quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A vida e os seus ramos

Há já muito tempo que não perdia tempo a analisar um filme. A verdade é que aqueles que tenho visto nos últimos tempos nunca mereceram este tipo de análise. Tree of Life (2011) de Terrence Malick é uma obra prima, que foi considerada por um colega meu como uma das obras cinematográficas do século XXI.  A verdade é que aquele século ainda vai pequeno, mas de todo concordo.
O realizador em muitos anos realizou poucos filmes, mas foram sempre muito bem recebidos pela crítica. Também não é de admirar, é um realizador com trabalhos notáveis e que certamente ficará para a História do cinema. Mas a sua marca também será o mistério que o envolve, para perceber basta ler a sua biografia. Formado também em Filosofia, nunca se preocupou com a quantidade, mas mais com a qualidade. Porém, não escapa às críticas dos mais hermenêuticos, já que obras suas não são bem recebidas. Independentemente de tudo isso, o que interessa mesmo falar é do seu último filme.


São variadas e até infinitas as interpretações que se podem tirar do filme. Podemos pegar pelo lado da instituição primordial para a nossa integração na sociedade: a família. Esse suporte vital, que nos educa para a realidade e nos formata segundo eles próprios foram formatados. A nossa adaptação pode ser de liberdade e logo felicidade, mas também autoritarismo e frustração com a nossa individualidade. Ou porque não atingimos as expetativas impostas, logo ascensão social. Ou porque aos olhos dos nossos progenitores somos uns falhados. Ou porque o excesso de querer a perfeição pode criar a dicotomia amor/ódio.
Podemos também ir mais fundo e olhar pelo lado da religião. Essa fé que nos dá equilíbrio neste mundo que parece não ter sentido mas que agarrados à ideia de divindade dá-nos uma ideia de um destino paradísico e que esta vida é apenas uma passagem para outra. Mas como está mais que provado o fundamentalismo pode levar a atos loucos de expressão. Na minha opinião Malick quer ir mais longe.
Ele pega no lado social e religioso e mistura-os com o lado da ciência, mais de um ponto de vista da evolução de Darwin.


A árvore é constituída por vários ramos, a vida também. Temos o ramo da família, o ramo social, o ramo existencial,  o ramo individual, entre outros. Porém, todos esses ramos fazem parte de uma génese total que não é mais do que a Árvore da Vida. Malick estetiza no filme a sua percepção do mundo e como ele está ligado pelas suas diferentes ramificações. Como elas são constituídas, como são influenciadas e o que objetivamente conseguem dar a cada um.  
O realizador, de uma forma soberba preocupa-se que as imagens consigam passar esta mensagem pondo vários momentos no filme de autêntico blackout. Deixa as imagens falar sem rodeios e sem interferência sonora, a não ser aquela que nos faz pensar. Focaliza a natureza e a sua verdadeira importância na Árvore da Vida, porque é ela a totalidade de toda a realidade.


Do lado da família utiliza o flashback e o flashforward como ferramentas para percebermos o lado do amor com carinho e o amor com autoritarismo. Demonstra pela vozoff  a consciência de cada um e como muitas vezes acarretamos os nossos problemas e inquietações apenas no nosso interior, sem queremos exteriorizar.  E o nosso único confidente é o nosso ser bipolar existente num único cérebro.
Contudo, o que podemos considerar uma harmonia, simplesmente pode ser desfeita porque a Árvore da Vida é feita propositadamente com estes percalços. 
No fundo, o flashback passa-se unicamente no contexto e espaço família, onde existe o amor/carinho e amor/autoritarismo. No flashforward temos a ascensão social que tanto nos impuseram, mas individualmente somos perturbados pela memória e a inquietude mental. 

  
Em suma, o filme fala-nos da vida naquilo que é, puro e duro. A vida é uma ramificação de experiências, sensações, influências, socializações, momentos, fé, etc. Tudo isso nos perturba e nos molda e não é o mesmo lidar com isso coletivamente que nosso interior. 
Gostava apenas terminar apenas com mais uma nota. Na tradicional narrativa, estamos habituados apenas três atos: introdução, desenvolvimento, conclusão. No meu ponto de vista, o filme é constituído por quatro atos. Porém não sei que nome deverei usar para o adjetivar. 
Com tantos gaps no argumento, que são lacunas propositadas, o que dei conta é que o desenlace está presente na introdução e não na conclusão como é normal. Mas não quero entrar mais profundamente nessa questão, vejam por vocês próprios e sintam se podem concordar comigo. 

domingo, 4 de setembro de 2011

A guerra social

Depois da entrada em cena do Google + a "guerra"entre as principais redes sociais do momento aumentou de tom. Nesse sentido, Aaron Wood criou umas interessantes ilustrações que podem ser adquiridas aqui. Gosto especialmente da ironia que as ilustrações têm no texto que incorpora, brincando com a funcionalidade que mais se destaca nas caraterísticas de cada uma das redes sociais. 




sábado, 3 de setembro de 2011

Carmen Ortiz, Ilustradora


Carmen Ortiz é ilustradora. O seu portfólio pode ser visto aqui. O que mais me chamou atenção no trabalho dela foi a delicadeza do traço que a preto e branco cria uma atmosfera inquietante acerca do perfil de atores e atrizes. Adoro a subtileza do desenho a lápis que dignifica alguns dos ícones do cinema mundial. 



É incrível como ela com apenas duas cores, por sinal primárias em todo o seu portfólio, consegue criar toda uma atmosfera que vai para além do preto e branco. Enfatiza o perfil do ator dando-lhe relevo por uma pose real numa textura sublime como aquela que se vê na de Clint Eastwood subjacente nas rugas da cara e do pescoço. A minha predileção vai para os trabalhos da artista em que foca atores de Hollywood e nos quais é extremamente subjacente a qualidade do seu trabalho. Aqui coloquei apenas os meus preferidos, mas recomendo vivamente uma passagem pelo portfólio da artista. 





Pixar, uma história de sucesso

Com as notícias que vieram a público nos últimos dias sobre a saída de Steve Jobs como CEO da Apple, a minha curiosidade sobre a sua biografia aumentou. Com isso, veio também uma necessidade de saber mais sobre outra das empresas que foi fundador, a Pixar



Inicialmente começou por fazer parte do património do realizador de Star Wars, George Lucas. Mais tarde acabou por ser comprado por Steve Jobs (que lhe deu o nome Pixar) e, posteriormente, pela Disney. 
Da sua responsabilidade, destacam-se vários filmes de animação que atingiram um enorme sucesso  e que de alguma forma mudaram a forma de fazer filmes.
No caso concreto acho que se pode dizer que com o primeiro Toy Story (1995) foi o começar de toda uma panóplia de sucessos que culminaram em vários Óscares e outros prémios. O que é mais curioso é que o Óscar de melhor filme de animação apenas foi criado em 2001 e muitos dos filmes realizados pelo estúdio de animação foram realizados antes desse ano. O que na minha opinião é uma injustiça muito grande. Pois muitos bons filmes foram realizados nessa década anterior. 
Mas creio que toda esta informação não será nova para muitos dos que se interessam por estes assuntos. Assim o que quero mesmo é trazer aquela que considero nova (porque não a sabia antes) informação acerca da empresa e como ela própria mudou o cenário do Computer Graphics.
Começo com um vídeo de Ed Catmul, atual CEO da Disney Pixar, Animation Studios. Numa conferência de 2007 na Stanford Graduate School of Business fala-nos da estrutura da Pixar. 
É interessante perceber como ao longo da produção dos filmes de animação foram aparecendo dificuldades e como estas foram resolvidas. Também as ideias de Catmul acerca da criatividade e toda a sua implicação na realização de filmes. Gostei principalmente da parte onde fala de que nem sempre boas ideias significam bons produtos. Porque se as boas ideias forem entregues a pessoas medíocres, podem perder qualidade. 
Outra questão a reter é o seu ponto de vista sobre o negócio que incorpora este tipo de empresa, aliás é neste ponto que a conferência se torna realmente interessante. Dá ideias acerca de todo um processo  necessário através de uma empresa de excelência na área. 

   


Foi depois de visionar esta palestra que me apercebi que a importância da Pixar está mais focada em pessoas visonárias, do que aquilo que simplesmente os meios de comunicação sempre nos passaram. Ao pesquisar um pouco mais sobre Ed Catmull, fiquei a saber numa entrevista do The Guardian de 2003 que ele foi responsável por: 
At school Catmull had hoped to become an animator, inspired by the Disney movies Peter Pan and Pinocchio. Deciding that he wasn't good enough he instead enrolled into a degree course in the nascent field of computer science at the university of Utah, where he stumbled into graphics. He made an animated version of his left hand, which was used in the first film to incorporate 3D computer graphics, the science fiction feature Futureworld.

Graças a um filho de um colega de Ed Catmull veio agora a público um vídeo que não é mais do que o primeiro Making Of da primeira animação 3D feita por computador. É realmente arrepiante ver este vídeo e pensar como Ed Catmull e a toda a sua equipa começaram com esta animação uma verdadeira revolução na imagem em movimento, integrando a tecnologia digital para um proveito artístico e cinematográfico. Mais tarde foi utilizado no filme Sci Fi Future World (1976).




Foi precisamente neste filme que se criou pela primeira vez o CGI através da modelação da própria mão de Ed Catmull. Ou seja, de alguma forma este senhor foi o responsável da utilização do CGI na criação de uma animação 3D. Claro que o mérito não é só dele, porque atrás dele já vinha todo um conhecimento consolidado. Mas ele foi quem utilizou esta tecnologia pela primeira vez. Mas realmente o que merece tempo é ler todo este artigo que conta mais pormenorizadamente a história da Pixar. Vale bem a pena a leitura. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Infografia: como os videojogos estão a mudar a educação

TEDIfy, ideias para conetar

Já antes tinha falado sobre a organização TED e como as suas conferências não devem ser ignoradas. Agora trago aqui um trabalho que me deu um gosto enorme visionar e denota a paixão que por vezes as pessoas podem ganhar a determinados objetos. 


Concretamente falo de Maria Popova uma auto intitulada geek do design e fanática pelas conferências TED. Nesse sentido Popova fez algo que considero absolutamente fantástico. Com a permissão de todos os envolvidos, começou um trabalho de divulgação em formato diferente daquele utilizado pela TED. Aposta na voz dos speakers para divulgar todo o mantra que envolve as conferências. O projeto, aparentemente já tem 3 anos, mas creio que nunca teve fortes possibilidades de ser massivamente promovido. Nesse sentido, quero contribuir para isso.  
Ainda por cima, porque os vídeos que a mesma produziu em Aftereffects, são aliciantes pela sincronização visual e sonora,  pela palete de cores escolhida e a tipografia irrequieta e sedutora. Mais, os três vídeos até já realizados sintetizam áreas que me interesso pessoalmente. Sendo que considero que resumem de uma forma fenomenal várias conferências sobre os tópicos em questão e funde perfeitamente todos os oradores envolvidos. Vale a pena ver, ouvir e divulgar. 






segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A morte da pós-modernidade

O criador do nome contestou, dizendo que não tinha sido ele a escolher o nome bebé. Pelo menos não da forma como se tornou conhecido por todo mundo : Pop Art. Pura modéstia. Eufemismo Britânico?




De alguma forma esta foi a corrente que de longe mais me marcou mas também uma das correntes mais carismáticas desta expressão do ser humano, enquanto criador de beleza artística. Aquela ideia de beleza de Kant e Humberto Eco.
Por outras palavras, a filosofia pura da criação e fruição da arte, não ganha sentido enquanto definição de arte. A arte é uma coisa popular e deixa de ser algo elitista e ritual, para passar a ser das massas.
Massas de pessoas que podem usufruir da arte como uma coisa dita normal. Apenas falamos do mais particular do homem, que busca na arte algo de abstrato na simples existência.
Mas o problema é que a arte passou de um estado muito existencialista, para uma estrutura fundamental da existência do seu criador: o ser humano. Logo por isso, massificou-se e tornou-se porpular: Pop Art de Andy. O mais conhecido pintor da corrente...


Mas no entanto apenas serviu de introdução a mais uma vez um motivo de querer escrever. Um artigo que simplesmente tem este nome: Postmodernism is dead da revista Prospectmagazine. Um artigo que nos fala numa ideia  muito simples, mas ao mesmo tempo inquietante para aqueles que entendem a arte pela arte. Não deixa de fazer muito sentido sabendo que ao longo da história principalmente depois do Ilumismo, o Homem já teve muitas correntes de arte. Saber que de alguma forma a que mais me marcou pode apenas ganhar um novo sentido e sofrer uma metamorfose, deixa-me contente. 
A transformação do colar, a repetição, a anarquia e o acaso. Uma pura desconstrução de séculos de modelos impostos e construídos sobre regras que simplesmente se tornaram obsoletas. A humanidade acordou para o iluminismo da arte e com isso ficou a conhecer-se um pouco melhor. Mas aqui lembro-me do livro de José Ortega Gasset a Desumanização da Arte que levanta tantas questões sobre a arte enquanto arte e como é possível a sua transformação não por ela própria, mas pela mão do seu criador e admirador: o Homem. 
Mas atenção, a corrente não é visível apenas na arte da pintura, outras formas de arte são influenciadas por esta nova forma de revolta entre o ser pensante e a realidade que o rodeia: arquitetura, literatura, música, dança, cinema, etc. 


O edifico AT&T em Nova Iorque (no meio), completado em 1984

You could say that the AT&T legitimised postmodernism to the whole world. The building became a lightning rod for what was happening, socially maybe, as well as architecturally.” This was a building that challenged the modernist premise of functional power by referencing other older, European styles, a building that collated and collapsed previous strictures, but was also something entirely new and radical and, in this, subversive. It was a provocation.


Não terá sido o pós-modernismo, já que apareceu depois do modernismo, apenas mais uma evolução da condição humana? Olhemos às transformações sociais, políticas e financeiras que aconteceram no aparecimento da corrente, mesmo durante a sua época de ouro, pois todas as formas de arte têm a sua época de ouro e até ao presente onde as suas caraterísticas são encontradas em artistas como Madonna. A mulher eternamente comportamental como uma virgem e que deixou o seu legado a Lady Gaga e outras semelhantes. Não será esta forma de arte apenas um sintoma da evolução humana?
Será que podemos, apenas nós leigos e incultos argumentar sobre o que é arte e entendê-la como um reflexo da necessidade humana de se auto-compreender? Será apenas um espelho da meta-narrativa que a narrativa terrestre nos obriga a criar! Complexo pensamento se formos ateus como Richard Dawkins e para nós deus é uma desilusão. Ou então somos dogmáticos na fé religiosa, mas também artística e não queremos compreender mas apenas deslumbrar.  
There are two important points. First, that postmodernism is really an attack not just on the dominant narrative or art forms but rather an attack on the dominant social discourse. All art is philosophy and all philosophy is political. And the epistemic confrontation of postmodernism, this idea of de-privileging any one meaning, this idea that all discourses are equally valid, has therefore lead to some real-world gains for humankind. Because once you are in the business of challenging the dominant discourse, you are also in the business of giving hitherto marginalised and subordinate groups their voice. And from here it is possible to see how postmodernism has helped western society understand the politics of difference and so redress the miserable injustices which we have hitherto either ignored or taken for granted as in some way acceptable. You would have to be from the depressingly religious right or an otherwise peculiarly recondite and inhuman school of thought not to believe, for example, that the politics of gender, race and sexuality have been immeasurably affected for the better by the assertion of their separate discourses. The transformation from an endemically and casually sexist, racist and homophobic society to one that legislates for and promotes equality is a resonantly good thing. No question.The second point is deeper still. Postmodernism aimed further than merely calling for a re-evaluation of power structures: it said that we are all in our very selves nothing more than the breathing aggregate of those structures. It contends that we cannot stand apart from the demands and identities that these structures and discourses confer upon us.Adios the Enlightenment. See you later Romanticism. Instead, it holds that we move through a series of co-ordinates on various maps—class, gender, religious, sexual, ethnic, situational—and that those co-ordinates are actually our only identity. We are entirely constructed. There is nothing else. And this, in an over-simplified nutshell, is the main challenge that postmodernism brought to the great banquet of human ideas because it changed the game from one of self-determination (Kant et al) to other-determination. I am constructed, therefore I am. But here we come at last to the trickiest question of all: how do we know postmodernism is over and why?
E no final podemos ficar com esta simples ideia. Enquanto os pós-modernistas reclamavam que os modernistas lhes diziam de como haviam de fazer, a geração seguinte responde que agora ninguém lhes diz o que eles devem fazer.  Porque nós somos a geração do digital e também da maior diversidade cultural que Homem já conheceu. Estamos a viver uma época de grandes transformações onde as matérias de criação ganham novas caraterísticas e os palcos onde as mesmas se desenvolvem são apenas nichos. O de um para muitos faz todo o sentido e agora vivemos a Idade da Autenticidade. Onde cada um define o que é arte e esta já não é apenas pela arte, mas sim pelo social.   

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Criatividade ou dinheiro? Esta é a questão!

Cria-se um problema àqueles que querem trabalhar nas áreas criativas que muitas vezes faz parte dos seus anseios, mas nunca se sabe claramente como se deve abordar essa questão. Concretamente, o maior problema começa por saber exatamente o que é ser criativo?

 Primeira edição de Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton


Etimologicamente e logicamente podemos entender o sentido da palavra criativo como a capacidade de criar algo. Um objeto capaz de ter uma utilidade prática no dia a dia dos seres humanos em questão. Vamos pensar, por exemplo, na lei da gravidade de Newton e o mito relacionado com o motivo da sua criação ou com a sorte do acaso que o levou a descobrir aquele paradigma. 
Isto levanta a questão de motivos intrínsecos ou extrínsecos de termos a capacidade de ser criativos. Por outras palavras, devemos entender aqueles dois conceitos como os fatores que nos levam a criar. 
Se por um lado o que nos leva a criar é algo que está no nosso interior ou, pelo contrário, é algo que está no nosso exterior e nos move para sermos criativos? 
No caso de Isaac Newton, e se acreditarmos no mito da maça, rapidamente percebemos que o motivo da sua criação foi extrínseco, mas foi uma caraterística que nasceu com ele que o levou a desenvolver a lei da gravidade. Mas o que não pretendo é entrar numa discussão filosófica e histórica sobre factos ou mitos.

Copyright Todos os direitos reservados a jakedillard

A minha intenção passa por analisar um pouco mais em detalhe um artigo de Mark Mcguinnes um especialista do tema criatividade e autor do livro: How to Motivate Creative People (Including Yourself). O artigo em questão já é de 2008, mas no entanto considero que contém informação muito útil sobre o tema que aqui estou a falar e, de alguma forma, resumirá o livro em questão. 
Muito sucintamente o que Mark nos fala no artigo é focado para  todos os profissionais das artes criativas. Ele pega nos motivos de as pessoas laborarem nessas áreas e, mais particularmente, nos motivos que os levam a trabalhar. Os conceitos extrínsecos e intrínsecos estão ligados a duas ideias muito simples. Por um lado, o salário que recebemos no final do mês pelo nosso trabalho é um motivo extrínseco (exterior); a paixão com que muitas vezes nos dedicamos a fazer esse trabalho sem nunca nos preocupar com o lado monetário é um motivo intrínseco (interior).
À partida pode parecer um contraste, porque todos nós sabemos que os dois parecem ser indissociáveis e que um leva sempre ao outro. Mas pode não ser bem assim... Muitas vezes a autonomia com que podemos tomar certas decisões, o contexto de trabalho onde estamos inseridos, a relação que estabelecemos entre a equipa em que trabalhamos, a capacidade empreendedora do patrão e a sua empatia para com a nossa particularidade pode fazer uma grande diferença entre ser criativo por espontaneidade ou por indução. Em suma, nem sempre a dicotomia dinheiro/paixão é a única razão que nos leva a ser mais criativos.

   

No caso concreto do dinheiro o autor acredita que mata a criatividade. Num manifesto intituado Money for Creative People em que analisa a relação dos criativos com este bem material ele foca-se nesta mesma questão. Mas no entanto também realça que os criativos são pessoas como todas as outras e precisam do dinheiro para pagar as suas contas. 
Então ele fala de uma harmonia que deve existir entre os dois polos. Por um lado não devemos ignorar o lado monetário, mas devemos ser capazes de nos dedicar à criatividade tonando-nos starving artist. No fundo é a tomada de uma posição ideológica contra o sistema em questão, isto é, preferimos viver em condições mais precárias quando não conseguimos nos firmar em determinadas áreas e ocupamos o nosso tempo de trabalho apenas para conseguir o suficiente para investir naquilo que realmente gostamos e pretendemos um dia conseguir obter. Mas atenção que isto não válido para todos e como o próprio realça e bem: "Yes, it’s also easy to find examples of great starving artists. But they were great because they succeeded at making art — not because they failed at making money." Sendo que os exemplos que ele fala são de Mozart ou Charles Chaplin. 
Contudo, admite que não é possível singrar seja em que área for se não tivermos uma gestão racional acerca do dinheiro e do que podemos fazer com ele. No fundo, o que interessa é que devemos sempre valorizar mais a criatividade e, com uma gestão lógica e não ambiciosa da parte financeira, utilizá-la para deixarmos que a criatividade seja o principal caminho a seguir. Como o próprio refere: 
When it comes down to it, you only need three things to succeed commercially as well as creatively:

  • a flexible and balanced mindset about creativity and money
  • a systematic approach to managing your finances, by recording your transactions and budgeting for upcoming expenses
  • understanding the critically important challenges that face you – and making the right decisions for the right reasons
No fundo, o que tentei com este post é dar uma perspetiva diferente dos caminhos que podemos seguir quando queremos de alguma forma poder singrar nas áreas criativas. Como podemos ver, existem alternativas capazes de nos preencherem e até nos clarificar sobre o melhor caminho a seguir. Um pouco no sentido do que falei anteriormente sobre a educação. Porém, chamo a atenção que não considero que este deva ser o caminho exclusivo. O sistema tal como está ainda não deu, pelo menos totalmente, provas que falha irremediavelmente. Por isso, no final devemos sempre ponderar muito bem sobre o caminho melhor a seguir. 

Links úteis:

http://lateralaction.com/creativemoney/
http://www.wishfulthinking.co.uk/2009/01/05/how-to-motivate-creative-people/
http://media.lateralaction.com/motivatecreate.pdf


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Crowd UM

Foi criado pela Universidade do Minho mais um projeto de investigação que de alguma forma se torna pioneiro em Portugal. É um projeto que conta com a colaboração de todos, especificamente com todos os alunos e ex-alunos daquela instituição. Um serviço que qualquer um pode ter acesso e, simultaneamente, contribuir para o desenvolvimento de pequenos projetos. O que o torna mais interessante é que funciona em conceito de CrowdSourcing, isto é, uma forma colaborativa de uma comunidade anónima ou conhecida se tornar fonte de desenvolvimento para a concretização de um determinado projeto. Está aberto para alunos e ex-alunos da UM. Chamo a atenção que os serviços focam-se também em áreas de Design e Web-design e outras áreas criativas. Segue, abaixo, a informação que foi colocada no site oficial que podem encontrar aqui





O Crowd UM surge como um novo serviço de intermediação de crowdsourcing, pensado para as organizações e para os alunos e ex-alunos da Universidade do Minho.
Esta iniciativa está integrada num processo de dissertação/investigação e da qual se espera resultados fiáveis para uma posterior avaliação do seu desempenho e consequente melhoria do serviço prestado.
No Crowd UM procuramos organizações que necessitem de apoio para a realização de algumas actividades simples mas criativas, nas quais os alunos vão ser capazes de ganhar experiência, criar conhecimento e tornarem-se mais empreendedores. Como resultado desta actividade, os alunos vão receber incentivos, sendo que a sua maioria será monetária ou de reconhecimento social e que podem servir de alavanca ao seu bom desempenho.
O Crowd UM será composto por desafios propostos por organizações patrocinadoras dos desafios, sendo esperada a interacção dos alunos como solucionadores dos desafios propostos. Após uma análise cuidada das respostas enviadas pelos alunos aos desafios propostos, será escolhida a melhor solução por parte das organizações, sendo essa a vencedora do desafio. Posteriormente, essa solução irá receber a recompensa definida no início do desafio.
Estes desafios consistiram na criação de pequenos logótipos para as organizações, design e criação de web sites, pequenas traduções(poster’s), tradução de pequenos documentos entre outros serviços que envolvam alguma criatividade.


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Gameful, um sítio de vídeojogos

Depois de ter falado sobre esta extraordinária mulher, que considero que tem uma visão muito positiva sobre a utilidade dos videojogos. Desta vez gostava de vos falar sobre um outro projeto em que Jane McGonigal está envolvida sendo até uma das suas criadoras.



A premissa é de que o tempo que passamos a jogar, pode ser também um contributo para podermos construir um mundo melhor. Este princípio é sempre baseado em que os Multiplayer-games podem ajudar a contribuir para uma inteligência coletiva, que através do arquivamento do conhecimento partilhado (tipo wikipédia) podemos conceber um mundo melhor. 
Gameful acaba por ser um quartel general, onde todos os fãs de vídeo jogos que acreditam: "connect with other people who believe in the power of games to make us better and change the world." Este conceito está implícito em todo o site. Onde mal nos registamos e confirmamos através de email, aparece um pedido: "What game are you spending most of your time playing these days? Is it having any positive impacts? Respond here."


Tendo mesmo um código de honra, o sitio está dedicado a uma narrativa de filantropia entre os vídeo jogos e a necessidade de um mundo melhor. Onde encarados num avatar como os da imagem acima, temos acesso a atividades, foruns, clasificados, etc.
Por isso, em vez de estar aqui a descrever do que é capaz de fazer e defender, proponho que lhe façam uma visita. Para que assim, em interação, descubram um pouco mais do que os vídeo jogos são capazes de fazer. 
Os próprios referem: "Gameful is an online Secret HQ for gamers and game developers who want to help change the world and make our real lives better. Think of it as a cross between a professional network and a creative brainstorming space. The goal is to make it easy for anyone making or playing world-changing games to find collaborators, mentors, jobs, ideas, and funding. And of course, to discover fun new games to play.

Reaprender

 Nunca é fácil quando conhecemos uma pessoa. Principalmente se por essa pessoa começarmos a sentir sentimentos.  É uma roda viva de emoções ...