sexta-feira, 6 de agosto de 2010

As tecnologias não nos fazem mais burros, ajudam-nos a ficar mais espertos

Não há muito tempo, estava a ler um artigo no New York Times que falava sobre as novas tecnologias da informação e comunicação, nomeadamente as redes sociais como o Facebook. Na altura li uma frase que ficou registada na minha memória e também num bloco onde a escrevi:
"As tecnologias não nos fazem mais burros, ajudam-nos a ficar mais espertos"
Em termos semânticos esta frase não tem nada de especial, mas já quanto à sua pragmática é que fico com mais renitências. Porque é complicado falar de tecnologia e de ficarmos mais espertos ou mais burros. Talvez seja por isso que a frase ficou guardada na minha memória e também no bloco. Porém, nele também escrevi sobre um outro artigo que li num outro jornal, do qual não me recordo qual foi, que a Google pensava entrar no mundo da televisão, criando para isso um canal na rede. E uma das ideias que me surgiu logo de seguida, foi que  ao longo de toda a história da comunicação sempre houve quem levantasse críticas contra as inovações tecnológicas que apareceram. A televisão foi a que mais sofreu com isso, já que ganhou o estatuto da "pequena caixa que mudou o mundo"
Alan Archibald Campbell Swinton considerado o que inventou o primeiro protótipo de televisão

Acho que estou a ir no sentido de como as tecnologias foram e são capazes de criar ferramentas e suportes de comunicação que revolucionam a maneira de comunicar e de informar. A ideia também surge da leitura que tenho feito nos últimos dias. Um livro de Jean-Noël Jeanneney intitulado "Uma História da Comunicação Social". Um livro fundamental para conhecer e contextualizar os factos que marcaram todo o processo de crescimento de uma das áreas que mais evoluiu nas últimas décadas da história humana. O autor é especializado em história dos media, nomeadamente na imprensa escrita, rádio e televisão. Mas é uma determinada parte do livro que quero enunciar de forma a ver como os meios de comunicação social também sofrem com as pressões dos contextos políticos e económicos que atingem e dominam a época que existem. Ao falar-nos do Modelo Napoleónico, Jeanneney num parágrafo demonstra como os meios são mutáveis às circunstâncias. Isto é, o autor remetendo para a altura que Napoleão deixa a ilha de Elba para reconquistar Paris e a forma que o Jornal Moniteur transformou o seu discurso conforme o imperador se aproximava da capital francesa.

O autor escreve: " Le Moniteur, que muito prudentemente se tornou realista, após a instalação de Luís XVIII nas Tuherias, evoluiu como se pode ver: 1º dia - O antropófago saiu do seu covil- ; 2º dia - O ogre da Córsega acaba de de desembarcar no Golfo Juan- 3º dia - O tigre chegou a Gap - ; 4º dia - O monstro dormiu em Grenoble -; 5º dia - O tirano atravessou Lião - ; 6º dia - O usurpador foi visto a 60 léguas da capital - ; 7º dia - Bonaparte avança a grandes passos, mas nunca entrará em Paris -; 8º dia - Napoleão chegará amanhã às nossas muralhas- ; 9º dia - O Imperador chegou a Fontainebleau - ; 10º dia - Sua Majestade Imperial fez a sua entrada no Castelo das Tulherias, por entre os seus fiéis súbditos". 
Assistimos assim a uma prova de como as circunstâncias mudam os meios de comunicação social conforme as necessidades assim os obrigam.Uma realidade ainda existente nos dias de hoje. Por essa mesma razão não devemos esquecer que as empresas que dominam todo o teatro comunicativo têm sempre as suas estratégias que, no final, buscam sempre o mesmo objectivo: o lucro. Um bom exemplo disto é dado por Jeff  Jarvis  no seu livro "What Would Google Do",  sobre o qual já aqui escrevi.
Em suma, desde os tempos em que a imprensa escrita apareceu até à era digital, as evoluções tecnológicas sempre permitiram que o homem evoluísse. Nesse sentido, a pergunta que fica neste momento é como as tecnologias estão a modificar o homem no seu crescimento intelectual? Neste caso concreto é a principal plataforma de divulgação de informação na actualidade: a Internet e todas as suas aplicações que assume um papel primordial. Assim analisarei num próximo post se a tecnologia realmente está a deixar-nos mais espertos. 

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