animado através de um computador.
Este mote é o início de todo o livro e a história que começa na empresa Lucas Film de George Lucas, criador da saga Star Wars.  Até ao momento em que conseguiram pela primeira vez animar uma matéria através de um computador. Essa matéria foi a própria mão de Ed Catmull.




Ao longo do livro entendemos a paixão, vocação que Ed Catmull dedicou ao nascimento desta tecnologia e como ela foi evoluindo. Tendo ele um papel primordial neste facto.
Mas o livro não é uma história auto-biográfica do surgimento da Pixar, que antes de ser uma empresa de realizar filmes de animação, era uma empresa de venda de hardware.
Mas a admiração que o CEO da Pixar e Disney Animation Studios tinha por Walt Disney entranhou nele, desde muito novo, um sonho que culminou na criação de uma das empresas mais inovadoras, nascidas no século passado.
E tudo começou com Walt Disney e como os seus filmes de animação o embelezaram e tocaram num caminho de sucesso e sonhos concretizados. Depois com o facto de ter conhecido Jonh Lasseter.


By the time I met John, he was as connected to Walt Disney as any twenty-six-year-old on earth. He had graduated from CalArts, the legendary art school founded by Walt, where he’d learned from some of the greatest artists of Disney’s Golden Age; he’d worked as a river guide on the Jungle Cruise at Disneyland; and he’d won a Student Academy Award in 1979 for his short film The Lady and the Lamp—an homage to Disney’s Lady and the Tramp—whose main character, a white desk lamp, would later evolve into our Pixar logo.



E por fim o aparecimento de Steve Jobs, que com a sua habilidade única, conseguiu que a Pixar se aguentasse nos seus momentos mais difíceis. Já que ele era o suporte financeiro da empresa nos primeiros anos da sua vida e que não foram fáceis.
Porém, o que eu creio que Ed Catmull pretende com este livro é dar uma história na primeira pessoa do nascimento da Pixar. Dos seus maiores êxitos, mas também os seus momentos mais problemáticos. Mas mais importante falar da Cultura Criativa da Pixar.
O que percebi ao longo do livro é que Ed Catmull, Jonh Lasseter e Steve Jobs, quando enveredaram pelo objetivo de criar a Pixar, não foi só juntar a arte com a tecnologia. Mas sim criar uma cultura de criatividade própria e original na empresa.
Por isso mesmo, Ed Catmull entra profundamente na tentativa de explicar as metodologias utilizadas na Pixar de forma a tornar todos os seus funcionários mais criativos. Mais propensos a remar na mesma direção que a empresa e nunca a subestimar as ideias ou ideais de cada um.
O melhor exemplo disso é a forma como os intervenientes na realização dos filmes de animação estudam ou investigam os temas subjacentes ao filme.
O trabalho passava pela observação no terreno, a aprendizagem na cozinha de cozinheiros de restaurantes com estrelas Michelin e mesmo a prática de alguns desportos. Tudo isto para que a qualidade atingisse quase a perfeição.






Concluindo, o livro é uma análise do próprio Ed Catmull à empresa que ele ajudou a criar, mas também um manifesto a favor da criatividade e como esta é importante numa empresa como a Pixar ou qualquer outra.
O livro tem um discurso muito otimista nesse sentido. E um bom exemplo é o capitulo que nos fala da metodologia Notes Day. Uma forma de procurar e incentivar a criatividade em todos os funcionários da empresa e ao mesmo tempo fazê-los sentir que não existem hierarquias e que todos tem uma voz que vai ser sempre ouvida.
Ao mesmo tempo percebemos que Ed Catmull é um homem normal - apesar dos feitos que já alcançou na sua vida -; com receios como qualquer outro homem, mas que argumenta que nunca devemos deixar que os nossos medos nos dominem.
É um livro obrigatório que eu li duas vezes seguidas. Inspirou-me em vários sentidos, mas principalmente a nunca desistir dos nossos (meus) sonhos.
Um ponto mais tocante é a dedicatória que faz a Steve Jobs que faleceu a 5 de Outubro de 2011. Dando a conhecer um homem que também era visionário e que teve também um papel primordial no sucesso da Pixar. Sendo que a sua morte foi um dos momentos mais marcantes da história da empresa.
Por último, o livro termina com conselhos a todos os CEO's de empresas para poderem criar uma cultura criativa semelhante à que existe na Pixar e posteriormente na Disney Animation Studios.


Steve was a big believer in the power of accidental mingling; he knew that creativity was not a solitary endeavor. But our trip to Northside helped clarify that thinking. In a creative company, separating your people into distinct silos—Project A over here, Project B over there—can be counterproductive.

O arco-íris que apareceu sobre os escritórios da Pixar logo depois do anunciamento da morte de Steve Jobs

Da esquerda: Steve Jobs, Jonh Lasseter e Ed Catmull



 

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