sábado, 24 de julho de 2010

A vida num dia

A partir de hoje (24-07-2010) e até dia 31 (dependendo do fuso horário); já é possível que os interessados gravem momentos da sua vida e possam partilha-lhos para o ambicioso projecto de Ridley Scott e Kevin Macdonald e o Youtube. Todas as imagens captadas devem ser enviadas para o canal oficial: www.youtube.com/lifeinaday que depois servirá para a posterior selecção dos vídeos. Depois de um processo de triagem que os realizadores irão montar numa longa metragem com estreia mundial no festival de Sundance em 2011. 


Assistimos neste projecto à utilização da ferramenta crowdsourcing cunhada em 2006 pela revista Wired e sem equivalente em português. Esta palavra designa o poder das multidões (crowds) para um determinado fim. Num artigo do Plúbico escrito por João Pedro Pereira pode-se ler:
"A era da Internet e da tecnologia barata (computadores, telemóveis e câmaras de filmar são instrumentos acessíveis) é propícia para aproveitar as massas. Uma parte do poder do crowdsourcing passa por chegar a muitas pessoas e encontrar indivíduos brilhantes. A outra parte passa pelo facto de a inteligência de um grupo superar a dos indivíduos que o compõem (a experiência dos feijões num jarro é um exemplo clássico da chamada "sabedoria das multidões": pedindo a várias pessoas que estimem o número de feijões dentro de um recipiente, a média das estimativas é quase sempre mais próxima da realidade do que as estimativas individuais)."

 Museu Guggenheim de Nova Iorque TIMOTHY A. CLARY/AFP


Mas este não é um projecto inédito. No mesmo artigo é explicado que: "Em 2004, ainda o YouTube não existia, os americanos Beastie Boys distribuíram câmaras de filmar por 50 fãs durante um concerto - das imagens resultou um filme chamado Awesome; I Fuckin" Shot That!. No mês passado, a Fundação Guggenheim lançou um concurso em que os participantes têm de colocar os vídeos no YouTube. Os melhores serão seleccionados por um júri (que integra os artistas plásticos Takashi Murakami, Douglas Gordon e Shirin Neshat, os cineastas Darren Aronofsky e Apichatping Weerasethakul, a performer e artista multimedia Laurie Anderson e a banda Animal Collective) e exibidos no museu, tanto no espaço físico, como on-line. E, de forma muito semelhante ao projecto de Scott, a iniciativa One Day On Earth (apoiada pelas Nações Unidas) visa criar um documentário com contributos de milhares de pessoas que vão filmar o dia 10 de Outubro (o dia 10, do mês 10 de 2010)."
Estamos a assistir neste momento a uma evolução da sétima arte. Um momento em que as evoluções tecnológicas estão a criar as ferramentas que vão juntar as massas e os autores num caminho conjunto de iniciativas artísticas ilimitadas. Mas também assistimos a um momento em que a banalização da imagem em movimento sofre cada vez mais a evolução dos tempos. Uma época em que o medo de Walter Benjamim de  a arte perder a sua aura, está cada vez mais presente e onde os lugares  e onde os ritos entre o espectador e a sua obra perdem a sua importância essencial. Mas é também uma evolução que permite que o conhecimento se torne mais popular e torne o homem cada vez mais um ser ilimitado ao nível da criatividade na aldeia global de Marshall Mcluhan.

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