terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O Avant Gard de Lars Von Trier

Lars Von Trier é um realizador dinamarquês, neste momento com 60 anos, e tem cerca de 30 como realizador. Os seus filmes marcam-se por ser pertubadores, impactantes, que procura horrorizar o espetador.
O que Von Trier procura com a sua cinematografia é realmente que as pessoas que visionam os seus filmes, possam argumentar que realmente o viram, nem que esse argumento seja negativo. 
A sua carreira  já é longa, e é marcada pela criação do Dogma 95, vários filmes que ganham destaque pela inovação, como Dogville (20003) e uma passagem por Cannes marcada por declarações a denotar uma compreensão por Hitler seguido por um massacre pelos meios de comunicação social. 



Fora tudo isso, Von Trier é um realizador pós-modernista que sabe utilizar os recursos disponíveis na forma de escrever cinema e leva essa linguagem ao limite. É marcado por um profundo conhecimento na forma de realizar e também uma variedade de marcas, detalhes que marcam a sua estética pessoal de uma forma de que eu chamaria de poesia cinematográfica. 
São pequenos detalhes reconhecidos na iluminação, na coloração, nos movimentos da câmara, ou seja, tecer, laborar o produto de forma perfeita, neste caso os seus filmes. 
Sobre esta questão Lewis Bond fez um excelente ensaio denominado Lars Von Trier - Deconstructing Cinema" (2003)  em que explica muito bem toda a obra de Von Trier nos últimos 30 anos.



De forma mais pessoal, quero falar da Trilogia da Depressão de Lars Von Trier. Do seu conteúdo fazem parte os filmes Melancholia (2011) onde Lars Von Trier explora novamente os receios humanos e o grotesco de uma forma visceral. A loucura como sanidade, num filme característico de um nome que marca indubitavelmente o cinema contemporâneo com a sua genialidade (in)sana. 
Anthichrist (2009), um filme com introspecção corpo e alma. Os demónios que nos atormentam no sofrimento dos acontecimentos sofríveis. Uma visão sobre o lado negro da loucura que no seu auge cria a parte mais negra da vida. Mais uma vez Lars Von Trier na sua particularidade existencialista. E finalmente termina com o bipartido Nymphomaniac (2013). 



A ordem com que expus os filmes foi puramente aleatória, até porque acabei de ver a pouco o último e daí este post. Que começou por ser apenas uma análise ao filme, mas expandiu-se em algo mais. 
O nome Trilogia da Depressão foi o próprio Von Trier que intitulou. E são sobre tabus, refinamento social causado por incompreensão das massas. 
A doença da depressão é um tabu na sociedade, assim como é a ninfomania. Pessoas que têm, chamarei de fetiche, vivem isolados. Agrupados em pequenas minorias que a sociedade afasta. O que o escritor dinamarquês faz é dar voz a esses.

O auge de Nymphomaniac é mesmo na forma como provoca. É o climax da triologia, onde a emoção é agarrada de forma horrífica. Mas também temos poesia distópica onde um diálogo de sexo assume contornos de analogia com paradigmas como a sequência de Fibonacci, a música clássica de Mozart e a literatura de Edgar Alan Poe. Misturado com uma banalização do sexo, imagens pornográficas - embora ele tenha utilizados próteses e atrizes porno - a um desejo obsessivo por sexo.

É mais uma vez um ponto de vista muito pessoal do realizador, mas ao contrário dos outros dois filmes que se foca mais num cuidado com a fotografia, a iluminação e a cor.
Este centra-se em diálogos eruditos de uma mistura entre conhecimento e empirismo sexual alterado. 
Von Trier com esta obra assume-se como um dos mais importantes realizadores modernos. Se o tivesse de comparar a alguém, talvez o compara-se a Philip Roth. São ambos pós modernistas avant gard que através de duas formas de arte diferente ferem a nossa cultura.    
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