sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cinema, anos ZERO?


O Youtube vai entrar no negócio do aluguer de filmes. Quando ví esta notícia, interroguei-me sobre o estado do cinema depois do aparecimento deste medium que mudou o paradigma audiovisual. Não só porque banalizou ainda mais a imagem em movimento, mas sim porque a cada minuto são descarregados vinte minutos de vídeos para o Youtube. Decidi pesquisar um pouco. Percorri várias revistas de especialidade e vários blogues sobre o assunto, mas foi no Ípsilon que encontrei um artigo que fala sobre o estado da sétima arte nos dias da revolução digital. Um artigo a lêr pelos fanáticos de cinema. Dá que pensar.... Principalmente na transformação que o mundo sofreu nos últimos anos. Este paragrafo sintetiza esta questão:


O cinema chegou a 2009, com "Avatar", a anunciar uma "nova era", final perfeito para uma década obcecada com a mudança. E nós, espectadores: o que é que vimos nos "anos zero", o que foi isto? Outra boa pergunta: o que é um espectador de cinema? Que venha a década nova. "No surrender", como na canção de Bruce Springsteen

Segue o artigo na íntegra.

1. Uma década é uma unidade de tempo tão arbitrária como outra qualquer, um utensílio fornecido pelo calendário para tentar impor uma "ordem" ou, como nas narrativas, um "princípio, meio e fim" àquilo que, na imparável dinâmica das coisas, não possui nada disso. Fazer "balanços", impor um princípio de ordenação, encontrar uma "narrativa" que se distinga de outras, é um impulso humano antes de ser um impulso cultural (ou é um impulso cultural porque é um impulso humano). Não é mau, não é bom, é o que é. Um tipo de arbitrariedade para tentar domesticar a arbitrariedade "cósmica". Se não esquecermos isto, pode-se esperar do exercício que seja minimamente proveitável. Arbitrário por arbitrário, faz tanto sentido falar do decénio 1997-2007 como de 2001-2010 (como, tecnicamente falando, devia ser). Mas por que não, e viva a força dos números redondos, os "poderes do 10" e o "mistério do zero", falar de 2000-2009? Os segundos "anos 00" da história do cinema: o simbolismo é inescapável, para mais numa década em que nos foi sendo garantido que tudo - da política, ao jornalismo, ao cinema - estava a mudar ou já tinha mudado.

No princípio da década o 11 de Setembro "mudou" o mundo, e no final da década foi a prometer "mudança" que um novo presidente foi eleito nos EUA. O cinema chegou a 2009, com "Avatar", a anunciar uma "nova era", um "cinema do futuro", final perfeito para uma década obcecada com a mudança. E nós, espectadores (outra boa pergunta posta pela década: o que é um "espectador de cinema"?), o que é que vimos nos "anos zero", o que foi isto?

Vale a pena ensaiar uns passos por esse sinuoso caminho, na certeza de que ficaremos longe de o esgotar e, outra advertência prévia, que para uma visão mais clara e seguramente mais completa dos "anos zero" do século XXI o melhor é dar um salto a 2030. O tempo é severo mas é dele que vem a luz e, como sabem todos os que gostam de cinema, é o futuro que anuncia o passado e não o contrário.

2. Houve uma coisa que sempre, ou desde cedo, tinha sido sólida e ruiu durante os "anos zero". A boa pergunta do parágrafo anterior: o que é um espectador de cinema? Em 2010, passar os olhos pelos "anos zero", e particularmente pela indústria americana durante este período, não pode ignorar isto, tanto mais que alguns dos passos decisivos dessa indústria ("Avatar", mais espectacularmente) foram uma resposta. Mesmo durante a grande crise provocada pela expansão da TV, nos anos 50 e 60, as coisas continuaram relativamente claras: sabia-se o que era um espectador de cinema e o que era um espectador de televisão. Qualquer deles pagava, de uma maneira ou de outra, para ver filmes, para ver televisão, para ver filmes na televisão - desde a primeira sessão dos Lumière que o "espectador de cinema" era aquele que pagava para ver um filme. Os "anos zero" trouxeram um novo tipo de espectador, o que vê filmes mas não paga. Faz "downloads", duplica, copia, vê os filmes mas não paga - é um espectador de cinema que deixou de contar, economicamente, como "espectador de cinema". Só existe como buraco (de milhões) nas contas de Hollywood. O filme de James Cameron, renovando a "experiência da sala" (para preservar, chamemos-lhe, a "experiência da caixa") através das 3D, é a solução milagrosa para re-chamar os tresmalhados e garantir a manutenção da indústria como a conhecemos ou é um estertor a prenunciar uma transformação ainda inimaginável? Pese o optimismo das máquinas de "marketing" (cuja função é promover o optimismo) e as certezas dos cretinos das caixas de comentários (cuja função é promover o "marketing"), "Avatar", no que toca ao "cinema do futuro", deixa mais perguntas do que respostas.

3. O espectador de cinema dissolveu-se como entidade económica estável porque a tecnologia chegou a um ponto culminante das possibilidades da sua própria vulgarização. Qualquer pessoa com um computador e umas noções rudimentares de circulação pela Internet tem os filmes que quer (e de resto nem precisa da Internet). A tecnologia digital, "maravilha" durante as últimas décadas, revelou nos anos 2000 a sua faceta "monstruosa". A "luz e a magia" deixaram de ser "industriais", como na empresa criada por George Lucas, e passaram a ser "domésticas". Não é a mesma coisa? Talvez não, mas não é seguro que não se trate apenas de um capítulo da mesma história. Só que antes discutia-se o digital na origem, na raiz, na essência da imagem que era captada ou era interposta na imagem captada: o vídeo e a película, o "efeito especial". Os "anos zero" impuseram a discussão do digital no momento da chegada e da recepção, em termos (e numa escala) em que nunca tinha sido posta. Do digital como modo de fabrico ao digital como modo de consumo. Do digital como facto tecnológico ao digital como facto cultural. É um círculo demasiado perfeito para que se possa dizer que não se trata da mesma história. Fenómenos como o YouTube encarregaram-se de garantir o fecho do círculo. Que tem o YouTube a ver com o cinema? Quase nada, ou quase tudo, com menos contradição do que parece. Há muitos anos que o cinema não estava "só" (para usar a expressão de Godard nas "Histoire(s) du Cinéma"), mas nunca esteve tão acompanhado como nos anos 2000, tão arrastado para dentro duma "cultura da imagem", enorme "bulldozer" de indiferença, com que ele só marginalmente alguma vez teve a ver. Como, numa estranha premonição de todo este excesso de imagens dos "anos zero" (e num estranho luto?), a "Branca de Neve" de João César Monteiro (ah, o escândalo), pareceu querer assinalar, logo em 2000.

4. Curiosamente (ou previsivelmente) o cinema dos "anos zero" trabalhou a integração do digital, em todos os seus estados, na sua própria tradição. Enrijecido por cem anos de periódicas ameaças de "morte", o cinema quis mostrar que a morte da película (apesar de tudo, também ela mais resistente do que se previa nos anos 90) pode ser uma "libertação", assim como uma cobra se livra da pele velha e a troca por uma nova. Vimos grandes mestres, mestres vindos de outro tempo, como Ingmar Bergman e a sua "Sarabanda", atirarem-nos uma última espreitadela, dominando o vídeo digital como se a questão dos suportes não passasse de um detalhe, e em última análise provando que não passa de um detalhe. Logo a abrir, em 2000, Pedro Costa estreou "No Quarto da Vanda", um dos mais influentes filmes da década (despertou vocações, gerou inspirações e imitações), apontando um caminho, estético e metodológico (que o próprio Costa ainda não parou de explorar, vide "Ne Change Rien"), para o casamento entre o cinema (como tradição) e o digital (como suporte tecnológico). O mesmo Costa que, de resto, nos deu (em vídeo digital) um dos últimos três grandes filmes sobre a película cinematográfica, "Onde Jaz o Teu Sorriso", com os Straub. (Os outros grandes filmes sobre a película foram de John Carpenter, "Cigarette Burns", ainda mais paradoxal visto que, episódio de uma série de TV, dele não foram tiradas quaisquer cópias em película; e claro, o "À Prova de Morte" de Tarantino, furioso e reaccionário manifesto em favor do arcaísmo e do analógico).

5. A questão película/digital também é um problema económico, pelo que só surpreende a quem tenha passado estes anos com os olhos postos em Hollywood e na "conversão da indústria" que essa conversão tenha arrancado, de facto, das margens, estéticas e geográficas, onde o dinheiro é escasso e os orçamentos se fazem a uma escala diferente. No Irão, Abbas Kiarostami não estreou, durante os anos 2000, nada feito em película, antes se obstinando, em filmes como "Ten" e, sobretudo, "Five Dedicated to Ozu" (o título, neste contexto, já é "todo um programa"), em explorar o vídeo digital como meio de ultrapassar a "vocação narrativa" do cinema (e conduzi-la, de facto, para um terreno próximo da "vídeo arte").

Na Rússia, Aleksandr Sokurov serviu-se das possibilidades de "armazenamento" das câmaras de vídeo digital para concretizar, livre do constrangimento causado pelos 12 minutos das bobinas de 35mm, o sonho de Hitchcock em "A Corda": um plano-sequência de hora e meia pelos corredores do Hermitage, sem os truques que Hitchcock teve que empregar. Foi "A Arca Russa", "tour de force" entre os mais ousados e "vanguardistas" da década, por acaso ou não (na sua relação com a história russa) mais um exemplo em que o "moderno" foi posto ao serviço de uma reflexão sobre a "tradição". O filme de Sokurov também põe em evidência a questão da invenção de um "peso" para estas novas câmaras digitais: a sua resposta em "Arca Russa" (mobilidade, flutuação, suspensão da gravidade) aproxima-o de Michael Mann (quem, na América "mainstream", mais aprofundou o trabalho sobre o vídeo digital, em filmes como "Miami Vice" e "Inimigos Públicos"), tanto quanto o afasta (a ele e a Mann) da resposta de Pedro Costa, que submete a sua câmara a uma gravidade descomunal, impondo-lhe um "peso" que ela de facto não tem (o que, para além de ter origem no facto de Costa ser um cineasta do plano e do enquadramento, configura uma espécie de ética, e de resistência ao próprio digital). O que aproxima Mann e Costa, evidentemente, é a crença na luz como coisa a redescobrir: que ninguém diga que já tinha visto a luz da "Vanda" ou a luz de "Miami Vice". Mencionar, ainda, já que se falou de "resistência", o espantoso trabalho sobre as possibilidades plásticas do digital, conduzidas em direcção ao minimalismo, do espanhol Albert Serra em "O Canto dos Pássaros", o filme mais "2D" desde há muito. Em "double bill" com "Avatar" mostraria bem como um filme pode ser "chato" sem ser "achatado", e "achatado" sem ser "chato".

6. Ainda a propósito da questão económica, importaria referir que o eterno "parente pobre" dos géneros cinematográficos, o documentário, sobreviveu aos 2000 em grande parte graças ao digital. Para o bem ou para o mal, ou melhor dizendo, para o bem e para o mal (não se pode querer ter só uma coisa). As propriedades "domésticas" dos aparatos digitais (novo sentido para a "câmara-stylo" de Astruc) propiciaram até uma nova voga do registo diarístico, pessoal e quotidiano, de que os exemplos mais conhecidos serão os filmes de Agnès Varda ("Os Respigadores e a Respigadora", a abrir a década, e "As Praias de Agnès", a fechar).

7. O caos de um mundo encharcado em imagens. O YouTube. O 11 de Setembro (em rigor, e num sentido que levaria demasiado tempo a explicar, a televisão desse dia devia entrar numa lista do mais "relevante" da década), cujas imagens assombraram o resto da década, inclusive no YouTube, e muito para além da América (o mais genial contracampo do 11 de Setembro é o plano final do "Filme Falado" de Oliveira, e pouco que importa que o filme seja o seu mais fraco). Esta ameaça difusa que vem da sensação de o 11 de Setembro ter sido dissecado "clandestinamente", com imagens de telemóveis, de câmaras de segurança, e etc. Para uma geração inteira (para mais do que uma geração), correspondeu à noção de uma perda da inocência. Uma câmara de telemóvel não pode ser um brinquedo se serve para registar o mais traumático assassínio em massa de tempos recentes. O vídeo - o vídeo caseiro, vulgar de Lineu - como instrumento dúbio, invasor e invasivo ao mesmo tempo, como aparelho capaz de construir, por "roubo", uma verdade para além das verdades oficiais. Uma menção para todos os filmes que foram atrás deste "zeitgest" tão "anos 2000". O "Caché" de Haneke e o seu par perfeito, o "Afterschool" de Antonio Campos. O "Redacted" de Brian de Palma, sobre a guerra do Iraque, e a sua versão melhorada, mais abstracta e mais paródica (mas muito menos vista e muito discutida, "são zombies, senhor"), o "Diário dos Mortos", dessa velha "térmita" do cinema americano que é George Romero.

8. E todos, velhos e novos, solitários quase sempre, obstinados por obrigação, que inauguraram ou continuaram as suas obras como se nada fosse. O velho Rohmer, que na "Inglesa e o Duque" des-diabolizou e domesticou o "efeito especial" (digital...), transformando-o em cartão pintado. James Gray e Wes Anderson.. Oliveira. Rivette. Godard, a transformar a amargura em coisa bela de se ver. Kaurismaki, sozinho e maltratado que nem um cão vadio, autor dos dois filmes mais comoventes da década ("Um Homem sem Passado" e "Luzes no Crepúsculo"). A majestade magoada de Eastwood. Outros, muitos outros. Aquilo a que dantes se chamava os "autores". Estão quase varridos das salas de cinema portuguesas. São zombies, senhor, e encontram-se numa das cinquenta salas dedicadas ao Harry Potter.

9. Que venha a década nova. "No surrender", como na canção de Bruce Springsteen.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti


Aqui ficam algumas fotografias da pequena ilha do Haiti tiradas hoje por mim através do Google Earth . As imagens foram captadas pelos satélites a 28 de Março de 2009.



Posted by Picasa

Picasso's Guernica

O conceito:

The idea of creating a 3D version of an influential artwork came out of doing jigsaw puzzles of famous paintings. When you assemble a jigsaw, you study a painting in great detail and you become aware of the very lines, shapes and colors that the painting is composed of and how these elements merge to create a unified expression. Through the puzzle, you explore the artwork, examining details your eye might not have caught otherwise. Your experience of the painting is intense, aroused by the action of puzzling, but expanded and strengthened by your own fantasy.

This 3D rendering of Picasso's Guernica offers a similar experience. The actual spatial immersion into a painting is a powerful way to prompt contemplation of its many facets. My project is not only a creative piece of work on its own; it stands in a larger context. It provides the unusual opportunity to view the painting from a unique perspective, revealing aspects that would normally stay hidden from the casual viewer. When we discern the original painting in this three-dimensional reproduction, we recognize which features most significantly constitute the painting. Consequently this three-dimensional exploration of Picasso's Guernica is an innovative technique for comprehending and appreciating the original masterpiece.

My primary intention for the project was to create a provoking and deep contemplation of Pablo Picasso’s Guernica. Is my model a true reconstruction of the Picasso’s painting, or is it merely a rough re-visualization? Is it still Picasso’s art or has it, through my addition of third dimension, become something completely different? It is not my place to answer those questions nor to determine the relationship between my three-dimensional reproduction and the original painting. Perhaps this is a question best left in the hands of critics.

Os autores:

After growing up in Osnabrück, Germany, Lena finished a Bachelor in Computer Graphics at the University of Koblenz, Germany in 2004. With the support of a DAAD-scholarship she transferred to the University of Georgia, USA and there she completed a Master in 3D Computer Animation in May 2007. 'A 3D Exploration of Picasso's Guernica' was part of her thesis. Lena loves art and is quite a technical person as well and she is interested in projects that combine those two skill sets. But not only her academic and professional life have led to work like the Guernica animation but also her personal interest in history and politics. Furthermore intercultural learning has always played a major role in Lena’s life; so far she lived for a year in Malaysia, one in Italy and four years in the USA.

Cello
Christopher Johns recently completed a Masters degree in cello performance at the University of Georgia, while studying with David Starkweather. He served as a Graduate Assistant Director of the UGA Summer Music Camps, President of the Student Chapter of the American String Teachers Association, and as a cellist in the UGA Symphony and ARCO Chamber Orchestras, which performed in Carnegie Hall November of 2004. Johns began studying cello at the age of four under the instruction of Jennifer Frisina in Charlotte, NC. (...more)

Guitar
Born in San Jose, California, Matthew Anderson began serious guitar studies as a Presidential Scholar with Mr. John Sutherland at Georgia State University, where he graduated Summa Cum Laude with Distinction from the School of Music. He then continued studies with John Sutherland at the University of Georgia under the prestigious University-Wide Teaching Assistantship in the areas of guitar and music theory. Matthew has also performed in masterclasses with Paul O’Dette, Matteo Mela, Patrick Lui, and Christopher Parkening.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Emoção

Lêr significa a capacidade de durante algum tempo prestar atenção ao significado das palavras. A capacidade de concentração num tempo efémero e disposto a uma decisão. A opção de tentar descobrir o que ainda não sabemos e conhecer um outro ponto de vista sobre a realidade. Podemos lêr da maneira tradicional, em papel borrado de tinta de um livro que compramos numa livraria que encontramos por acaso, ou então é a que temos por referência. Ou então preferimos a comodidade do lar e compramos o livro num site da internet. Ou até somos mais liberais e tentamos descarregar o livro pelo mesmo meio, mas sem fazer qualquer transação financeira sobre o mesmo. De qualquer das formas a razão é sempre a mesma: a curiosidade sobre um determinado assunto qualquer e queremos encontrar naquele medium a amplificação do nosso conhecimento sobre mensagens que estão um pouco ruidosas e como receptores estamos com dificuldades na sua compreensão. Então tentamos ficar mais esclarecidos pelos emissores que melhor comunicam o sentido do signo pela leitura, embora nos dias de hoje também haja possibilidade de lêr pelo ouvido: Audiobooks.

Mas muitas vezes nas leituras que efectuamos não ficamos condicionados apenas a um novo conhecimento sobre um determinado assunto. Muitas vezes podemos encontrar numa leitura mensagens que apenas complementam  a linearidade que deve obedecer à construção de um raciocínio . A estrutura de construção de uma obra especializada sobre um tema envolve a implementação de outros temas que se relacionam com o tema central. Foi isto que me aconteceu quando procedia à leitura de um livro sobre a emoção interactiva presente nos artefactos virtuais, nomeadamente os videos jogos e como estes utilizam a linguagem cinematográfica para causar momentos emocionais num experienciador, vulgo telespectador. Encontrei naquelas palavras uma dúvida existencialista que me fizeram interrogar sobre a crença humana e como ela pode ser enganosa se não estivermos contantemente em prevenção a vigilância epistemológica: A frase é de Descartes (1641).

" Mas eu persuadi-me de que não havia nada no mundo, que não havia céu nenhum, nenhuma terra, nenhuns espíritos, nem nenhuns corpos; não me terei por isso persuadido de que também eu não existia? De modo algum! Se fui capaz de me persuadir de alguma coisa,  existia com certeza. Mas há um enganador, não sei qual, muito poderoso e muito astuto, que emprega todo o seu engenho em me enganar. Não há dúvida de que eu existo, se ele me engana; e que me engane quanto queira, nunca conseguirá que eu seja nada, enquanto eu pensar que sou alguma coisa (...) Eu sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma , que nega, que quer, que não quer, que imagina,e que sente"

sábado, 16 de janeiro de 2010

Como o tempo passa.


Esta fotografia de Osama Bin Laden é demonstrativa de como o tempo passa na sua natural existência. Até um dos homens que consideram ser um dos maiores inimigos da humanidade vai perdendo anos de vida. É engraçado como as imagens conseguem guardar momentos em fragmentos imóveis, mas que em conjunto dão a sensação de velocidade e acontecimentos ocorrido no passado. Este é símbolo do 11 de Setembro. O objecto que significa aquilo no que o mundo se transformou com a queda das torres Gémeas. Um homem procurado que tem que viver na sombra e escondido, mas que envolto numa rede terrorista vai provocando o caos pelo mundo, pelo menos é isto que dizem os media. Mas a questão do sentido da fotografia é como demonstra virtualmente a passagem do tempo e como as coisas se transformam e mudam. Esta metamorfose inata é a resposta daqueles que se interrogam do que vai acontecer a Bin Laden: um dia ele vai morrer, nem que seja apenas pelo fim da sua existência Homo Sapiens.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Certo dia andava eu a vaguear pelas ruas da amargura. A delirar com pensamentos que já não eram apenas pensamentos. Eram penosas imagens mentais que esvoaçavam a cobardia de actos mal pensados. Era um caminhar, quase correr, quase a saltar.
De repente parei naquele passeio e vi um objecto. Não tinha cor, não tinha aura. Era negro, como a própria cor com esse nome. Não manifestava vida. E assustou-me. Assustado agarrei-me aos pensamentos e pensava que estava a delirar. Eram os pensamentos a transformar. Forma a seguir a forma, os pensamentos não paravam de se transformar. Cobardes, não tinham piedade. Para eles a batalha tinha que ser ganha a todo o custo. Misericórdia era uma palavra que não conheciam, que não faz parte do seu dicionário. Num estado de quase loucura, o estranho objecto veio ter comigo. Sem falar, soprou e os ventos que provocou limparam a minha consciência dos pensamentos. Muitas batalhas foram perdidas, mas a vitória no fim foi minha.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Relax

O que comunica este vídeo? Não sei... Mas é um trabalho interessante elaborado no Aftereffects.

Relax from Rami Lob on Vimeo.

Experimental Video made with After Effects, Trapcode Particular, Sound Keys

Music Credit:

Artist: Olafur Arnalds
Album: Variations of Static
Track: Fok

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ERIC ROHMER, 1920-2010


Faleceu Eric Rohmer.

http://www.criterion.com/current/posts/1347



The Godfather

Apenas uma frase acerca deste filme: "Por detrás de toda a fortuna, há sempre um crime", Balzac.

Nexus One

A Google lançou a semana passada o seu telemóvel: o Nexus One. Já há algum tempo que estava ao corrente do lançamento desta tecnologia móvel que vai funcionar com o sistema operativo Android também desenvolvido por aquela empresa Americana. Para já o produto vai abranger o mercado norte-americano com a operadora móvel T-Mobile, mas futuramente vai ser lançado na Europa, nomeadamente pela Vodafone. O sistema Android funciona noutros telemóveis, nomeadamente no HTC Hero. Fica de seguida um vídeo que explica sucintamente as potencialidades do Nexus One.


Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...